Soho Dolls

36 Capítulo 35


Notas iniciais
Heeeeeey!! Ok, tenho muiiitas coisas a agradecer nessa nota inicial. Em primeiro lugar; 1000 REVIEWS, PASSAMOS DE 1000 REVIEWS! Eu ainda não acredito nisso... Em segundo lugar quero agradecer a leleka e a taty melo pelas recomendaçções, eu simplesmente amei, taty, você conseguiu me deixar com os olhos cheios de lágrimas, obrigada amr s2. Em terceiro lugar e mais importante, quero avisar vcs que eu cometi um pequeno erro no capitulo anterior na parte que a emily narra; esqueci de comentar que ela tinha uma competição no final de semana hehe mas enfim, é isso espero que gostem do cap.

– Elena... – A voz aveludada e sonolenta de Damon sussurrou em meu ouvido me fazendo acordar lentamente. – Bom dia, dorminhoca... – Assim como na noite passada, ele me acordou com beijos e caricias fazendo algo que era extremamente raro de acontecer; me fazer acordar sorrindo.

– Bom dia... – Suspirei fundo pigarreando para que minha voz não saísse tão baixa. – Que horas são?

– Já são mais de dez horas. – Damon se virou na cama ficando em cima de mim, sem se importar se seu peso fosse depositado sobre meu corpo.

– O que? – Perguntei um tanto alterada, acordando rapidamente após saber o horário. Desde quando eu acordava tão tarde indo dormir em um horário relativamente normal? Normalmente eu costumava a acordar depois das dez quando passava a noite inteira trabalhando na boate e não quando ia deitar um pouco depois das onze... Definitivamente meus “exercícios” na banheira com Damon haviam me cansado mais do que eu imaginara. – Acho que tem alguém muito atrasado para o trabalho... – Aproveitando a posição em que ele estava, eu levo minhas mãos aos seus cabelos e os ajeito para trás como se penteasse seus fios.

– Não, na verdade hoje é meu day off, só vou precisar ir ao hospital checar alguns pacientes e estarei de volta antes de escurecer.

– Que bom ouvir isso! – Sorri levemente e beijei seu queixo, que era a parte de seu rosto que tinha fácil acesso. – E pelo que eu entendi, você tem o final de semana de folga, não é?

– Sou totalmente seu nesse final de semana e no próximo também!

– Confesso que amei saber disso, mas espero que você não esteja esquecendo-se da regional que Emily tem nesse final de semana... Ela está treinando praticamente em dobro para essa competição porque é ela que vai decidir quem vai para as próximas...

– Meu Deus, eu havia me esquecido completamente disso! – Ele revirou os olhos bufando alto e deixou sua cabeça tombar no vão de meu pescoço, escondendo o rosto ali. – Céus, o que eu faria da minha vida sem você? – Um sorriso deslumbrado formou-se em meus lábios e um arrepio percorreu minha espinha quando ele depositou um beijo onde seu rosto estava.

– Bom, agora que você sabe, vou me contentar em te ter totalmente para mim apenas de noite após vocês terem chego da competição e de Emily já ter ido dormir...

– Não consigo acreditar que eu tinha esquecido essa regional, ela não sabe que eu esqueci, não é? – Ele ergueu a cabeça e jogou seu corpo ao lado da cama, voltando à posição que estávamos enquanto dormíamos.

– Acho que ela desconfia, mas seria legal se você a surpreendesse dizendo que vai...

– Elena, você salvou minha pele, literalmente, não consigo me perdoar por ter esquecido isso, Emily iria ficar arrasada comigo se eu perdesse. – Isso era uma das coisas que eu não conseguia entender na relação de Emily e Damon, como que ele esquecia algo de tamanha importância assim para a filha? E como ela não se subestimava a lembra-lo todos os dias dessa competição? Se eu não tivesse relembrado Damon sobre isso, provavelmente ele iria esquecer e Emily iria fazer uma grande cena no sábado por ele não estar preparado para ir assisti-la. – Posso te pedir para me fazer um grande favor hoje de tarde?

– Claro!

– Se eu deixar meu cartão contigo, você compra um presente para que eu dê a ela? É um costume meu presenteá-la quando ela tem uma competição importante para dar sorte...

– Eu comprar algo para ela? Você tem certeza? Eu mal a conheço, Damon, e se ela não gostar? – Disse com receio amaldiçoando-me pela insegurança ter voltado a me atormentar.

– Eu confio no seu bom gosto e não vou ter tempo de ver isso, queria dar a ela esse presente hoje... Por favor, Lena... – Seu lábio inferior curvou-se em um beicinho manhoso e eu me controlei ao máximo para não puxá-lo com os dentes para mim. Olhando dentro de seus olhos, eu solto um suspiro e me dou por vencida.

