Soho Dolls

18 Capítulo 17 - Why do all good things come to end?


Notas iniciais
Heyyy gente, desculpem a demora mas finalmente estou aqui. Wow, vocês me surpreenderam ein? Nem recebi tantas ameaças de morte no ultimo capítulo e a maioria, se nao todos, de vocês gostaram do momento stelena. 17 recomendações? É isso mesmo? Vou morrer (:
Quero agradecer a claire salvatore e a Valentina Salvatore pelas recomendações, amei meninas, muito obrigada mesmo, vcs n sabem o quanto me deixam felizes e inflam meu ego com os elogios, brigadão mesmo.
Enfim, espero que a demora tenha valido a pena... Boa leitura.

O sol já estava prestes a se pôr, de acordo com o relógio de meu carro era seis e meia da tarde e pela primeira vez em meses consegui sair na hora certa do trabalho. Mas também não faria muita diferença...

Aquela era a segunda semana que Emily estava brigada comigo por eu não ter ido a sua competição no sábado passado e obvio, pela Elena. Por mais que eu tentasse me reaproximar, chama-la para sair ou tentar me desculpar, ela não me dava chances de mostrar que eu estava arrependido e que queria paz entre nós dois. Um dos piores defeitos de minha filha era sua extrema teimosia e seu orgulho infinito, ela nunca admitia que estava errada e sempre saia com a razão no fim da história, por mais errônea que fosse. Definitivamente ela tinha puxado isso de sua mãe, todas as vezes que eu Katherine brigávamos eu é que tinha que ir atrás e me desculpar, mesmo se ela tivesse começado a briga. E eu já estava cansado de ser sempre o culpado, Emily tinha que aprender que aquele era meu trabalho e que eu estava com Elena agora, mesmo ela querendo ou não.

Outra pessoa que vinha me tirando do serio ultimamente era Annabelle. Naquelas ultimas semanas minha irmã estava se mostrando uma pessoa que eu nunca nem se quer imaginei que ela fosse; totalmente arrogante e esnobe. E eu estava decepcionado com ela... Julgar Elena por ela não pertencer a mesma classe social que nós tinha me tirado do sério.

Mas para ser sincero, adoraria que a história de que Elena era garçonete fosse verdade, diminuiria muito meu conflito interno sobre nossa relação, sem falar que aceitariam muito mais fácil ela do que se eu dissesse que ela faz de verdade. O fato dela ser prostitua era um fardo pesado para suportar, se já era difícil admitir para mim mesmo que estava envolvido com uma garota de programa, imagina falar em voz alta que Elena não era uma garçonete e sim uma prostituta.

Digo, era um fardo pesado, agora eu já estava me acostumando com o que Elena fazia e até estava aceitando, desde que me tornei seu cliente fixo as coisas estavam mais tranquilas e eu sentia que nossa relação estava evoluindo de uma certa forma.

Pensando nela, faço o caminho contrario até minha casa entrando na primeira rua a direita depois do hospital, com destino a uma determinada boate no SoHo para me encontrar com uma morena em especial que vinha tirando meu sossego.

Eu não via Elena desde o catastrófico sábado em que saímos para almoçar com a minha família e por mais assustador que parecesse, já começava a sentir falta dela. Mas era dela mesmo, de sua companhia e da paz interior que me causava quando estávamos juntos, quase não me importava mais para o sexo, que antes era a única coisa em que eu pensava em fazer quando nos encontrávamos, eu só queria estar com ela... Já podia prever que no meio dessa nossa louca relação, um sentimento muito forte crescia entre nós, amizade talvez...

Liguei o radio em uma música alta para não perceber a demora até chegar ao bordel e rapidamente me distrai, nem percebendo a hora em que já estava em frente aquela boate conhecida.

As portas ainda estavam fechadas e as luzes apagadas, o que era um tanto estranho afinal, era para estarem abrindo.

Desço do carro e vou ate a porta de entrada da casa mesmo, onde aquele amigo dela, Marcos se não me engano, me atende e me orienta a ir até o quarto de Elena. Sem precisar ser guiado, atravesso o corredor e bato na porta.

- Entra... — Ao ouvir sua voz suave, entreabro a porta e coloco minha cabeça pelo vão. — Damon! — Sorriu radiante ao me ver. — Entre! — Largou o notebook que estava em seu colo o colocando de lado na cama e sentou-se melhor. — Teria me arrumado se soubesse que viria aqui, me pegou desprevenida... — Sorriu sem graça cruzando os braços para esconder a transparência de seu pijama. Elena estava apenas com um baby-doll de seda branco, o que a deixava ainda mais sexy pelo tamanho dele.

- Você está perfeita! — Sentei-me ao seu lado na cama.

- Mas o que faz aqui? Digo, é que não vamos abrir hoje, estamos com poucas meninas, eu, Bonnie e a menina nova não estamos dando conta.

- O que eu faço aqui? Vim lhe buscar para ficar comigo, é claro! — Dei de ombros com um tom divertido.

- Posso saber para onde vamos, Doutor? — Aproximou-se um pouco mais de mim. Chamar-me de Doutor era blefe, jogo baixo... Toda vez que Elena chamava-me de por esse nome, meu corpo arrepiava-se por inteiro.

- Vamos para a minha casa, é claro. — Não fazia mínima ideia de onde Emily estava, apenas sabia que tinha saído com Stefan e Anna, mas onde estava ou que horas voltava não. Não me importava se elas iam gostar de eu levar Elena para passar aquela noite comigo, a casa era minha e quem eu levava para dentro dela não era da conta das duas. — Mas é claro que só vamos se você estiver disponível. — Sorri levemente.

- Eu sempre estou disponível para você, Damon! — A sinceridade de sua frase chegou a deixar sua voz até mais suave do que o habitual, aquele tom provocativo desaparecera e ela ate usou meu nome ao invés de "Doutor".

- Ótimo! — Sorri para ela. — Eu espero você se arrumar.

- Em menos de quinze minutos eu estou pronta. — Elena levantou-se da cama e foi em direção ao seu armário, abriu uma das portas de modo que ela ficasse escondida ali enquanto se trocava.

- Não tenha pressa... Se quiser se trocar aqui na minha frente, não tem problema. – Disse maliciosamente.

- Tarado! — Riu.

- Não vejo problema em você se trocar na minha frente, nada que eu já não tenha visto.

- Ah que pena... Já estou pronta! – Disse em pêsames e fechou a porta do guarda roupa aparecendo minha frente já completamente vestida, apenas colocando um casaco por cima de sua regata e mini shorts. — Só mais um segundo... — Levantou o indicador para que eu esperasse e continuou andando pelo quarto, pegou uma bolsa e foi colocando alguns objetos pessoais dentro, outra troca de roupa e o baby-doll que usava na hora que cheguei. — Pronto! — Parou em minha frente sorrindo.

