Soho Dolls
25 Capítulo Bônus - A princess is coming
Notas iniciais
Caroline Forbes Narrando
Quinze semanas, naquele dia já completava a decima quinta semana que aquele pequeno ser estava habitando meu ventre e eu não conseguia me confirmar do quão rápido o tempo estava passando... Por incrível que pareça aquele tinha sido o primeiro dia que eu tomei meu café da manha tranquilamente sem ter que correr em seguida para ir ao banheiro vomitar tudo o que havia comido, era até estranho porque eu nem me lembrava qual era a sensação de ter o estômago cheio já que absolutamente nada parava nele. Todas essas idas ao banheiro após as refeições já haviam me rendido dois quilos a menos e uma enorme preocupação para mim e minha medica, perder peso na gravidez não era bom e por isso eu e Klaus estávamos nos preparando para meu segundo ultrassom para nos certificarmos de que nosso bebe estava bem.
Mais uma vez Klaus abrira mão de seu trabalho para me acompanhar no exame. Ele estava sendo o melhor pai que qualquer mulher pudesse desejar para o seu filho; extremamente carinhoso e preocupado, ele queria estar presente em todos os momentos e evoluções de nosso bebe, quanto estávamos juntos sua mão não saía de meu ventre e ele sempre falava com o bebe afirmando que queria que nosso filho se familiarizasse com sua voz desde cedo. Eu sabia que o bebê só escutava minha voz por enquanto, mas não podia dizer isso a ele, seria crueldade demais...
Naquele estagio de gravidez eu já conseguia notar fisicamente que estava gravida, meus quadris estavam mais largos e meus seios além de terem praticamente dobrado de tamanho estavam terrivelmente sensíveis, se tateasse abaixo do meu umbigo conseguia sentir algo mais rígido que era onde o bebê se encontrava e eu poderia jurar que meu ventre havia ganho um leve volume mesmo que Klaus continuasse dizendo que não via nada, que minha barriga continuava lisa como sempre fora. Não era só fisicamente que eu estava mudando... Por mais estranho que isso soasse, eu estava me sentindo diferente, mais madura, mais mulher, parecia que eu estava crescendo aos poucos junto com o bebê. Era complicado de explicar, mas era como se uma nova Caroline estivesse surgindo. Eu não era mais Caroline, uma infeliz prostituta de vinte e quatro anos, agora eu era Caroline uma mulher imensamente feliz por estar grávida do homem que amava.
Minha vida tinha mudado literalmente da agua pro vinho... Tanto que nunca imaginei que pudesse estar tão ansiosa para ver meu bebê em um televisor.
Eu já estava deitada a maca sentindo a doutora espalhar aquele gel frio pela minha barriga enquanto Klaus segurava minha mão, como da ultima vez.
– Olha papais, aqui está o bebê de vocês... – A doutora disse suavemente fazendo-nos olhar a imagem na tela.
– Como ele está, doutora? – Klaus perguntou preocupado, tirando as palavras de minha boca.
– Isso é o que descobriremos agora, vamos ver os batimentos dele... – Disse em um tom tranquilo tentando nos acalmar. Naquele momento o som dos batimentos de meu bebê ecoou pela sala e como da primeira vez fez meu coração inundar-se de felicidade e meus olhos encherem-se de lágrimas. Será que seria assim toda a vez que eu fosse vê-lo? Elena já havia me dito o quanto aquilo era emocionante e eu mesma já havia presenciado essa emoção uma vez, mas ainda assim era uma emoção inexplicável como se fosse à primeira vez. – Os batimentos dele estão ótimos, papais. E no momento ele está medindo 10cm e pesando cerca de 50g.
– Awn! – Eu e Klaus dissemos uníssono nos olhando com carinho.
– Olhem só, já da pra ver o sexo do bebê... Querem saber?
– Sim, sim, por favor! – Disse animada.
– Vocês vão ter uma menininha, parabéns!
– Uma menina? Nosso bebê é uma garotinha? – Klaus disse extasiado, seus olhos brilhavam como dois diamantes e seus lábios tinha um sorriso incrível, ainda mais feliz e radiante de que uma criança passando as férias na Disney.
