Soho Dolls

44 Capítulo 43 - Oh no, please, not again


Notas iniciais
heeey pessoal, mil perdoes pela demora, mas minha tendinite linda atacou e eu tive que fazer um pouco de repouso, porem estou aqui (: Quero agradecer a bruna, leticia silva e a val pelas recomendações, eu amei amores, muit obrigada, de verdade s2 AAAH LEIAM AS NOTAS FINAIS, É MT IMPORTANTE hehe ps; pfvr não me matem, pfvr pfvr.

Inferno, minha vida estava literalmente um inferno. A cada dia que passava era algo que desmoronava e meu carrinho da montanha russa estava descendo lentamente do topo. Se o intuito de Annabelle era causar transtorno, ela tinha sido muito bem sucedida.

Emily mal falava comigo e sequer me olhava, aquele trajeto escola-quarto-quarto-escola havia se tornado rotineiro novamente e nós não trocávamos mais de dez palavras no dia, nada mais que o essencial. Eu tentava me reaproximar, mas ela era resistente demais e não cedia nem aos mimos que Jenna me aconselhava a fazer para ela. Emily parecia estar muito magoada e decepcionada e eu ficava me perguntando o que Bonnie havia contado a Jeremy sobre mim que ele repassara para Emily e Annabelle a ponto de ter criado tamanho alvoroço.

Minha relação com Damon era outra que havia sido afetada com tudo que acontecera... Depois de termos discutido sobre o que eu havia dito a Annabelle, nossa relação regredia aos poucos todo o que havíamos progredido naqueles meses e além de termos voltado a discutir com frequência por besteira, estávamos frios um com outro e nos evitando ao máximo, tanto fisicamente quando verbalmente.


A única naquele apartamento que havia se mostrado compreensível, era Jenna. Com tudo o que acontecera, eu não tive escolhas a não ser contar a ela sobre meu passado e por incrível que pareça, ela aceitou bem aquele fato. De inicio sua reação foi um tanto hesitante, mas eu contei o que realmente me aconteceu e os motivos que me levaram a me prostituir e ela cedeu, confessando que desconfiava de algo parecido sobre mim. Nós conversamos abertamente sobre o assunto, ela me fazia perguntas e eu respondia com sinceridade e assim nós passamos quase uma tarde inteira conversando. Para minha sorte, ela não mudara nem um pouco comigo depois de saber a verdade e ainda me consolava com tudo o que estava acontecendo. Jenna, definitivamente, era um anjo e eu era grata por ela existir porque senão, eu estaria perdida com toda aquela situação.

O ocorrido com Annabelle fora o estopim, o empurrãozinho que o carrinho da montanha russa precisava para começar a descer e eu tinha consciência de que aquilo era apenas o inicio, que muitas coisas ruins iriam vir... O que “melhorava” o clima pesado e deixava convivência um pouco mais fácil, era o fato de eu já ter começado a trabalhar e que a maior parte do dia eu passava na loja trabalhando. Não que eu quisesse fugir dos problemas, mas essa fora uma forma que eu encontrara de me refugiar e evitar mais confusões e desavenças.

Já fazia mais de quinze dias que eu havia começado a trabalhar na loja de Cristina e não conseguia estar mais feliz com isso. Confesso que era um trabalho cansativo, principalmente por eu estar grávida, mas não chegava perto de como era quando eu trabalhava na boate a noite inteira, até porque na loja estava sendo algo prazeroso para mim e com isso se tornava bem menos desgastante, ao contrario do que acontecia em SoHo Dolls. Cristina e os clientes pareciam gostar de mim e eu estava cada vez mais convicta de que seguiria o ramo da moda na faculdade assim que possível.

No meio de tudo o que estava acontecendo eu ainda tinha mais um ponto positivo em minha vida além do trabalho; minha gravidez. Minha gestação estava ótima e aquele pontinho miúdo que crescia em meu ventre era o motivo pelo qual sorria todos os dias. Eu já estava com treze semanas de gestação e mesmo que meus quadris já estivessem um tanto mais largo, eu ainda não aparentava estar carregando um bebê em meu ventre, sabia que era em questão de pouco tempo até que minha barriga começasse a crescer me obrigando a contar sobre a gravidez a minha chefe, mas, sinceramente, isso era o que menos me preocupava, Cristina era bem compreensível e em pouco tempo já havia conseguido conquistar sua confiança... Eu não via a hora de minha barriga começar a crescer, mal podia esperar para quando descobrisse o sexo do bebê, eu estava tão feliz com ele que nunca saberia como agradecer a Damon por ele ter me dado esse filho. Como era possível uma pessoa amar tanto um ser tão pequeno e que nem sequer sabia o sexo?

