Soho Dolls
10 Capítulo 9 - The dinner
Notas iniciais
Já se passavam das sete horas e eu estava pronta há muito tempo... Ele estava atrasado.
Tinha começado a me arrumar cedo com medo de que não ficasse pronta no horário estipulado e ter que deixar Damon esperando até que eu me aprontasse, afinal era melhor eu esperar do que fazê-lo me esperar...
Estava sentada no sofá da sala com Vcki, Caroline e Marcos, fingindo que assistia Friends com eles, quando na verdade, enquanto eles não conseguiam parar de rir com uma cena da Phoebe e do Ross eu não conseguia desgrudar o olhar do relógio que ficava em minha frente.
Queria me mostrar indiferente enquanto a essa noite, mas não conseguia evitar sentir aquela maldita ansiedade que estava deixando meu estômago inquieto. Mas tinha que admitir que estava muito nervosa para reencontra-lo... Damon mexia comigo de uma maneira tão desconhecida que eu não sabia como lidar com as emoções novas que se apoderavam de mim, e esse jantar estava sendo mais especial do que deveria ser... Eu sabia que aquilo era só uma desculpa para que ele pudesse me levar a um motel depois, mas mesmo assim ainda estava esperançosa de que não fosse só isso...
Me levantei, inquieta, e fui para o lavabo me olhar a ultima vez no espelho e retocar a maquiagem. Na verdade, aquela era a quinta vez que eu ia até lá ver como eu estava então não tinha nada para ser retocado... Fitei minha imagem refletida pela ultima vez me perguntando se ele iria gostar de como eu estava, sim, muito patética.
Como não sabia para onde ele iria me levar, resolvi colocar um vestido que ficava um palmo acima do joelho e bem solto ao corpo, que não mostrava muito e que ficava vulgar, uma das coisas que não gostava de fazer era usar uma roupa que deixasse explicito que eu era uma prostituta, tudo bem que era isso que eu era, mas usar roupas curtas e justas para sair não era comigo, principalmente em uma ocasião como essa... O vestido era bege bem clarinho e de um ombro só, tinha uns detalhes em preto e na única alça uns paetês brilhosos pretos também e seu acabamento era estilo balonê. Combinei com um sapato de salto alto, preto, e Caroline fez uma trança lateral espinha de peixe em meu cabelo. Não carreguei muito na maquiagem, apenas marquei meu olhar com um traço fino de delineador, investi no rímel e no batom vermelho.
Suspirei... Ele estava demorando...
Sai do banheiro e quando estava prestes a me sentar de volta ao sofá quando o interfone toca fazendo meu coração disparar.
— Aleluia ele chegou! – Marcos reclamou. – Eu estava sentindo a sua ansiedade daqui, Elena!
— Verdade, parecia que você ia abrir um buraco no chão de tanto que ia para esse banheiro... – Caroline riu.
— Vocês são uns chatos! – Resmunguei. – Tchau! – Revirei os olhos e fui em direção à porta.
— Se divirta amiga, aproveita bastante, ok? – Carol deixou a brincadeira de lado e falou sorrindo meigamente para mim.
— Obrigada C. – Sorri. – Te amo, cuide bem do bebê ein! – Mandei um beijo para ela e sai de casa.
Damon me esperava no lado de fora do carro, com as mãos no bolso de sua calça jeans, olhando para o chão. Ao me ouvir chegando ele levanta a cabeça e sorri para mim. Meu coração que já estava acelerado antes ao ver o sorriso perfeito de Damon e aqueles lindos olhos azuis, pareceu que ele fosse saltar de meu peito. “Se mostre indiferente, Elena, indiferente...” Me lembrei.
— Boa noite, Doutor! – Esbocei um sorriso me controlando para não sorrir abertamente.
— Boa noite! – Sorriu de canto vindo até mim e beijando minha bochecha como mais cedo. Suspirei fundo inalando seu perfume masculino e tentando me controlar para não virar o rosto e beijar seus lábios... Mas quando estava prestes a fazer a me virar e fazer nossas bocas se encontrarem, ele se afastou e foi abrir a porta do carro para que eu entrasse. Suspirei frustrada por isso e passei por ele agradecendo seu cavalheirismo com um aceno de cabeça, me aconcheguei no enorme banco de couro bege de sua Land Rover e ele fechou a porta se dirigindo ao lado do motorista.
— E então, aonde vamos? – Quebrei o silencio que havia se formado no carro.
— Estava pensando em irmos ao Daniels... – Deu de ombros. – Já ouviu falar? – Assenti. Eu costumava a ir sempre aquele restaurante com Matt mas preferi não falar isso para Damon, não sei porque. – Acho que vai gostar...
— Tenho certeza que sim! – Assenti. – Espero ter me vestido de acordo... – Dei de ombros olhando para minha roupa.
— Você está perfeita! – Sorriu.
— Obrigada! – Suspirei.
O caminho da minha casa até Upper West Side foi rápido, mas um tanto desconfortável devido ao silencio constrangedor que permaneceu entre nós, Damon estava um tanto sério aquela noite, parecia pensar muito e mal me olhava durante o caminho inteiro. Algo o incomodava e isso não era legal...
Queria poder acariciar seus cabelos e perguntar o que estava havendo, mas não tínhamos intimidade o suficiente para isso... Provavelmente era alguma coisa com seu trabalho ou com Emily mas mesmo assim queria poder ajuda-lo. Ele estava tenso e era por isso que eu estava ali... Iria passar a noite inteira o relaxando, como já estava acostumada a fazer.
Revirei meus olhos mentalmente... Ele era igual a todos os outros... Mas lá no fundo mesmo eu não me importava tanto e o que me consolava era que iria tê-lo essa noite de novo para mim.
Damon estacionou o carro e então nós entramos no restaurante, ele havia feito reserva então rapidamente fomos guiados para nossas mesas. O restaurante estava do mesmo jeito que eu me lembrava... As cores das paredes, a iluminação, as mesas. Estava tudo igual, a não ser pela minha companhia.