- Podemos ir?

- Quando você quiser! — Ajeitou a bolsa em seu ombro e sorriu satisfeita.

- Então vamos! — Por impulso, levo minha mão ate sua cintura para conduzi-la até a porta, e levemente a sinto estremecer com o nosso contato físico.

Nós passamos pelo corredor e chegamos à sala, Lena despediu-se de Marcos e mais duas garotas que estavam sentados assistindo televisão e então saímos da casa, indo para meu carro.

- Você parece cansado... — Depois de um longo tempo fitando-me em silencio, Elena leva a mão esquerda até minha nuca, entrelaça meus cabelos em seus dedos e faz um carinho gostoso com a ponta dos dedos em meu coro cabeludo fazendo-me sorrir apreciando o carinho.

- E estou! — Admiti lutando contra minhas pálpebras que insistiam em querer fechar.

- Poderíamos sair outro dia, você deveria ter ficado descansando, Damon.

- Eu sei, mas queria te ver... — Dei de ombros. — Eu gosto de ficar com você. — Fiz um esforço para olha-la sem ter que virar meu rosto e interromper seu carinho. — Eu gosto de sua companhia, Lena.

- De minha companhia? — Riu divertida com um tom malicioso.

- Adorei saber o que você acha de mim, Lena! — Ri alto. — Sim, eu gosto de sua companhia também, caso ao contrario, teria te atacado em seu quarto no momento que te vi de baby-doll sem sutiã... — Pelo canto do olho, vi Elena morder o lábio enquanto seu peito subia e descia rapidamente em sinal de que sua respiração estava acelerada.

- Não brinque comigo desse jeito, Damon... — Suspirou fundo balançando a cabeça negativamente e recolhendo a mão de minha nuca.

- Não estou brincando, eu gosto de sua companhia. — Peguei sua mão novamente entrelaçando nossos dedos e selando um beijo nas costas dela.

- Okok! — Suspirou dando-se por vencida. Deixei nossas mãos entrelaçadas sobre o meu colo fazendo um carinho com o polegar na sua.

Elena parecia incomodada com aquilo, seu cenho estava cerrado e ela não afastava o olhar da rua, assim que a soltei, ela cruzou os braços com força sobre o peito, endireitando-se sobre o banco do carro e ficando ainda mais tensa que antes, só que dessa vez pelo resto do caminho.

Aquela era a segunda vez que ela agia assim quando eu pegava em sua mão no carro, parecia que estava evitando nossos contatos físicos por uma razão que eu não sabia qual. Agora que estávamos ficando mais íntimos, que conseguíamos ficar um tempo razoável juntos sem sexo, ela fazia isso... Talvez devêssemos mesmo continuar com a relação de antes, talvez fosse isso que ela queria.

O silencio reinou entre nós durante o restante do tempo, apenas tinha uma troca de olhares intensa entre nós mas nenhuma palavra fora dita ou nenhum toque trocado.

Meu apartamento, para meu alivio, estava vazio e exatamente do modo em que havia o deixado de manha. Sem duvidas Emily não tinha nem se quer passado por ali. No caminho da boate até minha casa ela me deixou uma mensagem de texto falando que iria jantar na casa da avó com os tios, o que com certeza a mensagem fora ideia de Annabelle para me tranquilizar porque durante esse tempo que estávamos sem nos falar eu tinha que ligar para ela a cada cinco minutos se quisesse saber se estava bem, onde e com quem estava. Se Emily já era rebelde na pré-adolescência fico imaginando como seria quando ela completasse dezesseis anos...

Naquele momento decidi deixar todas as minhas preocupações de lado, Emily estava em segurança com a nossa família então iria tirar aquele momento para mim, para curtir Elena que iria passar o resto da noite comigo.

- Está com fome? — Perguntei a ela enquanto seguíamos para cozinha.

- Estou bem! — Apoiou-se ao balcão de mármore que ficava no meio da cozinha me assistindo procurar alguma coisa para comer nos armários.

- Tem certeza? — Abri a porta da geladeira e peguei a jarra de suco de uva.

- Tenho! — Sorriu assentindo. Balancei a cabeça rindo de sua teimosia e fui até o armário de copos onde peguei um e comecei a enchê-lo com o suco. A jarra estava começando a ficar pesada e por ter estado na geladeira, transpirava água no lado de fora, devido a umidade do vidro ela escorregou de minha mão e eu derramei suco por todo o chão e em minha camisa branca.

- Merda! — Grunhi. — Merda! Merda! -Falei mais alto ao ver que a maioria do suco havia caído em mim. — Minha camisa não! — Grunhi entre dentes.

- Damon! — Elena me reprimiu controlando um riso. — Onde tem pano de chão?

- Ali na lavanderia na terceira porta do armário do canto. — Apontei indicando em que direção ficava a lavanderia.

O estrago já estava feito, o suco estava todo virado em mim e no chão, minha camisa não tinha mais como ser salva. Uma pena porque era uma das minhas preferidas...

Incomodado em estar com a roupa suja, tiro a camisa e passo em meu abdômen onde também tinha molhado a sujando mais um pouco.

- Peguei dois, ok? — Elena veio da lavanderia com os panos na mão e ao me ver parcialmente nu, para em seco examinando-me por um longo tempo de cima a baixo mordendo o lábio, como se nunca tivesse me visto sem roupa. — Um molhado e outro seco... — Franziu o cenho sem jeito.

- Tudo bem. — Sorri pela sua reação. — Vou fazer café, aceita?

- Só se for bem forte! — Passou por mim relando nossos corpos sem querer e olhando intensamente em meus olhos. — E sem açúcar. — Completou.

- Anotado!

O clima automaticamente pesou, a atmosfera ficou densa, a tensão era tanta que chegava a ser palpável. Nos dois vertíamos tensão sexual, desejo. Por mais que eu quisesse evitar ir para cama com ela aquela noite aquilo pareceu ter tornado inevitável naquele momento.

Evitando piorar o clima que crescera entre nós, eu me viro de costas, me concentrando na cafeteira sobre o balcão, tentando me concentrar no liquido escuro que escorria para dentro da térmica. Debrucei-me levemente, apoiando meu corpo no fechando os olhos e contando até dez mentalmente esperando que minha coragem de fita-la voltasse...

Um... Dois... Três.... Quatro...

De repente sinto o calor se seu corpo em minhas costas e suas pequeninas mãos em minha pele nua fazendo-me momentaneamente, arrepiar. Elena começou pelo meu ombro com apenas as pontas dos dedos e lentamente desceu pelos meus braços seguindo para meu peitoral, seus lábios selaram beijos úmidos por onde suas mãos tocaram e avançou um pouco pela minha nuca e pescoço.

