Sol da Manhã

8 Pra que tanto nervosismo?


Notas iniciais
Bom... Desculpem novamente pela demora, eu não vou falar muita coisa, apenas: Artblock, pois é. Quando eu finalmente tinha tempo não consegui pensar em nada, ou pelo menos não conseguir escrever do jeito que queria. MAS, planejei algumas coisas para a história, então espero que saia tudo como planejado :D Aproveitem o capítulo.

Não cheguei em casa tão tarde quanto imaginei, e ficar mais um pouco depois da aula foi até legal, talvez eu faça isso mais vezes. Minha mãe estava trabalhando quando cheguei da escola. Não tinha nada pronto para comer, só uma panela de arroz que já estava velho na geladeira. Então depois de tomar banho fui fazer o almoço, resolvi que era melhor fazer macarrão. Enquanto eu fazia o molho do spaghetti deixei tocar a música eutanásia da banda supercombo. Eu não gosto de fazer nada sem música. Às vezes gosto do silêncio para pensar na vida, mas no geral faço tudo ouvindo música, isso inclui tomar banho, caminhar, cozinhar, até estudar. Pois é, para mim funciona, até facilita, deixa minhas obrigações mais divertidas e por incrível que pareça me concentro melhor.

Almocei assistindo a um episódio de American horror story, e depois fui estudar. Percebi que a influência dos meus amigos também fez com que eu voltasse a gostar de estudar. Quando eu estava anoréxico, — eu também tive depressão nessa época, segundo meu psicólogo -, eu não gostava muito de estudar, e me frustrava por besteiras. Minha mãe pegou bastante no meu pé por causa disso, acho que agora que estou me interessando mais pelas aulas ela vai gostar mais ainda de Day, Anna, Allan, Karol e Nathan.

Eu aproveitei para revisar a minha parte do trabalho de biologia, pra lembrar bem do que ia dizer amanhã. Depois disso fiquei tocando violão até minha mãe chegar em casa. Quando Aline chegou, seguimos a rotina de sempre, ela fez o jantar e comemos juntos, conversamos bastante.

Eu já estava bem cansado depois de jantar, então fui para o meu quarto. O piso era de cerâmica clara e as paredes eram num tom de cinza claro, tinha um guarda-roupa e uma escrivaninha, os dois de madeira escura. Deitei na minha cama de solteiro e não demorei a pegar no sono.

...

Na manhã seguinte já acordei pensando na apresentação de biologia. Eu nunca fui muito fã de trabalhos desse tipo, em que é preciso falar na frente de todo mundo, acho que já ficou estabelecido que não gosto de chamar atenção. Mas valia nota, e eu sabia que precisava fazer. Não que eu ache que não vá conseguir, mas mesmo sabendo o que falar o nervosismo pode chegar e estragar meus planos. Eu não tenho muito costume de falar “em público” então talvez eu gagueje, ou fale baixo demais... Eu realmente espero que isso não aconteça.

Depois de tomar banho e vestir uma calça jeans e uma camiseta cinza fui tomar o café da manhã. Minha mãe já estava de saída. Às vezes ela saia para o trabalho antes de mim, às vezes depois, e às vezes me dava carona para escola. O horário dela é um pouco instável, mas hoje ela ia sair mais cedo.

—Tenho que ir, filho, se alimente bem e até o jantar. — Aline beijou minha testa.

—Até.

Quando acabei de comer, peguei meu casaco preto e minha mochila e fui para o colégio, a pé mesmo, e ouvindo música... Como sempre.

Procurei pelos meus amigos ao chegar ao colégio, mas não os vi no pátio. Depois de andar um pouco pela escola encontrei-os na sala de aula.

—E aí, Daniel? Decorou o que vai falar? — Perguntou Allan.

—Sim, na verdade só aprendi, mas sei o que dizer.

—E tem diferença entre decorar e aprender? — Allan disse. É uma dúvida até válida, mas a resposta é meio óbvia.

—Lógico que tem. Aprender é até mais fácil, porque aí você pode explicar com suas próprias palavras e não precisa seguir um roteiro escrito num papelzinho. — Respondeu Anna tomando das mãos de Allan um pedaço de papel onde estava escrita sua parte do trabalho. — Isso é meio quinta série demais, não?

—Você não decorou ainda? — Perguntei.

—Sim, só estou revisando. — Allan respondeu.

—Aham. — Disse Day.

—Nathan e Karol não chegaram ainda? — Perguntei.

—Eles devem ter chegado, mas os dois têm o costume de ficar se pegando antes da aula começar e só aparecem depois que o sinal toca. — Respondeu Anna.

Eu ri. Já estava habituado com o amor fogoso de Nathan e Karol, achava até bom... Para eles, no caso. Mas se fosse para escolher, é melhor um relacionamento com paixão sobrando do que faltando.

—Contanto que eles tenham decorado a parte deles, tudo bem. — Disse Day.