– Eu compro, ok? Se ela gostar o mérito será meu e se caso ao contrario, a culpa será sua... – Disse com uma falsa ingenuidade o provocando.

– Se ela gostar eu digo que o presente é de nós dois, pode ser?

– Acho justo! — Disse após certo tempo em silencio fingindo que estar pensando em sua condição. Damon sorriu meigamente e eu me virei na cama ficando por cima dele como ele havia feito comigo. – E como estão suas costas?

– Elas estão bem, mas se você quiser fazer outra massagem eu não me importo... – Sorriu maliciosamente colocando a mão em minha coxa que estava ao lado de seu corpo e subiu até minha cintura, aproveitando-se do fato de que eu ainda estava nua. – Não quero sair daqui, é possível isso? – Damon choramingou como se fosse uma criança de cinco anos que não queria ir para escola me fazendo rir alto por isso.

– Não, não é possível! – Neguei balançando a cabeça e aproveitando de minha posição para beijar seu peitoral nu sob mim.

– Eu já disse que você é malvada? – Ele continuou a passear pelo meu corpo com as mãos fazendo minha pele ficar visivelmente arrepiada. – Tenho um ótimo jeito para começarmos bem o dia... – Damon desceu com a ponta de seus dedos pela curvatura de minhas costas e rapidamente o impedi de continuar a descer, já sabendo onde ele gostaria de chegar.

– De noite, Salvatore, de noite! – Eu disse o reprimindo e peguei suas mãos para prender seus pulsos um em cada lado de sua cabeça para que ele não tentasse voltar a me seduzir com seus toques. – Jenna já deve ter chego há muito tempo e deve estar se perguntando o que estamos fazendo até tarde trancados no quarto, vamos levantar que de noite eu posso pensar em te compensar... – Disse maliciosamente dando um breve beijo em seus lábios e antes que Damon tentasse mais alguma coisa, eu me levantei rapidamente puxando o sobre lençol comigo para cobrir meu corpo e no momento que me coloquei de pé, senti o quarto inteiro rodar me fazendo cambalear para trás.

– Elena, está tudo bem? – Damon levantou-se depressa e segurou meus braços para que eu não caísse.

– Está sim, foi só uma tontura, acho que levantei rápido demais... – Afirmei de olhos fechados sentindo o quarto parar de rodar aos poucos.

– Talvez seja fome, vou preparar alguma coisa para comermos, ok? – Assenti respirando fundo. – Está tudo bem mesmo?

– Está sim, vou me vestir e já vou te encontrar... – Abro meus olhos lentamente e Damon deposita um beijo em minha testa e pega uma samba canção para sair do quarto.

Certificando-me de que estava me sentindo melhor, eu me visto sem pressa, temendo que aquela vertigem voltasse e Damon não estivesse junto comigo... Após ter colocado a primeira roupa que encontrei em minhas coisas, eu saio do quarto sendo recebida pelo cheiro de forte de café e de omelete que exalava pelo corredor. Sentindo minha boca salivar, eu ando cegamente até onde o cheiro me levava e encontro Damon na beira do fogão fazendo ovos para comermos.

– Café da manhã saldável, hein Doutor... – Eu chego perto dele e me encosto do balcão para assisti-lo cozinhar.

– É saudável ter hábitos não saudáveis de vez em quando, não sabia? Principalmente quando se teve uma noite agitada na banheira... – Ele comentou maliciosamente me fazendo morder o lábio para conter um sorriso igualmente malicioso. – Porque você não me espera lá na sala, podemos comer no sofá assistindo televisão. – Damon alteou as sobrancelhas e sorriu de uma forma malandra deixando sua expressão digna de uma criança arteira.

– Não demore! – Assenti sorrindo da mesma maneira e fui até ele para beijar seus lábios suavemente.

Nós passamos o resto da manha juntos no sofá assistindo a programas bestas que encontrávamos aleatoriamente, que Damon me fazia rir alto com seus comentários maldosos sobre eles, e ficamos aproveitando as poucas horas que tínhamos juntos até ele ter que ir trabalhar e eu ir procurar emprego. As horas passaram sem que notássemos e quando nos demos conta, já estávamos nos despedindo e indo um para cada lado da ilha...

Procurar emprego... Eu já estava quase perdendo as esperanças de encontrar algo... Normalmente as coisas costumam a ser achadas conforme procura, mas trabalho, definitivamente, não era um complemento que fazia jus ao verbo. Não era possível que em uma cidade como Nova Iorque não houvesse ninguém que precisasse de algum empregado, nem que fosse para servir café ou levar informações, lavar pratos, tanto faz, mas era impossível eu não conseguir um emprego. Eu sabia que não iria ser fácil encontrar algo, afinal, já havia passado por essa experiência quando era menor, mas nunca pensei que fosse ser tão difícil... Sinceramente, eu já não aguentava mais ter que sair todos os dias para procurar algo, aquilo tudo estava se tornando exaustivo, principalmente quando não recebia nada que pudesse me dar esperanças de que eu iria ser chamada para, pelo menos, uma entrevista.

