Soho Dolls
39 Capítulo 38 - Positive
Notas iniciais
Aliás, muito obrigada pela confiança espero que continuem gostando da fic e pelo que eu percebi mts de vcs estão curiosos sobre o meu não clichê então, se vc está esperando ultrassons em família, delena comprando enxoval, damon babando por sentir o bebe mexer e tudo isso que costuma a acontecer, então nem espere mt xD
O capitulo saiu um pouco maior que o esperado mas acho que vocês vão gostar... Temos as meninas super poderosas ( elena+carol+marquinho, aliás, obrigada stella pelo apelido, eu adorei hahaha) e a grande conversa da elena com o damon, era para essa conversa ter ficado para o próximo capitulo mas decidi não enrolar e colocar de cara nesse. Bom, sem mais enrolações, vamos ao capitulo e espero que vocês gostem.
AHHH leiam as notas finais pfvr
- Elena, você tem certeza de que se estiver realmente grávida, esse bebê é filho de Damon? – Após meu surto no telefone com Caroline, liguei no instante seguinte para minha médica e contei a ela situação, por sorte, consegui que ela me atendesse em uma das maternidades que ela trabalhava para que fizéssemos um exame de sangue para confirmar aquela possibilidade. Obviamente Caroline me acompanhou até a consulta, eu precisava de alguém para ir comigo só para me distrair e como Damon não sabia ainda do motivo dessa consulta repentina, Carol se prontificou em me fazer companhia, que por sinal estava também sendo minha distração enquanto esperava sair o resultado do exame.
- Caroline, eu sei que é dele, acredite em mim.
- Lena eu acredito em você mas é normal que fiquemos em duvida em relação a isso, principalmente quando fazíamos programa.... Eu mesma fiquei um pouco insegura quando descobri que estava grávida.
- Eu sei, Carol, mas você sabe o quanto eu era cuidadosa com isso, nem mesmo com Matt eu transei sem camisinha, Damon foi o único, eu tenho mais do que certeza disso!
- Espere ai, você transou com Matt? – Caroline perguntou abismada aumentando o tom de voz fazendo com que a atenção das mulheres que estavam por perto se voltasse para nós.
- Caroline, fala baixo! – A repreendi firmemente.
- Desculpe mas que historia é essa de que você e Matt transaram? Que história é essa, Elena Gilbert? E porque você não me contou? – Caroline me olhava repreensiva e falava comigo com um tom rude, como se fosse uma mãe dando uma bronca em sua filha adolescente.
- Não olhe assim para mim! – Encolhi os ombros – Já faz tempo que isso aconteceu, mãe, eu e Damon estávamos brigados e Matt me convidou para jantar na casa dele, em minha defesa eu tinha bebido um pouco e estava meio alterada, você sabe como sou fraca para bebida, foi difícil resistir quando ele começou a me beijar e eu acabei cedendo... Mas também não passou disso, no dia seguinte nós conversamos e ele acabou aceitando minhas condições de sermos apenas amigos... – Expliquei lentamente, não entendendo o motivo por estar me sentindo um tanto envergonhada por ter feito aquilo.
- “Não passou disso” – Caroline afinou a voz me imitando – É obvio que não passou disso, não tinham para onde passar, vocês ultrapassaram os limites mesmo! – Minha amiga estava furiosa, inconformada e eu já começava a me arrepender de ter contado aquilo a ela.
- Ok, eu sei que errei, me arrependo até hoje por ter dormido com ele mas já passou, faz tempo que aconteceu e eu já deixei isso no passado – Carol ficou em silencio por alguns segundos refletindo sobre o que havia dito a ela, sua expressão suavizou-se aos poucos até que ela soltasse um suspiro fundo.
- Desculpe, Lena, não deveria ter reagido dessa forma mas não consigo me conformar com a ideia de vocês dois na cama depois do que aconteceu – Eu compreendia seu lado, na verdade eu também nunca me imaginei indo para cama com ele depois do que acontecera até propriamente ter ido... Sabia que mesmo que o fato de ele ter mudado não justificasse aquele meu ato, mas se ele na tivesse virado praticamente outra pessoa, tinha certeza que não teria me entregado tão facilmente a ele de novo – E não tem nenhuma possibilidade de ele ser o pai dessa criança?