Seus toques luxuriosos e os beijos úmidos eram a combinação perfeita para me entorpecer, minha pele estava inteiramente arrepiada e minha cabeça e pálpebras havia se tornado pesadas demais para eu conseguir suporta-las. O corpo de Elena grudado ao meu me desconcentrava ainda mais, eu queria me virar e agarra-la pela cintura, leva-la até meu quarto e despi-la por inteiro para finalmente fazê-la minha. Pensar em seu corpo nu, a minha disposição o resto da noite estava começando a criar imagens libidinosas em minha mente e fez com que seus toques inocentes acendessem um desejo flamejante em mim.

Não havia descoberto ainda porque eu era tão vulnerável aos seus toques, quando ela começava a me tocar parecia que meu corpo entrava em chamas, que o sangue corria por minhas veias em uma temperatura de quarenta graus ou mais. Elena sabia exatamente onde e como me tocar, seus dedos finos e delicados quando em contato com a minha pele, mandavam descargas elétricas por todo o meu corpo causando leves choques e arrepios em minha espinha, e naquele momento não estava sendo nada diferente. Suas mãos estavam em meu peitoral e desciam pelo meu abdômen, seus lábios tinham parado de selar beijos em minhas costas e agora ela se concentrava apenas em caprichar no trabalho com as mãos.

Já no cós de meu jeans, Elena afrouxou meu cinto e sem precisar abrir o botão ou abaixar o zíper da calça, adentrou com uma mão por dentro da mesma e por baixo de minha cueca me fazendo morder com força meus lábios para evitar um gemido alto ao senti-la pegar meu membro.

Eu mal prestava atenção na sua outra mão que ainda passeava pelo meu peitoral, minha mente estava focada em seus dedos em brincavam com aquele órgão que pulsava doloridamente e no prazer imensurável que sua caricia me causava. Ela o apertava com vontade e acariciava toda sua extensão fazendo movimentos de vai e vem vagarosamente, com o polegar ela acariciava o topo dele raspando a unha de vez em quando por onde passava arrancando gemidos roucos de mim.

Eu tentava ajuda-la com a velocidade movendo meu quadril contra sua mão mas ela passou seu braçoem volta de minha cintura me impedindo de continuar. Ela queria prolongar aquilo; mesclava movimentos mais rápidos com mais lentos me dando cada vez mais prazer, principalmente quando ela os fazia me comprimindo com força em sua mão.

Aquele prazer já estava chegando ao ápice, meu membro já latejava com força em sua mão e eu sentia aquele calor tomar conta de meu corpo. Em questão de segundos, meu corpo inteiro estremeceu e liberei meu orgasmo, não aguentando segura-lo mais.

Lentamente Elena retirou sua mão dali e continuou abraçada em mim, depositando beijos no vão entre meu ombro e nuca enquanto eu tentava me recompor. Minha respiração não estava disposta a desacelerar, os lábios macios dela estavam me atiçando ainda mais... Eu os queria pressionados contra os meus, queria beijá-los com todo o fervor e avidez, matar saudades da doçura de seu beijo.

Deixando a ideia de não dormir com ela de lado, eu retiro gentilmente seus braços de minha cintura e a me viro de frente para ela a puxando para mim, nossos lábios se tocaram naquele exato momento em um beijo intenso. Abracei sua cintura com um braço e com o outro subi pelas suas costas a trazendo para mais perto de mim enquanto ela levava suas mãos até minha nuca.

Nossas línguas se entrelaçavam em perfeita harmonia e sincronia, nós apenas usufruíamos da sensação delas se acariciando e dávamos intensidade ao beijo conforme sentíamos necessidade. Sem parar o beijo, eu a guiei até o balcão onde ela estava encostada e a encostei ali, levantando sua coxa na altura de minha cintura e a apertando com vontade. Elena leva as duas mãos até o balcão e eu a ergo a ajudando a se sentar ali. Não querendo nenhum espaço entre nós, eu a puxo para mim novamente e ela abraça minha cintura com as penas.

Nosso beijo ficou ainda mais intenso por essa proximidade e em pouco tempo nós já estávamos com falta de ar me fazendo dirigir meus beijos para seu pescoço. Sem aguentar mais aquelas roupas, eu retiro se cardigã e o deixo ali mesmo.

Eu passeava com as mãos pelo seu corpo, acariciava suas coxas e subia pelas suas nádegas até chegar a sua cintura por de baixo da blusa para tocar sua pele de seda. Enquanto me deliciava com sua maciez, ela arrepiava-se com meus toques e ofegava quando apertava seus seios por cima do seu sutiã rendado. Querendo completo acesso ao seu corpo, retiro a regata que ela usava a deixando no mesmo lugar que seu casaco e aproximo nossos corpos novamente sentindo cada pelo de meu corpo eriçar pelos nossos corpos nus terem se encostado.

Meus lábios distribuíam beijos úmidos pelo pescoço dela, desciam até sua clavícula e continuava pelo seu peito enquanto eu tocava suas penas, que me comprimiam em seu meio conforme gostava de minhas caricias.

Eu já estava latejante novamente, tocar o corpo de Elena, senti-la me tocando, mesmo que não fosse em minhas regiões intimas, era algo incrivelmente estimulante. Ter suas pernas torneadas em meu tronco nu, suas mãos delicadas acariciando meus cabelos, apertando meus ombros e costas, arranhando meu braço conforme sentia prazer ou se excitava me deixava fora de foco, só com isso fazia minha sanidade ir embora como nunca acontecera antes.

Seu corpo delicado tinha o tamanho certo para os meus braços e ansioso para fazê-la minha, a puxo mais para perto e a carrego até meu quarto sem nenhuma dificuldade. Fechei a porta e a prensei com força contra a mesma enquanto nos trancava ali dentro.

- Auch... – Gemeu em uma falsa dor. – Você poderia ser mais carinhoso comigo... – Disse manhosa com um sorriso sacana nos lábios.

- Você quer carinho? – Perguntei com um tom malicioso também e ela me respondeu assentindo com um beicinho nos lábios que de imediato eu sorri e o puxei entre dentes para mim, arrancando um gemido de satisfação dela.

Se ela queria carinho, era carinho que teria...

A ajeitei novamente em meu colo e a carreguei até a minha cama onde a deitei no centro e comecei a despi-la de uma vez só. Retirei seu sutiã e tirei seu shorts jeans os jogando no chão do meu quarto. Deitei-me em cima dela e voltei a beijá-la, começando pelo seu pescoço e descendo até o vale entre seus seios. Conforme beijava seu corpo, contornava suas curvas com as mãos; apertava sua cintura e então descia pelo seu quadril até chegar às suas nádegas, as apertando com força e fazendo a mesma coisa em suas coxas.