Assim que terminei de entregar todos os currículos que tinha em mãos, parti para outra trama, que julgava ser a pior e mais difícil; encontrar algo para Damon dar a Emily. Eu não sabia nada sobre aquela menina então não fazia ideia por que loja começar, a única coisa que eu sabia por que era algo evidente, era que Emily era um projeto de perua que só se vestia com roupa de grife e tinha um guarda roupa que me fazia inveja...

Decidi começar pela quinta avenida, eu estava com o cartão de Damon e ele não havia me dado um limite de preço então não me importei com o fato de que lá só tivesse as lojas mais caras e tinha certeza que Damon também não ligaria. Entrei em diversas lojas, encontrei roupas legais que provavelmente ela fosse gostar mas eu sentia que aquele não era o presente perfeito, queria que Damon desse a ela algo especial mas que não fosse algo simples.

Determinada a conseguir encontrar o dito presente, eu entro na Tiffany e para minha surpresa e felicidade, encontro o que eu, se fosse uma patinadora apaixonada pelo o que fazia, iria amar ganhar; uma corrente de ouro branco com um pingente de patins com a lâmina coberta de cristais. Definitivamente, aquele era o presente. Sem pensar duas vezes, eu peço para embrulharem e vou embora satisfeita, sentindo que Damon iria facilmente ganhar a filha.

Com todas as minhas tarefas do dia compridas, eu sigo para a casa de Damon sendo tomada por uma breve nostalgia... Fazer compras era um programa tão meu e de Caroline, que aquela era a primeira vez em anos que eu saia para comprar algo sem sua companhia. Entrar e sair das lojas lembrava-me tanto minha melhor amiga que até parecia errado de minha parte estar fazendo isso sem ela. Eu nunca iria conseguir explicar o quanto eu sentia falta dela...

Automaticamente, eu pego meu celular da bolsa, um novo celular que eu havia comprado após muita insistência de Damon, e agradeço eternamente por saber o número de minha amiga de cabeça, já que meu celular antigo com seu numero na agenda havia ficado no bordel. Aquela seria a primeira vez que eu falaria com Carol depois de tudo o que aconteceu e provavelmente ela estaria querendo me matar por ter sumido daquela maneira, com razão, é claro. Imaginei as coisas que ela iria me dizer e quantos surtos ela iria ter até que eu tivesse chance de me explicar, mas no final iria ser compensador porque eu iria, finalmente, falar com a minha amiga. Peguei o celular novamente e chamei seu numero esperando ansiosa para que ela atendesse...

– Alô...

– Carol? Sou eu... – Como eu conhecia Caroline melhor do que ninguém no mundo, eu disse cautelosamente me preparando para sua reação, que eu tinha certeza que não seria nada pacifica.

– Elena Gilbert sua cretina de marca maior! – Minha melhor amiga gritou no outro lado da linha me fazendo afastar o aparelho de meu ouvido para que sua voz extremamente fina não machucasse meus tímpanos. – Olha, eu não sei se fico feliz por estar falando contigo ou se eu vou até onde você está nesse exato momento para te dar uns tapas! Eu estou há semanas tentando falar com você, mas seu celular parece ter ido para os anéis de saturno, liguei para o bordel mas me falaram que você tinha sumido... Mulher será que você não tem o mínimo de consideração comigo? Eu estou grávida e você me mata do coração desse jeito, já estava prestes a procurar seu corpo no IML, na policia, sei lá. Onde você se meteu? Cadê seu celular? – Eu não sabia se ria ou se me preocupava com o estado mental de Caroline, a situação seria até engraçada se não fosse trágica... Ela realmente deveria estar preocupada comigo.

– Pronto? Está mais calma? – Continuei com meu tom cauteloso e ela soltou um suspiro alto como se assentisse a minha pergunta. – Eu juro que tem uma explicação para tudo isso, você sabe que eu nunca iria fazer isso contigo mas, por favor, fique calma... – Eu disse pausadamente tentando acalenta-la. – Eu estou na casa de Damon há quase uma semana já e esse aqui é um celular que eu tive que comprar por que Logan pegou o meu.

– Como assim Logan pegou o seu celular? E o que você está fazendo na casa de Damon? Elena, me explique direito essa historia porque eu não estou entendendo nada...