Chegamos a nossa mesa, estudamos o cardápio, fizemos nosso pedido e então Damon me pediu licença para ir até o toilette. Fiquei por um tempo sozinha sentada, apenas esperando a volta de Damon, enquanto ele não vinha dei mais uma olhada pelo restaurante procurando algum rosto conhecido e ironicamente, em minha frente, aparece a primeira pessoa que eu nunca pensei que fosse encontrar ali; Matt.
— Elena? – Perguntou chegando perto de minha mesa.
— Matt! – Forcei um sorriso para cumprimenta-lo. – Quanto tempo... – Ele ficou parado ao meu lado esperando que eu me levantasse para conversar com ele, mas não fiz, não me importava o quão mal educado aquilo parecia, não fazia a mínima questão de ser gentil com ele.
— Pois é, desde... – “Sim, desde quando você me deu dinheiro para que eu sumisse com nosso filho...” Pensei. – E como está o... – Tentou continuar mas eu o interrompi.
— Não tem bebê, Matt... – Franzi o cenho, incomodada com o assunto. – Eu sofri um aborto espontâneo algumas semanas depois...
— Sinto muito... – Pigarreou e eu ri irônica.
— Não minta, eu sei que não sente! – Falei por fim. – Por onde esteve? – Mudei de assunto rapidamente.
— Um mês depois de que te dei o dinheiro para cuidar do bebê, fui embora para Londres, estou trabalhando em uma sede da empresa de meu pai que fica lá, vim aqui apenas para visitar minha família mesmo, amanha já pela manhã estou pegando um avião de volta...
— Que ótimo! – Forcei um sorriso querendo mostrar interesse.
— E você?
— Eu o que?
— Está aqui sozinha? – Olhou para a cadeira vazia em minha frente. Eu sabia muito bem aonde ele queria chegar e fiquei grata ao ver Damon de volta a mesa.
— Na verdade, não, estou com ele... – Apontei para o moreno que vinha em nossa direção.
— Tudo bem então... Eu já estava de saída mesmo.
— Boa noite! – Damon chegou e olhou Matt de cima a baixo não gostando muito de sua presença.
— Boa noite! – Estendeu a mão e eles se cumprimentaram com um aperto de mãos.
— Damon esse é Matt... – Apontei para o moço loiro ao meu lado. – Um antigo amigo. – “Na verdade ele era o pai do meu filho” Pensei. – E Matt esse é Damon... – Apontei para o meu moreno que estava tenso. – Um amigo, também! – Suspirei angustiada. Não sabia como apresentar meu atual cliente para um cliente antigo... Isso era algo que eu nunca tinha feito antes.
— Como vai, Damon? – Matt disse educadamente.
— Bem, obrigado! – Damon respondeu da mesma forma e com um sorriso um tanto forçado.
— Bom, já está na minha hora, boa noite para vocês e aproveitem bem o jantar! – Matt percebeu que não era bem vindo ali e então se despediu. Nós nos despedimos apenas com os olhos e então ele saiu. Damon se sentou a mesa novamente, se ajeitou na cadeira e se debruçou a mesa para começar a falar comigo.
— Ele é um...
— Era... – Respondi não deixando que ele terminasse a frase.
— Por que não é mais? – Perguntou interessado. “Pelo simples fato de que eu engravidei dele...” Pensei.
— Ele se mudou para Londres para trabalhar na empresa do pai, está aqui só de passagem. – Expliquei.
— Hummm... – Assentiu tomando um gole de seu vinho. Eu não queria mais aquele silencio entre nós, queria saber mais sobre a vida dele, queria ouvir um pouco mais sua voz aveludada... Fiquei por um tempo em silencio vasculhando minha cabeça um assunto para conversarmos.
— Quantos anos tem sua irmã? – Bingo!
— A sua idade! – Sorriu. – O nome dela é Annabelle e ela é arquiteta...
— Que legal! – Demonstrei interesse. – Ela e Emily parecem se dar bem, não é?
— Sim sim, parecem duas irmãs! – Sorriu carinhosamente. – Quando Emily nasceu, Anna tinha dez anos, minha filha virou uma boneca nas mãos da tia. – Riu divertido. – É ótimo essa relação das duas, Emms está em uma fase complicada, passando para a adolescência e ele precisa de uma mãe ou pelo menos uma mulher ao seu lado para ajuda-la com isso... – Suspirou. – E cá entre nós que falar com o pai sobre namoros, primeiro beijo, desabafar sobre os probleminhas dela não é algo muito legal... – Riu.
— Tenho certeza que você se sairia bem se não fosse por Anna! – Ri. – Mas imagino o quanto deve ser grato por sua irmã te ajudar e você não ter que dar conselhos sobre meninos para sua filha!
— Realmente! – Concordou ainda rindo. – Acho que se ela me contasse que deu o primeiro beijo, eu iria matricula-la em uma escola interna... – Fez cara de bravo.
— Wow, mas que pai mais durão e antiquado é esse? – Cruzei os braços o desafiando.
— Elena, imagine só, eu pai, ouvir de sua filha que um pirralho enfiou a língua na boca dela... – Revirou os olhos.
— Pobre Emily, Damon! – O repreendi. – Imagine quando ela perder a virgindade...
— Prefiro nem imaginar... – Fez uma careta carrancuda. – Ela sempre vai ser minha menininha, não consigo imagina-la fazendo essas coisas. – Negou com a cabeça. – É difícil ter que aceitar que ela está crescendo, hoje mesmo ela passou o dia no salão com a minha irmã, como se fosse uma moça mesmo... – Ele pareceu encolher-se com o pensamento. – Parece que foi ontem que eu a vi nascer, que eu troquei sua fralda, seus primeiros passos... Ela está crescendo tão rápido. – Se meu bebê tivesse nascido, teria mais ou menos uns três meses e eu poderia estar acompanhando todo seu progresso, cada conquista, cada aprendizado, assim como Damon acompanhou de Emily.