Definitivamente aquele bebê estava sendo minha alegria e se não fosse por ele, eu e Damon não estaríamos mais “juntos”, mesmo que não falássemos muito sobre minha gravidez e o clima entre nós não estivesse muito bom, eu ainda tinha esperanças de que tudo pudesse mudar no decorrer da gestação e quando descobríssemos o sexo do bebê. Acho que ele ainda não havia se dado conta de que seria pai novamente, mas esperava mesmo que tudo mudasse, Damon era um ótimo pai para Emily e tinha certeza que não seria diferente com o nosso bebê.

Finalmente já era sexta-feira e em menos de uma semana eu iria fazer uma ecografia para provavelmente descobrir o sexo do bebê, não conseguia controlar a ansiedade para saber o que carregava em meu ventre. Eu realmente esperava que fosse um menino, desde o momento em que eu descobrira que estava grávida, um garotinho de olhos azuis e cabelos escuros, uma miniatura perfeita de Damon, apareceu em minha mente. Eu tinha a forte intuição de que era um menino, assim como me aconteceu na primeira gravidez e seria uma grande surpresa saber que era uma menina, iria amá-la de qualquer forma, mas ainda assim seria uma grande surpresa.

Pensando em meu bebê, eu respiro fundo e volto a me concentrar em meu trabalho, precisava me manter focada, até porque aquela seria a terceira que tivera que começar de novo a contar as mercadorias novas por ter me perdido nas contas em meio a tantos planos e pensamentos. Além de estar distraída com tudo, outra coisa que estava me tirando do foco era uma leve cólica que havia começado de manhã e desde então só piorou, não era nada muito forte ou insuportável, era mais um incomodo mesmo, minha própria médica e Caroline já tinham me informado sobre esse desconforto e disseram que era normal então não iria me preocupar tanto. Mais uma vez, eu respiro fundo e encaro com uma carranca no rosto todas aquelas caixas cheias de roupas em volta de mim.

- Elena, você vai precisar de ajuda para arrumar o estoque e levar essas caixas pesadas lá para cima? – Cristina me perguntou enquanto procurava no balcão bagunçado alguma coisa e antes que eu pudesse responder sua pergunta sobre a ajuda, ela prosseguiu – Você viu aquela pasta transparente que estava aqui? Eu necessito dos papeis que estão dentro dela para resolver uns problemas em minha outra loja e estou mega atrasada... – ela resmungou baixinho e derrubou sem querer tudo o que estava no balcão – Ah que ótimo!

- A pasta está na primeira gaveta, Cristina, e pode ir resolver seus problemas que eu consigo dar conta de tudo sem problemas – como eu havia dito, ela abriu a primeira gaveta e um sorriso seguido por um suspiro de alivio se formou em seus lábios ao pegar a pasta.

- Você é demais, obrigada. Pode deixar que hoje mesmo eu tento encontrar alguém para te ajudar aqui.

- Sem problemas, está tudo sob controle.

- Tudo bem então, eu volto no fim do expediente. Tchau, Elena – eu me despedi dela acenando com a mão e então segui com os meus afazeres.

Como a loja havia aberto há pouco tempo, todas as sextas-feiras estavam chegando novas mercadorias e consequentemente, por a loja não estar “completa” o movimento não era tão satisfatório, então não havia muito problema em fecha-la enquanto eu arrumava as roupas novas. Segundo a Cristina, aquela era a ultima leva que chegaria então eu não precisaria fazer todo aquele processo de novo tão cedo, para meu grande alivio.