– Eu vou te explicar mas agora não é o momento, tem como marcarmos para nos encontrar amanha? Eu estou morta de saudades de ti e nós precisamos conversar... – Definitivamente aquela não era a melhor hora e nem lugar para que contasse a Caroline tudo que havia me acontecido, eu sabia que ela iria me pedir explicações mas nem isso me impediu de ligar, as saudades que eu sentia dela era muito maior.

– Argh Elena Gilbert, você sabe que meu coração é mole e que eu não consigo ficar mais do que uma hora brava com você... Venha amanha até o apartamento de Klaus e nós conversamos, preciso muito da minha melhor amiga de volta.

– Amanhã que horas? – Perguntei aliviada, sentindo-me mais leve por Caroline ter sido ninguém mais, ninguém menos que Caroline e compreender meu lado.

– A hora que você quiser, Klaus passa o dia inteiro no trabalho e eu e Claire ficamos completamente sozinhas nesse apartamento, se quiser vir assim que acordar e só ir embora ao anoitecer, fique a vontade... – Carol tagarelou animadamente me fazendo sorrir abertamente ao vê-la empolgada do jeito que eu conhecia, sem sombra de duvidas ligar para ela tinha sido a melhor coisa que eu fizera no dia.

– Ótimo, vou te ligar quando estiver saindo da casa de Damon... Como está Claire?

– Está ótima, essa pequena aqui está crescendo cada vez mais e mexendo também! – O orgulho, a adoração na voz de minha amiga me fez sorrir deslumbrada, eu nunca tinha presenciado Caroline falar daquela forma e isso só me deixava ainda mais feliz por ela, eu tinha certeza que a gravidez iria fazê-la bem e se ela tivesse realmente abortado como queria fazer, à uma hora dessa ela estaria infeliz e provavelmente vivendo aquela vida miserável que vivíamos no bordel.

– Ela está mexendo já? – Minha voz instantaneamente soou mais doce por estarmos falando de minha “sobrinha”.

– Sim, mas por enquanto só eu que sinto, Klaus não sai do meu lado um segundo por causa disso, ele quer ser o primeiro a senti-la mexer...

– Que bom ouvir isso, pelo jeito vocês estão bem.

– Estamos nos ajeitando, ainda bem! Mas isso é assunto para amanha, temos muito para conversar, Lena.

– Realmente, temos mesmo... Então amanha nos vemos?

– Amanhã! – Ela assentiu.

– Ótimo, até amanhã, amiga, estou com saudades! – Como eu conversava com ela caminhando em meio a um aglomerado de pessoas, não me importei em desligar sem que ela se despedisse, provavelmente Carol havia notado que eu estava na rua pelo barulho constante do transito caótico da cidade e não iria se importar com isso. Esperei junto a outros pedestres o semáforo dar sinal de que pudéssemos atravessar e assim que a luz verde apareceu, eu atravessei a rua abaixando a cabeça para guardar meu celular na bolsa seguindo em direção à casa de Damon. Ao estar quase chegando ao outro lado da rua, por eu estar de cabeça baixa ainda tentando colocar meu celular no compartimento certo da bolsa, meu corpo chocou de frente com outra pessoa que vinha na direção contraria mas não havia conseguido desviar de mim.

– Wow... – Ele disse segurando meus braços.

– Desculpe... – Disse rapidamente levantando a cabeça para olhar para o dono das mãos que seguravam meus braços. Foi quando um perfume extremamente conhecido atingiu minhas narinas e após passar o olhar por todo o peitoral coberto por um terno de corte fino do homem em minha frente, me deparo com um par de olhos azuis claros que me fizeram sorrir abertamente. – Matt!

– Elena, como você está? Onde se meteu? Aliás, o que faz aqui? – Ele sorriu abertamente da forma que eu bem conhecia e tanto gostava e me puxou para si para que nos abraçássemos.

– Ah, isso é uma longa história mas me desculpe por sumir desse jeito... – Ri desconfortavelmente.

– Sumiu mesmo, tentei te ligar mas você não atendia... Semana passada tive que fazer uma viagem a Londres e quando fui te procurar no bordel quando voltei, me disseram que você tinha sumido! O que você aprontou, Elena Gilbert?

– Juro que não aprontei nada, mas como disse; é uma longa história...

– Tenho bastante tempo, acabei de sair do trabalho e você pode me contar a vontade sua longa história... O que acha de comermos alguma coisa? – Ele me propôs e eu parei para pensar se aquilo era realmente o certo a se fazer, eu, particularmente, não via problema em sair para comer alguma coisa com Matt, nós havíamos nos encontrado casualmente e iriamos apenas conversar como bons amigos.

– Se alguma coisa inclua o maior lanche que tem no McDonalds, eu aceito! – Matt franziu o cenho me olhando desconfiado e eu apenas sorri timidamente. – Eu estou com fome, qual o problema?