Suspirei fundo expulsando o pensamento de minha cabeça...
Nossos pedidos chegaram e nós comemos em silencio. Damon parecia mais tranquilo, estava relaxando aos poucos. Aquela preocupação e seriedade que havia visto no carro tinha ficado para trás e agora ele estava feliz, animado... Me agradava vê-lo assim, esse era o Damon que eu gostava, fazendo piadas, rindo, sorrindo, flertando... Ele deixava aquela imagem de homem sério, pai preocupado e poderia até me atrever em dizer que seus olhos adquiriam um brilho diferente do que quando o conheci. Ocasiões como esse jantar e o dia que nos encontramos no shopping, fazia eu me sentir um pouco mais normal, um pouco mais a altura dele, era como se eu deixasse de ser aquela fútil prostituta e passasse a ser uma mulher comum, que estava saindo com o homem que estava interessada...
Ele me fazia tão bem... Não tinha mais como negar.
Assim que comemos, Damon me surpreendeu com um delicioso petit gateau de sobremesa e depois de terminarmos de jantar, ficamos conversando só até a garrafa de vinho acabar. Damon pagou a conta e então me conduziu até onde o estacionamento.
— O que acha de uma volta no Central Park? – Perguntou ao se acomodar no banco do motorista.
— Agora? – Olhei no relógio digital do carro. – São nove da noite, Damon.
— Por favor, vai ser legal... – Insistiu olhando em meus olhos. – O parque é lindo a essa hora, todo iluminado, sem falar que está vazio e não tem aquelas crianças correndo de um lado para o outro. – Damon tinha um ótimo poder de persuasão... Era só ele olhar dentro de meus olhos que facilmente conseguir ter o que queria.
— Se você diz... – Suspirei me dando por vencida. Damon sorriu vitorioso e então deu partida no carro.
Ao contrario de nossa outra viagem, ele parecia mais relaxado, nosso jantar parecia ter o feito bem... O rádio estava ligado e ele cantarolava a música desafinadamente.
— Quando se tem uma filha pré-adolescente você aprende a gostar de umas coisas... – Fez uma careta carrancuda mostrando desgosto para a música quando percebeu que eu o admirava cantar. – Até dessas novas bandas de meninos com voz fina. – Revirou os olhos desligando o rádio.
— Você parecia estar gostando... – O provoquei e ele revirou os olhos novamente.
— Mês passado, fui obrigado a leva-la no show desses caras... – Franziu o cenho incomodado com a lembrança. – Acho que fiquei, tranquilamente, sem audição em meu ouvido esquerdo por uns bons dias! – Seu tom era pensativo e eu sorria debochada. – Nunca imaginei que as cordas vocais dessas garotas de doze anos fossem tão potentes... Você tinha que ver, elas pareciam animais selvagens. – Suas mãos deixaram o volante e Damon as balançavam tentando mostrar a bagunça do lugar. Sua comparação me fez rir alto principalmente por ter o imaginado mal humorado em um show no meio de inúmeras garotinhas enlouquecidas.
— Isso era algo que eu queria muito ter visto! – Continuei rindo.
— Não, não foi muito legal! – Balançou a cabeça negativamente. – Eu pensei que Emily fosse ter algum ataque do coração quando eles subiram no palco, ela chorava em desespero, berrava feito louca... Foi bem traumatizante! – Enfatizou o bem arregalando os olhos.
— Eu não a julgo... – Dei de ombros me lembrando de quando tinha a idade dela. – Aos doze anos eu era fissurada por Backstreet boys. – Dei de ombros. Damon soltou uma gargalhada estrondosa com a minha confissão e jogou a cabeça para trás tentando recuperar o folego. – Não ria seu insensível, você não sabe o como é legal ter um amor platônico.
— Sinceramente, estou imaginando uma mini Elena com blusa estampada, uma faixa na testa escrito “Backstreet Boys” e entrando em desespero e gritando por eles... – Continuou rindo.
— Bom, imaginou certinho! – Assumi. – Meu quarto era cheio de pôsteres, revistas... Tudo o que você possa imaginar.
— Então tenho uma ex-fã clube Backstreet boys em meu carro... – Seu lábios se reprimiram em uma linha fina e ele franziu as sobrancelhas. – Isso é uma relíquia...
— Damon! – O reprimi rindo e dando um tapa de leve em seu braço. – Era muito legal, minha mãe me apoiava demais... Me levava aos shows, comprava tudo da banda que eu queria, sabia até a letra das canções, acredita? – Sorri boba com a lembrança. Meu coração se contraiu de saudades, aquele tempo costumava a ser tão bom...
— Isso sim que eu queria ver... – Suspirou fundo controlando o riso.
O caminho até o Central Park foi divertido e quase não percebi quando Damon estacionou o carro quando chegamos. Descemos do carro e então começamos a andar pelo parque.
Damon tinha razão, aquele lugar ficava ainda mais bonito de noite. Era levemente escuro devido às árvores que cobriam parcialmente a iluminação dos prédios da avenida, mas alguns postes e focos luminosos não deixavam que tudo ficasse um breu total. Nós não erámos os únicos no local, havia poucos mendigos dormindo em bancos, casais apaixonados andando de mãos dadas e alguns se beijando... E tínhamos nós, algum tipo estranho de casal que andava sem rumo, um do lado do outro, ele com as mãos nos bolsos dos jeans e eu com os braços cruzados controlando a vontade de tirar sua mão do bolso para entrelaçar seus dedos com os meus.
Damon soltou um longo suspiro e então começou a falar.
— Eu realmente gostaria que você me falasse mais sobre você... – Aquela era a terceira vez que Damon me pedia para falar sobre mim, nas vezes anteriores consegui o passar a perna e omitir vários fatos de minha historia, mas agora, tinha certeza que algumas coisas iriam sair.
