Sol da Manhã

1 Um lado bom em tudo


Notas iniciais
Essa é a primeira história que posto. Vou intercalar os narradores dos capítulos para que os dois personagens principais contem a história. Quem narra este capítulo é Dayanne. Boa leitura :)

—Gostei do batom, vermelho fica bem em você.

—Obrigada Day!- Disse Anna, sorrindo para mim. Estávamos caminhando pelo pátio do colégio esperando o sinal tocar. O pátio era a céu aberto, ou seja, a luz do sol iluminava tudo, e esse era um dos motivos para eu gostar tanto dessa parte da escola. Eu conheço Anna há uns seis anos, todo esse tempo nos deixou bem próximas.

Era o primeiro dia de aula do ano, do segundo ano do ensino médio, ah o ensino médio! A fase da vida adolescente mais amada e mais odiada, no meu caso, era só mais um ano, só mais um bom ano. Eu não estava nervosa com o início das aulas porque já conhecia a maior parte das pessoas do colégio, estava mais para animada do que para nervosa.

Um pouco adiante de onde eu e Anna estávamos, dava para ver Rebeca passando pela entrada do corredor, os cabelos pretos e lisos dela se destacavam bastante. Nós duas estudamos juntas desde pequenas, eu fui a primeira amiga dela quando ela chegou no colégio, depois de um tempo ela criou amizade com os... Digamos... os populares. Ela ficou meio arrogante e quando eu questionei o motivo nós brigamos e ela não fala mais comigo. Mas isso já faz tempo, pelo menos nós duas amadurecemos.

Eu não tinha percebido, mas Rebeca e suas amigas estavam fazendo uma barreira para impedir a entrada de uma menina baixinha usando rabo de cavalo.

—Você deveria comer menos sabia? Ninguém vai te querer gorda desse jeito!- Disse Emilly, amiga de Rebeca.

Bom, pelo menos eu amadureci.

—Olá senhoritas, como foram suas férias?- Perguntou um menino loiro logo atrás de mim, interrompendo de repente a conversa entre mim e Anna.

—Allan!-Dissemos nós duas ao mesmo e tempo e o abraçamos uma de cada vez.

—Eu também estava com saudade de vocês.- Brincou, ele raramente perde o senso de humor.-Mas vamos sentar, que mania que vocês têm de ficar conversando no meio do pátio.

Pior que ele estava certo. Sentamos nós três em um banquinho perto de uma árvore.

—Então? Novidades? O que vocês fizeram as férias todas?-Perguntei.

—Ah sim! Eu contei para a Day antes de você chegar, Allan, mas deixa eu te falar. Atenção! Terminei o namoro!- O engraçado é que ela falava isso com um grande sorriso no rosto, eu já tinha me acostumado com a insensibilidade de Anna para términos de relacionamentos, mesmo esse sendo apenas o segundo que ela já teve. Ela era muito carinhosa enquanto estava com alguém, mas quando acabava ela era bem madura não se deixava afetar como a maioria das meninas nessa idade. Eu sempre admirei a força e maturidade dela.

—Você terminou com o Thomas? Por quê?

—Peguei ele se agarrando com outra.

—Ah! Bom, faz sentido.

—Veja pelo lado bom, ele ia te trair de qualquer jeito, foi bom ter terminado logo, pelo menos você não perde tanto seu tempo com alguém que não te merece.- Eu disse.

—Dayanne e suas reflexões, parece que você vê um lado bom em tudo!- Afirmou Allan. Acho que ele estava certo...

—Bom, acho que isso não é um problema. Alguém tem que ver o lado bom não é?- Respondi, dando de ombros e sorrindo.

O sinal tocou.

Todos os alunos entraram nas salas. Eu me sentei ao lado de Anna e Allan como sempre. Inclusive, Anna era uma menina linda, vez ou outra eu me pegava mexendo nos cachos negros e volumosos dela. Na verdade eu me distraio bem fácil, qualquer coisa me chama atenção.

E o que tinha me chamado atenção no momento, foi um garoto que eu nunca tinha visto entrando na sala junto com o resto dos alunos, e logo atrás o professor Martins, de biologia. Eu tinha certeza de que o tal garoto era novato, ele sentou do outro lado da sala, duas fileiras atrás de mim.

—Anna, você viu?

—O menino? Acho que não dá pra não perceber, né? Os novatos sempre chamam atenção. Depois da aula a gente fala com ele.

Quando ela acabou de dizer isso, Nathan e Karol entraram juntos na sala. Atrasados como de costume. Esses dois não se desgrudam, mas acho que isso indica que o namoro deles vai bem. O casalzinho sentou atrás de mim e Allan. Pronto, o quinteto estava formado. Anna encarou Nathan e Karol com um meio sorriso que dizia: Todo mundo sabe o que vocês dois estavam fazendo lá fora. Nathan deu de ombros.