– Não, nenhum... – Riu balançando a cabeça e apontou para direção onde ficava o McDonalds mais próximo para que seguíssemos caminho. – O que faz aqui tão longe de casa, afinal?

– Estou procurando emprego e aproveitei para comprar um presente para a filha de Damon... – Mostrei a sacolinha azul piscina da Tiffany & Co. que eu segurava em minha mão.

– Como que é? Procurando emprego? Presente para a filha de Damon? Tiffany? Sério mesmo? Elena, você ganhou na loteria? – Perguntou surpreso.

– Antes fosse! – Ri alto. – Eu disse que a história era longa, Matt, você deveria me ouvir!

– Você disse, mas eu não imaginei que além de longa ela fosse tão complexa, por favor, vamos logo porque eu estou muito curioso!

– Vamos porque eu estou com muita fome! – O apressei e ele riu assentindo.

Para minha sorte, o McDonalds ficava há dois quarteirões de onde estávamos então chegamos rapidamente ao local. Fizemos nosso pedido, e como sempre, Matt insistiu para que pagasse minha conta alegando que nada mais justo ele pagar minha conta já que havia me convidado, eu sinceramente não sabia o que ele e Damon pensavam, era um lanche do McDonalds, eu não iria ficar miserável em pagar uma porção grande de batata frita com refrigerante e sanduiche. Mas depois de muita insistência, eu acabei cedendo e nós seguimos para as mesas onde nos sentamos para comer enquanto eu contava a ele o que havia me acontecido.

Contei tudo para ele, de todas as mudanças, de tudo o que aconteceu no bordel, o que estava acontecendo comigo e Damon e ele ouviu meu desabafo com atenção fazendo breves comentários e algumas perguntas que eu respondia sem esconder a verdade.

– Então você está morando com Damon?

– Na verdade estou passando um tempo na casa dele, pelo menos até eu encontrar um emprego e um lugar para morar... – Expliquei deixando meu copo já vazio de lado na bandeja.

– Que boa noticia, Lena, fico muito feliz por ti, por ter saído daquela vida, por ter conseguido se entender com Damon... – Matt disse amigavelmente e eu sorri em resposta.

– Foi bom ter te encontrado Matt, pensei que não fosse mais falar contigo!

– Você sabe que eu não vou te deixar em paz tão cedo, mocinha! – Ele disse piscando de um jeito brincalhão que me fez gargalhar alto.

– Mas me conte sobre você, como você está, como foi em Londres? Conseguiu se acertar com sua garota?

– Estou bem, de verdade, tive alguns problemas na empresa mas já foram todos resolvidos, e quanto a ela, nós não estamos nada bem... Nos encontramos no primeiro dia em que eu estava lá mas ela estava com outro homem, no outro dia ela foi me procurar e nós brigamos mas acabamos nos entendendo de noite e na manhã seguinte ela acordou com o discurso de “isso foi um erro, não deveria ter acontecido” e obviamente brigamos novamente... – Revirou os olhos, entediado. – Cansei disso, parece que ela não faz questão de voltar comigo, parece que ela não liga em estar me magoando... Cansei mesmo disso. – Era angustiante vê-lo naquela situação. Matt normalmente já possuía um olhar triste, uma expressão cabisbaixa, mas aquela situação o deixava arrasado, era evidente o quanto ele amava aquela mulher e o quanto ela tinha o magoado. Instantaneamente levei minha mão a dele a acariciando de leve.

– Eu tenho fé de que vocês ainda vão ficar juntos, sabe? Quando nos encontramos pela primeira vez você mesmo me disse que vocês dois se amavam demais e que o único problema eram as brigas. Eu posso ver nos seus olhos o quanto você gosta dela, Matt e se o sentimento é maior que os motivos para brigar, vocês vão sim se ajeitar, é só ter paciência que aos poucos vocês se entendem.

– Eu não sei, Elena... – Ele deu de ombros, cabisbaixo.

– Exatamente, você não sabe e também nunca vai saber se não tentar, se não arriscar e dar a cara a tapa. Vocês já pararam para conversar sobre a relação e vocês? – Ele negou. – Viu só... Você não sabe como ela se sente perante a isso tudo e aposto que ela também não sabe sobre você... – Matt soltou um suspiro cansado e abaixou o olhar para sua bandeja. – E lembre-se que sempre depois de qualquer briga, vem à reconciliação... – Disse maliciosamente piscando. Não conseguia colocar em escala o quanto era estranho dar conselhos amorosos para o homem que eu costumava ter uma relação tão intima, era realmente estranho ver aquele Matt que costumava pagar para fazer sexo comigo pedir conselhos amorosos, mas ao mesmo tempo, quando eu saia com ele em ocasiões como aquela, eu praticamente me esquecia de tudo que passamos juntos e de tudo que ele me fizera... Para mim, aquele era um novo Matt Donovan que havia crescido, criado responsabilidade e estava aos poucos se tornando um homem maduro...