— Falar o que? Você já sabe meu nome verdadeiro, minha idade, sabe onde trabalho, conhece meu quarto, minha casa, meus amigos, sabe que sou órfã e que comecei a me prostituir com dezesseis anos... – Dei de ombros. – O que mais quer saber?
— Seu sobrenome, que tal?
— Damon, meu sobrenome não é tão importante, não vim de família rica então ele não diz nada sobre mim... – Dei de ombros.
— Mas mesmo assim, não perguntei com o intuito de investigar seus antepassados, Lena. – Riu.
— Gilbert... Elena Gilbert. – Disso por fim.
— É daqui Senhorita Gilbert?
— Nova Iorquina nata! – Sorri assentindo. – Morava em uma casa no Chelsea quando meus pais eram vivos ainda, estudava em uma escola publica de lá e vivia uma vida tranquila como qualquer outra garota com menos de dezesseis anos...
— Então... – Me incentivou para que eu continuasse.
— Então em um belo dia eles tiveram que fazer uma viagem de negócios até Nova Jérsei, era uma viagem curta e sem muita importância, eles foram em um dia e iriam voltar no outro... Na ida ocorreu tudo bem, a viagem foi tranquila, segundo minha mãe, mas então na noite que eles iriam voltar o tempo fechou e eles estavam já na estrada quando o maior temporal começou. – Meus olhos começaram a arder e eu os revirava evitando que as lagrimas descessem. – Eles estavam demorando demais e eu já estava ficando preocupada... – Suspirei. – Já passava da meia noite quando o hospital me ligou dizendo que meus pais estavam internados e em estado grave por terem sofrido um acidente de carro. – Eu lembrava exatamente do desespero que senti no momento, o aperto no peito, o sentimento da perda, tudo... – Não me importei que fosse tarde de mais e fui sozinha até o hospital, não era muito longe então fui a pe mesmo... – Damon ouvia minha historia sem nem interferir, queria analisar sua expressão enquanto eu falava mas não tinha coragem de virar meu rosto e encara-lo, não queria que ele me visse tão abatida. – Cheguei em tempo recorde no lugar e assim que encontrei com o médico responsável pelos meus pais, ele me disse que eu havia chegado tarde demais e que meus pais não tinham sobrevivido... – Duas lágrimas teimosas escorreram meu rosto e rapidamente eu as sequei.
— E o que você fez?
— Voltei para casa, arrasada... Passei um dia inteiro chorando em minha cama, completamente sozinha... Só sai de casa para ir ao velório e o enterro deles. – Dei de ombros. – Depois que cobriram completamente o tumulo deles com terra, eu fugi, não aguentava mais meus parentes dizendo que sentiam muito e que eu iria superar isso... Eles poderiam muito bem ter ido me oferecer ajuda, me dar abrigo, mas nenhum se mostrou prestativo. – Ri magoada. – Mas enfim, quando pensei que tinha me livrado daquilo tudo, o advogado da família me achou e me deu a péssima noticia de que meus pais tinham deixado uma bela de uma divida em nosso nome... – Revirei os olhos. – Felizmente a divida não passou para mim e meu nome está limpo, mas para isso, foi preciso que eles tirassem todos os nossos bens, incluindo as joias de valor de minha mãe, minha popança, herança, cada centavo que tínhamos no banco e nossa casa... – Enfatizei o “e”.
— E foi ai que você começou a se prostituir... – Assenti.
— Quando recebi a noticia de que estava na miséria, a primeira coisa que fiz, depois de ter pensado seriamente em me matar, foi procurar um emprego... Não faço a mínima ideia por onde eu andei aquele dia, implorei por abrigo e trabalho em todos os locais possíveis e imagináveis dessa cidade, mas ninguém me aceitou.
— E como chegou a SoHo Dolls?
— Não cheguei, ela chegou até mim. – Sorri divertida finalmente tomando coragem para olha-lo. – Meredith me encontrou de madrugada jogada na rua e então me fez a proposta...
— E você aceitou de primeira?
— Não! – Disse de imediato. – Ela me deu um prazo de uma semana para que eu pensasse... – Expliquei. – Damon, eu não tinha nada e ninguém, se não tivesse aceitado, não estaria aqui para contar historia... Sem opções, aceitei a proposta dela e no mesmo momento comecei a trabalhar. – Dei de ombros. – Fim de historia.
— Mas não entendo como ninguém mostrou solidariedade? Nenhum amigo? Familiar? – Falou inconformado.
— Minha família é muito pequena, meus avós por parte de pai morreram quando eu era criança e os maternos nem se quer prestaram ajuda... Meu pai era filho único e minha mãe tinha uma irmã que fugiu de casa aos dezessete anos, nunca mais falei com ela desde o ultimo natal que passei em família. – Dei de ombros.
— E a escola?
— Eu continuei estudando, não iria trancar os estudos por causa da prostituição... Consegui manter meu segredo até o fim do terceiro ano e para minha sorte, só descobriram minha vida noturna no meu ultimo mês de aula.
— E qual foi a reação de seus colegas?
— A pior possível... – Franzi o cenho. – Todos se afastaram de mim, meus professores me tratavam com repulsa e se não estivesse no ultimo mês de aula, teria sido expulsa da escola, os pais não concordavam que seus filhos estudassem com uma prostitua e foi a maior vergonha quando eles praticamente fizeram um baixo assinado para que me tirassem da escola. – Foi horrível... Aquela foi um dos piores dias de minha vida. As pessoas me xingavam de tudo quanto era nome, me tratavam como lixo, como se eu não tivesse sentimentos, era como se eu fosse uma pedra, um animal... Eu tentava parecer indiferente na hora, apenas revirava os olhos e continuava andando, mas quando chegava em casa, me trancava no banheiro e passava horas e horas chorando, magoada pelas palavras duras das pessoas...