Sendo movida por esse pensamento e pelo fato de ser sexta-feira, ignorei qualquer tipo de dor ou alguma coisa que pudesse me distrair e retornei ao meu trabalho, continuando a arrumar a loja. Depois de carregar muitas caixas pesadas, de subir e descer no mínimo umas trinta vezes as escadas da loja ao estoque, eu finalmente consegui terminar de colocar tudo em ordem podendo afirmar com convicção que meu cansaço ultrapassava limites de exaustão, eu só conseguia pensar em como meus pés e minhas pernas doíam e como eu necessitava ir para casa. Para minha sorte, a arrumação levara o dia inteiro e assim que terminei o caos que a loja tinha ficado com todas aquelas caixas, eu pude ir embora sentindo aquela liberdade e alivio por poder ficar em casa dois dias seguidos para me recuperar.

Usando o que me restava de forças, eu fui para casa mantendo em mente as duas coisas que eu necessitava fazer ao chegar; tomar um longo banho e deitar por tempo o suficiente para que eu conseguisse me colocar em pé novamente. Eu estava tão envolvida com meu cansaço e com a vontade de chegar ao apartamento de Damon que nem percebi, ou percebi e não dei importância, para a cólica que estava até mais forte que antes. Mesmo com os avisos prévios de minha médica sobre essa dor, eu não pude evitar me preocupar, a cólica estava muito forte e algo me dizia que aquilo não era normal. Assim que Damon chegasse em casa eu iria informa-lo sobre essa minha preocupação, porque além de ele ser médico, ele era o pai do bebê e saberia o que era o melhor a se fazer.

Evitei ao máximo pensar e me preocupar com a dor e me concentrei no movimento do metrô até a casa de Damon, que por algum milagre, foi feito em menos de uma hora. Cheguei em casa em um tempo recorde para parâmetros de sexta-feira e Jenna ainda preparava o jantar, Emily, como sempre, estava em seu quarto e Damon ainda não havia chego do hospital. Não havia nada de mais importante para fazer então eu segui para o quarto de Damon para cumprir minha pequena lista de urgências do momento.

Tomei um longo banho deixando que a água quente do chuveiro relaxasse meus músculos doloridos pelo esforço e tirasse, pelo menos, um pouco do cansaço que estava sentindo, coloquei uma roupa leve e me deitei na cama abraçada ao travesseiro de Damon como sempre fazia quando ele não estava ao meu lado. O cheiro do homem que eu amava estava impregnado a fronha, era como se eu estivesse abraçada ao seu corpo com o rosto escondido em seu pescoço sentindo aquela mistura inebriante de seu perfume com o cheiro delicioso de sua pele... Eu não queria perder isso, não estava pronta para perdê-lo, mas algo me dizia que não iriamos durar muito tempo “juntos”. Eu faria qualquer coisa que para que tudo voltasse a ser como estava, queria ficar para sempre com ele, queria dar um pai, uma família a esse bebê que eu estava carregando mas isso parecia estar tão longe de acontecer...

Sentindo aquela angustia sufocante em meu peito, eu abraço o travesseiro com mais força e lentamente sou guiada para a inconsciência...

- Elena.... – eu ouvia a voz de Damon distante, ele parecia um tanto nervoso mas não conseguia definir se aquilo era um sonho ou se realmente estava acontecendo – Elena, Lena, acorde... – senti ele tirando o lençol que cobria meu corpo deixando que uma corrente de vento frio me fizesse encolher na cama e gemer em reluta – Lena, por favor, acorde, você está sangrando, Lena... – “você está sangrando, Lena” as quatro palavras de Damon me puxaram da inconsciência e eu me virei lentamente na cama, sentindo algo quente escorrer por entre minhas pernas. “Você está sangrando, Lena” ao perceber a gravidade do que ele estava falando, eu me sento rapidamente encontrando minhas pernas e a roupa de cama inundadas de sangue vividamente vermelho que vinha de mim, era como se estivessem me cortado profundamente ou como se eu estivesse tendo algum tipo de hemorragia.

Oh céus, meu bebê.

- Oh céus, Damon... – eu disse em desespero – Damon... – por instinto eu levo a mão ao meu ventre como se o protegesse enquanto era atingida por um flashback. Oh não, de novo não!

- Calma, anjo, vamos ao hospital agora mesmo, tudo vai ficar bem! – Damon disse afoito e claramente preocupado, ele passou as mãos por debaixo de minhas pernas e outra em minha cintura e me levantou da cama, me pegando no colo.