- Não, nós nos protegemos... – Respondi baixinho e Caroline me olhou abismada.
- Como é? Matt usando camisinha é isso mesmo?
- Eu falei que ele tinha mudado! Caroline, se eu realmente estiver grávida, esse filho é de Damon! – Disse com convicção.
- E você acha que está ou não está...
- Tudo indica que sim, a fome, o sono, o atraso... – Suspirei fundo – Mas eu ainda tenho 1% de esperança que isso seja outra coisa, tudo que eu menos precisava nesse momento é de um filho.
- Elena, você não está pensando em tirar esse bebê, não é? – Caroline exaltou-se novamente voltando a me repreender com o olhar.
- Você está louca? Claro que não! – Respondi incrédula levando, por impulso, minha mão para o meu ventre – O que eu quis dizer foi que não é momento para se ter um filho e não que eu não o queira! Eu nunca faria isso, principalmente depois do que aconteceu... – Minha voz foi diminuindo gradativamente até chegar a ultima frase, que saiu um pouco mais alta que um sussurro.
- Eu sei mas do jeito que você falou deu a entender... Você acha que Damo vai reagir como quando souber?
- Sinceramente, eu não faço a menor ideia, afinal estamos falando de uma caixinha de surpresas impulsiva que adora me surpreender – Suspirei fundo dando de ombros – Eu praticamente não dormi essa noite pensando nisso e toda vez que imagino qual vai ser sua reação, meu estomago começa a contorcer de aflição.
- Eu sei o que você está sentindo, Lena, mas procure não pensar nisso, não sofra por antecedência porque vai ser pior, independente do que aconteça, eu sempre vou estar do seu lado para te ajudar no que precisar, você sabe disso – Caroline pegou minhas mãos me fazendo olha para ela – Porque não fazemos assim; eu ligo para o Marquinhos agora e depois de pegar o resultado do exame, nós vamos lá para casa para termos mais um dia juntos? Assim nós conversamos, você relaxa um pouco e vai mais tranquila para dar a noticia a Damon... O que acha?
- Perfeito! – Assenti suspirando.
- Elena... – Minha médica apareceu na sala de espera fazendo meu coração começar a bater descompensado – Vamos lá? – Ela sorriu amigavelmente me mostrando um envelope branco que conseguiu deixar meu coração mais agitado do que já estava.
- Claro! – Assenti levantando da cadeira e fui até ela.
Nós seguimos por um corredor curto e largo até um consultório totalmente equipado para atender uma gestante. Minha médica fez sinal para que eu me sentasse em uma das cadeiras em frente a sua mesa e assim que fiz, ela se sentou em minha frente atrás da mesa.
- Você quer abrir ou eu mesma abro? – Disse referindo-se ao envelope.
- Pode abrir você... – Respondi pigarreando para conseguir encontrar minha voz, definitivamente eu não iria conseguir abrir aquele envelope, minhas mãos tremiam e suavam frio de nervoso. Ela assentiu silenciosamente e abriu o envelope, retirando um papel dobrado de dentro dele ficando alguns segundos, que pareciam minutos, em silencio ao desdobra-lo – Seu suspense está me matando, Doutora – disse impaciente.
- Elena, os resultados só confirmam nossas suspeitas, você está mesmo grávida – ela deu de ombros sorrindo e dando de ombros.
- Oh céus... – aquelas foram as únicas palavras que eu consegui proferir enquanto escondia meu rosto em minhas mãos. Não sabia o que dizer naquele momento, o que sentir ou o que pensar... A única certeza que eu tinha em mente era que eu carregava em meu ventre um pedacinho de Damon.
- Gravidez inesperada, indesejada?
- Totalmente inesperada e complicada...
- Se me permite perguntar, você sabe quem é o pai? – obviamente minha sabia de meu antigo emprego então ela “compreendia” o quanto aquela situação era delicada.
- Eu sei quem é, ele é o única que eu fiz sem camisinha, só que é complicado... – respondi desajeitadamente não sabendo como qualificar aquela situação – Não sei como isso pode acontecer, eu tomei a pílula sem falhar um dia sequer, tem que ter algo errado.
