Solares
10 Capítulo 10
BELLA......
Final do capítulo anterior.
21h da noite.
Edward chegou em casa e deu boa noite a todos, menos para mim e o segui com o olhar subindo a escada levando uma garrafa de bebida junto de si após pegá-la no bar. Ele chegou bem tarde hoje.
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22h da noite.
Um dos seguranças auxiliou Esme a descer as escadas e Carlisle desceu logo a seguir segurando no corrimão. Edward foi o último a descer e seus cabelos estavam molhados, devia ter acabado de tomar banho e tornou a colocar a garrafa de bebida pelo meio no lugar.
Ambos se sentaram à mesa e foram servidos, Edward e o pai não se falavam e Esme comia perdida em pensamentos. Apesar de tudo que passei até hoje nas mãos de Edward, ao olhá-lo daquela forma me dava um pouco de dó por saber que a culpa era dos meus pais. Mas não havia o que fazer, eu era invisível ali, eu era a doença da casa.
Edward pediu para Mary servi-lo ao invés de eu e permaneci quieta em meu lugar. Eu olhava para ele perdida em pensamentos e fui servir Carlisle colocando um pouco mais de arroz de forno em seu prato. Ele bebeu meio copo de whisky como se fosse água e Rosa ficou olhando para ele sem se pronunciar, afinal não era da conta dela a vida que levava os patrões. Era lamentável ver uma família tão bonita indo à direção do fundo do poço.
A sobremesa foi servida e eles comeram perdidos em pensamento da mesma forma que fizeram ao comerem a comida. Eu sentia que Edward era a base que segurava toda a obra, pois o pai estava acabado. Ele alimentava essa raiva e até justa, mas não para comigo, se ele vivesse um pouco melhor e tivesse uma mulher de verdade que lhe desse suporte, eu tinha certeza que muita coisa ali melhoraria. Aquela mulher chamada Tânia não parecia ser a ideal, seu jeito fútil de ser não demonstrava ter pulso forte para auxiliar a sogra e livrá-la daquela depressão, Esme precisava de apoio. Sendo que o marido por ser fraco demais não dava. Edward com essa cegueira em mim acabava atropelando a sua vida e até mesmo na recuperação desse grande trauma que eles estavam passando. Ele era à base daquela construção, eu entendia os seus sentimentos. Eu seria capaz de trocar a minha vida pela a da irmã dele se isso amenizasse o erro dos meus pais, mas era impossível.
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Ajudei as outras empregadas a tirar as coisas da mesa depois que os nossos patrões subiram e lavei as louças dessa vez. Mary secou tudinho e tive autorização para descer, eu estava azul de fome quando entrei para tomar o meu banho e nada de ficar naqueles dias. Nem sinal de cólica, nem sinal de nada ou uma dorzinha sequer.
Sequei-me e tive o privilégio de ver o meu prato de comida ali me esperando. Sem me importar de me vestir primeiro, eu comi estando enrolada na toalha.
Assim que acabei fui lavar as minhas mãos e me vesti. O segurança levou o meu prato e encostou a porta ante de subir. Fiquei sentada na cama sentindo a exaustão em meu corpo e resolvi me deitar para dormir.
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Terça feira, 15 de outubro.
O relógio despertou na mesma hora de sempre e me levantei para me arrumar. Subi a escada, fui para a cozinha e ajudei Rosa a ajeitar o café dos patrões. Havia muitas frutas e café forte a ser servido, o café com certeza seria para os dois homens donos da casa. Eles estavam bebendo igual água.
Levei a bandeja para a sala, só Carlisle e Edward estavam ali, eles nem se falavam e mal se olhavam. Comecei a servi-los e enchi bem a xícara deles de propósito de café, Edward olhou para minha cara pelo tamanho exagero e não falou nada.
Coloquei o mamão no pratinho de cada um deles e fui na cozinha pegar o restante das coisas, eles até que comeram bem e Edward já estava arrumado para ir trabalhar.
—Esme não quis descer. Falou Carlisle para mim e estranhei, Edward me olhou feio por causa disso como se eu tivesse tido a culpa do pai ter falado comigo primeiro.
—Ela está se sentindo mal senhor?
—Com um pouco de dor de cabeça.
—Eu sinto muito por tudo.
—Eu aprecio os seus sentimentos.
—Obrigado. Falei tirando o que eles já haviam comido.
Edward saiu aborrecido da mesa e eu continuei parada em meu lugar, ele não gostou da minha pequena conversa com o pai. Que culpa tinha eu? Nenhuma! Pensei.
—Não ligue para ele, está possuído pelo ódio.
—Eu o entendo senhor, sou fruto daqueles que arruinaram tudo.
—Eu sei e nunca irei perdoá-los, mas não posso condená-la pelos atos dos seus pais.
—Eu lamento de verdade e se houvesse como, eu juro que trocaria a minha vida pela a da sua filha se isso amenizasse a culpa que eu sinto, mesmo eu não tendo as cometido.
—Somos todos culpados, mas aqui você não tem culpa, nem a minha mulher e muito menos a nossa filha que se foi. Mas o meu filho é teimoso demais e não posso com ele como você mesma vê. Não posso perdê-lo caso se revolte mais ainda e decida se afastar de casa. A mãe pioraria ainda mais.
—Eu torço para que isso nunca aconteça.
—Ele não era assim, se o conhecesse antes veria a brusca diferença.
—Acredito no senhor e o ódio nos transforma.
Ele sorriu levemente e se retirou da mesa, comecei a recolher as coisas e Edward veio igual a um touro me virando de frente para ele.
—Se acha que vai me enganar com essa ladainha está muito enganada!
—Não estou lhe enganando e sinto muito por tudo que está acontecendo.
—Agradeça aos seus malditos pais!
—Já estou ciente dos erros deles e não consigo achar ainda o meu.
—Acho bom ficar quieta! Já esqueceu que se eu quiser dar um sumiço em você eu dou agora mesmo?
—Eu mesma faria com a minha própria vida se isso trouxesse a sua irmã de volta. Eu juro para você Edward.
—Para você eu sou SENHOR!
—Não é tão velho assim!
—Fique avisada! Fale de menos e economize o meu ouvido da sua voz. Se não me obedecer hoje mesmo limpo essa bagunça e tiro de vez a sua presença das nossas vidas! Não imagina o quanto lhe odeio!
—Não precisa ser assim, não fiz nada para vocês.
—Fizeram sim! Agora preciso ir porque se eu ficar mais um pouco, sou capaz de matá-la agora mesmo! Eu a odeio!
Ele se afastou zangado e foi embora trabalhar. Continuei fazendo o meu serviço dentro de casa e perdi uma grande quantidade de tempo varrendo o quintal que era enorme. Monstruoso eu diria.
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Dentro de casa, passei o pano úmido em alguns utensílios espalhados pela casa e era possível escutar o choro de Esme. Passei direto sem ter com ir consolá-la por Edward ter ordenado a minha distância dela para os demais. Tuquinha latia dentro do quarto talvez por ouvir a dona atual chorando, os animais tinham disso às vezes.
Continuei trabalhando.
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Na hora do almoço ela não quis comer mais uma vez e fiquei preocupada internamente, eu era proibida de expressar emoções e a Rosa era igual a Edward comigo, agia sem pena nos atos e palavras.
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Às 19h da noite.
Edward chegou e subiu para o quarto dele como sempre fazia, eu e Mary terminamos de aprontar a janta e meia hora depois Carlisle mais o filho desceram para jantar. Esme mais uma vez não compareceu.
Edward se entupia no whisky e ainda não estava falando com o pai, Carlisle não bebeu dessa vez. Quando eles terminaram Carlisle dispensou a sobremesa e subiu, já Edward permaneceu na sala e foi assistir televisão com a garrafa mais o copo contendo whisky na mão. Comecei a limpar a mesa e passei pano úmido nela, somente na parte que eles comeram.
Lavei toda a louça e Mary as secou, a todo o momento eu fiquei pensando na mãe de Edward e na sua falta de apetite, ela tinha que se alimentar.
Voltei na sala e apertei o botão para arriar as barreiras protetoras. Saí da sala e Rosa ordenou que eu descesse, pois já era a hora de eu me recolher.
Desci a escada devagar e entrei no porão, fechei a porta e comecei a tirar a minha roupa um pouco devagar por estar me sentindo cansada demais. Fui para o banheiro e terminei de tirar a minha roupa, lavei a minha calcinha e a coloquei na corda, finalmente entrei no Box e comecei a tomar o meu banho. Lavei a minha cabeça primeiro e depois ensaboei o meu corpo, retirei todo o excesso de sabão e permaneci parada deixando a água fria cair sobre o meu corpo para tentar relaxá-lo. Nunca trabalhei na minha vida e a primeira vez que faço me deixou traumatizada, sei que a Rosa me sobrecarregava de propósito a maioria das vezes.
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Sai do banheiro enrolada na toalha e o meu prato acabava de chegar, Mary foi quem trouxe. Não tivemos tempo para conversar, pois o segurança marcou durinho vindo nos olhar, aí ela subiu pra não dar muita bandeira.
Terminei de comer e fui escovar os meus dentes, eu praticamente me joguei sobre a cama pelo cansaço e fiquei pensando na minha vida, eu rezava para não estar grávida, a minha falta de menstruação já estava me apavorando e eu não conseguia parar de pensar nisso. Nunca almejei engravidar dessa maneira, eu estava tão absorta em pensamentos que nem me dei conta que as horas estavam passando, me levantei para apagar a luz e com cuidado fui na direção da cama para dormir. Foi o que eu fiz.
Minha noite foi tranquila e sem pesadelos.
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Quarta feira, 16 de outubro.
O dia amanheceu nublado, pude constatar ao levar o lixo para fora, acho que hoje choveria mais tarde. Edward já havia ido trabalhar e o pai foi logo a seguir, eles ainda não estavam se falando. Edward era bem genioso e o pai se rendia pelo medo de perdê-lo, mas não deveria ser assim por um precisar do outro ainda mais nesse momento.
Por sorte não tinha nada para fazer, apenas varrer, passar pano e molhar as plantas dentro de casa. Ajudei Mary com o almoço e a patroa não quis comer, Rosa tentou convencê-la, mas não conseguiu. Pude reparar sua profunda tristeza ao varrer o quarto dela horas atrás e vê-la deitada na cama sem vontade até de escutar a televisão.
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18h da noite.
Edward chegou com Tânia e ficaram na sala conversando, ela não subiu para cumprimentar a sogra e ficaram no sofá se pegando. Mesmo tentando disfarçar, Edward estava preocupado com o estado da mãe dele e o pai dele não estava em casa ainda. Pela minha intuição, acho que seria mais um dia que ele não viria para casa e Edward estava bem chateado com isso.
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19:30min da noite.
O jantar foi servido sem a presença de Carlisle, Edward não colocou uma gota sequer de álcool na boca e comeu somente os dois. Rosa subiu com um prato feito sobre uma bandeja, mas a patroa recusou e ela desceu com o prato intocado.
Paciente e inconformado Edward pegou o prato e subiu para o quarto dela, mas nem com o filho ela quis comer e observei ele descendo com o prato cheio também. Seu rosto não era dos melhores, ele tinha razão para estar chateado.
Sem ter medo de arriscar, me aproximei dele um pouco temerosa enquanto que ele acabava de colocar o prato sobre a pia.
—Edward me deixa tentar.
—Não a quero perto da minha mãe!
—Não se trata de querer ou não, ela pode ficar gravemente doente se continuar dessa forma rejeitando a comida.
—Acha que irá conseguir? Perguntou ele próximo demais em tom de desafio e debochando da minha cara. –Sou o filho dela!
—Não vai custar tentar e a sua namorada nem se moveu! Já eu sendo apenas uma empregada, tenho a esperança de conseguir.
—Não coloque a Tânia no meio, não vê que a diferença é tamanha?
—É eu vejo. Fútil, jeito mimado de ser e parece que só se preocupa com o seu próprio nariz e na vida do namorado!
—Estou saturado das suas intromissões, mas se acha que consegue, pode ir, mas tome muito cuidado com o que vá fazer ou falar. Estou de olho em você garota! Agora vá e não me encha mais o saco!
—Já está frio, fique aqui que eu mesma irei preparar o prato dela, não tenho má intenção para com ela.
—Que seja! Já falou demais e agora se mova! Disse ele em tom autoritário.
—Tudo bem.
Peguei um outro prato e coloquei caldinho de feijão. Coloquei o purê e o restante da comida, ficou bem leve e peguei um copo de suco para ela. Subi tendo a supervisão do segurança, mas ele ficou do lado de fora quando entrei no quarto.
—Quem é? Perguntou Esme catando o óculo e sem querer ele caiu no chão.
—Sou eu senhora e não se preocupe, eu pego o óculo para a senhora.
—Não quero que me vejam assim! Disse ela nervosa.
—Eu já vi e agora relaxe.
—Não fique olhando para mim!
—Eu prometo que não irei, estou com os meus olhos fechados, veja. Coloquei a mão dela sobre os meus olhos enquanto que colocava um pouco sem jeito o óculo nela.
—O que deseja?
—Vim trazer a sua janta, ou pretende abandonar o seu filho e o seu marido muito em breve por desnutrição?
—Apesar do meu marido me rejeitar, eu não quero abandoná-lo e muito menos o meu filho. Eu os amo, da mesma forma que amei a minha filha.
—Ele não a rejeita senhora, só não está sabendo lidar com a situação, vai ver como ele um dia desses vai cair em si e vai lhe pedir perdão pela ausência.
—Você acha? Perguntou ela se ajeitando melhor na cama e se sentou.