Nossas mãos ainda estavam entrelaçadas e ele me encarava de uma forma diferente que a de costume; um jeito afetuoso com um misto de gratidão que me deixava sem escolhas a não ser corresponder o olhar, sorrindo da mesma forma. Era tão irônico pensar que todo aquele ódio dele que eu havia sustentado durante tanto tempo já nem existia mais e que agora nós erámos bons amigos, se alguém me dissesse que isso iria acontecer quando eu havia sido abandonada por ele, eu iria rir e provavelmente mandar a pessoa para o inferno...

Foi quando o barulho alto de meu celular tocando fez nos separou e rapidamente eu pego o aparelho de dentro da minha bolsa vendo na tela o nome de Damon escrito.

– Hey!

– Hey, onde você está?

– No McDonalds com Matt... – Disse baixinho enquanto um sorriso malandro formava-se em meus lábios. – Nós nos encontramos na rua e ele me chamou para comer alguma coisa para que conversássemos.

– No McDonals? Com Matt? – Ele perguntou um tanto surpreso e eu assenti rezando mentalmente para que sua reação não fosse tão negativa. – Hmmm... – Em meio ao seu “hmm” consegui ouvir um riso anasalado, que me deixou mais tranquila. ­­– Conseguiu comprar o presente?

– Sim, consegui sim e particularmente, acho que ela vai amar, se ela já não tiver um...

– O que você comprou?

­– Uma corrente com um pingente de patins com cristais na lâmina...

– Wow ela vai amar mesmo, sabia que podia contar contigo, Lena, obrigado! – Ele disse orgulhosamente me fazendo sorrir presunçosa. – Eu acabei de sair aqui do hospital, o que acha de eu te buscar ai no McDonalds para irmos juntos pegar Emily no treino?

– Perfeito! Você já está vindo?

– Sim, em cinco minutos estou ai.

– Ok, estarei te esperando. – Sorri abertamente desligando o celular.

– E então? – Matt perguntou.

– Damon está vindo me buscar para irmos pegar Emily no treino de patinação...

– Que pena, estava gostando de seus conselhos amorosos... – Disse rindo me fazendo jogar meu guardanapo amassado em seu rosto.

– Me passe seu número de novo que eu te ligo um dia desses ou se você preferir eu te passo o meu, mas saiba que eu vou cobrar por ser sua conselheira amorosa...

– Imaginava que fosse cobrar mesmo! – Revirou os olhos e tirou de dentro de sua carteira um cartão que continha seu numero de celular para me entregar. – Agora você não tem mais motivos para sumir... – Eu peguei o cartão dando uma olhada rápida nele e o guardei dentro da bolsa. – Aliás, obrigada pela conversa, Lena, é bom saber que nossa amizade continua forte mesmo depois do que te fiz...

– Matt, vamos deixar isso no passado, ok? – Balancei a cabeça e me levantei da mesa. – Mas agora eu realmente tenho que ir, foi ótimo te ver, Matt, obrigada por me ouvir. – Ele se levantou também e nós nos despedimos com um abraço apertado.

Eu sai do McDonalds e fiquei esperando Damon na calçada, que não demorou muito para chegar. Com um pouco mais de dez minutos, sua Land Rover branca já estava parada com o pisca-alerta ligado para que eu entrasse.

– Hey! – Entrei no carro deixando em seus lábios um breve beijo.

– McDonalds então? – Damon riu me fazendo encolher os ombros enquanto puxava o cinto de segurança.

– Me deu vontade e eu estava com fome, ok? – Em um gesto infantil, eu mostro a língua para ele o fazendo rir.

– Tudo bem... – Disse ainda rindo.

– Espero que você não tenha se importado tanto por eu estar com Matt. – Disse baixinho olhando para seu rosto concentrado na rua enquanto dirigia.

– Vou confessar que fiquei um pouco incomodado, mas o fato de vocês estarem no McDonalds me aliviou um pouco... – Riu baixinho e olhou para mim com meu sorriso preferido em seus lábios. – E você me disse que vocês são apenas amigos e nada mais, então eu vou confiar em ti... – Deu de ombros. Aquele mesmo sorriso deslumbrado voltou para o meu rosto e por alguns segundos fiquei sorrindo feito criança em manhã de Natal para ele.

– Obrigada... – Disse baixinho.

– E então, como foi seu dia? – Damon me perguntou interessado pegando minha mão que descansava sobre minha coxa e depositou um beijo nela.