Elena arfava em baixo de mim e arqueava seu tronco em meu rosto enquanto eu trabalhava com a boca em seus seios, pedindo por mais carinhos ali. Ela puxava meus cabelos e tentava segurar minha cabeça no local em um pedido mudo de mais, que eu atendia sem hesitar, se ela queria aquilo, eu daria sem fazer o mínimo esforço. Terminando com aquilo, puxei entre dentes seu mamilo do seio que estava com a boca a fazendo gemer manhosa.

- Damon... – Arqueou o quadril em minha direção deixando evidente seu desejo.

Sem querer nos torturar mais, subo minhas mãos em sua cintura novamente e faço o mesmo caminho que antes, só que ao invés de continuar descendo pelo seu quadril, engancho meus dedos nas laterais de sua calcinha e a retiro, fazendo questão de que meus dedos percorressem sua pele enquanto eu passava aquela peça de roupa pelas suas pernas.

Eu estava de joelhos em sua frente enquanto tirava sua calcinha e naquela posição tinha a visão perfeita dela; os braços erguidos ao lado da cabeça, os olhos fechados e seu rosto com uma expressão de prazer. Ela ficava ainda mais linda daquele jeito, entregue a mim... Naquele momento toda aquela sua pose de mulher dominadora e autoconfiante desapareceram, aquela era a Elena mesmo, sem estar escondida por trás da “Nina”. Ali ela era Elena, uma mulher normal, fazendo sexo e sentindo prazer com isso.

Após ter me livrado de sua calcinha, eu retiro minha própria calça e cueca e me coloco em cima dela novamente só que mudando nossas posições dessa vez, a colocando sentada em meu colo. Enquanto Elena beijava meu pescoço, eu procurava, ou pelo menos tentava, procurar um preservativo na gaveta de meu criado mudo e assim que o achei, ela tira da minha mão e o abre, colocando em mim ela mesmo.

Já devidamente protegido, seguro sua cintura e guio meu membro até sua entrada a penetrando vagarosamente. Ela queria carinho, então aquilo seria calmo, sem pressa, eu iria prolongar aquela transa o máximo que conseguisse.

Comecei com movimentos lentos, entrava e saia dela bem de vagar apenas a sentindo deliciosamente apertada ao meu redor. Elena mantinha nossas testas encostadas e as mãos em minha nuca, nós gemíamos baixinho, um para o outro e apenas aproveitávamos o ato sem ter pressa para chegarmos ao ápice.

Eu queria poder explicar o que sentia quando estava com ela. Tudo era muito intenso; os beijos, os toques, o sexo... Cada movimento, cada investida era uma nova sensação. Cada vez que ficávamos juntos era diferente, era sempre melhor, sempre novo e extremamente prazeroso. Tinha que admitir que há muito tempo eu não encontrava uma parceira como Elena, nenhuma das mulheres que levei para cama, depois da morte de Katherine, chegava aos pés de Lena.

Eu a sentia comprimindo-se ao meu redor, tentando tirar proveito daquilo já que a velocidade e intensidade não estavam a agradando... Ela já gemia mais alto, frustrada, tentava de todas as maneiras me fazer largar seu quadril para deixa-la se mover.

- Damon... Por favor... – Sorri presunçoso e então a guiei pela sua cintura com os movimentos.

Gradativamente nós aumentávamos a velocidade e a intensidade das estocadas, ela rebolava em meu membro e aos poucos me deixava volúvel a ela, deixando aquela vontade de algo calmo ficar esquecida em algum lugar de minha mente. Rapidamente mudamos de posição de modo que ela ficasse no meio de minhas pernas e ela nas minhas, dessa forma nos movíamos juntos e do jeito que queríamos.

Eu só tinha ouvidos aos seus gemidos deliciosos de prazer , que ela fazia questão de fazê-los em meu ouvido, especialmente para mim, e no barulho extremamente erótico que nossos quadris se chocando faziam.

Elena já se comprimia, involuntariamente, ao meu redor e era possível sentir pequenos espasmos que espalhavam –se em seu corpo em sinal de que ela já estava quase atingindo o orgasmo. Ela estava ficando cada vez mais apertada e meu clímax que antes não estava tão perto como dela, pareceu estar prestes a explodir.

Nenhum de nós dois aguentava segurar mais aquilo, nem que quiséssemos, as investidas já tinham atingido o máximo e nós também. Elena estremeceu em meus braços e meu corpo imitou o dela, em seguida a senti liberando seu calor o fazendo escorrer por mim e instantes depois, foi minha vez de explodir de prazer.

Seu corpo caiu exausto sobre o meu e ela escondeu o rosto em meu pescoço, enquanto tentávamos recuperar o folego. Com cuidado, nos desencaixei a ajeitando em meu colo novamente, sem me preocupar ainda em tirar o preservativo usado. Elena se aninhou melhor em meus braços e ergueu a cabeça, que estava encostada ao meu peitoral, alcançando meus lábios.

Nós nos beijamos com delicadeza, deixando que nossas línguas se acariciassem preguiçosamente apenas curtindo o beijo calmo até que nossos corpos caíssem um do lado do outro na cama.

Elena Gilbert Narrando

- Eu espero que você não esteja esperando eu dormir para ir embora... – A voz rouca de Damon ecoou pelo quarto quebrando aquele silencio constrangedor após orgasmo. Já tinham se passado vinte minutos desde que nós caímos extasiados e ofegantes um do lado do outro, depois do beijo mais profundo que trocamos na noite e depois de eu ter me obrigado a me virar para o outro lado na cama para não cair em tentação e me aconchegar em seu peito como aconteceu após o sexo.

- Não estou conseguindo dormir. – Virei-me lentamente de frente para ele. Era mentira, eu estava com sono mas não queria dormir, meus planos eram mesmo deixa-lo cair em um sono profundo e então ir embora.

- Eu também não, não quero adormecer e acordar sem você em minha cama amanha de manhã. – Deu de ombros. Meu coração pareceu ter derretido naquele momento e eu me arrependi de ter planejado deixa-lo sozinho ali.

- Durma, Damon, eu vou estar aqui amanha quando você acordar... – Esbocei um sorriso em meus lábios tentando tranquiliza-lo e coloquei a mão em seu peitoral o acariciando levemente.

- Também não consigo. – Riu baixinho.

- Então vamos conversar! – Sorri. Sem conseguir me conter, ajeito o lençol em mim e me deito em seu peitoral, não do jeito que eu tanto queria, mas ainda assim deitei nele o usando como travesseiro e ficando de atravessado na cama.

- Então vamos conversar! – Assentiu me imitando. Damon pegou minha mão que estava em cima de minha barriga e deu um beijo nas costas dela, como havia feito no carro, e começou a brincar com meus dedos em um ato bem carinhoso. Resolvi não recuar dessa vez, seria grosseria e idiotice de minha parte recusar esse carinho...- Vamos ver... – Disse em um tom pensativo. — Com quantos anos foi seu primeiro beijo?

- Doze e o seu? – Se é que aquilo podia ser considerado beijo...