—Eu tenho certeza, a senhora é uma mulher muito bonita e não acabou o amor. Os senhores estão traumatizados e é apenas isso. Sei que essa dor vai ser para sempre e a saudade vai permanecer em seus corações, mas eu sei que Brenda não gostaria que a senhora ficasse dessa forma. Ela te amava, não é?
—Ela sempre dizia que me amava, ela era muito carinhosa. Disse ela deixando as lágrimas escorrerem.
—Eu acredito nisso, agora coma senhora, ela faria o mesmo se fosse o contrário. Precisa ficar forte para o seu marido e para o seu filho.
—Meu filho está sendo má com você?
—Não, ele só me obriga a arrumar a casa e se zanga quando eu faço mal feito. Menti.
—Isso é verdade?
—É sim. Falei pensativa. –Agora coma dona Esme, cheguei a preparar outro prato e está quentinho.
—Sei que a Rosa a maltrata.
—Ela não simpatiza comigo por ser filha de quem eu sou.
—Eu sei disso, mas algo não me deixa ter raiva de você, ou sabia de tudo?
—Pela felicidade de um filho que um dia eu hei de ter, eu não sabia de nada. Agora vamos comer e parar de falar em coisas ruins, a senhora está me enrolando! Falei brincando e coloquei o prato de comida no colo dela. –O sabor está muito bom.
—Já jantou?
—Eu já. Menti para estimulá-la.
Devagar ela começou a comer, fiquei fazendo companhia a ela até ela terminar e dei o copo de suco em sua mão, ela bebeu tudinho e lhe acompanhei até o banheiro para que escovasse os dentes e se asseasse.
Voltamos para o quarto e tomei um susto com Edward parado no canto da parede, fazendo sinal para eu ficar quieta, eu ajudei a mãe dele a se deitar e a cobri como se ele não estivesse ali nos olhando.
—Obrigado filha.
—Quem agradece sou eu senhora.
—Você é bem legal e muito atenciosa, quem me dera se Tânia fosse sempre assim também. Ela não é uma má pessoa sabe, mas sei que o seu propósito e só em meu filho, ela não é tão família. Percebeu isso também?
—Não reparei senhora. Falei com medo de ser castigada por Edward que estava ali ouvindo tudo. Fiquei passada com a revelação estando o filho ali presente e em certo ponto, eu até gostei.
—Boa noite para você.
—Para a senhora também. Falei a cobrindo e coloquei na temperatura amena o ar condicionado.
Ela se ajeitou melhor na cama e eu sai do quarto tendo a companhia de Edward.
—O que falou a respeito de Tânia para ela? Perguntou ele com a sua forma bruta de ser comigo.
—Não falei nada, foi a sua mãe quem falou. Você estava ali e escutou tudo!
—Você é uma mentirosa!
—E você é um burro, o pior cego é aquele que não quer enxergar o que estar bem diante de si! Seja grato. A sua inimiga conseguiu fazer com que a sua mamãe comesse! Falei deixando ele parado no meio do corredor e desci a escada passando com o prato vazio para a cozinha.
—Ela comeu Isabella? Perguntou Mary surpresa.
—Sim, ela comeu e bebeu o suco.
—Que maravilha! Disse ela sorrindo e eu a acompanhei sorrindo pra valer. Edward entrou na cozinha filmando com o olhar o meu entrosamento com a outra empregada e parei de sorrir na mesma hora. Tratei de lavar logo o prato que eu havia trazido do quarto da mãe dele tendo o seu olhar a todo instante em mim.
—Vá para baixo, já passou da hora. Ordenou ele.
—Tudo bem. Falei secando a minha mão e passei por ele, desci a escada e fechei a porta após entrar no porão.
Fui tomar o meu banho me sentindo feliz pela primeira vez ali, mas o meu sorriso morreu ao me recordar das grosserias que ele me fazia. Eu tentava fazer com que elas não me ferissem, mas algumas delas acabam penetrando em minha barreira de proteção.
Sequei-me e fui me sentar na cama, eu aguardaria a minha janta chegar e foi Mary quem a trouxe. Comi tudinho e bebi a água do copo, ela se foi levando tudo com ela após eu acabar de comer.
Fui escovar os meus dentes e me deitei já me sentindo bem sonolenta.
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Madrugada de quinta feira, 17 de outubro.
03:25min da manhã
Acordei com Edward subindo na cama e me levantei correndo, fui mais rápida que ele pela luz estar acesa. Foi a minha sorte.
—Acho melhor ir para o seu quarto Edward, a sua namorada está lá em cima!
—Para você eu sou senhor! Disse ele se deitando na cama e eu fiquei em pé apenas de blusão e calcinha.
—Não pode continuar fazendo o que faz dessa forma. Não temos intimidades, vá ficar com a sua namorada! Eu já não estou trabalhando? Por que insiste em abusar de mim?
—Fico aonde me der na telha e detesto mulheres pegajosas e chatas!
—Não quero ser abusada sem camisinha. Não é certo o que faz comigo!
—Abusada? Perguntou ele sorrindo.
—É contra a minha vontade, então é estupro!
—Mas para mim......hum! Sabe que não é! Falou ele a fim de me provocar com o tom de ironia.
—Não quero fazer isso, não sei da sua vida e nem da de Tânia. São dois estranhos para mim!
—Não enxergou as camisinhas no lixo quando eu ordenei que limpasse o meu quarto? Eu ainda não me esqueci que insinuou que eu sou brocha!
—Não insinuei não. Eu só não quero que isso aconteça e não fiquei revirando o lixo do seu quarto ou as suas coisas, posso acabar grávida de um homem indesejado por mim. Você não pode continuar com isso, é horrível e constrangedor demais para mim!
—Planta ruim não prolifera, tenha em mente isso! Disse ele para me ofender. –Não serve para muitas coisas, apenas para a diversão!
—É O QUE VOCÊ DIZ! Falei um pouco mais alto e ele veio até a mim.
Corri para o banheiro e tentei fechar a porta, mas ele conseguiu abrir e me pegou a força. Fui jogada sobre a cama e numa rapidez incrível ele arrancou a minha roupa e ficou sobre mim.
—Eu te odeio!
—Ótimo! Somos dois então. Falou ele
Entreabri os meus lábios ao sentir que ele me invadia e a droga da luz estava acesa, ele veria as minhas reações. Seus movimentos eram intensos e me roubavam o ar. Meus cabelos foram puxados, meu pescoço devorado pelos lábios dele e ele nunca fez questão de beijar os meus lábios a força. Sem querer e me dar conta, eu abri as minhas pernas e ele foi profundo chegando a ficar por completo dentro de mim, pensei que ficaria asfixiada nesse momento por ter prendido o ar. Prendi um suspiro por ele ser bem dotado, depois um outro e assim fiquei na luta de não demonstrar através dos meus lábios o que eu estava sentindo. Eu jamais deixaria algum escapar e nem me movia, eu deixava ele fazer o que quisesse comigo e acabei gozando quando eu menos esperei.
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Edward me colocou de joelhos e sem haver luta da minha parte, ele se movia sem se cansar e ganhei muitos tapas em meu traseiro, devia estar vermelho já. Senti que ele gozou em mim e com a umidade eu acabei gozando também. Que tortura!
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2h depois.
Ele nunca parava de dar impulsos contra o meu corpo e muita das vezes me roubava o fôlego por ser grande e eu pequena demais. Só sei que ele me deixou pra lá de moída sobre a cama ao se retirar de mim quando se deu por satisfeito. Eu mal conseguia me mover pelos incontáveis orgasmos que tive e virei de barriga pra cima com dificuldade a fim de olhar para ele. Hoje ele se vingou de mim por achar que eu o chamei de brocha. Foram muitas vezes e eu não estava acostumada a fazer por várias vezes, eu estava com as minhas dobras e virilha sensível. Mal ele sabia que fazia tão pouco tempo que eu tinha perdido a minha virgindade, mas eu ficava imóvel de propósito sob ele.
Edward colocou o roupão e abriu a porta, ele se foi sem olhar para trás ao fechar a porta. Meu corpo só cheirava o perfume dele e minhas carnes estavam todas tremulas. Minhas partes mais escondidas protestavam também. Tive que ir tomar um bom banho para tirar os fluídos dele do meu corpo e voltei para a cama tendo que trocar o lençol. Fui até o banheiro e o lavei, a seguir o estendi na corda improvisada e voltei para dormir. Minhas pernas haviam ficado bem doloridas e ele me mostrou o quanto ele era capaz. Eu não teria dúvidas mais.
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07:30min da manhã.
Levantei e me arrumei correndo.
Ajudei a servir o café e a Tânia já não estava mais na casa, cedo mesmo ela deve ter ido embora e não ficou para o café. Achei bem estranho e Edward agia como se nada tivesse acontecido entre nós, ainda mais daquela forma que ele me pegou quase me deixando sem ar e as pernas. Ele era mestre no disfarce, mas com certeza o segurança noturno sabia dos abusos dele e na certa os outros também.
Ele tomou café e subiu com a bandeja para levar o da mãe dele, por sorte ela comeu com ele, pude observar ao varrer a casa quando ele desceu com a bandeja vazia. Depois foi a vez de eu subir para varrer o corredor e vi que Esme ficou sentada na varanda do quarto dela pegando a fresquinha da manhã. Isso fazia bem a ela, sempre afirmei que os ares do mar e a água dele nos renovavam e funcionavam comigo.
Da janela eu vi quando ele saiu em um outro carro e pelo modelo, me recordei da vez em que um igual aquele mesmo fechou jake nos levando quase a bater e capotar com o carro. Nesse dia tomamos um susto enorme e pensei que iria morrer naquele mesmo momento. Sai da janela e continuei a minha limpeza. Varri o quarto dele e passei pano tendo o olhar especulador do segurança a todo o momento. Limpei, limpei e limpei, eu já havia terminado ali em cima.
Com uma nova ordem de Rosa, eu fui para a área colocar as roupas dos patrões para lavar, fiz o mesmo com alguns panos de prato da cozinha que estavam sempre limpos durante o uso. Não havia nem sinal de manchas nos tecidos.
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Fui colocar toda a roupa no varal e fiquei olhando em volta, ganhei alguns olhares e tornei a entrar. Na hora do almoço Rosa foi levar o almoço de Esme e ela avisou que só iria comer se fosse eu a ajudá-la. Rosa entregou o prato na minha mão não muito satisfeita e mandou o segurança subir comigo.
—Já cheguei senhora. Falei entrando no quarto dela e ela estava sentada do lado de fora ainda. O sol estava muito quente para ela ficar ali. –O sol está muito forte e a senhora não está protegida com o protetor. Não quis comer com a Rosa?
—Gosto da sua companhia. Sente-se.
—Acho melhor não, os seguranças estão de olho em mim e com certeza a Rosa. Eles irão contar a Edward a sua decisão.
—Não ligue, trouxe o meu prato?
—Sim. Vou colocá-la primeiro sob o guarda-sol da mesa.
—Ok.
Ela se levantou e a guiei até a sombra do guarda-sol, ela se sentou e coloquei o prato a sua frente.
—Não vai me ajudar? Eu não enxergo o prato.
—Tente a senhora, mesmo que eu tenha que lhe ajudar com o banho depois.
—Não quero que veja o meu corpo.
—Não irei, tem a minha palavra.
Devagar ela pegou o garfo e foi se virando, teve dificuldade ao partir o bife e um pouco de comida caiu sobre a mesa.
—Fiz besteira. Disse ela chorando. –Estou tão imprestável!
—Precisa ser mais lenta, continue a comer. Falei limpando a mesa.
—Eu tento, mas detesto fazer o papel de criança depois de adulta, por isso o meu marido foge de mim. Disse ela soluçando.
—Juro que se a senhora continuar falando esse tipo de coisa, eu não vou vir ajudá-la mais, mesmo que seja punida depois.
—Não vê a minha situação ou acha pouco?
—Eu a entendo mais que qualquer um aqui senhora. Agora tente comer aos pouquinhos, vai ver que vai conseguir se sair melhor.
—No hospital as enfermeiras me davam na boca.
—Ensinarei a senhora a comer sozinha, mesmo eu tendo apenas dezoito anos, eu sei me virar bem.
—É muito nova.
—Pois é, mas não vamos falar sobre mim. Quero poder te ajudar.
—Não tem como, estou cega!
—Mas não está morta, agora deixe disso e continue comendo devagar.
—Tentarei.
Fiquei ao lado dela e caiu bem menos comida dessa vez, acho que ela iria pegando a prática aos pouquinhos. Devagar ela levou a mão até o copo e bebeu o suco de manga todo. Coloquei a sobremesa em sua mão por ser uma fruta e ela comeu, vez ou outra me contava a respeito de sua filha deixando as lágrimas rolarem e eu a minha maneira a consolava. Ela ficava mais calma com as minhas palavras e ao acordar em sua caminha, tuquinha veio latindo e se escorou na perna de Esme. Imediatamente ela pegou a cachorrinha no colo e ficou brincando com ela.
—Está muito calor, não costuma usar a piscina?
—Às vezes eu tomava banho de piscina, sempre cuidei de casa e não me faltava nada, meu marido não deixava eu trabalhar.
—Tem uma casa muito bonita.
—Sei que dá muito trabalho para arrumá-la.
—Minhas mãos quem o diga. Falei sorrindo.
—O que o meu filho apronta com você?
—Nada demais senhora, não vamos falar sobre isso.
—Ele é um bom rapaz.
—Não o conheço. Falei pensativa e discordando dela, ele era terrível comigo. –Preciso descer e terminar o meu trabalho. A senhora deseja mais alguma coisa?
—Escovar os meus dentes e escutar televisão.