– Uma princesinha, Klaus! – Uma garotinha, sim, uma menina como eu e ele imaginávamos que seria e como eu sonhara. Ela seria linda, isso era um fato, eu a faria minha boneca, minha princesa, a educaria e faria agir como tal, iria apoia-la em todas suas decisões e a orientaria se fosse necessário. Eu iria ensiná-la se respeitar e se valorizar, coisa que eu não tinha feito... E acima de tudo; eu iria amá-la mais que o infinito, não que eu já não a amasse, mas desde o momento que a pegasse pela primeira vez em meus braços iria deixar claro que ela era meu mundo.
– Não tem motivos para que se preocupar, papais, a bebê está ótima, seu crescimento está bom e os batimentos cardíacos também. Sua placenta está boa, mamãe, e o liquido amniótico também, não tem porque se preocuparem.
– É ótimo ouvir isso, Doutora! – Disse aliviada.
Eu e Klaus estávamos radiantes, eu principalmente... Após o exame ter acabado, Klaus me puxou pela cintura e nós saímos abraçados da sala até seu carro, ele mantinha o braço firme em minha cintura, possessivo mas ao mesmo tempo carinhoso, e eu me derretia por dentro enquanto meu coração batia ainda mais acelerado do que o normal por estarmos daquele jeito, como um casal de verdade. Eu sinceramente esperava que Klaus não estivesse brincando com meus sentimentos de novo, eu o amava demais e essas suas atitudes carinhosas não estavam apenas me confundido mas também me iludindo e me enchendo de esperanças de que um dia pudéssemos ser uma família de verdade onde o homem e a mulher se amassem intensamente. Se ele estivesse brincando comigo mais uma vez, eu sabia que não iria ser forte e aguentar tamanha dor e rejeição...
Como da ultima vez, nós fomos até a soverteria em que passamos após o primeiro ultrassom e ficamos por ali vendo as fotos tiradas de nossa filha fazendo planos sobre seu futuro.
– O que acha de escolhermos o nome? Precisamos chama-la de algo que não seja apenas “bebê”... – Sugeri me virando de lado para olhá-lo. Klaus tinha se sentado ao meu lado e seu braço estava em meus ombros nos deixando mais próximos.
– Eu iria sugerir isso agora mesmo! — Sorriu presunçoso. – Que tipo de nome você gosta?
– Eu gosto de nomes pequenos, suaves...
– Para mim tanto faz. – Deu de ombros e franziu o cenho pensativo. – O que acha de Marie?
– Marie era o nome da mãe de meu pai... – Fiz uma careta em desgosto. – E nós não nos dávamos muito bem, foi ela quem descobriu que eu havia dormido com meu namorado e me dedurou ao meu pai... – Não, Marie definitivamente não, não queria chamar minha filha e lembrar daquela velha asquerosa sempre...
– Ok! – Assentiu rindo. – Nada de Maries em nossa família. – “Nossa família”... Será que ele fazia ideia do quanto essas duas palavras mexiam comigo? Provavelmente não porque nem eu conseguia definir minha felicidade ao ouvi-las.
– O que acha de Lauren? – Sugeri.
– Não! – Disse exaltado balançando a cabeça negativamente. – Lauren me lembra duma ex namorada que só me deu dores de cabeça.
– Não, definitivamente não! – Assenti com o cenho franzido sentindo meu peito contorcer de ciúmes por ele estar lembrando de uma ex do passado. Klaus era meu. Ele riu baixinho e me deu um beijo demorado na bochecha, como se me consolasse.
– Clara? – Sugeriu.
– Claire?
– Perfeito! – Sorriu abertamente.
– Sério? – Perguntei com um sorriso bobo de orelha a orelha.
– Sim, adorei! Claire Forbes Mikaelson... – Sorriu ao pronunciar o nome inteiro de nossa filha, mas algo estava errado, eu não queria meu nome no dela, eu não queria nada de minha família antiga nessa família que estava formando.