- Também! – Assentiu. – E como foi?

- Horrível! – Admiti rindo. — Eu não fazia nem ideia do que fazer e quase sai correndo quando o menino enfiou a língua em minha boca! – Ri mais alto. – E o seu?

- Foi estranho, eu tive que conduzir o beijo porque a menina também nunca tinha beijado e eu não sabia o que fazer então fui por instinto mesmo! Só que a menina saiu falando para a escola inteira que eu tinha mal hálito e depois disso eu nunca mais beijei ninguém até meus treze anos... – Com certeza a menina que falou que Damon tinha mal hálito tinha sérios problemas, se ele não tinha mal hálito agora, imagine com doze anos.

- Não se preocupe, você não tem mal hálito!

- Ufa, fiquei mais tranquilo agora! – Riu divertido. – Hmmm... Com quantos anos perdeu a virgindade? – Perguntou com naturalidade. Aquele era outro assunto muito delicado para mim... Aquilo era como um taboo para mim, evitava ao máximo falar disso, mas de uma certa forma, me senti a vontade para contar a Damon o que aconteceu.

- Dezesseis e você? – Respondi suspirando pesadamente.

- Dezessete! E foi com quem?

- Não sei direito, só sei que o nome dele era Charlie... – Dei de ombros.

- Como assim? – Perguntou divertido.

- Foi com um cliente, Damon... – Expliquei.

- Ok, é brincadeira, não é? – Perguntou um tanto pasmo.

- Até gostaria que fosse mas juro que não é.

- E como foi?

- Foi horrível! – Soltei um riso sem graça. – Ele era um velho grotesco e nojento, era um cliente importante e Meredith me empurrou para ele mesmo eu não tendo experiência alguma com sexo. Todos aqueles meus planos de me guardar para o homem certo, de que iria ser a noite perfeita e que eu iria adorar ficaram apenas na minha imaginação mesmo, saiu tudo exatamente ao contrario do que eu planejava e acho que nunca senti tanta dor como naquela noite... – Eu encarava nossas mãos entrelaçadas ao lado de meu corpo e me concentrava na caricia que Damon fazia com o polegar nas costas da minha mão para não pensar naquela noite.

- E ele frequenta ainda a boate?

- Faz muito tempo que eu não o vejo, muito tempo mesmo! Tomara que tenha morrido! – Disse com descaso. Charlie era um advogado com muito dinheiro, era casado há mais de vinte anos e mesmo assim continuava indo a SoHo Dolls, pelo menos, uma vez por semana. Ele era um nojo, um velho tarado e sem vergonha que traia sua esposa descaradamente e ainda gastava uma fortuna em sexo. Não sabia se tinha filhos, mas era bem provável que tivesse devido ao tempo em que estava casado. O tempo passou e após de um mês sem nos procurar, Meredith ouviu dizer que ele adoecera e depois disso nunca mais o vi e isso aconteceu antes mesmo de eu engravidar... Deveria já estar morto, assim eu esperava.

- Pelo menos isso... Deve ser um tanto estranho cruzar com ele em algum lugar.

- Toda vez que eu o via, meu estomago embrulhava e parecia que eu sentia toda aquela dor que ele me causou...

- Ele foi tão bruto assim?

- Bastante! E eu ainda tive mais três programas depois dele então no dia seguinte não conseguia nem andar. – Ri mais uma vez. – O que era para doer uma vez, doeu quatro...

“- Vamos lá, Elena, levante... – Já se passava das duas e meia da tarde e Meredith entrara em meu quarto, furiosa, por eu não estar acordada ainda. – Você não é hospede aqui não, minha filha! – Puxou meu cobertor quase me jogando para fora da cama.

- Por favor, Meredith, eu nem se quer consigo me sentar! – Sussurrei envergonhada. A expressão “estar fodida” nunca tinha feito tanto sentido para mim como naquele momento. Minha intimidade ardia, latejava, até meu colo do útero chegava a doer, era uma dor horrível, incomparável. Eu tinha que me virar inúmeras vezes na cama até encontrar uma posição que minhas pernas não ficassem tão juntas para não doer tanto.

- Isso não é problema meu, Elena, vamos, levante-se logo! – Empurrou minha perna, em um sinal para eu me mover, fazendo uma fisgada forte atingir meu interior e eu gemer de dor. – Tem uma pilha de louça suja na pia para você lavar e você tem aulas de pole dance, anda logo menina.

- Só hoje, Meredith, a louça eu lavo mas as aulas eu não vou conseguir... – Eu senti as lágrimas arderem em meus olhos. – Está doendo demais! – Sussurrei ainda mais baixo que antes.

- Elena, não me faça vir aqui novamente! – Seguiu para a porta a batendo com força.

Eu não iria chorar, não por aquilo... Eu era mais forte que aquela dor, eu tinha que ser! Lentamente tentei me levantar mas no momento que me coloquei sentada na cama senti a pressão na região por entre minhas pernas e me joguei novamente no colchão não conseguindo suportar a dor daquilo.

Me colocar de pé seria difícil, uma missão quase impossível, mas eu iria conseguir...

- E você? Com quem perdeu? Como foi? – Perguntei tirando o foco de mim.

- Foi com Katherine, eu tinha dezessete anos e já namorávamos há algum tempo, foi uma coisa natural, inevitável para nós dois, aquela tinha sido a primeira vez dela também então foi ótimo, melhor que imaginávamos. – Era obvio que sua primeira vez fora com sua imaculada Katherine, não sabia nem porque tinha perguntado, era tão evidente. Uma ponta de ciúmes atingiu meu peito, o fato deles terem sido os primeiros um do outro intensificava ainda mais o sentimento, tornava mais especial do que já era.

- Katherine foi sua única mulher? Digo, antes de ela morrer...

- Foi sim! – Respondeu presunçoso. Chega, eu não queria saber mais disso, aquilo me corroía por dentro, era como se eu tivesse tomado ácido clorídrico de tão dolorido que era. Sem nem ao menos precisar olhá-lo, só pelo tom de sua voz, eu já percebia o quanto ele ainda amava Katherine e aquilo me matava, ela ocupava um lugar tão grande em seu coração que ano tinha espaço para mim. – E você gosta, Elena? – Perguntou sutilmente.

- De sexo? Todo mundo gosta de sexo, Damon! – Disse com um tom obvio. Eu sabia ao que ele estava se referindo, mas não quis responder de primeira, só para lhe dar uma chance de reformular outra pergunta.

- Não, quero saber se você gosta de fazer sexo com todos esses homens...

- Não, Damon, eu não gosto, para ser bem sincera, eu odeio! – Disse com toda franqueza que tinha.

- Mas se você não gosta, porque faz? Porque não sai dessa vida? – As coisas vistas por outro ponto de vista se tornavam tão fáceis... Falando assim soava tão simples quanto escolher o sabor do sorvete que iria tomar na sorveteria.