—Irei levá-la. Ela se levantou e deixei o prato dela sobre a mesa do lado de fora. A levei para o banheiro e a deixei à vontade para escovar os dentes e se assear em sua intimidade. Com o consentimento dela eu abri a porta e a guiei através da fala para ela ir se deitar sozinha. Liguei a televisão e ela foi passando os canais até se interessar em algo. –Está confortável?
—Sim, obrigado.
—Que bom! Tenho que pegar o prato na varanda e irei descer.
—Trará o café para mim?
—Isso depende da senhora.
—Ok.
Desci e fui para a cozinha, Rosa limpava o fogão e Mary lia uma revista. Lavei o prato e o meu de comida já estava feito dentro do forno. Sentei-me para comer e na vigilância de Rosa tive que comer em dez minutos, ela não pareceu gostar que a patroa preferisse comer comigo. Eu até gostei. Após o almoço, eu fui limpar com pano úmido as vigas de madeira do lado de fora da casa. O sol estava forte por ser duas e pouca da tarde. De tanto ralar ali do lado de fora meu rosto ficou bem vermelho e os meus braços também por ser branca demais.
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Às 17h da tarde.
Fui levar chá com torradas para a patroa e ela foi tomar banho tendo a minha companhia no quarto. Assim que ela saiu, eu a penteei por decisão minha e a perfumei depois de dias que ela não o fazia, isso dizendo ela.
Esme preferiu ficar no quarto e eu desci para continuar o meu afazer.
Molhei todas as plantas do jardim e as de dentro de casa. O final da tarde eu passei passando roupa e dei uma geral na área de serviço passando a vassoura e o pano molhado.
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18:44min da noite.
Edward chegou do trabalho e cumprimentou os outros trabalhadores, depois foi para o bar pegar uma dose de whisky e bebeu numa golada só.
—O que faz aí me olhando? Perguntou ele quando eu passei por ele segurando uma flanela.
—Não estava.
—Conseguiu trabalhar com as perninhas hoje? Perguntou ele irônico e encheu um pouco mais o copo de bebida. –Ou o brocha aqui não soube dar conta do recado? Não precisa dizer porque eu sei que sim! Disse ele me olhando e eu para ele.
—Estou em pé aqui na sua frente, a casa pelo o que vejo está limpa. O que acha?
—O Que é, vai ficar me desafiando? Perguntou ele segurando o meu braço e eu continuei parada ignorando a grosseria dele.
—Eu lhe respondi! Agora me solta!
—Sabe que quando eu quiser! Disse ele me segurando ainda e Rosa passou por nós sorrindo fazendo com que a minha raiva triplicasse.
—É um grosso! Se acha o tal e mal sabe tratar uma mulher de verdade, seja ela quem for! É um otário, um fracassado, um Derrotado e um Vingativo abestado! Entope-se de bebida achando que ela vai resolver alguma coisa! Sei que vai, vai te levar para o fundo do poço igual está indo o seu pai e ainda por cima irá arrastar a pobre da mulher junto! Ganhei um tapa que me levou ao chão. –A verdade dói, mas a minha verdade dói mais em mim! Eu sou inocente no meio dessa sujeira toda! Seu alcoólatra! Tenho dó da sua mãe e de sua irmã! Agora você é um estúpido, ESTUPIDOOO!!! Falei gritando.
—Nunca se compare a elas! Nunca! Disse ele puxando o meu cabelo e me levantei na marra tendo a mão dele puxando-os pra valer. –Agora desça e não me apareça mais aqui em cima! Não quero olhar para você e ande logo. Disse ele me empurrando e quase caí novamente.
Desci a escada que me levaria para o porão correndo e me joguei chorando na cama. Levar um tapa daqueles doía demais e fui para o banheiro tomar banho, me lavei por inteira e sai para me secar. Vesti-me e fui me deitar na cama para descansar.
Acabei ficando sem a jantar por desacatá-lo em sua própria casa e ofendê-lo de forma dura, estávamos quites por ele fazer o mesmo comigo, mas nem se compara nas ações. Era uma situação muito dura para mim.
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Um mês depois. 17 de novembro.
Com o passar dos dias, ele me manteve por todo esse tempo presa no porão. Eu não subi mais para trabalhar depois daquela noite em que eu o desafiei e que levei aquele doloroso tapa em meu rosto. Não sei como as coisas estavam indo para a Esme, se ela continuou se alimentando e levantando o astral aos pouquinhos. Perder um filho devia ser doloroso demais. Piorava pela maneira cruel que foi, elas sofreram muito.
Eu parei de ter os pesadelos, mas por várias vezes eu acordava na noite chorando e tornava a dormir quando eu me acalmava. Eu não sabia como tudo estava indo no andar de cima e a curiosidade me atacava. Nem Mary mais eu a vi e quem trazia a comida era sempre o segurança, até Edward eu fiquei sem vê-lo durante todo esse tempo. Nunca mais ele me encostou a mão.
Meu cabelo estava com a raiz dando dois dedos de diferença e um pouquinho maior, diria que quatro centímetros, ele crescia rápido.
Minha alimentação era variada, às vezes eu almoço, às vezes não. Janto e às vezes não, mas a maioria das noites eu comia. Eu desconfiava que quando o clima lá em cima ficava ruim, era em mim descontado e o pior aconteceu, eu estava mesmo esperando um filho dele. Fazia dias que a minha regra não descia e contei os dias em que fiquei trancafiada ali em baixo, deu trinta e um certinhos.
Os enjôos se faziam presente, a sonolência me atropelava e eu passava a maior parte do tempo dormindo ali em baixo. Sem contar à fome que me dava e mesmo comendo o que me mandava, eu ainda sentia fome. Sem contar os desejos que eu tinha, eu chegava a salivar sem sentir gosto algum na boca.
Eu estava com muito medo dele descobrir, sendo que cedo ou mais tarde ele descobriria, a barriga não teria como escondê-la estando eu aqui no mesmo teto que ele.
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+ semanas se passaram.
Meu corpo estava mudando, meus seios estavam um pouco volumosos e duros. A dor que eu sentia neles era sem igual. Minha barriga estava grandinha e quem observasse melhor notaria a diferença caso eu estivesse usando uma roupa bem coladinha. Caso eu fosse liberada para subir novamente e não a minha morte, o uniforme a esconderia, mas os meus seios não.
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Atualmente.
Sábado, 14 de Dezembro.
07:30min da manhã.
Despertei com alguém me sacudindo e tomei um susto com isso, fazia muitos dias que ninguém me tocava.
—Isabella, acorde. Chamava-me Mary.
—Mary! Que milagre você por aqui. Falei deixando as lágrimas rolarem.
—Vim lhe acordar, tem permissão para voltar a trabalhar, mas se comporte dessa vez. Viu o que acontece quando se fala demais?
—Acho que já aprendi a lição. Eu estava com saudades de você.
—Eu também! Disse ela sorrindo.
—Está um pouco pálida. Tem deixado de comer?
—Não, eu não tenho. Acho que é a falta de sol, fiquei muito tempo aqui em baixo.
—Agora vá tomar seu banho e esteja às 8h lá em cima.
—Tudo bem.
Levantei devagar e fui tomar o meu banho. Coloquei o meu uniforme depois de muito tempo e ajeitei o avental na minha cintura, mais um pouco a barriga iria ser percebida, o avental estava me ajudando bem.
Penteei o meu cabelo e subi achando um pouco estranho depois de dias confinada lá em baixo. Fui para a cozinha e Rosa estava ali.
—Com já sabe, vá servi o café da manhã.
—Tudo bem.
Peguei a primeira bandeja e fui para a sala, apenas Edward estava ali sentado e o servi sem encará-lo. Ele comia absorto demais e pouco se importou com a minha presença ali até um certo momento.
—Está autorizada a subir, mas faça por onde não ir para o ralo dessa vez.
—Ok.
—Minha mãe deseja vê-la, não quer comer faz dias.
—Eu sinto muito.
—Não terminei de falar.
—Desculpe.
—Ela está bem mal. Mas se falar algo demais ou de menos, sabe o que acontece!
—Eu sei.
—Ajude-a no que ela precisar, um segurança estará na sua cola. MALDITAMENTE....... ela simpatizou com a filha de marginais! Agora, muito cuidado com os seus atos, não pensarei nem duas vezes mais! Já passou do seu tempo aqui!
—Tudo bem.
—Tente convencê-la a tomar o café, comigo e com Rosa ela não quer.
—Irei agora mesmo.
—Pode ir. Disse ele não me olhando.
Fui até a cozinha e a bandeja de café da manhã dela já estava pronta. A peguei e subi a escada com cuidado, fui andando pelo corredor e ao sentir o meu cheiro à cachorrinha veio correndo latir para mim, ela fez tanta festa e correu na minha frente entrando no quarto de Esme.
—Posso entra?
—Isabella? É você mesmo filha? Perguntou ela se sentando na cama e usava o óculo.
—Em pessoa!
—O que foi que ele fez com você durante esse tempo? Ele não me conta e nem os outros por serem fiéis a ele.
—Nada demais.
—É tão mentirosa. Ele lhe deu um castigo, não foi?
—Não se preocupe, eu estou bem.
—De verdade ou é só para me enganar?
—De verdade. Vamos tomar o café?
—Estou sem vontade, não tenho fome. Meu marido está fora de casa a um mês. Dizendo Edward ele precisou viajar, mas sei que é mentira.
—Poxa, eu lamento tanto. Falei sentida e pensativa.
—Eu também, mas estou aprendendo a me conformar. Dizem que não podemos obrigar ninguém.
—Ele é o seu marido, mas não vamos falar disso. Desejo que coma algo ou terá que ir para o hospital por estar magrinha.
—Eu sinto falta dele, éramos tão felizes antes. Disse ela chorando.
—Eu não sei o que dizer, mas posso dividir esse mesmo pensamento que a senhora. Sinto saudades da minha vida também.
—Meu filho a mantém presa aqui, sei disso, mas ele deixou claro que não éramos para se meter. Ele é rebelde quando quer e brigou com o pai por causa disso mais uma vez. Passou-se três dias depois que você sumiu e o meu marido voltou, mas acho que olhar para mim é demais para ele, aí o meu filho me avisou na noite seguinte que ele precisou viajar. Disse ela chorando pra valer e eu segurei na mão dela, estava gelada e desliguei o ar. –Rosa falou que as marcas estão sumindo com o creme que eu estou passando, foi bem caro, mas ela disse que está adiantando. É verdade? Perguntou ela tirando a coberta de cima das pernas e trajava uma camisola negra, ela só andava assim igual o filho.
—Estão desaparecendo. Falei observando a eficácia do creme e faltava pouco para desaparecer tudo. –Está uma maravilha senhora, já pode até colocar uma saia ou uma roupa mais curta se a senhora quiser.
—Isso é verdade ou é só para me agradar?
—Eu juro. Esse creme é uma maravilha.
—Ele é suíço. Que bom que está mesmo dando resultado, eu ganhei chicotada em minhas pernas e pontas de cigarro aceso também. Disse ela chorando. –Não imagina o quanto isso doía em mim.
—Faço ideia senhora, mas não dá quase para ver, são borrões agora. Continuei passando o creme.
—Eu irei. Disse ela secando as lágrimas e eu fui abrir a porta da varanda me recordando dos pesadelos de antes.
—O dia está lindo aqui fora. O sol está quentinho por enquanto e logo subirá aquecendo tudo de verdade. Quer vir comer aqui?
—Estou sem fome.
—A senhora que está fazendo greve, eu ouvi o seu estomago roncando.
—Você é observadora! Disse ela se levantando da cama e arriscou alguns paços para frente.
—É só vim reto. Falei observando-a.
—Reto para a direita ou esquerda?
—Para a frente.
—Ok. Disse ela secando algumas lágrimas e veio caminhando devagar.
—Vou arrumar um cabo de vassoura, a senhora irá se mover melhor dessa forma.
—Um cabo de vassoura?
—É, só assim a senhora vai se escorando e vendo se tem algum obstáculo à sua frente.
—Acha que vai funcionar?
—Eu tenho certeza. Falei puxando a cadeira para ela se sentar. –O café está variado e tem bastante coisa.
—Come comigo? Só comerei se fizer o mesmo.
—Não tenho autorização senhora, eu não posso.
—Coma, coma comigo ou do contrário eu não comerei também!
Em dúvida eu olhei para cima pedindo a Deus que Edward não me castigasse e tornei a olhar para ela.
—Acho melhor não senhora, coma tranquila e estarei aqui fazendo companhia.
—Então leve essa bandeja, não irei comer!
Olhei para dentro do quarto e Edward estava sentado na cama da mãe escutando tudinho, já que eu estava de costas para dentro de casa e não o vi entrando. Ele fez sinal para eu prosseguir.
—Tudo bem, eu como um pedaço do bolo. Está bom?
—Brenda tomava café da manhã aqui comigo, sinto saudades disso. Não à estou substituindo, mas a sua companhia me deixa bem. Eu me sinto deprimida ultimamente, eu preciso melhorar isso, mas eu não consigo me reerguer.
—Aos pouquinhos eu tenho certeza que sairá dessa depressão, mantenha viva a sua filha em seu coração. Nunca irá esquecê-la, sabe disso.
—Ela estará para sempre em meu coração. O meu bebê.
—Minha mãe me chamava assim também, eu a reprovava por ser moça grande. Falei deixando algumas lágrimas cair.
—Para os pais os filhos sempre irão ser os seus bebês. Acredita que ela também me reprovava, dizia que já era uma adolescente e não uma criança. Sorrimos juntas.
—Os filhos são rebeldes.
—Eu sei que sim, tiro pelo o meu Edward. Ele é muito bonito, você não acha?
—Ele é......Simpático. Falei constrangida por ele está ali ouvindo tudo.