— Que ridículo! – Damon sibilou.
— Damon, duvido que você não faça o mesmo se descobrisse que na sala de Emily estudava uma prostituta, de apenas dezessete anos...
— Talvez... – Suspirou derrotado. – Mas isso antes de te conhecer. – Sorri.
— Mudei sua visão sobre prostituição? – Me virei de frente para ele cruzando o fazendo parar de caminhar.
— Devo admitir que sim! – Concordou sorrindo. – Caso isso acontecesse, eu iria tentar entender o lado da menina, ela poderia se prostituir porque não tinha opção e não porque não gosta. – Não consegui evitar sorrir com sua resposta. – Desculpe por ter feito você tocar nesse assunto... Deve ter sido bem difícil...– Chegou perto de mim e passou o braço pela minha cintura me puxando para si e com a outra mão pegou meu rosto, fazendo carinho em minhas bochechas com o polegar.
— Tudo bem! Eu superei, apesar de não ter tido um baile de formatura e ter que aguentar os garotos da escola com nojo de mim... – Dei de ombros. – Agora você sabe um pouco mais sobre minha vida... Não era isso que queria? – Ele assentiu.
— Você já se apaixonou, Elena? – Perguntou sério e eu mordi meu lábio balançando a cabeça negativamente. – Mesmo com todos esses caras que você se relaciona? — Me entristecia saber que ele pensava desse jeito... Sexo não era tudo... Na verdade, o sexo que eu fazia não era nada, era apenas uma fonte de prazer, algo frio e sem sentimentos. Era algo ruim e que banalizava o ato que significava entrega, paixão...
— Damon, é preciso muito mais que sexo para formar um sentimento forte como o amor... Para mim o amor viria primeiro e o sexo em consequência. – Dei de ombros. – Eu nunca me apaixonei e nunca vou me apaixonar, disso tenho certeza. Amor não é algo para alguém como eu e seria masoquismo de minha parte deixar se envolver com algum homem que frequenta a SoHo Dolls. – Ele ficou sem resposta, nós apenas nos olhávamos intensamente sem saber o que falar.
Um vento gelado passou no parque e eu me encolhi sentindo um pouco de frio.
— Você está gelada. – Damon passou a mão quente em meu braço, esfregando minha pele, deixando meu corpo instantaneamente em chamas. – Pegue minha jaqueta... – Se afastou e tirou a jaqueta de couro preta que usava e colocou sob meus ombros.
— Não precisa, Damon... – Segurei seus pulsos o impedindo de me cobrir.
— Eu insisto. – Ajeitou a jaqueta em minha e arrumou a gola.
Nós estávamos muito perto e quando ele se mexia, seu perfume delicioso exalava entre nós e eu me inebriava com ele. Eu conseguia sentir o calor de seu corpo, seus músculos sob a fina camiseta justa que ele usava. Isso era uma tortura... Aquele tinha sido o nosso primeiro contato na noite, eu ansiei por aquilo desde o momento que havia o visto, queria senti-lo contra mim, seus braços e suas mãos em minha cintura...
Eu não aguentava mais, precisava de seus lábios nos meus por pelo menos uma vez naquele nosso encontro, se é que aquilo tinha mesmo sido um encontro...
Damon tentou voltar a andar mas eu impedi, segurei seus braços e o segurei pela nuca o puxando para um beijo. Nossos lábios se tocaram, e sem que precisássemos pedir brecha com a língua entre os lábios do outro, começamos a nos beijar. Nossas línguas se encontraram me causando um alivio e um delicioso arrepio em meu corpo.
Damon abraçou minha cintura e me puxou para si aumentando nosso contato e intensificando nosso beijo. Nossos lábios se moviam com delicadeza e nosso beijo era carinhoso e ao mesmo tempo apaixonado... Eu gostava daquilo, não tinha aquela urgência de quando nos beijávamos no programa e eu conseguia curtir a textura de seus lábios e aproveitar a sensação deliciosa de ter sua língua se movendo com a minha.
Eu me agarrava com mais força a ele, sentindo meu corpo começar a entrar em chamas e ele fazia o mesmo comigo, uma de suas mãos estava firme em minha cintura enquanto a outra ia para minhas costas me fazendo estremecer com o toque. Desci minha mão que estava em sua nuca e fui para seu peitoral o acariciando por cima da camisa sentindo seus músculos enrijecerem sob meu toque.
A jaqueta que estava em meus ombros acabou caindo no chão e outra rajada de vento gelada fez nos separar. Damon pegou o casaco do chão e colocou sobre mim novamente e abraçou minha cintura.
— Acho que precisamos ir embora... – Suspirei.
— E quem disse que a nossa noite acabou? – Um sorriso malicioso surgiu nos lábios de Damon e eu entendi o que ele queria... Devolvi o sorriso e nos voltamos para o carro.
Em menos de três quadras, Damon parou o carro e nós descemos, ele deu as chaves para um senhor com roupas propicias de um motorista, que ficava do lado de fora do prédio, debaixo de um enorme toldo verde e nós entramos no hall do prédio.
O lugar era luxuoso, deslumbrante... Havia espelhos por toda a parte, flores brancas, sofás e tapetes felpudos. Sem duvida, muito exagerado para apenas um saguão...
Entramos em um elevador grande, com espelhos também e paredes douradas com vermelho e Damon apertou o ultimo botão abraçou minha cintura assim que a porta se fechou. Era obvio que ele morava na cobertura...
Depois de um tempo em silencio o elevador finalmente parou e as portas se abriram em uma sala de estar enorme e perfeita. Ele fez um gesto para que eu saísse primeiro e hesitante eu fiz.
Wow, sua casa era algo surreal... Parecia algo de filme, televisão...