...

Quando essa aula acabou, fomos todos os cinco falar com o garoto novato. Ele parecia ser bem quieto, tinha cabelos castanhos, os olhos também, mas num tom mais escuro. Aparentemente ninguém mais tinha ido cumprimentar o menino, provavelmente acharam que ele não se encaixava no padrãozinho deles. Enfim, Anna e Allan foram os primeiros a falar.

—Oi! Você é novo no colégio, certo?- Perguntou Anna.

—É... Oi.- Ele respondeu, acho que estava certa sobre ele ser quieto.

—E aí? Qual o seu nome?- Dessa vez foi Allan que perguntou.

—Daniel.

—É um prazer te conhecer. Meu nome é Anna, esse é Allan. E esses três são Nathan, Karol, e Dayanne.-Ela disse apontando pra cada um.

—Só Day mesmo.- Eu disse.

—Hã... O prazer é meu.- Afirmou Daniel. Estava começando a achar que estávamos assustando o coitado do menino.

—Bom, é hora do intervalo, vamos comer. Você senta com a gente!- Disse Nathan, se referindo a Daniel obviamente. Ele não pareceu ligar muito, talvez isso signifique que não o assustamos, eu espero...

Sentamos todos numa mesa para comer, Daniel sentou do lado de Allan, eu sentei do lado de Anna, e Nathan e Karol ficaram juntos, o que não é novidade.

—Então, por que mudou de escola?-Karol perguntou ao novato, tentando puxar assunto.

—Eu tive... Uns problemas no meu último colégio.

Dava para perceber que ele não queria falar sobre isso. Achei melhor tentar mudar de assunto.

—E o que está achando da nova escola?- Perguntei.

—Ah, não conheço tudo ainda, mas até agora parece ser bem normal.

—Já conheceu a gangue dos normaizinhos?- Foi Allan que perguntou.

—”Gangue dos normaizinhos”?- Daniel pareceu confuso, e bom, ele não tem culpa.

—É como ele chama o pessoal popular. É só mais um grupinho. Nem todos de lá são pessoas ruins.- Eu tentei explicar, não sei se funcionou.

—Tá, mas por que “normaizinhos”?- Boa pergunta, Daniel.

—É que eles são tão parecidos, tão comuns, tão... Chatos.- Allan respondeu.

—E vocês não são comuns e normais?- Bom, mais uma boa pergunta, Daniel.

—Ah não! Somos todos loucos aqui.-Nathan afirmou.

—É isso aí!-Disse Allan, rindo. Eu não tinha certeza se discordava.

Daniel nos encarou por um segundo depois deu um sorrisinho. E que sorrisinho meigo, dá até vontade de guardar em um potinho.

No fim da aula nós nos despedimos do nosso, aparentemente, novo amigo, e fomos cada um pra sua casa. Minha mãe, Joana, estava em casa quando cheguei, mas estava trabalhando,mexendo no notebook. Ela era advogada, tinha uma carreira promissora, provavelmente teria muito sucesso mais adiante. Já meu pai trabalhava fora de casa-e era isso que ele estava fazendo naquele momento- ele era arquiteto. Morava naquela casa, eu, meus pais, minha irmã mais nova, Millena-eu a chamava de Milly, acabou que a família toda adotou o apelido-, e minha avó paterna, Teresa. Minha avó já tinha tido dois derrames, o último foi um pouco mais recente. Ela até estava bem, mas ainda tinha sequelas e tinha que ficar de cama, ela precisava de ajuda em grande parte da rotina dela.

Minha irmãzinha geralmente chegava do colégio antes de mim, e ela estava sempre conversando com nossa avó. Eu gostava de ver as duas juntas, Millena se divertia e vovó podia se distrair um pouco.

—Cheguei!

—Day!- Millena gritou e veio correndo me abraçar, ou abraçar minhas pernas que era até onde a altura dela permitia.

—Filha, o almoço já está pronto pode colocar para você.- Minha mãe me avisou.

—Tá bom, mãe!

—Vou te mostrar o desenho que eu fiz, Day!- Disse Milly, toda empolgada.

—Me mostra, quero ver.- Ela foi correndo buscar o tal desenho, e eu fui falar com minha avó que estava na sala, deitada.

—Oi, vovó. Tudo bem?

—Tudo, minha filha. Como foi o primeiro dia de aula?

—Foi bom, muito bom.

Ela sorriu, segurando minha mão.

—Day olha!- Era Millena, me entregando orgulhosamente seu desenho.

Era um desenho de um campo verde cheio de florzinhas com um sol enorme logo em cima.

—É o nascer do sol!- Disse Milly, explicando o desenho dela.-Eu sei que você gosta, fiz pra você!

—Que lindo! Obrigada.

Notas finais
É isso, espero que tenham gostado. Se gostaram digam o motivo, se não, digam também.