Sol da Manhã

5 Tipo uma festa do pijama


Notas iniciais
Esse capítulo é mais focado nas relações secundárias da Dayanne (e o próximo vai ser o mesmo só que com o Daniel), ficou grandinho também, é que eu não gosto de capítulos com menos de 1500 palavras e quando eu passo disso eu passo MESMO então... Pois é, espero que gostem mesmo assim e boa leitura :3

Que dia! Foi cansativo e divertido ao mesmo tempo. Estávamos eu, Karol e Anna sentadas nos banquinhos altos do balcão — com tampo de mármore preto — que dividia a copa e a cozinha. Vovó, mamãe e Millena estavam sentadas na mesa, e meu pai estava fazendo o jantar. Meu pai sabia cozinhar muito bem, mamãe também, mas ele sempre insistia em preparar as refeições principais. Estávamos conversando sobre assuntos triviais e eu lembrei como a companhia das pessoas que estavam ali era importante para mim, o grau de proximidade que todos nós tínhamos uns com os outros não é visto em todas as famílias. E eu incluía minhas amigas nisso também, porque afinal, elas já faziam parte da família, até chamavam minha avó Teresa de vovó! Éramos como irmãs falando sobre o dia e contando piadas sem sentido.

—Meninas vocês estão preparadas? Pois a lasanha do chef David está pronta e ela é única! Sentem-se a mesa, por favor. — Disse meu pai, cheio de entusiasmo.

—Finalmente! — Disse Milly com sua voz infantil, mas cheia de convicção.

—Ah vocês vão adorar! A lasanha do David é a melhor que vocês podem provar! — Afirmou vovó Teresa, enquanto tomávamos nossos lugares ao redor da mesa.

Minha avó já estava perto dos seus sessenta e cinco anos, os cabelos castanhos já cheios de fios brancos. Mas ainda tinha um espírito completamente jovem, até no estilo de se vestir, ela adorava vestidos modernos com cores marcantes e estava sempre muito bem arrumada. Apesar dos problemas de saúde devido ao tabagismo e diabetes — sem contar os derrames que ela já teve -, ela estava sempre de bom humor, era uma ótima pessoa para se conversar.

—Não vou mentir estou com fome e ansiosa para conhecer essa lasanha tão famosa.- Disse Karol.

—Eu já estou pronta para comer, cadê ela gente? — Perguntou Anna.

A mesa de madeira escura já estava posta, com todos os pratos, copos e talheres, só faltava a comida. Meu pai trouxe a lasanha que estava numa travessa de vidro grande, colocou em cima da mesa. Como era de se esperar a lasanha estava com uma aparência maravilhosa.

—Ai meu Deus! Eu preciso comer isso agora. — Afirmou Anna.

—Eu já estou com água na boca. — Eu disse.

—Então podem se servir! — Avisou David, entregando a espátula para minha mãe, ela se serviu primeiro.

A mesa era quadrada e cabiam oito pessoas, minha mãe estava em uma das pontas e meu pai na outra. Em um dos lados do meu pai estava minha avó, e no outro estava Anna, Karol estava do lado dela. Eu estava sentada ao lado de vovó, e Millena do meu lado. Depois de todos nós colocarmos a comida no prato começamos a conversar.

—O que você achou do Daniel, tia Joana? — Perguntou Karol. Eu devia ter previsto que ela ia perguntar isso.

—Ah! Ele é interessante e muito educado, gostei dele. Pelo que Day me disse achei que ele fosse mais quieto. Mas achei ele bem tímido também, menos com Milly, parece que ele ficou mais à vontade com ela. — Respondeu mamãe.

—Eu também achei que ele fosse mais quieto quando chegou à escola, mas é só questão de intimidade. — Comentei.

—Ah, então vocês já estão íntimos? -Perguntou Anna, dando uma garfada na lasanha.

—Não foi exatamente isso que eu quis dizer. — Eu percebi o que Anna e Karol estavam fazendo, e estava começando a ficar com vergonha, até porque estava na frente dos meus pais!

—Relaxe querida, ele é um gato. E parece ser um bom menino. — Disse minha avó. Lembra que eu falei que ela tinha um espírito jovem? Então, era disso que eu estava falando.

—Viu? Até vovó Teresa concorda! — Falou Karol.

Percebi que meu pai estava calado demais e com o rosto levemente ruborizado. Quando ele não estava observando a conversa ele encarava a lasanha como se ela fosse a única e melhor amiga que ele já teve. E eu estava começando a fazer a mesma coisa, porque não tinha a menor ideia do que dizer.

—Eu gostei do Daniel, ele não fala comigo como se eu fosse uma criança e também acha que eu não preciso ser legal com quem não conheço. — Comentou Millena. Fala sério, até ela?