—Ele não é simpático, ele é lindo. Não falo isso por ele ser o meu filho, as garotas sempre correram atrás dele, mas o meu filho tem o espírito de velho e é um pouco enjoado. Não era com qualquer uma que ele ficava não. Pelo menos ele tinha que sentir algo, ele falava isso para mim.
—Imagino senhora.
—Agora coma mais alguma coisa. O que tem aí?
—Salada de frutas, a sua xícara de café com leite, brioche doce e torrada para serem comidas com geleia.
—Só coisa que engorda. Como você é? Sempre fui curiosa.
—Sou branca, gostava de pintar os meus cabelos de loiros, mas são escuros na cor natural. Meus olhos são azuis e estou um pouco magra agora.
—Era gordinha?
—Não. Falei sorrindo. –Diria que um pouco mais encorpada, meu corpo era bonito.
—Posso sentir? Dizem que os deficientes visuais enxergam através das mãos.
Fiquei relutante, a minha barriga já estava saliente e durinha, não tinha como eu fugir, em pouco tempo ela apareceria pra valer. Edward falou para mim agradá-la e rejeitar um pedido dela sob o seu olhar seria demais.
—Tudo bem. Falei me levantando da cadeira e ela afastou a dela para se levantar. Fiquei pensativa e com medo dela perceber algo anormal, afinal já foi mãe.
Ela se aproximou e levei as mãos dela até o meu rosto, ela apalpou toda a minha face e passou os dedos em minha sobrancelha.
—Tem a pele lisinha.
—Obrigada.
Ela continuou e passou a mão em meus cabelos medindo-o vindo de cima a baixo com a mão. Depois levou a mão até o alto da minha cabeça para conferir o meu tamanho e desceu para os meus braços. Ao longe Edward filmava tudo. Depois ela colocou a mão na minha cintura e sem querer eu barrei a mão dela de circular ali, eu estava apavorada pela minha pequena barriga estar bem durinha. Não era coisa da minha cabeça não.
—Algum problema com a cintura?
—Não, nenhum senhora.
—Tem certeza? Perguntou ela estranhando o meu ato.
—Uhum. Falei fechando os olhos.
Ela subiu a mão por entre os meus braços e vieram para a minha cintura novamente, rodeou a minha barriga e a palpou de leve sem ter necessidade de fazer isso, estava em formação ainda e ela tirou a mão.
—Deve ser muito bonita, uma bonequinha.
—A senhora achou?
—O tato não me deixa mentir. Deve chamar a atenção.
—É um pouco. Assim dizia os meus amigos que me chamavam sempre de linda, gata, essas coisas.
—Tem namorado ou tinha. Se não quiser responder vou respeitá-la.
—Não tem problema, eu e ele terminamos. Eu terminei com ele.
—Não gostava mais dele?
—Eu gostava, sim. Ele sempre me tratou bem e foi ele quem me deu a festa de dezoito anos.
—É verdade?
—Sim e foi na praia. Fiz aniversário no dia 13 de setembro.
—Você já está aqui há quanto tempo?
—Eu não sei senhora, acho que tem dois meses e dias que estou fora de casa. Estou perdida com a conta, mas pelo meu deduzir, eu acho que é mais ou menos isso........ Na verdade, eu não sei a contagem exata para ser sincera.
—Entendi. Sendo que está aqui obrigada, o meu filho está fazendo isso com você.
—Não, não é. Eu estou trabalhando.
—Não minta para mim! Disse ela chateada e me apavorei. — Eu odeio mentira jovem.
—Desculpe, mas acredite que eu gosto de ajudar à senhora. Eu juro que é verdade.
—Tem certeza?
—Claro que sim.
—Então me fale a verdade.
—Sobre?
—O pai do bebê sabe da existência dele?
—Não há bebê algum senhora. Falei baixinho me levantando assustada e Edward se levantou como se tivesse ouvido infâmias, seus olhos brilhavam ao olhar para mim. Ele estava curioso e vi que não tinha certeza do que escutou, talvez por causa da minha reação exagerada.
—Sua barriga está redondinha, mulheres grávidas é que ficam assim no início.
—Não estou grávida. Falei baixinho. -Agora vamos continuar comendo?
—Se você diz.
Tornamos a nos sentar à mesa e olhei pra Edward balançando a cabeça que não. Eu não sabia o que se passava na cabeça dele e continuamos a comer. Mal percebi que eu estava comendo bastante e me ajustei por saber que estava sendo observada, Edward disfarçou e veio abraçar a mãe por trás me olhando.
—Oi filho. Descansou bem? Perguntou ela recebendo de bom grado o abraço do filho, apesar de tudo ele era carinhoso com a mãe.
—Bastante. Disse ele se sentando ao lado dela e eu me levantei cruzando os meus braços em frente à minha barriga disfarçando.
—Dona Esme eu irei descer.
—Não precisa, fique aqui. Tem algum problema filho?
—Ela tem o que fazer mãe.
—Ela está me fazendo companhia filho.
—Tudo bem. Disse ele me olhando e tornou a olhar para a mãe dele.
—Isabella me contou que ganhou uma festa de aniversário do ex-namorado.
—Azar o dela mãe, desculpe, mas não quero falar dela.
—Poxa filho! Ela é tão bacana.
—Ela é filha daqueles que nos roubaram e por isso perdemos Brenda e machucaram gravemente a senhora!
—Não foi ela que nos roubou filho, ela falou que não sabia. Sinto que é verdade.
—Não deve confiar em raposas! São traiçoeiras!
—Não diga isso! Eu exijo como sendo a sua mãe!
—Ela não é a Brenda! Não a substitua porque não é a mesma essência e nunca será a mesma coisa! Disse Edward revoltado.
—Não estou a substituindo, estou sendo justa filho.
—Eu é que estou sendo justo mãe! Ela fala que não sabia, mas devia saber, ela vivia bem e o dinheiro vinha de onde? Dos roubos! Ladrões são mentirosos, não confie neles!
—Não o reconheço mais filho! Disse ela chorando.
—Não vou perdoar o que fizeram com a senhora e com a minha irmã! Eles que foram os culpados! Culpados!
—Dona Esme, não se preocupe, eu estou bem.
—Como bem filha, você não é culpada de nada.
—Eu sei disso e guardo isso para mim.
—Faça o seu trabalho! Agora eu irei sair! Disse ele se levantando.
—Aonde vai filho? Perguntou Esme preocupada e tateando o invisível até que conseguiu achar o braço do filho.
—Vou dar uma volta, às vezes ficar nessa casa me dá nos nervos!
—Está cansado de mim também? Perguntou ela soluçando.
—Sabe que nunca mãe. Disse ele a abraçando.
—Essa moça não tem culpa filho.
—Não vamos falar mais sobre isso.
—Ok. Disse ela triste.
Fiquei em pé perto da mureta enquanto eles conversavam, eu admirava o mar e vez ou outra olhava para eles. Coloquei a minha mão sobre a minha barriga estando de costas para eles e fiquei pensando em jake. O que será que ele devia estar fazendo?
Eu sentia saudades de Fred que era um amigão para mim e sorri de nossas aventuras. Eu me recordava das nossas bebedeiras e zoeiras por Solares. Como eu sentia saudades de Solares e da minha casa, resolvi me aproximar deles outra vez.
—Senhora se não se incomoda, eu gostaria de descer.
—Se prefere, tudo bem. Falou ela sorrindo levemente.
—Tenho tarefas a fazer, mas se precisar mande me chamar.
—Chamarei sim.
—Com licença.
—Tem toda.
—Posso tirar a mesa ou quer comer mais alguma coisa?
—Pode retirar, por favor.
—Ok.
Coloquei a xícara dentro da bandeja e me retirei do quarto. Desci a escada e fui para a cozinha lavar tudo, depois fui para a área lavar algumas peças de roupa e as estendi.
Varri o quintal e me aproximei do portão, como a minha vontade de fugir era enorme, mas ao pensar em Esme me batia uma tristeza enorme pela possibilidade de abandoná-la. Meus estudos estavam perdidos pela quantidade de faltas e não devia faltar muito para o Natal pela quantidade de dia que já havia se passado. Jake faria aniversário no Natal, era difícil dizer se eu o amava ou não nesse momento, era estranho para eu pensar dessa forma se antes eu até burlei as ordens dos meus pais para vigiá-lo durante o racha. Éramos muito amigos, isso eu poderia afirmar e eu sentia saudades da gentileza dele para comigo, mas nesse momento ele devia estar com raiva de mim ou até mesmo ter me esquecido.
Pela fresta do portão eu olhei o caminho, era de areia clara e dura do tipo que não desprega do chão. Havia muitos coqueiros e palmeiras, era um lugar muito bonito. O ventinho chacoalhava a copa das árvores e fazia a poeirinha do chão levantar de leve, era bem natureza mesmo. O caminho era longo e se estendia toda vida à frente, bem mais a baixo virava à direita.
—Perdeu alguma coisa aí? Perguntou Edward e tomei um baita de um susto, olhei para atrás e ele estava com os braços cruzados olhando para mim.
—Estou varrendo, mas não posso esconder que eu estava olhando o outro lado.
—Foi o que me informaram, está há minutos olhando! Eles têm ordem para atirar caso se aproxime dessa forma do portão!
—Não me dei conta, não fugiria e eu só estava olhando.
—Como sempre! Volte ao seu trabalho.
Continuei varrendo e o sol já começava a esquentar, aliás, já estava bem quente por passar das 11h da manhã. A hora estava voando, varrer sob aquele sol pelando por muito tempo e estando grávida, foi demais para mim. Acho que o calor escaldante baixou a minha pressão por não estar me cuidando como deveria e só vi quando os meus joelhos e igualmente as minhas mãos se chocaram no chão. A escuridão me tomou.
.
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16min depois.
Aos poucos eu fui voltando ao normal e dei de cara com os olhos verdes dele. Levantei-me e me sentei na cama do porão sem saber o que falar.
—Foi uma desidratação, o sol está muito quente aí fora. Ele continuou calado e me olhando................ –Desculpe por isso, mas foi inevitável. O calor está demais e eu sou muito branca. Ele continuou calado........................................... –Não vai falar nada? Perguntei incomodada com o silêncio dele.
—O que você quer que eu diga mediante a tal problema?
—Não há problema algum, fica tranquilo. Eu já estou bem. Falei me levantando devagar por me sentir um pouco zonza e coloquei a mão na minha cabeça fechando os meus olhos.
—Está claro que não se sente bem, está branca como um papel!
—Não estou não.
—Acho que você não serve mais para ficar aqui. Disse ele me fitando de forma séria e eu me desesperei.
—Eu não acho. A sua mãe gosta de mim.
—Minha mãe está doente e não raciocinando direito.
—Não está não e se bobear ela est..... ....Eu ia continua, mas me lembrei que ofendê-lo seria pior.
—Ela está doente sim.
—Ela só está traumatizada e deficiente das vistas. Principalmente sentindo falta da filha e do marido que está largando-a de lado.
—Pense como queira, ela está depressiva. Agradeço a você e os seus pais por isso!
—Ela fica muito bem comigo! Falei zangada.
—Que bela companhia! Falou ele me olhando.
—Eu não estou doente, não precisa me matar por isso. Meus olhos encheram de lágrima e ele saiu do quarto me deixando sozinha.
Levantei-me da cama e subi a escada devagar, fui para a cozinha e Mary me mandou sentar na cadeira.
—A comida já está pronta, irei colocar para você.
—Tudo bem. Ela me serviu e reparei que ela colocou um garfo para mim. –Esqueceu de tirar o talher.
—Não, é isso mesmo. Coma.
—Tem certeza?
—Claro que sim.
Comecei a comer e terminei rápido por sentir muita fome. Levantei para ir lavar o meu prato e Esme através de Rosa pediu para eu fazer companhia a ela. Edward assistia televisão na sala, pude constatar antes de subir a escada.
Andei pelo corredor e tuquinha veio me receber com seu latido fino.
—Oi gracinha. Falei brincando com ela assim que entrei no quarto de Esme.
—Ai está você.
—Já estou sim.
—Estou com fome, ainda não trouxe a minha comida. Hoje eu quero comer lá em baixo, me ajude a descer?
—Eu ajudo sim. Falei segurando no braço dela.
—Acho melhor não! Vai que te dá uma dessas loucuras....... Aí cai você e leva a minha mãe de escada a baixo junto! Falou Edward implicando e tirou a minha mão do braço da mãe.
—Que tipo de loucura filho?
—Nada demais, frescuras de mulheres!
—É verdade. Afirmei. -Agora vamos descer.
—Eu irei descê-la. Falou Edward e me afastei para eles passarem.
—Ta bom.
Tuquinha veio atrás de nós e por ser pequenina demais Edward a pegou no colo. Ela por ser elétrica se remexia a todo o momento e eu fui buscar as coisas para servi-los durante o almoço.
Eles comeram conversando, mas vez ou outra Esme ficava pensativa, devia estar pensando no marido ou na filha e abaixava a cabeça.
Servi a sobremesa a eles e desejei loucamente ao ver eles comendo aquele apetitoso pavê de bombom. Ficou me dando água na boca a todo o momento por ver aquelas fagulhas de chocolate fino sobre o chantilly e minha boca se encheu de saliva pra valer. Sem querer Edward quando foi levar a colher a boca, o doce caiu e olhei para o outro lado na mesma hora com uma vontade imensa de sorrir da cara dele.
—Droga! Falou ele reclamando por uma boa quantidade de chantilly com fiascos de chocolate ter caído na blusa dele.
—Que foi filho?
—O olho de Isabella em minha sobremesa a fez cair em minha blusa! Esme sorriu como nunca fez até hoje e achei graça internamente também.
—Desculpe filho, não a culpe por tudo. Falou ela colocando a mão na boca para parar de sorrir.