- Porque eu não consigo, Damon, não é tão fácil quanto parece. Você já está acostumado com aquela realidade, sabe? De uma certa forma aquela é minha zona de conforto e eu nem sei se sirvo para fazer outra coisa que não seja sexo... – Ri com desgosto. – Todas as vezes que eu tentei endireitar minha vida, alguma coisa sempre deu errada...

- Não fale isso, Elena, tenho certeza que você sabe fazer alguma outra coisa que não seja sexo, apesar de ser muito boa de cama! – Admitiu rindo.

- Obrigada! – Puxei sua mão até meu rosto depositando um beijo nela como ele havia feito comigo. – Pelas duas coisas!

- É só a verdade! – Deu de ombros. – Então você já tentou sair dessa vida antes? – Assenti. – Quantas vezes?

- Duas...

- Quando foram?

- A primeira delas foi quando eu entrei na faculdade... – Suspirei fundo. – Fiz quase um ano de Design de moda, tudo corria bem, eu era uma boa aluna, tirava notas boas e era interessada... Eu estava bem decidida a me formar e deixar a prostituição até que um garoto da minha turma apareceu na SoHo Dolls junto com uns amigos, eu não os vi mas obvio que eles me viram e rapidamente me reconheceram, afinal, eu era a estranha da sala que não tinha amigos e vivia isolada, cansada, nos cantos, eles me reconheceriam até na China se fosse o caso. – Revirei os olhos me lembrando do rosto daqueles infelizes. – Na segunda, quando entrei no prédio da faculdade e passei pelos corredores, todos pararam o que faziam para me olhar, alguns saiam de perto, outros cochichavam... Sinceramente eu não liguei, mas foi quando eu entrei na sala de aula que meu mundo caiu, no quadro negro estava escrito o endereço da boate e meu nome em baixo, pelas carteiras estavam espalhadas fotos minhas trabalhando como se fossem folhetos de propaganda, sabe? – Até hoje eu não sabia por que eles tinham feito isso comigo, sinceramente. Eu nunca havia feito nada que revidasse tamanha crueldade...

“ – Quem diria hein? Olha só como as aparências enganam... Nem todos nós somos o que parecemos, não é Elena? Você, por exemplo, não parece ser uma puta barata. – Eu estava disposta a revidar, mas as duas ultimas palavras me acertaram como um tapa na cara.

- Quanto que é o programa, vadia? – Outro garoto perguntou em voz alta fazendo o resto rir.

- Por quê? Está interessado? Não encontrou nenhuma outra mulher que dê para você então vai ter que apelar para uma prostituta? – Um coro de “uuuuh” ecoou pela sala devido a minha resposta bem dada.

- Uuuh, ela ficou nervosinha! – Riu. – Porque não faz um showzinho aqui para nós antes da aula começar? Podemos chamar o diretor e os professores aqui, tenho certeza que vão adorar, sem falar na nota extra que vão te dar de tão gratos... Oh quem sabe o dono disso aqui não goste também? Ele pode até te aliviar uns meses de pagamento para ti, boa ideia huh?

Eu nem poderia falar que ele estava me desrespeitando porque ele tinha razão em cada palavra dita. Eu era mesmo uma puta barata, uma vadia, não podia revidar ou tentar negar... As fotos, as pessoas não me deixariam mentir.

- Que tal chamar seu pai também? Faz assim, chama a família inteira... Afinal, você só pode ter puxado a eles ao ser tão baixo assim. – Sem aguentar mais desaforo, eu saio correndo daquela sala e atravesso o corredor da mesma forma, sem olhar para trás ou para os lados.

- Depois daquele episodio eu fiquei uma semana sem ir para a aula, nada me faria colocar os pés naquele lugar até que eu julgasse tempo o suficiente para terem superado essa fofoca. – Continuei a falar. — Na segunda seguinte, tudo me pareceu mais calmo, até a hora de começar a aula. Sentei-me no lugar de sempre e conforme todo mundo ia chegando, eles se sentavam muito afastados de mim como se tivessem nojo ou como se eu tivesse alguma doença altamente contagiosa. – Revirei os olhos bufando. – Consegui ignorar aquilo, sabe? Eu não precisava deles... – Dei de ombros. — Então continuei prestando atenção na aula. Durante o tempo todo, meu professor me olhava de uma forma estranha, diferente de todo o restante e de como costumava a me olhar. No final da aula, ele liberou todos os alunos menos eu... Adivinha só o que ele queria?

“ – Senhorita Gilbert, por favor? – Me chamou de sua mesa.

- Pois não?!

- É verdade o que estão falando? Você é garota de programa mesmo? – Assenti com o cenho franzido. – E você trabalha em um bordel? – Assenti mais uma vez não sabendo aonde ele queria chegar. – Quanto que é o programa? – Franzi o cenho desconfiada.

- Onde está querendo chegar, professor?

- Não se faça, querida, você sabe muito bem o que eu quero saber com tudo isso! – Sorriu malicioso. – Quero saber se você trabalharia para mim. – Eu abri e fechei a boca inúmeras vezes, procurava as palavras e a minha voz para respondê-lo mas nada parecia sair de tão pasma que eu estava.

- Sinceramente, o Senhor ultrapassou os limites do bom senso! – Cruzei os braços, furiosa. – Aqui dentro eu sou sua aluna, independente de minhas atividades extracurriculares, o Senhor me deve respeito!”

- Queria programa? – Damon perguntou rindo.

- Sim! – Assenti. – Eu não aguentei continuar estudando ali, todos os dias era a mesma coisa, você não faz ideia à quantidade de meninos que vinham me procurar durante a aula ou professores que queriam dormir comigo, sem falar no preconceito e humilhação...

- Wow... – Disse abismado. – E o que aconteceu depois?

- Depois eu desisti, não era sangue frio o suficiente para aguentar tamanha humilhação e digamos que minha poupança triplicou de tamanho naqueles meses.

- Imagino! – Riu sem graça. – E quando foi a outra vez que tentou sair?

- Foi há um ano quando eu... – Parei subitamente no meio da frase, me arrependendo por ter não ter pensado sobre isso antes de falar.

- Quando você... – Suspirei fundo. Ele não iria deixar essa passar, não me restava outra escolha a não ser contar sobre a gravidez para ele.

- Quando eu engravidei... – Disse por fim.

- Oi? Você tem um filho? – Perguntou exaltado.

- Não, calma! – Acariciei sua mão mais uma vez. – Eu sofri um aborto espontâneo nos primeiros meses, Damon, nem se quer cheguei a senti-lo mexer ou descobri o que meu bebê era.

- E quem era o pai?

- Matt... Um cara que encontramos no restaurante aquela noite.

- Mas vocês namoravam? Como ele reagiu?