– Não, não quero que meu nome esteja no dela... – Neguei.
– E porque não?
– Não é justo colocar o nome de meu pai na minha filha, não depois do que ele fez para mim.
– Você tem certeza disso?
– Sim, absoluta! – Assenti com convicção. – Claire Mikaelson. – Sorri colocando a mão sobre meu ventre.
– Nossa Claire! – Klaus colocou a mão sobre a minha e se aproximou mais de mim, aconchegando-me em seus braços. – Ela está mexendo?
– Provavelmente, mas eu não sinto... – Dei de ombros. – Não se preocupe, você será o primeiro a saber quando eu a sentir mexer.
– E eu quero ser o primeiro a senti-la mexer! – Disse autoritário.
– Você vai! – Disse rindo e me aninhei em seu abraço, deitando minha cabeça em seu ombro enquanto terminava de comer meu sorvete.
...
Aquela era a quinta vez que eu me virava na cama, provavelmente já se passava muito mais de meia noite e eu ainda não tinha conseguido dormir. Na verdade aquela era a terceira vez na semana que tive crise de insônia enquanto pensava em meu futuro, em minha filha, em Klaus... Eu estava preocupada com o que aconteceria comigo quando Claire nascesse, tinha medo de que quando ela viesse ao mundo Klaus quisesse tirá-la de mim, por mais improvável que isso fosse eu não poderia deixar de considerar essa hipótese. Tudo estava perfeito demais para ser real, era certo de que algo iria dar errado, talvez não agora mas futuramente.
Eu não podia depender de Klaus para o resto de minha vida, precisava trabalhar, ganhar dinheiro, ter uma vida estável para que pudesse sustentar a mim e a minha filha caso algo acontecesse, tudo bem que tinha salvo uma grande quantia em dinheiro da prostituição mas aquilo um dia iria acabar e infelizmente, dinheiro era essencial para sobreviver.
Eu precisava de um trabalho, mas com a formação que tinha a única coisa que iria conseguir era um emprego como garçonete ou balconista e iria receber um salario mínimo que não era suficiente para sustentar uma casa e cuidar de uma criança. Eu precisava de uma profissão, de uma faculdade, esse era o único jeito de eu poder garantir minha tranquilidade e independência mas infelizmente, talvez meu dinheiro não fosse o suficiente para pagar uma boa formação... Novamente me vi naquele labirinto de incerteza e preocupações... Porque tudo tinha que ser tão difícil?
Como se já não bastasse minha cabeça estar cheia de besteiras, meu estomago começou a debater-se reclamando por estar vazio. Virei para o outro lado e tentei pensar em outra coisa, mas novamente meu estomago se contorceu parecendo berrar comigo para que eu o preenchesse com alguma coisa.
Dando-me por vencida de que eu não iria conseguir dormir até que comesse algo, me levantei em silencio, abri a porta com o máximo de cuidado para não fazer barulho e nas pontas dos pés atravessei o corredor indo em direção à sala de estar para chegar à cozinha.
– Nossa, o que faz de pé a essa hora, querida? – A voz suave de Klaus me pegou totalmente desprevenida quando cheguei à sala, deixando meu coração bater rapidamente devido ao susto que levara.
– Céus, que susto, Klaus! – Coloquei a mão sobre o peito sentindo meu coração acelerado. Ele estava sentado a sua enorme poltrona no canto da sala enquanto lia um livro à luz de uma luminária.
– Desculpe, não queria te assustar... – Sorriu de canto e deixou seu livro sobre a mesinha para vir até mim. – Então, o que faz acordada? – O olhar malicioso de Klaus percorreu meu corpo inteiro avaliando-me demoradamente, era como se ele me engolisse com os olhos. Ao ver que eu havia percebido o modo com que ele me olhava, Klaus tentou disfarçar rapidamente sem ser muito bem sucedido, a tensão já havia se formado entre nós e o desejo avassalador havia sido acendido com mais facilidade do que como se acende uma vela . Fazia tanto tempo que ele não me olhava daquela maneira que eu havia até me esquecido que ele um dia me desejou, nós não ficávamos juntos daquele jeito desde muito antes de eu saber que estava gravida e em uma escala de zero à dez não sabia definir quanto precisava senti-lo em mim mais uma vez.