- Damon, é muito sangue... – eu abracei seu pescoço e afundei meu rosto na curvatura entre ele e seu ombro já sentindo as lágrimas arderem em meus olhos – Por favor, Damon, salva nosso bebê, eu não posso perdê-lo.

- Tudo vai ficar bem, Lena, o bebê vai ficar bem! – Damon andou depressa até a sala comigo no colo, atravessamos rapidamente o corredor e fomos direto para o elevador.

Em tempo recorde eu já estava sentada no banco do passageiro e Damon dirigia um pouco mais rápido que o habitual e que o permitido até o hospital. Pouco me importava suas imprudências no transito, eu só queria chegar o mais rápido possível ao hospital para socorrer meu bebê que corria perigo.

Só de pensar na grande hipótese de eu ter perdido meu filho, uma dor insuportável tomava conta de meu peito. Eu não podia perder esse bebê, não de novo, não iria suportar tamanha dor de ter outro filho sendo arrancado de mim dessa forma. Eu chorava baixinho e protegia meu ventre com a mão, como se estivesse tocando meu bebê, o acalentando dizendo que tudo iria ficar bem e que ele iria sobreviver. Ele tinha que sobreviver.

- Lena, se acalme, pode ser só um deslocamento de placenta...

- É muito sangue, Damon, e eu tive cólicas fortes hoje... – respondi em meio a soluços – Por favor, Damon, eu não posso perdê-lo.

- Calma, Lena, nós já estamos quase chagando, faremos o possível para salvá-lo.

Eu tentara o máximo não me apegar tanto aquele bebê, pelo menos até os três primeiros meses que era quando mais corria riscos de aborto, mas fora impossível, eu pensava involuntariamente nele, já fazia planos para nós, já nos imaginava como uma família e o que fazia dele mais especial era o fato de ele ser de Damon. Aquele sentimento era tão forte que não conseguia sequer explicar e eu não estava pronta para abrir mão dessa felicidade...

Damon estacionou carro de qualquer jeito e mais uma vez me pegou no colo para me levar para dentro do hospital. Nós nos direcionamos para a ala obstétrica do hospital e por o meu aso ser grave, acabei sendo atendida rapidamente. Fui colocada em uma cadeira de rodas e uma enfermeira simpática nos guiou para uma sala toda equipada com aparelhos ginecológicos, onde a médica de plantou entrou em seguida para me atender.

Ela me fez algumas perguntas enquanto me fazia um exame de toque e então decidiu que deveríamos fazer um ultrassom para ter certeza de como estava meu bebê. Eu tentava me acalmar aos poucos, Damon segurava minha mão e eu apertava a dele sem perceber descontando minha ansiedade e nervosismo nela. A Doutora passou o aparelho espalhando aquele gel e meus olhos se fixaram no monitor a procura de meu pequeno pontinho, mesmo sem entender muito sobre aquilo, eu conseguia distinguir meu bebê no visor, mas ele não se mexia, não dava inúmeras cambalhotas como fizera no primeiro ultrassom... O que estava acontecendo com o meu bebê?

- Doutora, como está meu bebê? – disse baixinho já sentindo meu peito se contorcer de angustia. Ela franziu o cenho e mudou o aparelho de ângulo em minha barriga.

- Sinto muito, Elena...

- Doutora, cadê ele? Cadê meu bebê? Porque ele não está se mexendo? – repeti rispidamente com a voz tremula devido as lágrimas – Ele tem que estar ai, tem que estar!

- Sinto muito, Elena, ele está aqui, mas não tem batimentos, não tem movimentos... Você sofreu um aborto.

Não podia ser, aquilo não podia ser verdade! Porque? Porque comigo? Porque de novo? Eu não iria aguentar, estava doendo demais, não tinha palavras ou lágrimas no mundo que pudessem descrever a imensidão da dor que se apossava de mim.

- Não! Não, por favor Deus, não, não pode ser! Damon, nosso bebê, Damon, ele tem que estar vivo!

- Calma, Lena, calma... – Damon me olhava com um pesar no olhar, ele queria encontrar algo para me falar mas nada iria conseguir me consolar naquele momento.

- Calma? Damon, meu bebê, nosso filho! Oh meu Deus, por quê? Damon, eu quero o meu bebê, eu quero o meu bebê vivo dentro de mim de novo, crescendo e protegido...