- Quando foi que vocês tiveram relação sem proteção?
- Um mês mais ou menos... – disse obrigando minha mente a lembrar exatamente que aquilo acontecera, a ultima fez fora na banheira de Damon mas antes disso, nosso pequeno deslize ocorreu quando fizemos as pazes, duas vezes por sinal...
- E depois disso você tomou algum remédio diferente? Antibiótico, antialérgico, analgésico... – aquele mesmo arrepio de quando me conta de que minha menstruação estava atrasada atingiu meu corpo e as coisas começaram a fazer sentido em minha mente.
- Antialérgico e analgésicos talvez... – mordi o lábio hesitante encolhendo meus ombros – Eu tive uma crise forte de rinite e uma amiga me deu um de seus antialérgicos, um não, dois, para falar a verdade e uns dois analgésicos para dor de cabeça.
- E isso aconteceu quanto depois de você ter tido relação sem camisinha?
- Na mesma semana... – tudo fazia sentido; eu e Damon transamos na sexta-feira e no sábado sem proteção, no domingo eu voltei para o bordel e lá fiquei “presa” por duas semanas, que foi quando tomei aquele coquetel de antialérgicos e analgésicos para tentar fazer com que a crise de rinite e as dores de cabeça que o perfume de Logan e o cheiro do cigarro barato que ele fumava dentro de casa me causaram. Como eu tinha conseguido ser tão estupida a ponto de me automedicar daquele jeito? E então três semanas se passaram desde que eu fora para casa de Damon e calculando tudo, fazia cinco desde que eu e Damon transamos a primeira vez sem proteção – Oh céus, tudo faz sentido... – murmurei.
- Descobrimos como esse bebê foi parar ai...
- Eu só não entendo como que eu fui conseguir engravidar tão rápido...
- Algumas mulheres são mias férteis que as outras, Elena, e pelo menos nós descobrimos logo no inicio, imagino que você esteja com um mês ou mais o que lhe resta mais oito para tentar se acertar com o pai da criança.
- Assim espero... – suspirei fundo.
- Elena, eu compreendo que essa criança não tenha vindo em uma boa hora, sei que sua situação é delicada e que deve estar cogitando em abortar, mas para casos como o seu, aqui no hospital nós temos um sistema de adoção que casais que não podem ter filhos ou que querem adotar mesmo, se vinculam conosco e quando aparece alguma mulher que não queira o filho, nós mostramos a elas os perfis dos casais e elas escolhem qual julgam mais adeptos para o seu bebê. Eu posso garantir que é um sistema totalmente seguro e as famílias são extremamente qualificadas, se você optar por essa saída, eles vão acompanhar toda sua gestação e você poderá conhecê-los melhor...
- Não! – eu disse instantaneamente de forma ríspida – eu nunca pensaria nisso, em hipótese alguma, eu posso estar confusa e assustada mas eu vou ter esse bebê custe o que custar – mais uma vez eu levei minha mão até meu ventre de forma protetora, só que dessa vez tendo a certeza de que ali crescia um pedaço meu e de Damon que eu iria amar e proteger independente de qualquer coisa.
- Que bom, Elena, mas não pude evitar citar essa possibilidade ao ver seu desespero... Então já que você tem certeza que vai ficar com seu bebê, eu aconselho que comecemos o quanto antes suas consultas pré-natais porque temos que ter atenção redobrada com essa gestação por você já ter tido um aborto... – outro calafrio percorreu minha espinha só que dessa vez eu me encolhi visivelmente pelas lembranças dolorosas de minha primeira gestação.
- Quais são as possibilidades de isso acontecer de novo? – perguntei baixinho não conseguindo encontrar minha voz ao cogitar aquela possibilidade.
- Elena, vou ser franca contigo, você tem grandes chances de sofrer outro aborto principalmente porque não encontramos os motivos do primeiro ter acontecido. Não posso te dar uma certeza até porque não te examinei ainda, mas uma gestação é completamente diferente da outra e o que podemos fazer é tomar extremo cuidado com essa mesmo que esteja tudo bem... – eu assenti mecanicamente não querendo me apegar a possibilidade de um segundo aborto.