—Eu avisarei a ele que vocês gostaram dele, ok? — Eu disse ironicamente.

—Pode avisar sim. — Minha mãe respondeu.

—Eu tava brincando...

—Mas eu não.

Depois do jantar continuamos conversando até tarde, depois de muitas risadas meu pai levou minha avó para dormir, fiquei feliz por ela ter se divertido. Eu e as meninas nos preparamos para deitar também, porque dormir mesmo era algo que nós não iríamos fazer, pelo menos não tão cedo.

Era por volta de meia-noite, vovó Teresa estava no andar de baixo dormindo no quarto dela, meu pai também já tinha ido para a cama. Millena também deveria estar dormindo, mas ela estava comigo e com as meninas enrolando para não ter que deitar. Todo mundo já estava de pijama. Karol com uma camisola preta de seda, Anna com calças e regata de malha, a regata tinha um panda desenhado na frente, eu pus um short e uma blusa com mangas e Millena estava de camisola também. As meninas estavam todas no meu quarto, meus pais tinham colocado um colchão de casal inflável no chão de carvalho escuro para Karol e Anna dormirem. Karol estava sentada na minha cama — falando com Nathan pelo celular -, era uma cama de casal de madeira com cabeceira estofada toda branca, tirando os lençóis que eram amarelos estampados. Anna estava brincando de adoleta com Milly no colchão inflável, e eu tinha ido buscar cobertores para nossas hóspedes.

—Pronto, peguei os cobertores. Milly, sua hora de dormir já passou. — Eu disse, entrando no quarto carregando os lençóis.

—Mas por que só eu tenho que dormir cedo? Vocês vão ficar acordadas até tarde!

—Não vamos não. — Menti. — E não está cedo! Fora que não é só você que tem que dormir, vovó e papai já estão dormindo. Mamãe está te esperando no seu quarto, vá lá.

—Tá bom! Boa noite Anna.

—Boa noite. Dorme bem. — Respondeu Anna rindo, provavelmente se divertindo com a teimosia da minha irmãzinha.

—Você também. — Milly se levantou e foi até Karol. — Boa noite Karol!

—Boa noite Milly. Manda boa noite pro Nathan. — Ela colocou o celular na direção de Millena e segurou o botão para gravar um áudio.

—Oi Nathan! Boa noite e tenha bons sonhos! — Millena falou próximo ao telefone e Karol enviou a mensagem. -Só falta você Day. Boa noite!

—Boa noite irmãzinha, até amanhã.

Ela saiu e foi para o quarto dela.

—Sua irmã é uma fofa. — Disse Anna.

—Nathan também acha isso. — Disse Karol, apontando para o celular.

—Eu concordo. Mas e agora? Eu sei que vocês não vão querer dormir, o que a gente faz? — Perguntei.

—Jogar verdade ou desafio? -Sugeriu Karol.

—Sabia que você ia falar isso. — Respondeu Anna. Eu também tinha certeza que ela ia sugerir isso. — A gente pode fazer isso depois, vamos brincar de alguma coisa antes, tipo baralho, que tal?

—Boa ideia. — Eu disse.

—É, pode ser. — Concordou Karol finalmente largando o celular.

Então foi isso que fizemos, jogamos cartas. Jogamos quatro rodadas, Karol ganhou a primeira, Anna a segunda, e eu a terceira. E agora Anna tinha acabado de ganhar pela segunda vez.

—Ganhei mocinhas! — Ela disse, colocando as cartas dela no chão, que era onde estávamos jogando.

—Eu nem sei como ganhei a primeira rodada, não sei jogar isso direito. — Disse Karol, repetindo o gesto e colocando as cartas no chão.

—Bom, vamos fazer outra coisa? — Sugeri.

—Vamos jogar verdade ou desafio agora. — Disse Anna.

—Vou ter que arrumar uma garrafa. — Afirmei.

—Não precisa, a gente usa um chinelo. Olha, quem cair na parte da frente pergunta, na de trás responde, ok? — Instruiu Karol, segurando um dos chinelos azuis dela.

—Então tá. Quem gira primeiro? — Perguntei.

—Gira você. — Disse-me Anna.

E foi isso que eu fiz, girei o chinelo. E caiu para que eu perguntasse e Anna respondesse.

—Verdade ou desafio? — Perguntei.

—Desafio.

—Já?

—É, ué! Vai, qual o desafio?

—Te desafio a me deixar postar uma frase constrangedora no seu facebook.

Anna riu.

—Ai Deus! Tá bom, toma. — Ela me entregou o celular.

Tentei pensar em algo constrangedor, mas não tive nenhuma ideia boa o suficiente.