Por todo o caminho nós conversamos sobre o que havíamos feito enquanto estávamos longe um do outro, contei a ele dos lugares que deixei meu currículo, sobre Caroline, da minha saga em busca do presente perfeito de Emily e também falei sobre Matt, que apesar de ser um assunto delicado eu achava importante contar a ele, afinal, não tinha nada a esconder de Damon sobre minha atual relação com Matt. Após eu tagarelar sobre meu dia, Damon começou a falar sobre o seu me contando sobre os problemas que ele estava passando no hospital por ele estar com pouquíssimos médicos em sua equipe e na dificuldade em encontrar algum médico decente para colocar no lugar dos que pediram demissão, com não entendia absolutamente nada do assunto eu apenas assentia, fazia alguns comentários e perguntas e dizia que tudo ia ficar bem e que em breve tudo iria passar...

Nós conversamos o caminho inteiro, nossa relação estavam realmente evoluindo, estávamos mais comunicativos e concordávamos mais um com outro, evitando assim discussões desnecessárias. Ao chegarmos ao rinque onde Emily treinava, Damon estacionou o carro em frente ao local e ficamos esperando até que ela chegasse.

– Normalmente ela me espera ali naquele... – Ele apontou para uma mureta pequena no estacionamento e assim que segui o olhar até onde ele apontava, entendi o motivo de ele ter parado subitamente de falar; Emily estava encostada à mureta enquanto conversava e ria com um garoto de no máximo quinze anos, que por sinal jogava charme descaradamente para cima dela. – O que significa isso? – Damon rosnou furioso fazendo com que eu olhasse incrédula a ele. Ele estava com ciúmes?

– Damon, ela só está conversando com ele... – Suas sobrancelhas estavam franzidas e uma carranca formava-se em sua testa em uma expressão nervosa.

– Olha isso, olha isso, Elena! – Ele disso alto apontado para os dois que conversavam normalmente sem nem terem ideia do surto que Damon estava tendo dentro do carro. – Ele está muito perto do rosto da minha menina, olha! Eu preciso fazer alguma coisa! – Damon tirou seu cinto de segurança rapidamente e quando ele estava levando a mão para abrir o carro, eu o impedi segurando seu pulso.

– Não ouse em fazer isso, Damon!

– Como não? Elena, ele está dando em cima da minha garotinha, olha só! – Ele disse indignado.

– Damon, eles só estão conversando e rindo, você nem sabe qual é o assunto para falar que ele está dando em cima dela...

– Eu sou homem, posso imaginar! – Respondeu ironicamente.

– Caia na real, esse menino deve ter no máximo quinze anos, aposto que ele não deve estar pensando nas mesmas coisas que um homem de trinta estaria ao conversar com uma mulher. Você sabe o quanto vai deixa-la constrangida e furiosa contigo se você sair desse carro para dar uma de “pai durão”? Damon, olhe como sua filha está se divertindo com ele, com que frequência você vê Emily sorrindo dessa maneira, seja franco comigo... – No momento em que eu falei sobre sua felicidade, o garoto falou alguma coisa que a fez jogar a cabeça para trás rindo deliciosamente. Emily sorria de uma maneira que eu nunca havia visto sorrir, era evidente que ela estava feliz conversando com o menino mas só Damon não conseguia ver. – Damon, você não pode querer coloca-la com uma redoma, Emily já tem doze anos e está começando a interagir com o sexo oposto, você tem que saber lidar com isso.

– Pois é, ela tem doze anos, está nova demais para interagir com qualquer espécie de ser vivo do sexo oposto.

– Eu não estou falando de sexo, Damon, olhe para os dois e me diga onde que tem malícia entre eles... – Ele ficou em silencio ainda com aquela expressão carrancuda, inconformado com a cena diante de seus olhos. – Viu?! É só uma conversa inocente... É saudável para ela conversar com meninos.

– Eu não sou obrigado a ver isso... – Damon disse mal humorado e buzinou duas vezes para que ela visse que estávamos a esperando. Emily e o garoto olharam em direção ao carro e ela sorriu para Damon e deu um beijo no rosto do menino se despedindo. Os dedos de Damon se fecharam com força em volta do volante fazendo seus dedos ficarem amarelados devido a força aplicada ali. – Só pode ser brincadeira, ela o beijou e ele pegou na cintura dela... – Sibilou. – Elena, isso é um abuso, ele se aproveitou da inocência da minha menina!

– Calma, ela já está vindo. – Mostrei a ele revirando os olhos e ignorando seu ataque desnecessário de ciúmes. – Agora, pai durão, cuidado com o que vai dizer ok?

– Fácil você falar, Elena, não é a sua menininha que está ali!

– Pode ter certeza que se fosse minha filha eu não iria estar desse jeito...