- Eu só quero falar com o pai do bebê, dar a ele a noticia e assim que fizer isso nós podemos começar com as consultas, pode ser?
- Como você preferir! – ela sorriu satisfeita – só procure ficar calma, ok? Nervosismos demais pode não fazer bem ao bebê.
- Está certo! – suspirei fundo.
- Então é isso, Elena, te vejo na próxima consulta, pode ser? Boa sorte com o pai, por sinal.
Eu me levantei da cadeira e ela fez o mesmo, me conduziu de volta a porta, nós nos despedimos brevemente e eu segui para a sala de espera onde Caroline me esperava mexendo no celular.
- Hey... – disse baixinho e ela ergueu o olhar para mim.
- E então? – perguntou com um tanto de expectativa na voz.
- E então que Claire realmente vai ter um amiguinho para brincar...
- Oh céus... – Caroline levantou-se e fez o que eu mais precisava naquele momento; abraçou-me forte e afagou meus cabelos enquanto eu tentava sair daquele transe que eu havia entrado desde ter recebido a confirmação de minha hipótese – como você está?
- Eu não sei, preciso pensar um pouco sobre isso, está tudo muito novo em minha mente e eu não consegui ainda me conformar com esse fato...
- Vai ficar tudo bem, Lena, mas me avise quando estiver pronta para falar sobre isso, pode ser? – eu assenti silenciosamente e ela pegou minha mão sorrindo – Marcos está saindo do trabalho agora e está indo nos encontrar lá em casa, contei para ele o que aconteceu e pedi para ele comprar o que achar de mais gostoso para suas duas amigas grávidas! – grávida... Eu iria ter que me acostumar com isso.
Eu e Caroline saímos da maternidade e pegamos um táxi para ir para sua casa, deixei uma mensagem para Damon dizendo onde estava indo para que ele não ficasse preocupado caso chegasse antes de mim. O caminho até a casa de Caroline seria longo, a maternidade ficava longe do centro de Nova Iorque então eu teria tempo o suficiente para pensar sobre minha novidade bombástica. Encostei-me a janela do carro e deixei meus pensamentos vagar...
Grávida... Eu estava grávida de novo... Grávida de Damon... Oh céus, porque isso não entrava em minha cabeça? Porque não conseguia me conformar que realmente tinha um bebezinho crescendo em meu ventre? Medo talvez... Medo não só o que iria acontecer ou da reação de Damon, mas também de me apegar demais àquela criança e no final acabar a perdendo como havia acontecido na primeira vez, eu não saberia como lidar com outro aborto, não teria estruturas para isso... Também não iria saber lidar com a rejeição de Damon, uma coisa era Matt, o cara que eu mantinha uma relação espessamente física me abandonar grávida de seu filho, mas seria outra história ser rejeitada por Damon, o homem que eu amava... Só de imaginá-lo me dispensando fazia meu coração doer, presencia-lo fazendo isso seria mil vezes pior.
Minha cabeça estava uma tremenda confusão, mas não me restava duvidas de que eu teria aquele bebê, independente da confusão em que me encontrava a única coisa que eu tinha claro em mente era que eu teria aquele bebê. Mais do que nunca eu precisava de um emprego e obviamente Cristina não iria me contratar por estar grávida, mas não me restava escolhas a não ser esconder a gravidez o máximo que eu conseguisse, pelo menos até estar bem estabilizada para não poder ser mandada embora, eu tinha consciência do problema que essa omissão de fatos acarretaria, mas eu necessitava daquele dinheiro mais do que nunca...
Desviei o olhar da rua suspirando fundo e me ajeitando no banco do carro, abaixei o olhar para um ponto fixo em meus jeans e só então percebi que minha mão repousava levemente sobre meu ventre, de novo. Oh céus, tinha mesmo um bebezinho ali? Não conseguia me conformar, principalmente porque não tive aqueles sintomas evidentes que tive em minha primeira gravidez, a não ser pelo aumento de apetite e a sonolência e cansaço exagerado... Olhei rapidamente para Caroline e meu olhar pendeu em sua barriga, que também tinha sua mão descansando sobre ela como eu, um sorriso deslumbrado contornou meus lábios ao me imaginar daqui alguns meses com aquela barriguinha e com aquela deixa, meus pensamentos encheram-se com o que eu imaginava que fosse acontecer mais para frente; a barriga crescendo, o primeiro ultrassom, os batimentos cardíacos, o primeiro chute, a descoberta do sexo... Instantaneamente minha mente encheu-se com a imagem de um menininho de olhos perfeitamente azuis e cabelo preto, uma miniatura do pai. Naquele momento, imaginando os olhos e o rostinho, senti meu coração parecer ter se tornado pequeno demais para sustentar o amor por aquele pequeno ser.