– Meu estomago não me deixa dormir... Está pedindo que eu assalte a geladeira. – Encolhi meus ombros envergonhada e fazendo de conta de que a forma com que ele me olhara não tivesse me atingido, quando na verdade haviam me deixado ainda mais necessitada dele.
– Então vamos fazer alguma coisa para comermos, estou com fome também. – Sorriu de canto tentando desviar o olhar de mim.
– Não precisa se preocupar, eu posso fazer um lanche rápido...
– Eu insisto! – Sorriu.
– Ok então... – Assenti.
– O que acha de um bauru? – Sugeriu enquanto nos encaminhávamos para cozinha mantendo uma distancia segura entre nós.
– Hmm, ótima ideia! – Assenti.
– Então sente-se ali no balcão enquanto eu faço nosso lanche, ok? – Nós entramos pela cozinha e Klaus acendeu a luz.
– Ah, você vai cozinhar para mim? – Cruzei meus braços o provocando.
– Tecnicamente, sim! – Sorriu presunçoso.
– Isso eu realmente quero ver...
– Acho bom não me subestimar, senhorita, meu bauru é ótimo! – Sorriu abertamente para mim enquanto eu me sentava no balcão e ele pegava os ingredientes e o que era necessário para fazer nosso lanche.
Eu o assisti em silencio apenas sorrindo como uma boba enquanto ele se esforçava se concentrar em fazer seu bauru e não prestar a atenção em mim e meu corpo parcialmente coberto por uma camisola de seda preta. Eu conhecia Klaus bem demais para afirmar que ele estava incomodado com a situação, a carranca que se formava entre suas sobrancelhas e o beicinho delicado em seus lábios eram a prova daquilo, talvez ele também estivesse tão necessitado quanto eu, afinal, nunca tínhamos passado tanto tempo sem sexo antes.
Enquanto ele colocava os ingredientes no pão, tomei liberdade para olhá-lo como ele havia me olhado na sala. Klaus usava um típico pijama masculino; uma cueca boxer um pouco mais comprida que o habitual e uma camiseta larga mas que conseguia marcar seu físico bem definido. Meu olhar fez o caminho de seu corpo inteiro começando pelas suas panturrilhas e subindo pelas suas coxas musculosas, demorando um bom tempo em sua parte traseira que parecia ficar ainda mais tentadora com aquela boxer, e continuando pelo seu peitoral coberto. Minha mente fantasiou milhares de coisas ao olha-lo daquela maneira... Imaginei o quanto seria bom voltar a senti-lo nu contra mim, passear as mãos por aquele corpo, me entregar a ele. Eu o queria tanto...
Por estar tão absorta em meus pensamentos pecaminosos com o pai de minha filha, não percebi quando ele estava ao meu lado colocando na sanduicheira nossos pães.
– Pronto, agora só esperar um tempo... – Se colocou em minha frente, apoiando os braços no balcão em que estava sentada de modo que eu ficasse em meio a eles. – Então quer dizer que essa mocinha já está cobrando lanches noturnos da mamãe, sinto em te informar, mas ela vai nos dar trabalho...
– Nos dar trabalho? – Perguntei desconfiada e ele ergueu o olhar para mim.
– Sim, nos dar porque eu vou levantar também para te ajudar a cuidar dela.
– Você é perfeito, sabia disso? – Sussurrei abaixando o olhar sentindo-me envergonhada de admitir isso olhando em seus olhos. Eu não tinha coragem de encara-lo novamente e por isso o clima ficou pesado novamente, ele estava extremamente perto de mim e mesmo assim eu não erguia o olhar.