Ficamos um tempo conversando, até que o sinal tocou. Como era de se esperar, Nathan e Karol entraram na sala. O professor Martins também entrou, demorou um pouco, mas começaram as apresentações. O primeiro grupo foi o de Rebeca, Emilly e Matheus. Eu só sabia o nome deles porque Dayanne me disse, nem sabia os nomes dos outros participantes.

O trabalho deles não estava péssimo, mas faltavam algumas coisas. Rebeca explicou bem a parte dela, Emilly esqueceu uma parte, mas logo lembrou e foi bem também. Já Matheus gaguejou e falou poucas coisas, a nota individual dele não iria ser boa. Depois da segunda equipe — que foi muito bem — se apresentar, era a vez do nosso grupo. Eu estava muito nervoso, minhas mãos estavam suando e tremendo. Dava para controlar, mas isso não é nem um pouco confortável. Quando finalmente chegou minha vez de falar, eu travei...

Me deu branco de repente, o professor estava me encarando, assim como os alunos, e meus amigos também. Eles tinham ido tão bem explicando, agora eu vou estragar a apresentação. Por favor, Daniel, fala alguma coisa... Eu olhei para o lado, Dayanne estava olhando para mim. Achei que ela estaria me encarando com uma cara de reprovação, ou desesperada para que eu dissesse algo. Mas ela sorriu para mim, só sorriu. De repente eu lembrei o que tinha que dizer — ainda bem né! -, as palavras se organizaram na minha mente e acabou indo tudo bem, o tempo que travei nem tinha sido tão longo assim.

...

Depois do nosso ainda tiveram mais dois grupos, e quando acabou ainda tínhamos aula de outros professores. Mas antes tinha o intervalo.

Estávamos sentados numa mesa no refeitório, conversando. Até que Dayanne falou.

—Ah sim. Daniel, eu ia te perguntar se você quer voltar comigo hoje... de novo. Isso se você não for de ônibus. Mas se não qu...

—Eu vou. — Interrompi. Ela parecia desconfortável em perguntar, como se estivesse com medo da resposta, foi melhor ter respondido logo. Na verdade eu também queria que ela fosse comigo.

—Então... Tá. — Disse Dayanne sorrindo.

Depois disso todos ficaram em silêncio nos encarando.

—O que foi? — Day perguntou.

—Nada, é só que o assunto de vocês estava mais interessante que o nosso. — Respondeu Karol, com o queixo apoiado na mão, e o cotovelo apoiado na mesa.

—Mas só dissemos três frases. — Eu disse.

—Para você ver como nosso assunto estava chato. — Karol respondeu mais uma vez.

...

Depois que as aulas acabaram e eu me despedi do pessoal, segui o caminho de casa na companhia de Day novamente.

—Eu acho que o professor gostou do nosso trabalho. — Comentou Dayanne.

—Eu também, mesmo eu tendo travado na hora de falar.

—Eu vi, mas só percebi porque você olhou para mim, ninguém mais reparou.

—Você acha?

—Tenho certeza. — Ela disse sorrindo.

De repente ouvi um latido, e quando me virei para ver o que era um cachorro pequeno — provavelmente filhote, e vira-lata — estava com as patas dianteiras nas minhas pernas, me cheirando.

—Que fofo! — Exclamou Day. Ela se agachou e começou a fazer carinho nele, e ele a lambeu como agradecimento. -Você gosta de cachorros?

—Sim, sempre quis ter um. — Agachei-me, assim como ela e também acariciei o cãozinho.

—E por que não pode ter?

—Na verdade... Nunca pedi a minha mãe.

Ela riu.

—Deveria ter pedido. Você acha que ela deixaria?

—Talvez, acho que ela não tem nada contra.

O filhote latiu mais uma vez.

Nunca pensei em falar com minha mãe sobre isso, nem mesmo passou pela minha cabeça, mas agora eu pretendia. Na verdade eu acabo querendo muita coisa e não pedindo. Eu devia falar mais o que eu quero, ser menos tímido. Senão vou acabar me arrependendo de não ter feito e não vou saber o que poderia ter acontecido. Aliás...

—Day, a gente pode voltar junto todos os dias? Já que moramos perto?

Ela parou de fazer carinho no cachorro e olhou para mim. O olhar dela me gelou completamente, o frio não era só na barriga, era no corpo todo. Isso tudo só por causa de uma pergunta besta, eu sou muito fresco mesmo, para que tanto nervosismo?

—É, na verdade eu estava enrolando para te perguntar isso.

—Enrolando? E por que não perguntaria?

—Ah, sei lá. Fiquei com medo de você não gostar da ideia, mas eu ia perguntar mesmo assim.

—Relaxa, eu gosto da sua companhia. — Eu disse rindo. Por que eu não gostaria da ideia? Ela é tão simpática, não dá pra não gostar dela.

Day sorriu.

Notas finais
Pronto, foi isso, obrigada por ler e até o próximo ♥