(...)
- Ai desculpa a demora, meninas, mas a confeitaria estava lotada – Marcos colocou sobre o balcão da cozinha todas as sacolas com a comida que Caroline havia perdido – E obvio que eu não resisti em passar para comprar uma lembrancinha para a nova mamãe – um sorriso malandro apareceu em seu rosto e ele me olhou sugestivamente – e não venha me dizer que não precisava porque eu já conheço esse seu olhar, Elena Gilbert, precisava sim e eu não consegui me controlar... – Ele me alcançou uma sacola delicada e eu peguei sem dizer nada apenas sorrindo abertamente pelo seu gesto, abri a sacolinha e desfiz o embrulho do presente rapidamente me deparando com um par de sapatinhos pequeninos brancos de pano.
- Meu Deus, Marcos, é lindo! – eu disse tirando aqueles pequenos sapados da caixa sentindo meus olhos encherem-se de lágrimas com o primeiro presente de meu pequeno – muito obrigada, nós amamos! – Marcos sorriu abertamente e eu joguei meus braços ao redor dele o abraçando forte, no mesmo instante ele me correspondeu passando seus braços fortes em volta de minha cintura fazendo eu me sentir extremamente pequena naqueles braços fortes.
- Assim eu vou ficar com ciúmes, era para eu ter dado o primeiro presente do meu sobrinho!– Caroline resmungou enquanto arrumava as coisas para comermos na sala.
- Ai fica quieta sua loira recalcada, me deixe ser o primeiro uma vez na vida de Elena!
- Hey, parem vocês, os dois são os primeiros em tudo na minha vida, por isso quis passar esse dia com vocês! – eu guardei o presente de volta na caixa e deixei a sacola junto a minha bolsa.
- Estou de olho em vocês – como se eu não tivesse dito nada, Caroline nos fuzilou com o olhar enquanto passava pela porta para levar até a sala o que tinha preparado para comermos.
Nós a seguimos até a sala e Marcos se sentou em uma poltrona e Caroline no sofá, enquanto eu fiquei no chão, encostada ao sofá onde Caroline estava. Particularmente, eu não estava com muita fome, meu estômago reclamava um pouco por estar vazio mas um nó havia se formado em minha garganta não deixando passagem nem sequer para a saliva passar. Aquele encontro tinha o proposito de me relaxar, mas ao invés disso estava me deixando mais ansiosa para dar a noticia a Damon. Obviamente, Caroline e Marcos me obrigaram a comer, Carol afirmou que eu estava muito tempo de estômago vazio e isso faria mal ao bebê, acabei cedendo rapidamente com seu argumento convincente e só depois percebi que realmente estava com fome.
- Elena, sua vadia, você pegou o ultimo pedaço de bolo! – Marcos fuzilou-me com o olhar parecendo indignada.
- Eu posso, ok? Estou grávida e tenho direito de comer o ultimo pedaço de bolo! – sorri presunçosa lambendo meus dedos.
- É verdade, mas quem vai ficar gorda é você enquanto eu vou continuar lindo e gostoso... – ele fingiu arrumar seus cabelos inexistentes para trás me fazendo revirar os olhos e jogar meu guardanapo nele – Ai sua vadia, poderia ter acertado meu olho e agora eu estou com nojo de pegar nesse pedaço de papel que você passou a boca suja nele!
- Você nunca vai parar de me chamar assim, não é? – cruzei meus braços fingindo estar brava.