—É verdade mãe, ela estava olhando e uma boa quantidade do doce caiu sobre mim. Não é novidade que deseje algo que é dos outros!
—Vou pegar o pano para limpá-lo. Falei passando por eles e ignorando as palavras dele.
—Não a culpe pelo seu descuido filho.
—Ela estava olhando sim. Insistiu ele.
Fui até a cozinha e peguei um pano limpo. O umedeci com água e voltei para a sala, entreguei na mão de Edward e ele se limpou retirando o doce da blusa preta.
—Isabella.
—Pois não senhora.
—Desejo outra taça de doce.
—Irei pegar, já volto.
—Tudo bem.
Fui para cozinha e lavei o pano primeiro, depois peguei na geladeira outra taça de doce e fui para a sala.
—Está aqui senhora.
—É pra você, come.
—Mas senh....
—Coma o doce. Falou ela simplesmente.
—Tudo bem.
—Não está não! Falou Edward.
—Coma filha, coma que eu consenti.
—Ok e obrigado.
Dei a primeira colherada e estava bom demais, comi rápido por estar muito desejosa e acabei primeiro que eles até. Senti-me envergonhada pelo olhar de Edward em mim e Mary que estava me ajudando a servi-los.
—Estava bom? Perguntou Esme.
—Demais, acho comi muito rápido, agi como uma sem educação.
—Não é novidade! Falou Edward revirando os olhos.
—Coma do jeito que achar melhor.
—Obrigada pelo doce.
—Aproveite que é só hoje! Falou Edward me olhando.
—Será quando eu dizer que sim! Falou Esme o reprovando.
—Não insista com bobeiras mãe! É uma aproveitadora.
—Aproveitadora é quando alguém quer dar o golpe, Isabella não está agindo assim.
—Não mudarei a minha opinião.
—Não ligue filha, se quiser mais peça a Mary e Mary, se você também quiser, sabe que pode comer à vontade.
—Sei sim senhora e obrigado.
—De nada.
—Mary sabe que pode comer o que quiser, ela sabe que não os proíbo. Mas uma à parte, é totalmente diferente!
—Termine de comer filho, faça isso. Falou Esme.
Edward revirou os olhos e jogou a toalhinha sobre a mesa em sinal de chateação. Ajudei Esme a ir se aliviar no banheiro social e ela quis ficar escutando televisão na sala com o filho. A seu pedido fiquei na sala fazendo companhia a ela e preferi me sentar no tapete após tirar as minhas sapatilhas. Estava muito calor ali, mesmo o ventilador jorrando bastante vento sobre nós e eu acabei cochilando com o meu braço apoiado no sofá perto de Esme. Foi sem querer que me debrucei sobre ele e acabei dormindo.
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1h depois.
—Vá para o seu quarto. Falou Edward um pouco bruto me acordando.
—Hum? Falei abrindo os olhos.
—Vá para o seu quarto e suma da minha frente!
—Ta, ta bom! Falei me levantando devagar e calcei as minhas sapatilhas. –Cadê a sua mãe?
—Foi descansar, agora ande e vá antes que eu perca a minha paciência. Não gosto de falar com você!
—Tudo bem.
Sai da sala com ele me seguindo e senti o olhar dele sobre mim até que desci a escada que daria no porão. Deitei-me sobre a cama de uniforme mesmo e acabei dormindo novamente. Sentia-me pra lá de exausta, nunca senti tanto sono assim na minha vida.
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.
Às 17:16min da tarde.
—Isabella, acorde. Já passou da hora! Falou Rosa me acordando de forma grossa e abri os meus olhos. –O que pensa que é, a patroa? Já passou da hora de levar o café da patroa de verdade.
—Vou levanta. Falei me sentando rápido e senti-me um pouco tonta, fui obrigada a colocar a mão na minha cabeça.
—Então trate logo de subir! Falou ela saindo do porão.
Levantei-me e calcei as sapatilhas devagar, fui até o banheiro me assear por me sentir um pouco apertada e me aliviei de forma rápida. Lavei bem as minhas mãos e as sequei, subi imediatamente.
—Já estou aqui. Falei aparecendo na cozinha.
—Já era tempo, agora vá levar o café da sua patroa.
—Estou indo.
Arrumei a bandeja e subi para o quarto dela, tuquinha veio me receber latindo e Esme virou na direção da porta.
—Isabella?
—Sou eu mesma.
—Dormiu bastante?
—Um pouco, mas não quero ter privilégios.
—Por que diz isso?
—Sou a empregada aqui.
—Está aqui obrigada não porque você quer trabalhar.
—Não posso dizer nada senhora.
—Você iria embora se houvesse uma possibilidade?
—É o que eu mais desejo, acho que irei me acabar se eu continuar aqui.
—Fico triste com você falando dessa forma filha.
—Eu a entendo por se sentir sozinha, mas quando eu sair daqui não terei para onde ir. Não sei o que aconteceu com o meu apartamento e não tenho dinheiro aqui comigo senhora. Tudo que me restou foram os meus amigos.
—Apesar de não a conhecer muito bem, eu me simpatizei por você e tem me feito companhia. Gosto de conversar com você e não gostaria que você fosse embora, pode ficar aqui.
—Edward el........
—O que tem o meu filho? Perguntou ela instigando-me a falar.
—Como à senhora sabe, ele me detesta. Ele me odeia para ser mais exata.
—Ele está com um ódio violento no coração, Brenda era uma criança quando fizeram o que fizeram com a minha filha. Disse ela deixando as lágrimas rolarem.
—Ela era uma jovem muito bonita. Observei.
—Ela era sim e a minha grande companheira.
—Imagino. Falei secando as lágrimas dela de forma carinhosa e Edward entrou no quarto.
—Está fazendo a minha mãe chorar? Perguntou ele vindo ficar ao lado dela.
—Deixe de palhaçada Edward, eu estou me recordando e é só isso! Brigou ela.
—Pode descer, ficarei aqui com ela!
—Não filho, deixe-a aqui comigo também.
—Mãe, nós já conversamos a respeito disso.
—Mas filho.
—Não tem mais mãe, se conforme que ela é filha de vigaristas e é gente que não presta!
—Deixa senhora, eu volto para pegar a bandeja depois.
—Não, pode levar que eu não irei comer mais.
—Coma senhora e fique na companhia do seu filho. Volto para pegar a bandeja depois.
—Nada irá me fazer comer, só assim eu morro de uma vez!
—Poxa, que isso mãe!
—É verdade, agora me deixem em paz, por favor, por favor! Pediu ela um pouquinho mais alto e tentando se livrar do abraço dele.
Sai do quarto rápido e deixei a bandeja lá, desci a escada e fui até o quintal pegar as peças de roupa que eu lavei mais cedo pra passá-las. Embromei bastante na área passando-as e as pendurei no cabide pra Rosa guardar depois.
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Às 18:20min da noite.
Eu e Mary estávamos preparando a janta quando Tânia chegou sozinha, pois Edward estava em casa.
—Boa noite a todos. Falou ela entrando pela porta da cozinha. –E Edward?
—Eu tinha visto ele no bar senhorita.
—Mas já está bebendo? Falou ela fazendo cara de poucos amigos.
—Ele é o patrão, não podemos nos meter. Falei cortando o tomate em quadradinho.
—Vou ir vê-lo, com licença. Falou ela passando por nós.
Continuamos fazendo a janta e o segurança estava sentado vigiando tudo, eu nem ligava mais pra eles e fazia o meu trabalho. Eu tinha em mente que esse bebê era só de Edward, eu não o programei por ter em mente que eu não tinha condições de criá-lo. Eu não sabia qual seria a reação de Edward quando a minha barriga viesse à tona, o mais provável é que ele me liquidaria com bebê e tudo, mas o filho era dele. Será que ele teria coragem? Mas ele me detestava e tudo que fosse ligado a mim, eu não teria como ficar com o bebê caso eu escapasse viva daqui.
—Está pensativa? Perguntou Mary baixinho.
—Um pouco, sinto saudades da minha vida de antes.
—Acredito.
—Sinto saudades da minha vida de antes, mas não nesse sentido que deve estar imaginando. Sinto saudades da minha família mesmo com todos os defeitos que eles me ocultavam e dos meus amigos.
—Eu posso imaginar, pega no pesado aqui e antes não devia fazer esse tipo de coisa.
—Não é desmerecendo, mas eu só lavava a louça e preparava a comida. A casa tinha quem fizesse para nós.
—Está falando demais, trabalhe! Ordenou o segurança.
—É a respeito da janta Jorge! Falou Mary o repreendendo.
—São ordens Mary, devo segui-las.
—Ta, ta, ta. Agora nos deixe trabalhar.
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Terminamos de preparar a janta e eu fui arrumar a mesa que eu sabia ser para dois, Esme não desceria mesmo. Edward e Tânia estavam sentados, mas não pareciam estar às mil maravilhas, eu conhecia bem um casal apaixonado. Eu não entendia qual era a dele e fiquei arrumando prestando atenção na conversa deles.
—Então meu bem! Vamos para o centro e curtir um pouco? Só fica trancafiado naquele trabalho e aqui dentro dessa casa! Disse ela o reprovando.
—Ainda não percebeu o que está acontecendo em volta? Ainda não percebeu a fragilidade da minha mãe e da minha família?
—Eu entendo, mas olha quanto tempo faz! Viverão chorando para sempre?
—A sua sensibilidade me comove, é por isso que eu amo tanto você!
—Não precisa ser grosseiro, mas eu estou falando uma grande verdade! Interne a sua mãe se for preciso, acho que ela precisa passar por um psiquiatra e um psicólogo.
—Minha mãe não está maluca, imagine-se no lugar dela após perder uma filha e sofrer do jeito que sofreu por culpa de vagabundos ordinários!
—Você é tão chato, por isso não gosto de vir aqui!
—A porta da rua é a serventia da casa! Vá sair com as suas amigas!
—Está me mandando embora?
—Pense como queira!
—É por isso que fica nessa amargura Edward! Se enterre logo nessa casa!
—Acho melhor você ir embora! Já não temos mais nada mesmo.
—Vim te ver.
—Dispenso a sua visita! Agora me deixe em paz de uma vez!
—Irei mesmo, detesto essa monotonia e esse clima de enterro o tempo todo! Disse ela passando a mão na bolsa e se levantou. –O que está olhando, perdeu alguma coisa aqui? Perguntou ela ao passar por mim e a ignorei, era o melhor remédio para seres iguais a eles.
—O que faz aí, estava prestando atenção na conversa? Perguntou Edward com um copo de bebida na mão, seu humor não estava dos melhores.
—Não senhor, eu estava passando o pano na mesa para arrumar o jantar.
—Não precisa! Irei comer em meu quarto, leve para lá e veja se a minha mãe quer comer.
—Farei isso.
—Ta, ta, agora vá fazer o seu trabalho!
Tornei a colocar o jarro de flores na mesa e fui avisar a Mary que a janta seria servida no quarto deles. Peguei a de dona Esme e subi devagar, mas antes vi Edward bebendo sem se importar com a quantidade que estava ingerindo.
Entrei no quarto de Esme e ela estava acordada, a televisão estava desligada e ela se encontrava deitada de qualquer jeito na cama, o ar estava pra lá de gelado e o controle remoto dele estava jogado no chão.
—Trouxe a sua comida dona Esme.
—A leve de volta, não quero comer mais, por favor, me deixe sozinha.
—Não irei sair daqui até a senhora comer, o que está havendo?
—Tudo de ruim como você está percebendo.
—Estou aqui para confortar a senhora.
—Edward fica impondo as regras dele, não me obedece e mal posso com ele por estar cega! Meu marido não liga para saber se eu estou viva, não quer saber de mim! Não é Justo meu Deus! Disse ela socando o travesseiro e a deixei desabafar. –Não vê como estou imprestável e feia ou vai falar mentiras para me agradar também?
—Desabafe, minha vida não é das melhores também. Mas mesmo assim eu não quero morrer e a senhora que tem tudo está a fim!
—Eu trocaria toda essa riqueza para ter a minha filha e depois a visão de volta! Olhar o amanhecer do sol como fiz muitas vezes tendo o meu marido ao meu lado. Passear pela areia com a minha filha! Eu só queria que tudo fosse como antes, mas sei que nunca mais será, só me resta morrer e deixar que o meu filho e o meu marido vivam a vida deles em paz! Eu quero ficar ao lado da minha filha, da minha filhaaa. Disse ela chorando muito e me sentei ao lado dela para consolá-la à minha maneira.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!—Não esqueça que a senhora tem mais um filho e mesmo ele estando bem revoltado, ele ainda é o seu filho senhora. Falei segurando na mão dela.
—Edward deve estar cheio de mim, antes ele saia para se divertir, viajava e agora vai se sentir obrigado a ficar do meu lado. Não sou um bebê! Não vê que estou dando trabalho?
—Não concordo com a senhora. Acho que já está na hora de sair dessa cama e manter a sua filha na lembrança e no coração. Se arrumar como antes, pois percebo que devia ser vaidosa. Aonde quer que Brenda esteja, ela deve estar triste e magoada com tudo que está acontecendo aqui. A senhora mesma falou que eram todos muito unidos.
—Sempre foi assim filha, sempre, mas depois que aqueles desgraçados me arruinou e levou a minha filha ao óbito dias depois, tudo mudou e desmoronou.
—Seja forte para o seu marido e ele vendo essa sua fragilidade, ele se sentirá ainda pior. As pessoas reagem de jeitos diferente. Veja o seu filho, ele alimenta um ódio dos meus pais e de mim. Já o seu marido preferiu fugir da realidade, o que ele está fazendo com a senhora eu não aprovo, mas cada um reage de um jeito. Acho que a senhora tem que começar a se reerguer e trazer de volta a união de antes, só assim serão felizes, mesmo tendo na lembrança Brenda. Dizem que um dia nós reencontraremos os nossos entes queridos quando partimos. Estou começando a acreditar nisso. Faça o mesmo e viva forte por ela, muitos estão desejando viver e a senhora quer morrer? Isso não é justo!