—Não consigo pensar em nada, escreve você Karol. — Passei o celular para ela e ela pegou. Karol nem precisou pensar muito, quando percebi, ela já estava digitando. Logo depois ela devolveu o telefone para Anna.

—Karol você é muito malvada sabia? — Disse Anna lendo o que tinha postado. — Tá, agora eu giro.

Dessa vez era Anna que perguntaria para Karol.

—Verdade ou desafio?

—Verdade.

—O Nathan beija bem?

—Muito! Vocês não tem noção. Mas ele já foi pior sabe, nosso primeiro beijo foi meio esquisito.

—Mas foi ruim? — Perguntei.

—Não, nenhum dos nossos beijos foi ruim. Mas foram melhorando com o tempo. Enfim, minha vez de girar.

Bom, já dava para saber que eu tinha tido azar, Karol ia me perguntar.

—Olha só! — Ela riu. -Verdade ou desafio?

Não estou com coragem para escolher verdade, Karol sabe pegar pesado nesse jogo.

—Desafio.

—Sabia que você ia escolher isso. Me dá seu celular vou mandar mensagem para três pessoas no seu whatsapp.

Eu sei exatamente para quem ela queria mandar mensagem, e não era uma boa ideia permitir.

—Mudei de ideia, escolho verdade.

—Vou pegar leve, você está gostando de alguém atualmente? — Para Karol, esse tipo de pergunta era realmente muito leve.

—Não, e se eu estivesse eu contaria a vocês, não se preocupem.

—Espero que conte mesmo, estamos aqui pra isso. — Disse Anna.

Fizemos mais algumas rodadas e depois fomos assistir a um filme de terror, tinha uma televisão de tela fina no meu quarto, que ficava em cima de uma cômoda de madeira em frente à cama, então deitamos nós três juntas e assistimos a invocação do mal 2. Só que Karol — depois de vários sustos — dormiu perto do final do filme. Anna deu a ideia de passarmos pasta de dente no rosto dela e foi isso que fizemos, enquanto ela dormia com o rosto todo melecado nós tiramos algumas fotos dela. Depois dos filmes e da pasta de dente eu e Anna dormimos também, eram quase cinco da manhã.

Depois de pegar no sono, eu tive um sonho, ou uma mistura de vários. Sonhei com a apresentação do nosso trabalho, eu e meu grupo estávamos na sala de aula explicando nosso projeto e de repente Milly apareceu com um prato de lasanha, depois ela colocou a lasanha em uma carteira e foi correndo abraçar o Daniel. Eu realmente não entendi, mas acho que nem todos os sonhos tem algum significado, foi só uma mistura do que aconteceu no meu dia, e para falar a verdade foi engraçado. Já tinha me acostumado com a variedade de sonhos que eu tinha, menos com os pesadelos, raramente os tenho, mas odiava quando eles apareciam, enfim, sonhos loucos acabaram por fazer parte da minha rotina. Eu, Karol e Anna dormimos até onze horas do domingo, acordamos com Millena entrando no quarto e abrindo as cortinas, ela pulou em cima de mim e chamou pelas meninas. Ela não fez na intenção de incomodar ela sempre me chamava se eu dormisse até depois das dez horas porque eu mesma tinha pedido, mas as meninas ainda estavam um pouco sonolentas — era de se esperar só dormimos seis horas, mas ia ser suficiente -. Depois de trocarmos de roupa pulamos o café da manhã e fomos direto para o almoço. Quando acabamos de comer, tínhamos um dia inteiro livre para aproveitar, então fomos para a piscina, Karol, Anna, Milly e eu.

No nosso quintal, tinha a garagem, que era bem espaçosa e era onde ficavam os nossos dois carros — um do meu pai e outro da minha mãe -, próximo à garagem tinha a churrasqueira de tijolos e um balcão com uma pia. Ao lado da piscina tinha um chuveirão também. Entre a garagem e a piscina o piso era só o nosso gramado, tirando um pequeno caminho de pedras que ia do portão até a entrada da casa. Minha mãe ligou o som no carro deixando tocar as músicas do rádio num volume relativamente alto.

—Day! Olha! — Gritou Milly, logo depois ela pulou com todas as forças na piscina.

Millena era uma menina bem madura geralmente, mas se o assunto fosse piscina ou praia ela era como a maioria das crianças, o que é bom, ela se diverte bastante.

Milly não gosta muito de nadar sozinha, e meus pais nem sempre tem tempo, então talvez nossa piscina não fosse tão aproveitada quanto poderia, mas quando tínhamos visita, aí sim aquele quintal virava uma festa.

—Precisamos fazer isso mais vezes. — Disse Anna rindo.