- Eu não, querida, nem você e nem Caroline, foi assim que eu conheci vocês e é sempre a primeira impressão que fica – ele respondeu com descaso – e outra, daqui alguns meses vocês duas vão ficar sérias, sem graça e cheias de responsabilidades, me deixem extravasar e chamar o quanto quiser vocês de vadias, suas chatas, é uma forma carinhosa na qual eu me refiro a vocês... – eu e Caroline soltamos um coro de “awn” fazendo nosso amigo corar.
- Isso soou tão meigo, Marcos, até para você! – Caroline comentou fazendo o rubor das bochechas dele se intensificar.
- Ai vocês duas viu! – ele riu cobrindo o rosto com as mãos para esconder as evidencias de que havíamos o deixado com vergonha – mas me digam uma coisa, como é essa história de ficar grávida? Como que é a sensação de ter uma coisa crescendo, se mexendo dentre da sua barriga? Vocês não se sentem um canguru carregando essa criança para lá e para cá?
- Marcos! – eu e Caroline, mais uma vez dissemos em coro – essa “coisa” que você se refere, é meu filho, um bebê! – eu defendi – não sei direito como é ficar grávida porque minha gravidez não chegou ao estágio da de Caroline então eu nem cheguei a aproveitar meu bebê na barriga, Carol pode te explicar melhor como é... – encolhi os ombros abaixando meu olhar para minhas mãos que brincavam com outro guardanapo.
- Estar grávida maravilhoso, Marcos, não sei como explicar e não sei como você consegue se referir a Claire como coisa! – minha amiga revirou os olhos acariciando a barriga ao falar o nome da filha – e por favor, não vamos tocar no assunto de como ela vai sair daqui, isso ainda é algo delicado para mim e eu venho tentando me preparar lentamente... Acredite, se tivesse outra forma de retira-la daqui que fosse menos apavorante do que as convencionais, eu escolheria essa sem duvida alguma – Carol assumiu sem conseguir esconder o tom assustado na voz ao falar sobre o parto. Minha amiga tinha certo pavor de agulhas, sangue e médicos então ter que lidar com algo como o nascimento de um bebê deveria estar sendo no mínimo aterrorizante — mas mudando de assunto, como você está, Elena?
- Eu estou bem... – assenti suspirando – digo, estou bem confusa... Ao mesmo tempo que eu estou surpresa pela noticia, eu estou feliz por estar grávida de Damon, mas estou com medo do que vai acontecer ou do que pode acontecer... Eu não sei direito o que pensar – balancei a cabeça me sentindo engasgar com minhas próprias palavras.
- Desabafe conosco, amiga... – Caroline me incentivou percebendo que eu tinha muito para falar.
- Eu não sei, eu estou com medo, estou com muito medo de perder esse bebê, estou com muito medo de como Damon vai reagir, estou desesperada porque preciso de um emprego mas ao mesmo tempo em que estou sentindo tudo isso, estou feliz por estar esperando um filho do homem que eu amo... – eu disse rapidamente em uma avalanche de palavras e sentimentos.
- Lena, eu não vou te falar para ficar calma porque isso seria ridículo, eu compreendo que você esteja se sentindo assim e eu já lhe disse que independente do que aconteça eu e Marcos vamos estar aqui para te ajudar, nós nunca vamos te abandonar principalmente em um momento como esse.
- Caso aconteça o pior, Lena, as portas do meu apartamento estão abertas para você...
- Vocês não sabem o quanto eu fico aliviada em saber que tenho vocês em minha vida, muito obrigada, de verdade. – sorri gentilmente para eles – mas, se for possível, será que temos como mudar de assunto? Eu estou tentando não pensar nisso até voltar para casa... – para minha tranquilidade, eles não insistiram em continuar conversando sobre aquilo e assentiram meu pedido sem questionar. Após alguns segundos em silencio pensando em algum assunto novo para conversarmos, Caroline se manifestou;
- Quase que eu me esqueço de contar isso para vocês! – ela se sentou no sofá de forma que conseguisse olhar para mim e Marcos enquanto falava e um sorriso de orelha a orelha apareceu em seu rosto – Eu e Klaus nos beijamos ontem! – vê-la daquela forma lembrava-me exatamente de uma menina que havia dado o seu primeiro beijo no garoto em que gostava tamanha era sua excitação.