—É tão jovem e diz tantas palavras bonitas no meio dessa desgraça toda. Acho que colocaram um anjo na minha casa, mesmo que tenha sido a força.
—Edward acha que sou o contrário. Falei sorrindo levemente.
—Ele age por impulso, mas ele não é esse carrasco filha. Ele era tão bom, alegre e bobo toda vida.
—Ele me odeia.
—Eu sei que ele diz palavras duras, te maltrata e não vou pedir para perdoá-lo, eu não tenho o direito de fazer isso.
—Eu a entendo.
—Eu não sei por onde começar, minha vida está uma bagunça. Eu tenho vergonha das minhas amigas e dos meus parentes me verem assim. Não quero ver ninguém por enquanto.
—Não ligue para o que vão pensar, seja apenas você. O que te deixava mais feliz antes?
—Me arrumar, passear com a minha família e fazer coisas simples como era molhar as minhas lindas plantas. Sinto falta da piscina e pelo meu corpo estar se recuperando aos poucos, eu sinto vergonha de pôr o biquíni.
—O seu corpo está ótimo! Eu disse para a senhora que está cicatrizando.
—Eu acredito em você. Disse ela remexendo as mãos.
—Agora vamos comer?
—Eu....
—Está aqui. Falei colocando a bandeja de comida sobre ela.
—Eu ainda não tomei banho, gosto de comer de banho tomado.
—Não quis tomar banho antes?
—Eu não queria dar trabalho.
—Então vamos! Venha. Falei tirando o edredom de cima dela.
—Ok.
—Mas a senhora deve ter muitas camisolas bonitas, tire essa cor de luto, pois Brenda não devia ser assim. Esqueceu que as lembranças são mais importantes que as cores? Pelo que percebi ela gostava das cores, o quarto que foi dela é bem colorido.
—Mas..
—Vamos, te ajudarei e escolherei algo bem bonito se me permite.
—Não tem problema, só tenho medo de cair no banheiro.
—Não vai, eu estou aqui.
—Ok.
Fomos para o banheiro e liguei o chuveiro, abri o roupão dela a deixando de sutiã e calcinha e pude ver as marcas que eram mínimas em algumas partes do corpo dela.
—Irá lavar a cabeça?
—Eu quero sim.
—Tudo bem.
Eu fazia de coração por ela estar deprimida, coloquei o xampu na cabeça dela e sai do banheiro para que ela se sentisse à vontade. Entrei no closet dela e peguei uma camisola branca longa e muito bonita para ela vesti. Ali só havia as melhores roupas e saí logo para ficar aguardando-a.
—Isabella. Chamou-me ela.
—Estou aqui.
—Já acabei.
—Ok. Falei entrando no banheiro e vi seus olhos pela primeira vez, estavam parados e as marcas da crueldade ainda podia ser vista em torno deles, mas o creme estava ajudando a clarear as cicatrizes.
—Estou horrível, não é?
—Só a senhora que acha isso e agora irei me aborrecer se ficar me dizendo esses tipos de coisa toda hora.
—Tudo bem. Preciso colocar o remédio em meus olhos e a pomada em volta.
—Onde estão?
—Na primeira gaveta.
—Ok.
Peguei o remédio e pinguei uma gota em cada vista turva dela, com cuidado passei a pomada em volta e ela movia as mãos para se secar com o roupão. Penteei os cabelos dela e o creme de cabelo era bem cheiroso.
—Podemos ir para o quarto.
—Pegou a camisola em meu closet?
—Já sim e escolhi uma branca.
—A de rendas? Perguntou ela.
—Sim. Ela é linda senhora.
—Chama-me de Esme.
—Tudo bem, mas Edward pode ficar com raiva.
—Não ligue para ele.
—Ok. Ela tirou o roupão e evitei ficar olhando para as suas partes ao vestir a camisola. No quarto, peguei a comida que ainda estava morninha e dei para ela comer.
—Está uma delícia.
—Gostou?
—Uhum.
—Que bom!
Ela comeu tudinho e não fez questão de colocar o óculo estando eu e ela ali, mas Edward entrou no quarto e foi se sentar ao lado dela, eu já ia me levantar da cama quando....
—Fique onde está filha.
—Ok. Falei me sentando e olhando pra Edward. Ele reparava que a mãe estava com vestimentas claras e olhei para o outro lado, era óbvio que fui eu quem a estimulou.
—Esteve bebendo filho?
—Um golinho, nada para se preocupar.
—Sei. Já jantou?
—Ainda não, depois eu como.
—Está muito boa a comida.
—O cheirinho está bom. Falou ele segurando na mão livre dela e a beijou.
—Quando ele quer, ele sabe ser carinhoso Isabella. Falou Esme levando uma garfada de comida a boca.
—Hum! Fiz sem graça, Edward me olhou para ver qual seria a minha resposta.
—Com as pessoas certas sim mãe, a senhora merece.
—Quem merece é esse anjo aqui na minha frente.
—Estou falando da senhora. Insistiu ele.
—O que tem de sobremesa filha? Perguntou ela mudando de assunto.
—Mary cortou frutas, ela disse que a senhora gosta assim.
—Quero que me chame como eu te pedi.
—Tudo bem Esme. Falei olhando pra Edward e ele me encarava.
—Gosto de frutas sim. À noite prefiro algo mais leve.
—Vou trazer um chazinho para a senhora, fará bem para relaxar e dormir.
—Peça a Mary para preparar, não quero que............... Começou Edward.
—Chega! Interrompeu Esme.
—Tudo bem mãe. Disse ele calmo.
—Pode me trazer sim filha, vou aguardá-la, mas me espere comer primeiro e faça o mesmo depois. Ouviu-me?
—Ta pode deixar. Falei sorrindo levemente e não ousei olhar pra Edward.
Edward ligou a televisão e colocou em uma novela, Esme comia devagar e recebia a atenção do filho, enquanto que eu assistia à novela depois de um bom tempo sem vê-la.
—Pronto eu já acabei. Filho, leve a bandeja para mim e traga a sobremesa. Falou ela simplesmente.
—Temos a Isabella para fazer isso! Falou ele o meu nome e até que saiu encantador sem o tom de ironia.
—Eu pedi a você filho, não é porque eu estou cega que não me deve a obediência, eu ainda sou a sua mãe!
—Ta eu irei. Falou Edward me olhando feio e continuei assistindo televisão, eu só tinha medo do depois quando fosse para o porão.
Edward saiu do quarto levando a bandeja e tuquinha entrou latindo.
—Oi menininha da mamãe. Falou Esme sorrindo e notando a cachorrinha em pé ao lado da cama, ela se inclinou pra pegá-la. –Viu como ela é linda Isabella?
—É bem pequenininha. Fofinha.
—Tome e segure-a um pouco.
—Ok.
Peguei aquela fofura no colo e ela queria lamber o meu rosto de toda maneira. Fiquei fazendo carinho nela e aos pouquinhos ela foi se acalmando, chegou a parar para sentir o carinho que eu fazia na cabecinha dela.
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5min depois.
Edward entrou no quarto e viu tuquinha em meu colo, ele se sentou ao lado da mãe mais uma vez e por vontade própria foi colocando as frutas com o garfo na boca dela. Tinha pêssego, abacaxi, morango, banana, kiwi e outras frutas.
—Estão docinhos. Quer um pedaço de morango? Ofereceu-me ela.
—Não obrigada.
—Coma, eu faço quando você me pede.
—Ta bom.
—Dê a ela filho.
—Isso é que nunca mãe!
—Que grosseria filho, apenas de um a ela.
—Tome! Falou ele colocando de mau jeito a fruta na minha mão e eu não a comi.
—Não vou comer senh... Esme, Poderei passar mal se ingerir essa fruta colocada com tanta má vontade em minha mão.
—Me dê aqui! Pediu Esme tateando e pegou o potinho da mão dele. –Aqui filha, coma. Sei que te negam as coisas. Disse ela me dando a fruta e fui na direção da mão dela. –Desejo que um dia quando eu estiver recuperada, você saia daqui. Sou um pouco egoísta porque só você me entende e sentiria falta da sua companhia. Nesse momento Edward revirou os olhos e bebeu de sua bebida que estava sobre o criado mudo. –Desejo que seja feliz como merece, são poucos anjos como você aqui na terra.
—Não exagere mãe, pode acabar se arrependendo.
—Não exagere você! Está cego pelo ódio menino mimado!
—Não vou me ofender com essas palavras, de qualquer forma eu te respeito mãe.
—Eu sei filho. Disse ela continuando a comer e tuquinha exigiu mais de minha atenção movendo a cabecinha de encontro a minha mão, ela pedia carinho.
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20min depois.
—Irei buscar o seu chá e levar a vasilha da sobremesa.
—Vou te aguardar.
—Ta bom.
Fui até a cozinha e voltei para o quarto dela trazendo o chazinho junto e ela já estava de dentes escovados, ela acabava de sair do banheiro e Edward a auxiliava com jeitinho.
—Já está aqui o chá. Falei esperando Edward terminar de cobri-la e ela se sentou para bebê-lo.
—Está docinho e quentinho. Quero passear na praia amanhã filho. Vamos Isabella?
—Eu irei com a senhora mãe!
—Eu só irei se ela for comigo!
—Eu não irei fugir Edward.
—Não iria muito longe mesmo, sabe disso!
—Saia daqui! Pediu Esme chorando.
—Mas mãe.
—Vai! Eu não preciso ficar ouvindo esse tipo de coisa. Disse ela chateada. –Vá para o seu quarto Edward Antony Cullen!
—Não sou criança mãe, mas irei já que me pede.
—Se eu sentir que você maltratou essa menina, pode esquecer que tem mãe!
—Certas coisas não mudam, mas estou saindo. Tenha uma boa noite. Disse ele beijando a testa dela e ela se afastou.
—Não quero saber! Despedirei Rosa se continuar com essa palhaçada!
—Boa noite mãe.
—Só se for para você! Disse ela secando as lágrimas e eu beijei as suas mãos.
—Não precisa ficar contra o seu filho senhora. –Ele gosta tanto da senhora.
—Mas a maltrata, não posso concordar com isso. Iremos passear na praia amanhã?
—Sabe que ele mandará a frota de segurança me vigiar.
—Iremos assim mesmo.
—Ta bom. Falei sorrindo e a abracei sem o seu consentimento, ela me envolveu em seus braços finos de boa vontade. –Agora durma, que eu vou comer, estou faminta.
—Precisa cuidar desse bebê filha. Agora me diga se ele é fruto, caso o meu filho abusou de você?
—Não estou grávida dona Esme, esqueça essa bobagem e não rolou nada entre eu e o seu filho. Ele só é grosso como à senhora mesmo sabe e ele só me põe para trabalhar. Nada, além disso. Menti.
—Está pequena, esqueceu que fiquei grávida por duas vezes?
—É eu sei, mas não tem bebê algum aqui não.
—Você não me respondeu.
—Sobre o quê? Perguntei me sentindo embaraçada.
—Está nervosa por quê?
—Não estou não.
—Boa noite filha e se acalme.
—Pra senhora também. Falei beijando a testa dela e desliguei a televisão, apaguei a luz do teto e mantive apenas o abajur ligado.
Sai do quarto deixando a porta entre aberta, pois tuquinha dormia em sua caminha ali no cantinho e saia quando tinha vontade de fazer xixi no jornal que ficava no banheirinho no corredor.
Desci a escada reparando que Edward estava encostado no bar com o copo de bebida na mão. Ele me fulminava com o olhar e desviei o meu do dele ao terminar de descer. A escada ficava de frente para o bar e eu ao passar, ele agarrou no meu braço impedindo-me de andar.
—Está abusando da boa vontade da minha mãe!
—Não estou não! Eu falo que você vai brigar, mas ela insiste. Não quero contrariá-la e você acreditando ou não, eu gosto muito dela e não sinto pena, eu a admiro!
—Fala isso da boca pra fora! Disse ele me largando com a sua forma bruta de ser. –Mas se magoá-la, eu farei o dobro com você!
—Você não precisa, já estou há muito tempo com você! Mesmo se fosse o último homem da face da terra, eu não iria querer você! Mesmo com todo esse luxo em volta, mesmo com todo o requinte e dinheiro, eu o dispensaria sem sombra de dúvidas!
—Eu sou quem diz isso! Não serve para mim por ser sem graça demais! É uma intrometida e está querendo tomar o lugar da minha irmã! Mas abra o olho, abra olho que isso nunca!
—Está blefando, o ódio está o envenenando de tal maneira que de você sim, eu sinto pena! Um homem barbado se comportando como criança!
—Pense o que quiser! Disse ele bebendo. –Diga a sua mentira para minha mãe e vá comer logo! Vá antes que eu faça uma loucura definitivamente!
—Irei mesmo, é um tolo.
—Continue me ofendendo e ficará sem a janta!
—Não seria capaz de fazer isso estando eu g........
—Complete a frase!
—Eu estou faminta, agora com licença. Falei me afastando dele e fui para a cozinha rápido.
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—Já estavam discutindo? Perguntou Mary preocupada.
—Edward é muito malvado Mary, ele me magoa demais com as palavras.
—Eu sei, mas ignore-o.
—Eu tento né, por isso estou sobrevivendo por todos esses dias. Ficar trancafiada em um porão quente é ruim demais e sem ventilador é pior ainda. Chego a passar mal ali e tem vezes que transpiro parecendo que tomei um banho, literalmente estou no inferno.