– Oi! – Emily nos cumprimentou animadamente ao entrar no carro no banco traseiro.

– Quem era aquele menino? – Damon perguntou rispidamente sem ao menos disfarçar ou tentar ser sutil com o assunto.

– Thomas... – Emily deu de ombros sem perceber o ciúmes do pai. – Ele é atacante do time de hóquei.

– E quantos anos tem esse tal de Thomas?

– Quinze.

– Quinze anos? Ele é muito velho... – Damon resmungou fazendo Emily franzir o cenho sem entender seu comentário. Céus, como aquele ser conseguia ser tão ciumento e hipócrita ao mesmo tempo? Instantaneamente eu levo minha mão até sua perna e a aperto com força o repreendendo em silencio.

– Você é bem mais velho que Elena, pai, e ele é só meu amigo... – Emily rebateu me fazendo sorrir presunçosamente sobre seu comentário, não sabia se ela tinha feito isso me atingir mas se aquela era sua intenção, definitivamente não fora bem sucedida, até porque me obriguei a falar um “há” para Damon. Eu olho para o retrovisor e no mesmo momento que Emily fazendo nossos olhares se encontrarem e ela sorrir bem fraco para mim.

– É diferente... – Damon respondeu rispidamente me fazendo apertar novamente sua perna, só que dessa vez não passou despercebido por Emily. – Você conversa sempre com ele?

– Uhum, o treino dele começa depois do meu e às vezes ele chega mais cedo para me ver patinar... – Damon abriu e fechou a boca várias vezes parecendo ainda mais indignado, mas antes que ele pudesse falar alguma coisa eu apontei com o olhar para o pacote do presente de Emily, que estava em meu colo, o lembrando de que ele tinha coisas mais importantes para discutir com Emily.

– Filha, eu comprei um presente para você usar no sábado... – Damon sorriu orgulhoso olhando a reação da filha pelo retrovisor.

– No sábado? – Ela perguntou esperançosa.

– Sim, na competição para dar sorte.

– Não acredito que se lembrou da competição, pai! – Emily sorriu daquela mesma forma encantadora que havia feito quando estava com o menino fazendo meu peito quase doer de pena dela, era triste vê-la ficando absurdamente feliz apenas pelo fato do pai ter lembrando-se de sua competição de patinação artística.

– Espero que goste do presente, Emy, foi Elena que escolheu... – Eu e Damon nos olhamos com cumplicidade e mais uma vez, a menina no banco traseiro percebeu nossos códigos silenciosos. Eu passei a sacola de papelão para ela e Emily pegou o presente e em tempo recorde desfez o laço que estava em volta da caixa que guardava a joia.

– Eu não acredito nisso! – Exclamou pausadamente.

– Gostou? – Perguntei esperançosa virando para trás no banco para olha-la.

– Eu amei! É lindo, perfeito! Eu acho que nunca vou tira-lo do pescoço. – Ela segurava aquele pingente com o maior cuidado e eu não conseguia definir o que brilhava mais; se eram seus olhos ou as pedras do pequeno patins. – Definitivamente eu vou usá-lo no sábado! Você vai me ver competir, não é, pai?

– Com certeza, filha! Estarei na primeira fila e jogarei ursinho de pelúcia e flores no rinque para você pegar.

– E você vai também, Elena? – Meu coração pareceu ter parado de bater naquele momento pelo choque que suas palavras tinham me causado e eu não consegui evitar olhar espantada para Damon, que estava tão surpreso quanto eu. Eu tinha ouvido bem?

– Se você quiser que eu vá... – Respondi sem saber o que falar.

– Bom, você acabou de me dar o melhor presente que uma patinadora pode querer, seria falta de educação da minha parte não querer ou não convidar você para ir me ver competir...

– Eu iria adorar te ver competir no sábado, Emily! – Disse ainda abismada.

– Que bom! – Seus lábios se esticaram em um breve sorriso e ela suspirou fundo. – E obrigada pelo presente eu realmente adorei!

– Fico feliz que tenha gostado, não consegui pensar em nada melhor para te dar sorte nesse final de semana.

Emily sorriu levemente para mim e então desviou o olhar para janela. Não sabia definir se aquilo tinha sido sincero ou ela estava apenas tentando ser educada, mas esperava que o presente, mesmo que insignificante, tivesse conseguido pelo menos diminuir sua antipatia por mim.

Notas finais
Gente, no proximo capitulo teremos a emily e a elena realmente conversando, de igual para igual, portanto, trinta reviews para o proximo? Aliás, passarei amanha o dia inteiro respondendo os reviews do cap anterior e do anterior ao anterior, juro! Ah, a karol criou uma tag para a fic #SohoDollsOnNyah então sintam-se a vontade para usa-la no twitter hahaha