-Elena, eu sinto muito, sinto mesmo, mas fique calma, nós precisamos fazer uma curetagem para tira-lo dai.

- Não, eu não vou fazer uma curetagem, ninguém vai tira-lo daqui!

- Elena, é necessário, é perigoso para você esperar que ele seja expelido...

- Dane-se, ele vai ficar aqui, Damon, eu não quero fazer curetagem nenhuma, eu vou esperar!

Não conseguia acreditar no que estava acontecendo, aquilo não podia ser real. Meu filho, meu pequeno Damon, por quê? Como doía... Era como se outro pedaço tivesse sido tirado de mim, como se a outra metade que restara do meu coração tivesse sido arrancado, eu estaca vazia, completamente vazia.

- Damon, por favor, me diz que isso é mentira... – levei minhas mãos até meu rosto e deixei que minhas lágrimas escorressem descontroladamente. Eu estava quebrada em milhares de cacos...

Damon se sentou ao meu lado na maca e me puxou para si, aninhando-me em seu peito enquanto eu chorava em desespero.

Aquele seria mais um bebê que eu não iria ver crescer, que eu não iria ter a chance de pegar em meus braços, de sentir seu cheirinho ou de ouvir seu choro. Aquele era outro filho que eu não iria ter o prazer de ouvi-lo me chamando de “mamãe”, que eu não teria a oportunidade de senti-lo mexer em meu ventre ou ao menos ter a chance de saber seu sexo... Porque isso tinha que acontecer?

(...)

Eu estava zonza, minha cabeça estava pesada, meu corpo dolorido, eu sentia meus olhos inchados e um enorme vazio em meu peito. O som de uma voz feminina em um alto falante, o barulho de vozes no corredor e o choro de um bebê recém-nascido me fizeram acordar e me virar com cuidado na cama. O quarto estava claro, a luz do dia adentrava pela janela e entrava em contraste com o branco das paredes machucando meus olhos, pisquei algumas vezes me acostumando com a claridade e então procurei alguém que deveria estar me acompanhando.

No canto do quarto, sentado no sofá lendo uma revista estava Damon, ele tinha uma expressão séria no rosto, parecia triste, cansado e usava as mesmas roupas de ontem quando saímos as pressas de casa.

O que tinha acontecido? Porque eu tinha passado a noite no hospital? Só conseguia me lembrar de Damon ter me abraçado e eu ter chorado em seus braços desesperadamente, depois disso era como se eu tivesse caído no sono e não me lembrava de mais nada.

- Bom dia... – disse baixinho, forçando minha voz sonolenta e rouca.

- Bom dia, Lena – Damon abaixou a revista, sorriu levemente e veio em minha direção – Como você está se sentindo?

- Zonza, tonta, confusa... O que aconteceu? Porque passei a noite aqui? Como eu adormeci?

- Você perdeu muito sangue e tivemos que te dar um calmante para que dormisse...

- O que? Vocês me sedaram?

- Elena, nós tivemos que fazer isso, você estava descontrolada e tínhamos que fazer a curetagem.

- Vocês fizeram a merda da curetagem? Eu falei que não queria fazer, eu disse que queria esperar o aborto acontecer naturalmente! Não acredito nisso, Damon! – eu estava furiosa, incrédula, não conseguia acreditar que tinham tirado meu bebê de mim contra a minha vontade. Já era difícil demais ter que aceitar que ele estava morto em meu ventre e agora pensar que eu não o carregava mais chegava a ser mais doloroso ainda – Descontrolada? Você queria que eu estivesse como? Calma? Conformada? Falando “não, tudo bem, perdi meu bebê, mas não era hora mesmo, mês que vem eu tento de novo sem problemas”? – as lágrimas voltaram a escorrer e eu falava sarcasticamente – Damon, eu perdi meu filho! Você não faz ideia do que eu estou sentindo no momento, a dor, o vazio, a tristeza...

- Ah sim, eu sei, se você não se lembra, eu também acabei de perder um filho!