—Isso é para você aprender. Falou Rosa vindo da área de serviço.
—Já chega! Falou Edward nos interrompendo. –Vá pra baixo e aguarde a sua comida! Mary irá levá-la e fim de assunto!
—Já estou indo. Falei passando por ele e desapareci de escada a baixo.
Encostei a porta e comecei a tirar o uniforme, fui para o banheiro estando eu apenas de lingerie e levantei o meu braço conferindo se precisaria ou não me depilar, eu detestava um pontinho que fosse e fui para o Box me lavar. Lavei-me por inteira e me asseei, lavei os lingeries e os estendi na corda improvisada por mim. Penteei o meu cabelo estando enrolada na toalha e fui para o quarto pegar um blusão seco pelo outro estar secando. Vesti a minha calcinha e o clima hoje estava ameno, dei graças a Deus.
Mary trouxe a minha comida e o segurança desceu com um ventilador, do tipo que ventava até a alma e estranhei.
—É para mim mesmo Jorge? Era ele ali, Fausto devia estar circulando, não sei.
—Dizendo o patrão, foi a última ordem da patroa antes de dormir.
—Ela não sabe que eu fico aqui no porão.
—Não sei, apenas aceite.
—Claro que sim! Falei sorrindo e peguei aquele bicho o mais rápido possível e o liguei colocando-o na direção da cama.
—Aqui está a sua comida, o senhor Edward já está comendo a dele. Eu mesma levei para ele.
—Ok Mary, estou tão faminta que comeria um boi inteiro.
—Tem bastante. Agora irei subir ou o patrãozinho irá se zangar e lhe tirar o ventilador.
—Obrigado.
Comecei a comer apreciando o barulhinho do ventilador e estava bom mesmo. Quando terminei, o segurança levou o meu prato e eu fui escovar os meus dentes.
Terminei de me assear e fui me deitar após apagar a luz, o barulhinho era mesmo bom e acabei dormindo rápido. Pela primeira vez, a noite seria confortável para mim. O calor era insuportável ali em baixo às vezes.
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Madrugada de domingo, 15 de Dezembro.
2h da manhã.
Despertei do sono leve quando a cama se moveu muito devagar, notando ser Edward, eu me levantei antes que ele me agarrasse. Estava escuro e por ter gravado a direção do abajur, fui até ele com cuidado para não cair e machucar a minha barriga. O acendi e olhei na direção da cama, Edward estava sentado sobre ela e me olhava de forma sacana. Ele me desafiava.
—Eu quero dormir Edward. Volte para o seu quarto e me deixe em paz! Ainda acha pouco o que faz comigo?
—Sou o seu patrão! Sou eu quem manda em você agora, então me obedeça!
—Não importa, não estou a fim e vá procurar a sua namorada! Está vindo me procurar por quê?....... Esqueceu que afirmou que mesmo eu sendo a última mulher do mundo, mesmo assim não ficaria comigo? Então porque vem me perturbar e abusar de mim?
—Mas posso me divertir e irei!
—Não, não pode, agora vá dormir! Deixe-me em paz!
—Terá que me pagar por eu consentir o ventilador, mesmo que seja a pedido da minha mãe porque se fosse eu, você continuaria no calor!
—Não irei não!
—Então dê Adeus a ele.
—Não o leve Edward, aqui faz calor quando esquenta muito.
—Então me pague!
—Como? Fiz-me de boba. –Já trabalho, limpo toda a sua casa, lavo suas roupas e ainda tenho que te pagar? Perdeu a noção!
—Sabe o que quero, sexo é claro! Não é dos melhores, mas serve para tapar buraco.
—Falando dessa forma, é tão grotesco! Não estou acostumada com isso e prefiro morrer no calor a me deitar com você!
—O que é, vai se fazer de santa agora?
—Não preciso me fazer de santa, mas não irei sucumbir as suas luxúrias! Quer sexo? Vá procurar em Tânia, na Márcia, na Tatiana. Ou em quem bem quiser!
—Posso sair com quem eu bem quiser mesmo, não preciso pagar para tê-las. Vêm todas aos meus pés mesmo.
—Oh! É mesmo?
—É sim! Agora você, se garante com esse sexo meia boca e acredito que mesmo sendo de segunda, devia agradar o seu ex-namoradinho. Dois sem graças.
—Minha intimidade com ele não lhe diz respeito!
—Agora que está aqui sob o meu teto, me diz sim! Disse ele um pouco mais alto e não me abalei depois de muito tempo o temendo.
—Não diz não! Não sou nada sua, não quero ser sua e eu te detesto tanto, que você não tem noção! Não parece que saiu daquele doce de ser humano que é a sua mãe! Parece ser mais de chocadeira sem querer ofender aquele encanto de mulher que está dormindo lá em cima e não faz ideia do que o monstro do filho está tentando fazer comigo! Sou uma mulher indefesa!
—QUA,QUA, QUA, QUA, QUA, QUÁ! Fez ele debochando de mim e minha reação foi das piores, eu me aproximei dele e o estapeei com vontade na face. Ele se controlou bastante para não me agredir. -Deite-se imediatamente! Falou ele entre os dentes e as mãos estando fechadas em punho.
—Não irei não!
—Quer que eu faça a força?
—Irei contar para sua mãe!
—Abra o bico e amanhã mesmo estará no saco! Agora vá se deitar! Após ele falar isso, eu me deitei sob o olhar dele e me cobri com a manta. -Mesmo não querendo, irei vigiá-la hoje.
—Tem o segurança qu.........
—Quietinha, estou na minha casa e faço o que eu quiser! Falou ele apagando a luz e senti a cama se mover.
—Vou matá-lo se dormir. O ameacei.
—Não irá, pode acreditar! Deitei-me o mais longe e ele me puxou. –Acho bom cooperar e se abrir o bico para a minha mãe!
—Não irei, eu não irei.
—Ótimo!
Edward arrancou a minha roupa fora e me obrigou a fazer o mesmo nele. Cheguei a arranhá-lo cravando as minhas unhas ao tirar o roupão dele de propósito, era para lhe marcar de verdade e ele...
—Preste a atenção! Falou ele um pouco mais alto.
—Está escuro. Você apagou a luz!
—Pare de encher e continue. A luz apagada me ajuda a te aturar!
Fiz o que ele me pediu, continuei a puxar o roupão dele e tirei a última peça que era a boxer. Assim que terminei eu proferi um tabefe de propósito e acertou o rosto dele.
—Ai! Sua desastrada! O que você fez no meu rosto? Quer morrer agora mesmo?
—Desculpe, desculpe, eu tentei matar o mosquito que zoou aqui no meu ouvido. Falei adorando aquilo. –Está escuro demais!
—Tente mais uma gracinha e dormirá no sereno! Ou duvida? Perguntou ele segurando forte no meu braço.
—Já disse que foi sem querer!
—Eu não acredito em você sua bruxa! Agora se cale e deite na cama sem dar um pio!
Deitei-me na cama e ele veio ficar sobre mim, seus beijos em meu pescoço até que eram bons e me reprovei por estar pensando dessa forma, eu o odiava tanto. Edward começou a massagear os meus seios sensíveis com os lábios e eu não consegui me conter.
—Ai. Resmunguei. –Ai!
—O que é agora, já vai começar com a sessão das frescuras?
—Estou dolorida!
—Você não está não, é mentira!
—Estou sim! Eu sou mulher como qualquer uma outra e sinto dor!
—Fica quieta! Disse ele tornando a me massagear e me incomodou mais uma vez.
—Ai, Edward, está doendo! Falei tentando afastá-lo a força.
—O que diabos você tem garota?
—Só estou sensível oras bola! Falei alterada. –Não sinto nada com você, então me dói e incomoda tudo que faz comigo!
—Estou na sua frente, não precisa gritar e acordar os outros! Não sou surdo! Não me venha com mentiras desse tipo porque eu sei que você gosta sim! Eu a sinto se contraindo de forma selvagem na minha p.....
—Continuei com essa merda de sexo Edward! O interrompi, ele gostava de falar palavras chulas em meu ouvido.
—Você acha que só você acha isso? Descobriu a América, garotinha mimada e estúpida!
—Pense da forma que desejar, está em sua casa. Mas para você, estúpido ainda é pouco. Está mais para cavalo! Mas os bichos não têm culpa, monstro é a palavra certa para você!
—Que bom que reconhece. Disse ele invadindo o meu corpo com um pouco de dificuldade, mas para minha vergonha a minha umidade o facilitou depois.
Seus movimentos não eram tão rápidos e ele não explorava a minha mamas como antes. Fiquei parada o aturando e o meu corpo traidor estava adorando, mas eu não.
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3min depois.
—Se mexa! Parece que estou trepando com uma múmia! Exigiu ele mordendo de leve o meu pescoço e meus olhos rolaram em órbita no escuro junto com os seus movimentos de vai e vem.
—Não sou obrigada, já tem o meu corpo, então aja! Ele continuou se movendo e de pirraça, eu acariciei a cabeça dele e puxei os fios de cabelos com força fingindo estar obedecendo ao pedido dele.
—Droga garota! Disse ele saindo de dentro de mim e se levantou. Na mesma hora eu me cobri com a manta por saber que ele estava indo acender a luz. –Estava querendo me deixar sem o couro cabeludo? Perdeu a noção do perigo? Perguntou ele massageando a cabeça e me olhando com raiva. Devia estar doendo.
—Você pediu para se mexer. Fui acariciá-lo como merecia.
—Eu poderia te castigar, mas esse sexo chato me nauseou! Vá dormir sua garota malcriada! Falou ele vestindo a boxer estando muito excitado e depois o roupão. –Está sem o café da manhã para deixar de ser engraçadinha! Vou para o meu quarto, nem estava bom mesmo!
Não o respondi e ele saiu do quarto batendo a porta, era estranho o meu sexo estar sensível e sentindo falta de algo, mas dei graças a Deus que ele se foi. Eu só queria um pouco de paz e dormir. Sorte era a minha que Esme estava do meu lado, do contrário ele estaria me castigando nesse momento. Eu sentia a raiva que ele tinha de mim, mas eu percebia que ele ao possuir o meu corpo, ele gostava. Eu poderia estar enganada porque muitos homens agiam por instinto e eu era uma presa fácil, como eu o odiava por fazer isso comigo.
Virei-me de lado e com o ventinho mais o barulhinho do ventilador, eu dormi.
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07:30min da manhã.
Acordei me sentindo cansada por não ter dormido direito e me levantei para tomar banho. Vesti-me e penteei os meus cabelos, depois subi.
—A patroa ainda está dormindo. Informou-me Mary.
—Hoje é domingo.
—O seu Edward proibiu o seu café da manhã.
—Ele já está acordado?
—Por incrível que pareça sim e está com a cara de quem não dormiu bem. Falou ela baixo. –Ele ordenou que você fosse levar o café dele.
—Por que esse infeliz não dorme até mais tarde também?
—Isabella, faça o seu trabalho e fale menos! Falou o segurança.
—É sobre ele mesmo que estamos falando! Falou Mary na minha defesa. –Vá levar o café dele antes que venha até aqui.
—Vou arrumar a bandeja.
Comecei a organizar tudo direitinho sobre a bandeja e peguei tudo que Mary preparou para o café. Subi a escada sob a vigilância do segurança e bati de leve na porta com o pé.
—Entre!
—Trouxe o seu café.
—Está óbvio demais para mim não acha?
—Estou com fome Edward, deixe-me comer.
—Já dei a ordem, então obedeça!
—Por que me trata assim se eu não mereço?
—Faz parte do covil das raposas e pare com a ladainha, irá tirar o meu apetite. Não se esqueça de que a minha mãe quer passear na praia, não tente nenhuma gracinha!
—Já sei disso, vivo escutando isso.
—Que bom que está ciente!
—Você me faz lembrar o tempo todo!
—Limpe o banheiro, está mal feito.
—Não está não!
—Está sim, Rosa faz melhor!
—Então chame ela!
—Estou ordenando você e agora vá fazer o seu serviço!
Sai do quarto dele deixando as lágrimas rolarem e fui até a área pegar os produtos de limpeza. Voltei para o quarto dele e fui limpar o banheiro da mesma forma, elas desciam por eu me sentir emotiva em dobro e com a fome me torturando. Eu só pensava em minha casa, como eu queria estar longe dali, mas ao mesmo tempo sentia dó de Esme, ela gostava mesmo de mim. Ela confiava em mim pelo que percebi.
Limpei aqueles vidros todos, lavei a banheira e por estar horas sem comer e com um bebê sugando as minhas vitaminas sem repor, eu estava me sentindo bem tonta. Quando eu me levantava rápido demais por ter que agachar para limpar, a tontura era tremenda e tinha que me apoiar. Rendida me debulhei nas lágrimas estando debruçada na banheira.
—Pare de me chatear! Falou Edward do quarto e não liguei para ele.
Continuei chorando e terminei de limpar o banheiro, saí do mesmo olhando para a cara dele.
—Veja se estar do seu gosto agora.
—Se não estiver fará outra vez.
—Não irei não! Falei saindo do quarto e o deixei sozinho.
Desci a escada e fui para a área guardar o material. Decidi varrer o quintal logo cedo enquanto Esme não acordava e os dois seguranças externos estavam na parte da frente conversando.
Fui varrendo olhando para os lados com quem não quer nada, o que ficava daquele lado não estava ali por estar na ronda. Edward estava no quarto dele e o segurança que me vigiava estava tomando café tranquilo por saber que os seguranças externos estariam ali fora de vigília.
Do lado de dentro do portão era só puxar a alavanca que ele abria, já quem estava do lado de fora não já teria como por ter que usar a chave. O da garagem não tinha como, ele era automático e só abria através de um controle o qual ficava com os patrões.