Sutilmente seu indicador tocou minha bochecha a acariciando e desceu para minha mandíbula fazendo minha pele arrepiar-se pelo contato delicado, instantaneamente minha respiração acelerou e eu fechei meus olhos aproveitando daquele carinho enquanto me perguntava se aquilo era um sonho ou algo do gênero. Klaus ergueu meu rosto pelo queixo e antes que eu pudesse abrir meus olhos para encará-lo, seus lábios macios encostaram-se aos meus em um beijo sutil.
Soltei um longo suspiro de rendição e deixei o arrependimento para depois, eu queria aquilo mais do que imaginava e não me importava o quanto sairia machucada se isso não fosse real... No momento em que entreabri meus lábios, a língua de Klaus veio de encontro a minha dando inicio a um beijo intenso e apaixonado. Suas mãos seguraram com força minha cintura me puxando mais para si e eu o encaixei no meio de minhas pernas abraçando seus quadris com elas enquanto levava minhas mãos, que estavam espalmadas em seu peitoral, para sua nuca, onde entrelacei seus cabelos em meus dedos o puxando mais para mim, intensificando mais o beijo.
Nossas línguas trocavam caricias intensas entre si como se uma massageasse a outra, e nós as imitávamos tocando deliberadamente nossos corpos e matando as saudades de todas aquelas sensações que nos inebriavam quando estávamos juntos. Os lábios de Klaus desceram para o meu pescoço salpicando beijos úmidos pelo local me fazendo ficar ainda mais ofegante do que já estava, uma de suas mãos desceu de minha cintura para minha coxa e ergueu minha camisola para que pudesse me tocar mais intimamente. À medida que sua mão subia pela minha coxa a apertando com vontade, seus lábios desciam pelo meu peito e seguiam para meu busto aproveitando o decote generoso do pijama que usava para atacar a parte descoberta de meus seios.
Era exatamente isso que eu queria; sua boca beijando cada cantinho de meu corpo e minhas mãos o tocando com vontade, mas ainda assim não era o suficiente, eu o queria grudado a mim, dentro de mim, matando aquele desejo insano que estava me perturbando há muito tempo. Quando Klaus estava subindo suas mãos pelas minhas coxas para retirar minha calcinha, a sanduicheira ao nosso lado apita dando um estralo ao avisar que nosso lanche já estava pronto.
Merda! Xinguei mentalmente aquela porcaria quando ele parou o que estávamos fazendo e se afastou de mim para pegar nossos baurus, como se nada tivesse acontecido.
– No ponto! – Klaus exclamou presunçoso ao colocar os pães em um prato. Frustrada, era assim que eu estava me sentindo. Nem se quer me lembrava da fome que me impedia de dormir e naquele momento a única coisa que me incomodava era o fato de não termos continuado com aquilo.
Desci do balcão e fui em direção a ele, em silencio peguei o prato que estava separado para mim e me sentei à mesa da cozinha enquanto Klaus pegava algo para beber na geladeira. O clima ficou pesado novamente, tinha uma tensão sexual misturada com desejo e frustração, eu sabia que não deveríamos ter feito aquilo mas estava tão bom que não tinha como parar...
Klaus me trouxe um copo com suco de laranja e eu comecei a comer em silencio sem olha-lo, ele fez o mesmo mas ao invés de se sentar a mesa comigo ficou encostado no balcão onde eu estava sentada.
Aquilo não estava certo, eu não podia continuar calada, precisava me impor...
– Então vai ser sempre assim agora? – Suspirei fundo, me levantei da mesa e fui até ele. – A vida inteira nós vamos ter essas sessões de amassos pelos cantos da casa que não nos rendem em nada a não ser uma enorme frustração?
– Caroline, eu não sei lidar com isso... É muita coisa para pensar! – Deixou seu lanche de lado e passou a mão em seus cabelos em um sinal de que estava nervoso.
– Muita coisa para pensar? — Repeti, não acreditando no que ele estava dizendo. — O que você acha que eu fiz a maior parte desse tempo? Ou melhor... O que eu — apontei para mim, e então me corrigi a tempo e lhe lancei um olhar duro — Aliás, nós somos para você?