A sala era enorme e tinha dois sofás igualmente grandes e confortáveis, na parede tinha uma televisão de plasma de pelo menos setenta e duas polegadas e um home theater de ultima geração. A decoração era sofisticada, nas paredes havia quadros e espelhos, tudo muito bem planejado. Um pouco distante da televisão e sofás tinha uma enorme mesa de jantar de vidro que acompanhava um jogo de doze cadeiras grandes e almofadadas.
— Casa legal... – Falei quebrando o silencio.
— Que bom que gostou... – Suspirou orgulhoso.
— Imagino que deva ter escolhido a melhor decoradora da cidade para fazer isso...
— Na verdade, cada detalhe disso aqui, quem escolheu foi Katherine. – Deu de ombros. Ah, obvio... Revirei os olhos mentalmente.
— Muito bom gosto... – Assenti andando pelo lugar. Cheguei a uma mesa, também de vidro e bem comprida, onde estava coberta por porta retratos. A maioria das fotos era de uma garotinha de olhos azuis e cabelos castanhos, quase loiros, Emily presumi, e de uma mulher deslumbrante, com cabelos loiros e compridos e de olhos verdes oliva, Katherine provavelmente. – Essa é sua filha? – Apontei para uma foto onde a garotinha estava vestida de médica e com um estetoscópio no pescoço.
— Sim... – Sorriu orgulhoso. – E essa aqui é a mãe dela... – Apontou para uma foto ao lado onde Katherine estava vestida de noiva segurando um buquê de rosas.
— Muito bonita ela... – Admiti.
— E essa aqui é Annabelle, minha irmã, com Emily... – Pegou um porta retrato e me mostrou a foto. Emily estava no colo de Anna, uma moça de cabelos negros, estatura pequena e pele bem branca, assim como a de Damon, ela vestia uma beca e uma borla, com uma mão segurava aqueles canudos de formatura e com a outra mantinha a sobrinha, já grande, em seu quadril.
— Ela lembra muito você... – Coloquei o porta retrato sobre a mesa, ao lado de uma foto onde que fez meu coração apertar. Era Katherine, Damon e Emily, recém-nascida e ainda um pouco suja, enrolada em uma manta rosa da maternidade, nos braços da mãe. Era aquela típica foto que os casais tiravam logo após do parto em que a mulher estava exausta de tanto fazer força e o homem com os olhos inchados de tanto chorar... Por tanto tempo imaginei ter uma foto assim, mas nunca pude tirá-la já que meu bebê nunca nasceu...
— Quer beber alguma coisa? – Perguntou me tirando do devaneio. – Tenho uísque, vodca, rum, gim, martini... – Apontou para um bar perfeito que até então não tinha notado.
— Não obrigada... – Sorri. – Não estou acostumada a beber tanto assim, o vinho do jantar foi o suficiente.
— Nem uma água? Suco?
— Estou bem, obrigada! – Balancei a cabeça. Joguei aquele momento nostalgia para o lado e então entrei no clima que ele queria.
— Mas me diga uma coisa, Doutor... – Sorri perversa chegando perto dele. – Como você tem um bar em sua casa quando se tem uma criança de doze anos morando aqui... – Coloquei meus braços ao redor de seu pescoço.
— Sabe que eu nunca parei para pensar nisso... – Franziu o cenho e colocou as mãos em minha cintura. – Mas tenho certeza de que Emily nunca iria provar uma gota de álcool, ela é bem responsável e sabe que eu tenho de cor a quantidade de cada bebida nesse bar, então... – Deu de ombros.
— Muito esperto, huh? – Rocei nossos lábios.
— Você não sabe o quanto... – Sussurrou. Suas mãos apertaram com mais força minha cintura e ele me virou de costas para si.
Sua boca se aproximou de meu pescoço e eu senti seu hálito pinicar o pé de minha orelha. Damon começou a beijar a região, começando por trás de minha orelha e mordendo meu lóbulo. Seus lábios selavam beijos demorados pela minha pele e sua língua traçava um caminho sem muito sentindo fazendo movimentos circulares pelo local. Um arrepio percorreu minha espinha e meu corpo de entorpeceu em seus braços, deitei minha cabeça em seu ombro e ele aproveitou o espeço que cedi para continuar com suas torturas.
Minhas pernas começaram a ficar bambas e eu estava perdendo as forças para ficar de pé. Estava totalmente entregue a ele com apenas aqueles míseros beijos em meu pescoço, meu corpo inteiro estava em chamas, novamente, e minha mente ficou em branco, apenas aproveitando as sensações que ele me causava.
Damon começou a explorar meu corpo com as mãos, passou pela minha barriga e subiu para os meus seios que estavam desprovidos de sutiã, os acariciou por cima do vestido brincando com meus mamilos sobre o tecido. Soltei um gemido baixo, mordendo os lábios e fechando os olhos de prazer.
Ele continuou descendo, passou pela minha barriga e foi para meu quadril, levantou meu vestido e apalpou minhas coxas e minhas nádegas. Sua mão subiu por debaixo de minha roupa, voltou para minha barriga e continuou descendo em direção a minha intimidade.
Eu sentia que minha pele formigar por todo lugar que ele passou com a mão, um desejo avassalador tomou conta de minha mente e de meu corpo de uma forma que nunca em nenhuma outra transa isso havia acontecido. Enquanto suas mãos faziam um tour pelo meu corpo, ele ainda beijava meu pescoço me deixando ainda mais enlouquecida de tesão.
Damon guiou seus dedos por dentro de minha calcinha e de imediato me senti umedecer. Aquele desejo descomunal chegava a ser dolorido de sentir, minha intimidade se comprimia, latejava de vontade de Damon, era frustrante sentir aquilo... Ah como eu o queria...