- Aleluia! – Marcos exclamou erguendo as mãos para o céu – por favor, nos conte detalhes desse momento histórico!
- Foi um beijo doce, calmo, nada disso que sua mente perversa está pensando, Marcos, mas é um começo, não é? Eu estava triste porque fui a alguns lugares deixar meu currículo mas eles não pegaram por eu estar grávida e ele percebeu...
- Tem certeza que isso não é alucinação, Caroline? Eu estou achando muito romântico para parâmetros do Klaus... – Marcos comentou me fazendo fuzila-lo com o olhar o repreendendo pelo comentário maldoso. Definitivamente, ele não tinha limites.
- Eu sei que isso pode estar soando estranho para vocês, mas ele está mudando, digo, Klaus pode ser um tanto frio as vezes mas ele é uma ótima pessoa e ao contrario do que vocês pensam, ele é romântico, cavalheiro, pelo menos quando quer...
- Ok, não está mais aqui em falou, se você que dorme com ele, quero dizer, dormia, está falando isso, quem sou eu para negar?
- Termine de contar sobre o beijo, Carol, estou curiosa!
- Prosseguindo... Ele percebeu que eu estava triste e então perguntou o que estava acontecendo, eu respondi com sinceridade e ele disse que eu não precisava me preocupar com isso, que ele iria me ajudar a criar Claire e que se porventura mais para frente, quando Claire nascesse, eu quisesse trabalhar ele iria me apoiar. Eu estava quase chorando de desespero e ele me puxou para me dando o beijo mais doce de nossa história... – Caroline fechou os olhos e afundou o rosto na almofada que estava abraçada para abafar um grito de excitação. As vezes eu questionava quantos anos realmente minha melhor amiga tinha, Caroline de vez em quando me parecia tão adolescente que eu me esquecia que ela estava prestes a ser mãe – eu sei que não deveria me apegar a isso mas é impossível, eu amo tanto ele que quanto mais eu tente lutar contra esse sentimento, mais ele me da motivos para continuar o amando.
- Sei como é isso... – disse com um tom um tanto amargurado – mas então, o que aconteceu depois?
- Nada, foi mais um beijo de boa noite, mesmo. Depois ele sorriu para mim, me deu boa noite e seguiu para o seu quarto...
- Ah meu Deus, como vocês são broxantes! – Marcos disse revoltado – e você Elena, como você e Damon estão?
- Estamos bem, muito bem, na verdade.
- Eu sei que vocês estão bem, querida, estou perguntando como vocês estão naquele sentido!
- Eu sei que foi nesse sentido por isso respondi que estamos muito bem.
- Uuuh, aleluia um pouco de animação por aqui! Sabia que vocês dois eram ninfomaníacos, agora me conte tudo!
- Eu nunca vou me acostumar com sua curiosidade sobre minha vida assexual, Marcos!
- Qual é Elena, vocês andam muito sérias e calmas para o meu gosto, estou começando a sentir falta da Nina e da Roberta.
-Não fale isso nem brincando, Marcos! – Caroline defendeu.
- Você é um pervertido sabia disso? – cruzei meus braços olhando para ele.
- Eu sei querida, mas vocês são mais! Veja bem, eu escuto as historias que vocês fazem, muito pior!
Felizmente a ideia de Caroline de me fazer esquecer por pelo menos algumas horas os meus problemas, deu certo e enquanto eu estava com eles, conversando e rindo de futilidades, consegui ficar no mínimo tranquila, mas assim que Marcos me deixou em casa, toda aquela agonia e insegurança voltaram à tona. Damon ainda não havia chego e Jenna e Emily haviam saído para fazer compras, o que significava que eu estava completamente sozinha naquele apartamento. Assim que cheguei, resolvi tomar um longo banho e após ter saído do chuveiro, me deitei na cama abraçada no travesseiro de Damon... Enquanto me embriagava com seu cheiro delicioso impregnado na fronha, não consegui evitar fazer o que controlei o dia inteiro e deixei escorrer pelo meu rosto todas as lágrimas que incomodaram minha garganta e arderam meus olhos. Não sabia por que chorava, apenas chorava, sem conseguir parar...