– Caroline, antes você era minha diversão, a forma que eu tinha de aliviar a tensão, mas agora você me aparece grávida e mostrando-se uma pessoa completamente diferente do que eu pensava que fosse... Eu queria tanto poder te responder o que acho de nós, mas como posso te dizer algo quando não faço ideia do que se trata? – Meu estomago começou a revirar em um modo ruim, parecia que o pouco que havia comido estava prestes a voltar.
– Eu estou exausta de tentar te conquistar, de tentar te mostrar que eu te mereço mas parece que estou dando murro em ponta de faca... – Disse baixinho. — Isso cansa, sabe Klaus, eu não vou aguentar isso para sempre. Vai chegar uma hora que eu vou desistir de você e pode crer que no momento em que aparecer um homem me querendo de verdade, eu não vou pensar duas vezes em seguir em frente.
– E porque você ainda não fez isso?
– Simplesmente porque eu te amo, Klaus, e porque estou esperando um filho seu, não seria justo com outro homem eu querer que ele crie uma criança que não é dele. Mas se é assim que você quer, eu sigo em frente, amanha mesmo eu saio para procurar um emprego e te deixo em paz, juro que vou te deixar participar da vida de Claire mas não me peça para continuar aqui alimentando um sentimento que só me faz mal.
– Eu não quero que você vá... – Disse baixinho.
– Então me diga por que eu que devo ficar...
– Você deve ficar porque nós dois sabemos que você não nasceu para aquela vida que levava. Caroline, eu sabia que você era uma mulher diferente desde a primeira vez que eu te vi naquela boate. Você não nasceu para ficar apagada ou submissa ao lado de homem algum. Você é o tipo de mulher que um homem deve sentir o prazer de exibir ao seu lado.
– Então é isso que você acha de mim? Que eu sou mais um troféu bonitinho da sua estante de exibição?
– Não, eu acho que você é a mulher que qualquer homem desejaria ter ao seu lado. Mas eu não estou disposto a permitir que isso aconteça. Não quero a minha mulher ao lado de mais ninguém neste mundo. – Disse autoritário.
– Sua mulher, Klaus? Você deveria parar de brincar com as palavras principalmente quando não tem ideia do impacto que elas causam...
– Eu não estou brincando. Eu trouxe você para morar comigo, o que faz de você minha agora!
– Sua? Eu não sou uma mercadoria que você pode transportar para onde quiser!
– Sinto te informar, Caroline, mas agora você é minha.
Aquilo fora o suficiente para mim, meu estomago rodou mais uma vez não me deixando escolhas a não ser correr para o banheiro mais próximo e deixar na privada o pouco que havia comido. Não sabia dizer se o enjoo ocorrera por tensão do momento ou por causa da gravidez...
Enquanto eliminava tudo aquilo que estava me fazendo mal, senti duas mãos frias segurando minha testa e segurando meus cabelos para trás.
– Você não precisa ver isso...
– Mas eu quero, quero estar ao seu lado em tudo o que acontecer durando a gravidez. – Disse tentando me acalmar. – Está melhor? – Sem forças para encontrar minha voz, eu aceno a cabeça dizendo que sim e logo suas mãos me dão apoio para que eu conseguisse me levantar. – Outro dia conversamos, você precisa descansar, ok? – Disse enquanto eu me lavava na pia.
– Você se importa se eu for para o meu quarto? – Falei baixinho sem encará-lo.
– Não... Pode ir.
– Boa noite, Klaus... – Suspirei saindo do banheiro.
– Boa noite, Caroline.
Não sei o que eu tinha na cabeça ao pensar que um dia Klaus se apaixonaria por mim... Eu não era nada para ele, apenas um troféu, um prêmio como ele mesmo havia dito, e tinha que me contentar de que nunca passaria disso. Enquanto para mim ele significava tudo, para ele eu sempre seria uma mulher que ele gostava de exibir por ter levado para cama.
Após ter escovado os dentes para tirar o gosto amargo da boca, eu volto a me deitar deixando que as lágrimas quentes escorressem pelos meus olhos durante todo o restante da madrugada.
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