- Sinceramente, Damon, não parece que sabe... Você sabe o quanto eu amava aquele bebê, o quanto eu o imaginei em meus braços, o quanto fantasiei de como ele seria e de repente, eu percebo que tudo isso nunca vai acontecer, que nem senti-lo mexer ou saber seu sexo eu cheguei... Damon, está doendo demais!

- Desculpe, Lena, eu sinto muito mesmo, não sei o que te dizer ou fazer para tentar te ajudar mas só queria ter evitado tudo isso. Eu sinto muito pela curetagem, mas nós precisávamos tira-lo de dentro de ti, você iria perder muito sangue ao tentar expeli-lo naturalmente, sem falar que seria perigoso você ter alguma infecção ou algo do tipo.

- Eu só queria meu bebê, só queria ele aqui em minha barriga... Eu preciso tanto de você, Damon... – disse baixinho, abaixando minha cabeça, envergonhada. Eu nunca tinha dito algo parecido ou do gênero para ele, nunca havia demonstrado meus sentimentos, mas daquela vez fora inevitável, eu estava tão vulnerável, precisando tanto de seu apoio e carinho...

Damon se aproximou de mim sem hesitar e se sentou na maca comigo, puxou-me para si e eu me aninhei em seus braços, escondendo meu rosto em seu peitoral enquanto chorava baixinho. Eu tentava me acalmar mas as lágrimas escorriam sem que eu conseguisse controlar, Damon não falava nada, apenas me mantinha aconchegada em seus braços e acariciava minhas costas.

- Com licença, posso entrar? – a voz conhecida da minha médica me fez erguer a cabeça e olhar para a porta do quarto.

- Claro, fique a vontade... – Damon respondeu educadamente e nos separou.

- Sinto muito não ter vindo antes, mas parece que os bebês escolheram nascer nessa madrugada, vim assim que pude, Elena.

- Sem problemas, Doutora...

- Como você está se sentindo?

- Zonza, péssima... Vou sobreviver...

- Está sentindo alguma dor? – neguei – Me diga uma coisa, você passou por algum estresse ou fez algum esforço físico? Sentiu cólicas, desconfortos?

- Eu senti um leve desconforto ao acordar, mas não dei muita importância só que foi piorando com o passar do dia e como estava trabalhando não pude fazer repouso...

- E durante o dia você pegou muito peso? Andou muito?

- Talvez... – assenti – Isso quer dizer que o aborto foi culpa minha, Doutora?

- Não, não foi culpa sua, você começou a sentir essas cólicas antes do trabalho então pela manhã você já estava tendo sinais do aborto, não podemos lhe dar uma causa especifica, provavelmente deve ter sido má formação no feto ou algo parecido... – eu escutei ao que ela dizia em silencio apenas chorando baixinho e tentando me conformar com o fato de não estar mais gravida, de ter perdido mais um bebê – Elena, eu vou te deixar descansar, ok? Seu psicológico está muito abalado e é melhor que conversemos sobre esse assunto amanhã ou mais tarde... Vou te deixar mais um dia por aqui só para termos certeza de que você está fisicamente bem, de como seu corpo está lidando com essa curetagem e amanhã podemos estar retornando a conversar sobre o assunto, o que acha?

- Tudo bem... – assenti baixinho.

- Vou te dar mais uma dose daquele calmante que te deram ontem para você dormir, ok? Você precisa descansar...

Sabendo que não iria adiantar eu discutir sobre o calmante, acabei concordando e ela injetou no acesso o remédio que me faria dormir. Sabia que não me faria bem ficar acordada pensando em meu bebê e no vazio enorme que estava sentindo então não fiz menção de discutir, algumas horas longe daquela dor era tudo o que eu precisava já que tinha plena consciência de que não me livraria dela tão cedo. Lentamente fui sentindo aquela sonolência chegar e segurando a mão de Damon, eu me entreguei à inconsciência.

Notas finais
gente, eu decidi fazer uma segunda temporada da fic, pois é... A primeira temporada vai acabar daqui dois capitulos e a segunda vai se chamar "New life" e vai mostrar a Elena levando uma vida fora da prostituição e tentando superar que aconteceu nesse capítulo. Obviamente a segunda temporada vai ser menor, vai ter muito mais drama mas tmb terá muito romance, teremos marquinhos, claire, o "eu te amo"... O que vcs acham? E ai? Recomendações para acabarmos bem a fic? (;