Um gemido de prazer saiu de minha garganta quando senti dois dedos de meu moreno em meu sexo, me estimulando com vontade. Por instinto entreabri mais minhas pernas e arqueei meu quadril em sua mão o ajudando a ir mais e mais rápido. Eu mordia meus lábios e gemia baixinho por aquilo, mantinha uma mão em sua coxa a apertando com força, descontando meu prazer naqueles músculos enquanto delirava com sua caricia. Com a mão agarrei seu pulso tentando guiar seus movimentos, que tinham voltado a ficar lentos demais, mas quando estava quase atingindo meu ápice, Damon retirou sua mão de mim e me empurrou até a parede mais próxima.
— Por que parou? Estava quase lá... – Resmunguei frustrada.
— Você é muito apressada querida... – Sorriu malicioso e atacou meus lábios. Nosso beijo começou avido e urgente, a paixão e carinho tinha ficado de lado e agora o que nos guiava era o desejo, como sempre.
Damon roçou seu sexo contra o meu me fazendo gemer contra seus lábios, me contorci de tesão e desejo novamente e coloquei uma perna em seu quadril de modo que aquela deliciosa proximidade fosse constante. Ele acariciou minha coxa a apertando com força e manteve a mão ali, me ajudando a deixar minha perna erguida para que nosso contato não diminuísse.
Eu não estava mais simplesmente úmida, aquele contato me deixou molhada, encharcada e conseguia sentir isso no tecido fino de minha calcinha.
Meu moreno voltou com a boca para meu pescoço e com a mão livre desceu a única alça de meu vestido fazendo a parte de cima cair e ele ficar preso abaixo de meu busto devido a um elástico que tinha ali, meus seios saltaram para fora e Damon desceu os beijos até eles. Sua língua quente e úmida passou pelo vale entre meus seios e seguiu para o lado direito, circulou minhas aureolas com a pontinha da língua e então sugou meu mamilo com força, brincando com ele dentro da boca.
Minha cabeça caiu para trás apoiada na parede e eu ainda gemia baixinho mas continuamente. Prendi uma mão em seu ombro e outra em sua nuca, acariciando seus cabelos e os puxando incentivando a continuar e agradecendo pelo prazer. Segurando seu ombro eu conseguia estabilidade e me segurava em seu corpo para que eu pudesse rebolar em seu membro tentando diminuir um pouco aquele desejo que doía em minha intimidade.
— Damon... – Gemi seu nome, extasiada. Ele sorriu contra meus seios e mordeu meu mamilo com delicadeza o puxando para si. – Aaaah... – Joguei minha cabeça para trás novamente e mordendo meu lábio.
Ele parou o que estava fazendo e então me pressionou mais contra a parede, levantei minha outra perna e abracei sua cintura com ela. Suas mãos seguraram minhas coxas e então ele nos guiou por um enorme corredor me beijando o trajeto inteiro.
Meu corpo afundou em uma enorme e macia cama e ele se colocou no meio de minhas pernas. Me sentei, ficando na mesma altura que ele, e voltei a beijá-lo com o mesmo fervor que antes.
Comecei a mover minhas mãos, que estavam um tanto quietas aquela noite, desci pelo seu peitoral e fui até a barra de sua blusa a levantando e retirando por completo com sua ajuda. Segurei seus ombros largos e desci pelos seus braços musculosos, senti seus bíceps e tríceps se contraírem com meu toque e aprovei disso para aperta-los com força. Voltei para seu peitoral o arranhando pelo caminho e segui para seu abdômen, tocando seus músculos bem definidos com a pontinha dos dedos. Damon me jogou na cama e ficou de pé para se livrar de seu jeans, já um tanto apertado devido a sua ereção, e eu apoiei meu corpo nos cotovelos para assisti-lo.
Ele sorriu malicioso para mim e ainda de pé, tirou meu vestido por completo, me deixando apenas de calcinha. Assim que estava nua, seu corpo musculoso se deitou em cima ao meu e antes que eu pudesse aproveitar da deliciosa sensação de tê-lo nu sobre meu corpo, ele começou a encher meu corpo de beijos. Passou pelos meus seios, novamente, e ao invés de dar atenção a eles continuou a descer, passou pela minha barriga e contornou meu umbigo com a língua me fazendo suspirar.
Seus dedos se engancharam nas laterais de minha calcinha e então a abaixou, o ajudei a retirar a peça totalmente e ele flexionou meus joelhos os afastando e o deixando com uma visão favorecida de minha intimidade. Damon voltou a beijar minha barriga, refazendo aquele caminho de antes e então desceu direto para minha intimidade.
Sua boca quente e úmida tocou meu sexo e eu urrei de prazer, sua língua começou a explorar cada parte de minha intimidade e fazer movimentos circulares em volta de meu clitóris. Meus olhos reviravam de prazer e eu só conseguia gemer feito louca e agarrar os lençóis brancos e macios em baixo de mim. Ele passava a língua ao redor de minha entrada me causando um prazer imensurável.
— Elena, você tem que me dizer se está gostando ou não... – Ergueu a cabeça para me olhar. Isso era golpe baixo, ele estava revidando o que eu tinha feito com ele em nossa ultima noite. – Se você não me disser se gosta ou não, vou ter que parar... – Sorriu divertido. Eu precisava sentir sua boca quente novamente, sua língua habilidosa me explorando, ele não podia parar, não até eu chegar ao meu orgasmo.
— Por favor, Damon, eu te imploro, não para... – Minha voz era intercortada e ofegante. Ele sorriu e voltou a fazer o que tinha parado.
Meu clímax estava perto, muito perto, já conseguia sentir os indícios daquele frenesi que iria tomar meu corpo. Tentei evitar o máximo aquilo mas quando senti Damon puxar meu clitóris entre dentes, aquela onda de calor tomou conta de meu ventre e da região abaixo dele fazendo meu orgasmo escorrer pela minha intimidade.
Céu, Damon havia me apresentado o céu com aquilo. Eu tinha, literalmente, ido ao paraíso... Sua língua quente havia me mostrado um prazer enorme que até então não conhecia. Não conseguia explicar o quanto aquilo era bom...