- Não, ele era apenas meu cliente e a sua reação foi a pior possível. No inicio eu não contei para ele, mas Bonnie, aquela garota morena que trabalha comigo, acabou contando e no mesmo dia ele veio furioso tirar satisfações.

- Ele assumiu o filho, pelo menos? – Neguei.

“ – Eu não quero esse filho, Elena! – Matt disse com um tom obvio.

- Eu sei que não e foi por isso que eu decidi mantê-lo em segredo! – Respondi com o mesmo tom que ele usara.

- Atá, você não me conta que temos um filho e então os anos passam e a criança quer me conhecer e decide que quer herança também... Me poupe, Elena.

- Enquanto a isso, não se preocupe, meu filho nunca vai precisar de nenhum centavo seu, eu nunca vou deixa-lo passar necessidade, pode custar meu sangue, mas eu vou dar uma vida digna à esse bebê, sem precisar de você!

- Eu não quero essa criança, Elena.

– Você pode não querê-lo, mas eu quero! Em hipótese alguma vou tirar esse bebê, ele é meu, Matt.

- Que bom que você sabe que ele é inteiramente seu, porque eu não passo de doador de esperma.

Me doía pensar que esse bebê não iria ter um pai, que não iria ter uma figura paterna para chamar de herói ou para se espelhar... Mas eu não tinha opção, não tinha como obrigar Matt a assumir a paternidade, se isso fosse possível, eu faria sem pensar duas vezes. Não me importava em ser mãe solteira, eu só queria que meu filho tivesse um pai. Como isso não era possível, eu iria dar o meu melhor para ser os dois.”

- Não... Ele me disse que era o doador de esperma e então foi embora, não me ajudou financeiramente nem psicologicamente, apenas foi embora, como se nada tivesse acontecido. Ele nem se quer sabia que eu perdi nosso filho, contei a ele no restaurante aquela noite.

- Perder um filho deve ser a pior coisa do mundo... – Ele refletiu.

- Acredite, é sim! – Suspirei. – É como se tivessem retirado um pedaço de ti, você não se sente mais completa... Aquele bebê era tudo o que eu tinha e foi retirado de mim, sem nem me dar a chance de conhecê-lo, de paga-lo ou de senti-lo mexer...

“ Marcos me levara as pressas até o hospital. Eu não parava de sangrar, era como se tivessem me cortado profundamente e meu sangue escorria pelas minhas pernas. Não sabia como parar de chorar, estava em desespero, nem se quer respirar eu conseguia. Precisava saber como meu bebê estava, precisava ouvir seu coraçãozinho para aliviar aquele desespero absurdo.

Fui levada até uma sala de ultrassom onde me deitaram em uma maca e uma moça atenciosa me acompanhava.

- Por favor, Doutora, diga que meu filho está bem! – Disse em meio a soluços. Ela espalhava o gel gelado pelo meu ventre com aquele aparelho e olhava fixamente ao monitor onde deveria aparecer meu bebê. – Por favor... – Sussurrei. Eu procurava aquela coisinha branca que se mexia na tela, esperava que os sons de seus batimentos cardíacos ecoassem pela sala trazendo-me alivio instantâneo, mas eles não vinham. – Meu filho está bem, não está? Ele está ai, não é mesmo?

- Sinto muito, Elena... Ele está aqui, mas seu coração não bate mais.

- Não, não, tem algo errado, olhe direito, por favor! – Aquilo tinha que estar errado, tinha que estar. Meu bebê estava bem e aquilo não se passava de um susto.

- Elena, não tem batimentos, não tem vida... Sinto muito, você sofreu um aborto espontâneo. “

- Eu acho que sei o que fala, apesar de não ter perdido nenhum filho, eu não consigo imaginar minha vida sem Emily. Ela é tudo o que eu tenho, tudo o que me restou.

- Então nem imagine, isso é algo que eu não desejo para ninguém! – Suspirei pesadamente controlando as lagrimas que ainda apreciam em meus olhos quando eu tocava nesse assunto. – Você parecia exausto no carro, Damon, tente dormir. – Virei-me mais uma vez na cama, só que ficando ao seu lado.

- Pois é, acho que esse cansaço me pegou novamente. – Sorriu levemente. Agradeci eternamente por ele não querer aprofundar aquele assunto, não iria aguentar falar sobre isso com ele.

- Então durma, Damon, eu vou estar aqui ao amanhecer. – Sorri o tranquilizando e levei minha mão até seus cabelos os acariciando como sabia que ele gostava.

- Se continuar com isso, é certeza que eu vou dormir. – Eu não respondi, apenas continuei acariciando seus fios sedosos e o encarando, assistindo suas pálpebras se fechando lentamente.

Eu não queria parar, se fosse preciso, ficaria o resto da madrugada fazendo carinho nele para que ele dormisse. Mas em poucos minutos ele já dormia em um sono profundo, sua respiração já estava ritmada e seu rosto relaxado... Parecia um anjo dormindo de tão estupidamente lindo que ficava.

Eu o amava com todas as minhas forças, não podia mais negar... Não tinha mais como evitar ou voltar atrás, mesmo sabendo que esse sentimento nunca seria reciproco.

Com cuidado para não acorda-lo, me virei na cama ficando na mesma posição que antes, de costas para ele, e tentei adormecer. Damon se moveu também e colocou seu braço ao meu redor, me puxando para si.

Ele estava mesmo me abraçando? Ou eu estava apenas sonhando? Meu coração começou a bater descompensado de felicidade e eu apenas me aconcheguei melhor em seu abraço.

Aquilo iria me doer muito, sabia disso, mas eu não tinha forças psíquicas para afastá-lo.

...

Na manha seguinte, Damon ainda dormia abraçado a mim, nós nem se quer havíamos nos mexido durante a noite e da mesma forma que adormecemos, acordamos.

Seu peso estava todo em cima de mim e eu mal conseguia respirar por causa disso. Lentamente e com cuidado para não acorda-lo, me mexo na cama e viro de frente para ele, deitando em seu peitoral exatamente do jeito que eu queria.

Aquilo era errado, eu sabia disso, mas ao mesmo tempo era tão bom... Os braços de Damon me traziam sossego, aconchego, parecia que ali eu estava segura, protegida.

Ajeitei-me mais uma vez e antes que eu conseguisse pegar no sono novamente, ele acordou.

- Bom dia! — Ele disse em meio a um bocejo.

- Bom dia! — Levantei minha cabeça para olha-lo e depositei um beijo em seu peitoral.

- Fico feliz em te ter aqui ao acordar. — Sorriu.

- Eu disse que estaria aqui! — O lembrei. — Sem falar que ficou bem difícil sair dessa cama com você grudado em mim a noite toda! — Brinquei.

- Ahá, quer dizer então que você tentou ir embora de novo no meio da madrugada?! — Cerrou os olhos desconfiado.