A área por milagre estava limpa para mim e ao ouvi o passo dos seguranças na frente da casa, eu não pensei muito, abri o portão devagar e o fechei da mesma forma. Eu estava livre e corri me embrenhado em meio à mata, era inacreditável o que estava acontecendo, mas fui na direção do caminho que os Cullen faziam para sair dali.
Eu não sabia que lugar era aquele, mas não me fiz de lerda por causa da gravidez, eu só pensava em fugir mesmo o meu coração estando comprimido por ter que abandonar Esme. Edward era severo comigo e grávida só me deixava ainda mais com os nervos à flor da pele, eu só pensava em conseguir fugir e estar longe dali.
O caminho que fiz no meio do mato era tortuoso, minhas sapatilhas ficaram sujas e continuei andando rápido mesmo assim, era possível escutar o som dos carros mais à frente e dei na estrada depois de caminhar por uns quinze ou vinte minutos a passo largos. Eles já deviam ter dado falta de mim e caminhei escondida em meio à vegetação, eles viriam de carro atrás de mim e caminhar na beira da estrada daria na pinta demais, eu não queria voltar, eu só queria fugir.
.
.
45min depois andando.
Já me sentindo cansada, com a boca seca pela sede e só piorava por eu estar faminta, eu consegui chegar em um bairro um pouco afastado. O sol já estava escaldante por ali estar próximo do mar, mesmo eu tendo caminhado bastante a área era praiana.
Fui até o bar pedir informações a um rapaz.
—Moço, que lugar é esse aqui?
—Não sabe onde está? Perguntou ele desconfiando da minha sanidade mental.
—Preciso saber qual é o nome desse lugar e se tem condução pra Solares.
—Solares?
—Sim, fica em Miami.
—Nossa moça! Estamos a três horas e meia de lá, é longe. Aqui é Ourinhos.
—Ourinhos?
—Sim. É bairro de granfinos.
—Estou fugindo do meu namorado que bate em mim, preciso de ajuda e não tenho dinheiro. Estou grávida e preciso fugir.
—Está grávida? Perguntou ele preocupado e me sondando.
—Sim. Tem ideia como eu consigo um ônibus aqui?
—Na estrada há cinco minutos daqui. É 75 dólares uma passagem daqui até lá. Como irá fazer?
—Não tem como me ajudar moço? Eu preciso de ajuda. Falei chorando.
—Não é para comprar porcaria não, tem certeza? Perguntou ele duvidando de mim e me olhando minuciosamente.
—Absoluta! Preciso da sua ajuda moço, ele já deve estar atrás de mim.
—Olha eu vou te ajudar por ver o seu desespero e o bebê não tem culpa.
—Preciso me esconder, não posso dar na pinta aqui. Preciso fugir. Falei olhando em volta desesperada.
—Posso pedir o meu amigo taxista ali para te levar até lá.
—Não consigo confiar, preciso do dinheiro e irei escondida até o ponto de ônibus.
—Não costumo fazer isso e que carrãooo. Falou ele olhando para a frente e quando olhei, me escondi na mesma hora por ver o carro de Edward passando por ali. Era o povoado mais próximo e ele foi esperto ao me procurar por ali.
Fiquei escondida atrás da pilastra e ele mais o carro de um dos seguranças passou batido.
—É ele, é ele. Falei desesperada e as lágrimas rolaram.
—Seu namorado tem um carrão daqueles e porque está vestida de empregada, e com terra nas pernas?
—Eu era escravizada na casa dele, acredite em mim moço, por favor.
—Tudo bem, tudo bem e se acalme por causa do bebê. Eu mesmo posso te ajudar. Falou o rapaz aparentando os seus vinte e poucos anos.
—Não confio em ninguém! Empreste-me o dinheiro e quando eu poder, eu lhe pago de volta.
—Fique tranquila, sou do bem e irei te ajudar. Posso te dar carona até a metade do caminho e de lá te colocarei em um ônibus. Se misture no meio do povo e cuidado. Chame a polícia se precisar, será mais seguro lá do que você ficar por aqui na estrada.
—Tudo, menos isso no momento. Preciso dar um rumo na minha vida.
—Te desejo sorte, irei pedir o meu amigo pra olhar tudo aqui.
—Ok.
Eu precisava jogar com a sorte e entrei correndo na caminhonete dele, ele não devia ser pouca coisa também por ter um carro bonito e ele foi ocupar o lugar do motorista. Ele foi gentil ao trazer uma água mineral lacrada e geladinha para mim, o agradeci veemente.
Ligando o carro ele deu a partida. O lugar era bonito, durante todo o momento na estrada eu fui olhando tudo em volta com medo de Edward e daquele estranho que prometeu me ajudar. Estava difícil confiar nos outros.
—Por que ele fez isso com você? Perguntou ele vendo o meu pavor.
—Por ser ruim. Falei chorando.
—Mesmo você estando grávida?
—Ele não sabe, preferi assim.
—Que drama, dê parte na polícia logo moça.
—Eu só preciso fugir e infelizmente estou sem um tostão. Mesmo se eu não conseguisse ajuda, eu iria andando para fugir de tanta maldade.
—Está grávida e com esse sol quente não aguentaria. Duvido moça, logo desmaiaria onde quer que esteja.
—Obrigado por ser gentil e ajudar uma estranha.
—Teve sorte, alguém lá em cima olha por você. Qual o seu nome?
—Que bom. Falei secando as minhas lágrimas e em dúvida de falar o meu nome verdadeiro. –Chamo-me Kate. Falei um nome qualquer.
—Prazer kate.
—É todo meu. Falei sentida por mentir já que ele estava me ajudando, mas nunca se sabe.
.
..
Um bom tempo depois.
—Já chegamos. Fique aqui no carro enquanto o ônibus não passa. É mais seguro para você.
—Obrigado. Qual o seu nome?
—Chamo-me Mike.
—Obrigado por fazer isso por mim, obrigado mesmo.
—De nada.
.
.
15min depois.
—Está vindo o ônibus, darei sinal e tome o dinheiro. Conte-o depois porque agora precisa se levantar.
—Ok. Falei apertando a mão dele e sorri entre lágrimas.
—Se cuide. Falou ele saindo rápido e eu olhando em volta.
O ônibus parou e eu entrei acenando para ele, eu seria eternamente grata a aquele rapaz. Paguei o motorista do frescão e fui me sentar na última cadeira. Assustada e olhando tudo em volta, eu pude relaxar à medida que eu ia me afastando.
Tirei o dinheiro do bolso e contei, havia duzentos e cinquenta dólares ali, daria para me virar.
Tirei aquele avental e fui divagando a respeito da minha vida. Eu teria que saber o que aconteceu ou não em meu apartamento, eu teria que saber o que aconteceu em minha ausência, mas eu estava sem a minha chave, eu não saberia como proceder.
O porteiro me conhecia, nem que se fosse preciso eu arrombaria a porta do meu apartamento. Eu precisava pegar as minhas coisas se ainda estivessem lá e fugir.
.
.
1h e 25 minutos depois.
Eu acabava de chegar em Solares, mas o bairro era grande e fui olhando tudo em volta matando a saudade. Estava tudo enfeitado por causa do natal. Meu estômago roncava pela terrível fome e não me importei, tudo que eu precisava era ficar livre mesmo que para isso eu tivesse que ficar com fome enquanto fugia. Pedi para o motorista parar no ponto de ônibus e desci olhando tudo em volta, por sorte fiz sinal para o táxi e ele parou para mim entrar.
Informei aonde eu queria ficar e continuei olhando tudo em volta, não daria nem vinte dólares o percurso até o meu prédio. Chegando lá, ele ficou parado por eu ter pedido para que ele aguardasse um pouquinho, mesmo após pagá-lo. Eu precisava olhar em volta primeiro e o porteiro ao me reconhecer abriu a porta me olhando bestificado.
Entrei correndo e ele veio até a mim, parecia que via um fantasma.
—Senhorita, eu sinto muito pelo o que aconteceu com os seus pais. Você estava desaparecida e chegamos a pensar no pior. Disse ele me entregando as cartas de contas atrasadas.
—Eu precisei me afastar, tentar me recuperar do trauma.
—Foi notícia nos jornais. “Casal morre em acidente pelo carro ter explodido após bater. Não sobrou nada dos corpos por terem virado cinzas”. Sinto muito senhorita.
—Eu também sinto. Falei chorando por ter ficado sabendo da forma terrível que eles partiram.
—Alguns dizem que foi proposital, pelas câmeras do tráfego terem registrado uma perseguição antes do acidente. Pelas más línguas falaram que seus pais estavam metidos em encrenca e esse foi o castigo. Falou ele baixo.
—Isso são boatos de quem não tem o que fazer! Falei um pouco irritada.
—Desculpe falar isso, mas é o que o povo comentava até um tempo atrás. Sabe como é a má língua do povo.
—Eu sei. Estou sem a chave do meu prédio, estranhou algum movimento por aqui?
—Nenhum desde que partiram, sabe que aqui ninguém passa. Seguranças 24h aqui no prédio.
—É eu sei. Preciso de um chaveiro, tem como chamar um?
—É para já, mas o condomínio e a conta de luz estão atrasados. Estou lhe informando porque sei que você está a salvo.
—Não comente nada com ninguém sobre a minha aparição, quero ficar sozinha e não ficarei por muito tempo. Estou me recuperando ainda. Falei meias verdades, isso no sentido dele não me dedurar para qualquer um. Todos são suspeitos por eu não os conhecer e carinha estranha agora para mim, é igual a aqueles vigias. Ficar desconfiada dessa forma não é bom, mas para quem passou o que eu passei não é pra menos.
—Não irei, pode confiar.
—Obrigado e quando eu puder, eu pagarei as dívidas. Estou começando a minha vida novamente.
—Está muito abatida, está bem? Perguntou o homem me avaliando.
—Como eu disse, me recuperando.
—Mais uma vez, eu sinto muito.
—Valeu, agora preciso do chaveiro.
—Vou chamá-lo.
.
.
45min depois.
O chaveiro chegou e o serviço me custou setenta dólares. Ele trocou a fechadura e com novas chaves em mão, eu pude contemplar o meu apartamento intocado. Era como se não tivessem mexido em nada e fui até o meu quarto deixando as lágrimas caírem. Abracei o meu travesseiro e fui até o quarto dos meus pais, estava vazio e a cama desarrumada. Não suportei a pressão e deixei as lágrimas rolarem a solto, era algo que eu jamais iria esquecer e pior ainda era carregar um filho de quem nos arruinou. Chorei por incontáveis minutos, era dor demais em meu peito e o meu estômago chamou a atenção.
Fui para a cozinha e matei a minha fome como eu pude, eu sabia que eu não poderia ficar ali por muito tempo, pois seria uns dos lugares que ele iria me procurar. Mas eu ficaria escondida até conseguir bolar um lugar melhor para ir. Mas para onde?
Comi até não aguentar mais, algumas coisas na geladeira já estavam estragadas e as joguei fora. Comi como nunca antes e empurrei a mesa para ficar atrás da porta, o medo era assassino na maior parte das vezes.
Fui para o meu banheiro tomar um banho frio pela falta da luz, me lavei por inteira e me sequei. Arrumei a minha mala com uma quantidade de roupa necessária e a deixei no canto pronta para quando fosse a hora certa de partir.
No cofre em meu quarto havia dinheiro o suficiente pelo o meu pai sempre me dar e jake pagar as coisas para mim. Eu nunca mexia em meu dinheiro.
Fui no quarto dos meus pais e revirei os armários a procura de algum dinheiro. Achei alguns cordões de ouro deles, mas não havia muitos, eles eram discretos nessa parte. Talvez por minha causa.
Quando compravam diziam que pagaria parcelado, era pura mentira. Lembrando do perigo eu fui até a janela e na fresta mínima da cortina eu olhei lá pra baixo, a área estava limpa. Eu estava muito cansada e me lembrei de algo importante, os meus documentos. Fui até o meu quarto e olhei na gavetinha, meus documentos estavam todos ali para a minha sorte e cheguei a pensar que estivessem com Edward ou com quem estava louco para pôr a mão em meus pais. Sorte era a minha que o prédio oferecia muita segurança e mesmo assim deu no que deu.
Não teria como evitar, comigo a chantagem foi via telefone e perseguição, ninguém entrou aqui no prédio para me tirar à força. Com os meus pais deve ter acontecido o mesmo pelo apartamento estar intacto. Eu observava tudo nos mínimos detalhes e ainda não acreditava em tudo que aconteceu e estava acontecendo.
Eu queria saber pelo menos de jake e se ele me perdoou. Mesmo não parecendo eu precisava de ajuda, aquela mixaria de dinheiro não daria para me manter mais de dez dias, eu estava perdida em dobro pela minha situação. Por mais que o bebê não tivesse culpa, eu não desejava que acontecesse dessa forma, isso acabou com a minha vida literalmente e tudo por culpa......dele. Foi ele quem causou tudo isso ao vir possuir o meu corpo sem camisinha e a força, ele não se importava na hora por agir sempre no calor do momento e com autoridade para cima de mim. Acho que ele se esqueceu que a escravidão já havia acabado.
Eu precisava de ajuda financeira e Jake tinha o suficiente, só ele poderia me ajudar, eu acho. Eu não voltaria com ele caso ele pedisse, seria o mesmo que colocar uma arma apontada para a cabeça e atirar, eu jamais colocaria ele e a família dele em perigo. Não mesmo, e só bastava saber se ele iria me ajudar a fugir para algum lugar desse. Ele poderia estar com raiva de mim ainda e se ele não quisesse me ajudar, eu daria o meu jeito. Foi um milagre eu ter conseguido escapar e sei que Edward não descansaria até me achar.
CONTINUA.........
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