Enquanto eu tentava me recompor daquele orgasmo, Damon se levantou e voltou com uma camisinha nas mãos, retirou sua boxer e se deitou em cima de mim.
Ainda ofegante, levei minhas mãos até sua nuca e o puxei ao meu encontro. Nossas bocas se tocaram novamente e minha língua pediu brecha em seus lábios. Assim que a passagem foi concedida, começamos um beijo intenso e apaixonado. Nossas línguas se acariciavam como se fossem nossos corpos colados quando transávamos e aquele desejo voltou a surgir em mim tão avassalador como antes.
— Damon, eu quero você... – Sussurrei em seu ouvido enquanto descia meus beijos para o seu pescoço o torturando o ele havia feito comigo. Arqueei meu quadril de encontro ao dele, roçando nossas intimidades para excita-lo um pouco mais.
Argh como aquilo era bom apesar de muito errado, aquele contato pele com pele, sem ter a camisinha em nosso caminho. Eu sentia sua maciez rígida contra mim e consegui ver, pela sua reação, que ele havia gostado também de me sentir quente e crua contra ele.
Tateei o preservativo ao lado da cama antes que fizemos alguma besteira e o abri rapidamente. Damon se apoiou na cama com os braços fazendo com que tivesse espaço o suficiente entre nossos corpos para que eu o cobrisse com aquele látex lubrificado.
Assim que estava devidamente protegido, ele abriu mais minhas pernas se aconchegando entre elas e me penetrou. Nós dois gememos alto aliviados com aquilo e sem esperar muito tempo Damon começou a se mover profundamente dentro de mim, saindo por completo e então voltando de uma só vez.
Sem aguentar aquela tortura, abracei sua cintura com as pernas, limitando seus movimentos, e comecei a mover meu quadril junto com ele, aumentando a velocidade das investidas e a profundidade delas quando nossos quadris se chocavam.
Voltei a explorar seu corpo com as minhas mãos, só que ao invés de ser delicada, deixei as marcas das minhas unhas pelas suas costas e ombros enquanto ele beijava e mordia meu pescoço descontando seu prazer ali.
O sentir sair e entrar de dentro de mim era a melhor sensação que já experimentei, era diferente de todas as vezes que eu fui para cama com outro homem, era muito mais prazeroso e intenso, nos braços dele eu me sentia uma virgem que estava acabando de conhecer o sexo... Na verdade, de uma certa forma era isso que estava acontecendo, ninguém antes havia me tratado da forma que Damon fizera essa noite e eu nunca sentira coisas tão intensas como quando estava com ele... Matt costumava a dedicar algumas noites para me dar prazer, mas aquilo não chegava nem na metade do que aquele moreno estava me causando.
— Mais rápido... – Pedi em meio a gemidos... – Mais forte...
— Mais? – Encostou nossas testas sem parar de se mover e eu assenti. – Não quero te machucar, longe disso...
— Por favor... – Implorei. Damon assentiu e satisfez meu pedido...
Nossos corpos caíram exaustos no colchão, um do lado do outro, suados e ofegantes depois de um orgasmo avassalador que conseguimos chegar juntos, em perfeita sincronia.
Damon puxou o lençol bagunçado de debaixo dos nossos corpos e me cobriu enquanto eu tentava normalizar minha respiração. Fui dominada por aquele cansaço que fazia meu corpo inteiro relaxar, cada musculo virar gelatina e dessa vez não consegui controlar minhas pálpebras que começaram a ficar pesadas demais para que eu aguentasse mantê-las erguidas, meus olhos arderam e eu os fechei, me aconchegando melhor na cama deliciosa de Damon e rapidamente adormeci com ele ao meu lado...
Meu sono foi tranquilo e reparador, dormi a noite inteira em uma posição, de bruços. Me movi lentamente na cama, me espreguiçando e quando me dei conta, Damon ainda dormia pesado ao meu lado. Merda... Dormi na cama de Damon, como me deixei fazer isso? Não costumava a dormir na casa de nenhum cliente e por mais que fosse madrugada, eu ia embora depois de ter feito meu trabalho, só que dessa vez o cansaço tinha sido maior e não consegui evitar...
Suspirei fundo e admirei o homem lindo que dormia ao meu lado. Damon estava com uma expressão serena, com os lábios entreabertos e o rosto relaxado... Fiquei por um bom tempo ali contemplando sua beleza e controlando a imensa vontade que me deu de encher seu peitoral nu de beijos e chegar até seus lábios para acorda-lo... Nós não tínhamos intimidade para isso, nunca iriamos ter, tinha que me contentar com esse fato.
Suspirei frustrada e me levantei em silencio para que ele não acordasse. Juntei minhas roupas do chão e então segui para o banheiro. Fiz minha higiene, arrumei meus cabelos, me vesti e sai do quarto.
Damon ainda dormia tranquilamente, na mesma posição... Olhei o relógio de cabeceira; 9:45. Eu precisava ir embora, antes que Annabelle chegasse com Emily e me encontrasse ali.
Suspirei mais uma vez frustrada sentindo meu peito despedaçar por ter que deixa-lo... Eu queria ficar ali com ele, dormindo em seus braços, queria acorda-lo com beijos, fazer amor de novo e então tomarmos café da manha juntos... Ah, doce ilusão...
Balancei minha cabeça e sai do quarto nas pontas dos pés para que meu salto não fizesse barulho. Passei pelo enorme corredor e cheguei à sala, segui para o elevador e então fui embora.
Eu nunca seria mulher o suficiente para Damon, tinha que me contentar com isso... E ele nunca iria me querer da forma que eu estava o querendo no momento, era evidente que nossa relação só era sexo, por mais triste que isso me deixasse, eu tinha também que me contentar com isso.
Peguei o primeiro táxi que apareceu na rua e fui para casa sentindo meu coração se despedaçar em mil pedaços.
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