—Com certeza! E na próxima precisamos chamar os meninos também. — Concordou Karol.

—É uma boa ideia, quem sabe depois das nossas primeiras provas. — Eu disse.

—Cheguei meninas! — Minha mãe falou enquanto saia de casa e se preparava para entrar na piscina.

Minha mãe tinha um estilo muito moderno, até para roupa de banho, ela estava usando um maiô vinho sofisticado que valorizava todas as curvas dela. Em momentos como esse ela me lembrava Karol, ela também tinha um estilo chique mas do jeito dela, Karol estava usando um biquíni preto e branco, a parte de baixo era cintura alta — e toda preta — e a de cima era tomara que caia — e tinha estampa de listras horizontais -. Já Anna estava usando um biquíni super colorido com estampa geométrica tribal, ela tinha prendido os cabelos num coque bem no topo da cabeça. Eu estava com meu biquíni de franjinhas cor-de-rosa pink , eu achava um pouco chamativo demais mas gostava bastante dele. E Milly estava com um maiô azul claro de bolinhas roxas.

Mamãe tinha entrado na piscina para ficar com Millena, mas as meninas sempre a incluem na conversa e nós nos divertimos todas juntas. A minha avó estava deitada em uma espreguiçadeira próxima à piscina, tomando sol. Só estava faltando...

—Cadê o papai? -Perguntei a Joana, um pouco depois de ela ter entrado na piscina.

—Acho que está se trocando, ele disse que ia entrar também.

—Saiam do meio que eu vou pular! — Meu pai surgiu do nada e correu em direção à piscina, então se jogou espalhando água para todo lado. Logo depois ele deu um grito de comemoração.

—Definitivamente precisamos nos reunir mais vezes. — Repetiu Anna, gargalhando.

De repente começou a tocar uma música de funk que eu não conhecia.

—Meu Deus! Sei essa música inteira! -Disse Karol.

—E tem alguma música que você não conheça inteira? — Perguntou Anna.

Karol começou a cantar e fazer uma coreografia dentro d’água mesmo. No refrão Anna começou a cantar e dançar junto com ela, quando percebi já estava todo mundo imitando Karol inclusive meus pais.

—Vocês são loucos, mas eu amo vocês do mesmo jeito. — Eu disse rindo.

—A gente também te ama, mas vamos dançar! — Disse Karol saindo da piscina acompanhada de Anna, eu as segui e nós começamos a dançar completamente desengonçadas, até minha avó dançou um pouco, mesmo sem se levantar.

Dançamos e brincamos a tarde toda. Depois que anoiteceu saímos da piscina e nos trocamos. Eu me preocupei um pouco que nossas brincadeiras tenham incomodado os vizinhos, mas isso passou bem rápido conforme nos divertimos. Tardes como essa não se tem todos os dias, a menos que você se reúna com seus amigos todos os dias.

Depois do jantar, Millena estava exausta e logo pegou no sono no sofá mesmo, papai carregou ela para o quarto. Minha mãe tinha pedido pizza, e Milly dormiu depois da primeira fatia, continuamos comendo e conversando mesmo sem ela. Como eu já disse, Karol e Anna já faziam parte da família, e quando estávamos todos juntos a genética não influenciava em nada.

Karol tinha mania de mexer nos cabelos de todas as pessoas, mas principalmente nos de Mily e vovó Teresa. Ela estava fazendo algum penteado com tranças nos cabelos ondulados da minha avó, eles só iam até os ombros, mas ela sabia fazer bom proveito do comprimento deles. Estávamos todos na sala assistindo a um filme de comédia e comendo pizza. Eu gostava muito de passar um tempo só com as meninas, mas senti falta de Allan e Nathan, e agora que estamos nos aproximando — mesmo que aos poucos — senti falta de Daniel também. Vê-lo feliz me agradava, nunca gostei de ver ninguém angustiado, me sinto mal pela pessoa, e me senti assim quando Daniel chegou ao colégio. Mas depois de conhecê-lo um pouco mais, vi que ele sabia ser bem animado. São nesses tipos de experiências que nós percebemos que os sorrisos mais bonitos vêm das pessoas mais tristes, e sei que se ele estivesse aqui agora ele teria se divertido. Quem sabe um dia nós possamos repetir esse encontro junto dos meninos? Como Karol comentou.

Mas agora estava tarde e nós precisávamos dormir, amanhã era segunda-feira e tínhamos que acordar cedo para ir à escola. Nossa rotina começaria de novo.

Notas finais
Eu tenho um amor pela Millena que vocês não têm noção, e pela Teresa também (melhor vó ♥ ). Pois bem, é isso, beijinhos e até o próximo capítulo :)