- Brincadeira! — Balancei a cabeça rindo. — Nem se quer cogitei a ideia.

- Ah, que bom!

- Como dormiu? – Apoiei meu queixo em seu peito para olhá-lo.

- Perfeitamente bem e você? — Levou uma mão até meu rosto acariciando minhas bochechas com o polegar enquanto que com a outra ele me puxava pela cintura para si.

- Também! — Sorri. Damon sorriu abertamente para mim e então me puxou mais um pouco para cima, encostando nossos lábios em um beijo calmo. Com a mão que estava em minha cintura, ele fazia carinho com as pontas dos dedos em minhas costas me fazendo arrepiar e sorrir em meio ao beijo.

- Isso é bom... — Disse contra seus lábios.

- Meu beijo? — Fingiu-se de desentendido.

- Também, mas estava falando do carinho. — Ele continuou com as caricias em minhas costas e subiu ate meus cabelos, passando os dedos entre eles e os deixando cair perfeitamente em meus ombros. Eu não queria que aquela manha acabasse nunca, estava perfeita demais... Estava saindo do jeito que sempre imaginei e desejei; os beijos e carinhos, as palavras doces... Parecia até surreal.

- Está com fome? — Ele perguntou.

- Um pouco! — Assenti.

- Então vamos comer! — Sorriu animadamente.

- Não... Vamos ficar aqui. — Choraminguei. Não estava disposta a sair dali, queria aproveitar o máximo que pudesse aquele momento, queria ficar o resto do dia com Damon naquela cama...

- Podemos comer e depois voltamos para cá, o que acha? — Acariciou meu rosto mais uma vez.

- Perfeito! — Sorri.

- Então vamos.

Damon se colocou de pé e eu fiquei na cama o assistindo vestir uma calça de moletom larga e me entregar uma camisa sua azul bebe. Sorri abertamente com aquilo e me levantei da cama, pegando minhas roupas intimas do chão e a camisa de sua mão.

Não estávamos devidamente vestidos, mas só iríamos tomar café e voltar para a cama, para isso não precisava colocar alguma coisa muito sofisticada. De mãos dadas, saímos do quarto e passamos pelo corredor, ate chegar à sala onde a mesa para o café já estava posta.

Na ponta da mesa e sentado sozinho, estava um homem, tomando café e lendo jornal.

- Bom dia Stefan! — Damon o cumprimentou e ele ergueu a cabeça para nos olhar. — Essa aqui é... — Apontou para mim.

- Nina? — Foi como um balde de agua extremamente fria em meu corpo, aquele homem que estava sentado ali à mesa me conhecia, digo, conhecia a Nina... E o pior de tudo era que ele tinha algum grau de parentesco com Damon.

- Pera ai... — Damon suspirou fundo e virou de lado, de modo que pudesse olhar para nós dois de uma só vez. — Não vai me dizer que...

- Ela foi a mulher da despedida de solteiro, a prostituta que Tyler contratou para a festa. — Ow merda! Merda, merda, mil vezes merda! Aquele era Stefan, o amigo do noivo com quem eu transei...

- Você transou com meu irmão, Elena? — Merda mais uma vez! Ele não era só Stefan, ele era Stefan Salvatore, irmão de Damon Salvatore, e eu transei com o irmão do cara que eu gosto... Eu era uma bela de uma vadia mesmo.

- Elena? — Stefan perguntou desentendido.

- Elena, te fiz uma pergunta... — Damon disse rude. — Vocês transaram? — Eu fechei meus olhos, suspirei fundo e assenti.

- Ótimo! — Riu irônico e saiu andando, furioso, de volta para o quarto.

- Damon, espera ai! — Corri em desespero atrás dele.

- O que você quer? — Disse mal humorado.

- Conversar! — Encolhi meus ombros.

- Eu não quero conversar, Elena, você transou com meu irmão!

- Damon, eu não sabia que ele era seu irmão! — Expliquei.

- Mas precisava ter transado?

- Esse é meu trabalho, Damon.

- Sim, mas eu pensei que tivéssemos fechado um acordo, que eu seria seu cliente fixo.

- Mas você é meu cliente fixo!

- Então você burlou nosso acordo!

- Você é meu cliente fixo e não exclusivo, há uma grande diferença entre isso.

- Atá e você vai me explicar isso só agora? Quer dizer que você vem transando todo esse tempo com os outros homens pelas minhas costas? — Ok, ele tinha razão em estar assim... Eu tinha transado com seu irmão, mas não via motivos de ele estar tão furioso por eu estar fazendo programas com outros homens. Nós não tínhamos nada, nenhum compromisso sério para ele querer tanta exclusividade assim.

- Damon, qual é a sua? Não estou entendendo o porquê do surto! Nós nem se quer temos um relacionamento para você estar agindo dessa forma.

- E precisamos ter? – Disse debochado.

- Para você estar agindo dessa forma, sim.

- Elena, você transou com meu irmão, sabe qual é o sensação de saber que a mulher com quem você dormiu essa noite, dividiu lençóis com seu irmão? É nauseante, Elena.

- Damon, por Deus, eu não sabia que ele era seu irmão! Eu não costumo perguntar aos meus clientes seus sobrenomes para saber se eles possuem algum grau de parentesco com algum outro cliente antigo meu.

- Sabe, Elena? – Ele parou por uns instantes em minha frente, pensativo. – Eu pensei que você fosse diferente, mas agora só me provou que é igual a todas as outras prostitutas por ai. – Se a intenção dele fosse me magoar, com toda a certeza ele tinha sido bem sucedido. Era como meu coração tivesse recebido uma facada de tão dolorido e pequeno que havia ficado. Não conseguia acreditar que Damon tinha acabado de falar aquilo para mim, era rude demais para ter saído dele. Eu estava prestes a começar a chorar, sentia que as lagrimas estava quase transbordando pelos meus olhos, mas eu tinha que ser forte, não iria lhe dar o gostinho de me ver chorando, não por ele, não em sua frente.

- Se eu sou igual às outras, então vá procurar uma que te agrade! – Tentei forçar um sorriso debochado, mas meus lábios e meu queixo tremiam devido ao choro que eu segurava.

Eu precisava sair daquele lugar, aquele enorme apartamento estava me sufocando. Sem me importar com sua presença, retirei sua camisa e peguei minha bolsa que estava no canto do quarto. Me vesti em tempo recorde com a roupa reserva que havia colocado ali enquanto ele parecia soltar fumaça pelas orelhas de tão furioso que estava.

- Aonde está indo? – Perguntou Damon ao me ver pronta.

- Embora, é claro! – Revirei meus olhos com o tom obvio de sempre. – Adeus, Damon!

Notas finais
Espero mesmo que tenham gostado pessoal. Ah, agora eu só posto se tiver vinte e oito comentarios nesse capítulo, gogoogogo.