- Hey, meu anjo, você está aqui... – Damon entrou pelo quarto em silêncio e eu só fui me dar conta de sua presença quando ele tocou meu rosto com delicadeza, rapidamente sequei meu rosto tentando esconder as evidencias de que estava chorando – você está chorando? O que aconteceu, Lena? – eu me sentei na cama e continuei abraçada em seu travesseiro, meu coração voltou a bater descompensado em meu peito e mais uma vez minhas mãos começaram a tremer enquanto eu brincava com a pontinha da fronha tentando me distrair. Infelizmente, Damon já havia me visto chorando e não seria fácil contornar aquela situação, principalmente porque nada que eu pensava era bom o suficiente para justificar o estado em que eu me encontrava. Eu tinha que contar a verdade a ele, nós estávamos sozinhos em casa e aquele era a oportunidade perfeita. – Damon, eu tenho que te contar uma coisa só que você precisa ser compreensivo, me promete?
- Meu Deus, Elena, você está me deixando assustado – Ele se sentou em minha frente e me olhou atentamente.
- Só me promete, ok?
- Ok, prometo!
- Primeiro eu quero te dizer que eu juro que eu não fiz isso de proposito, não era minha intenção que isso acontecesse, eu juro. Segundo que eu vou compreender qualquer reação sua e se você quiser que eu suma de sua vida depois disso, também vou entender, apesar de ficar bem triste se isso acontecer... – eu disse rapidamente em meio a soluços e lágrimas ainda com o olhar baixo para onde meus dedos brincavam, sem ter coragem de encará-lo para dar aquela noticia.
- Elena, se acalme e me conte o que está acontecendo... – Damon segurou meu rosto me obrigando a fazer o que eu menos queria naquele momento, encarar seus lindos e confusos olhos azuis.
- Eu estou grávida... – disse baixinho, fechando meus olhos esperando sua reação.
- Mas... Mas... – Damon gaguejou e meu choro se intensificou pela sua resposta – Mas você me disse que tomava pílula.
- E eu tomava, mas naquelas duas semanas que fiquei presa no bordel, acabei tomando uns remédios que cortaram o efeito do anticoncepcional. Sinto muito, Damon... – ele ficou em silencio por um tempo, as sobrancelhas franzidas e sua expressão séria só deixavam evidente que iria acontecer o que eu temia que aconteceria.
- Elena, não me leve a mal, mas você tem certeza que é meu filho? Digo, se você disser que tem, eu vou acreditar em você, mas não entenda errado essa minha duvida...
- Tenho! – respondi com convicção – você é o único homem que eu fiz sexo sem camisinha e pelos cálculos, tudo indica que é seu, acredite em mim. – eu peguei sua mão que estava em cima da cama o obrigando a olhar para mim novamente – mas se você não acreditar, eu posso ir embora e desaparecer de sua vida...
- Elena, não fale besteira, eu nunca te abandonaria grávida, eu disse que acreditaria em ti e eu estou confiando mais uma vez em você nesse momento, se você tem tanta certeza de que é meu filho... – Damon gaguejou levemente em meio as palavras e após terminar tentou esboçar um sorriso sem muito sucesso.
- Me desculpe, Damon, eu sei que não era hora para um filho... – eu ainda chorava sem conseguir me controlar, mesmo depois de Damon ter dito que não me abandonaria eu continuava apreensiva, ele não me pareceu muito convicto e o que me assustava mais era não saber o que passava pela sua mente naquele momento.
- Lena, pare de se desculpar, você não fez esse filho sozinha, nós dois fomos irresponsáveis por não nos protegermos.
- Eu prometo que assim que for possível, eu vou fazer um teste de DNA, ok?
- Não tem necessidade, Lena, eu disse que confio em você... – Damon me puxou para si, me aconchegando em seus braços, mas eu ainda distinguia um toque de insegurança no meio daquela falsa convicção.
- Seja sincero comigo, Damon...
- Eu estou sendo sincero, mas é que a informação está um pouco nova e eu preciso de um tempo para tentar colocar isso na minha cabeça, para me convencer de que eu vou ser papai de novo...
- Me diga quando estiver pronto para falar sobre isso ok? E por favor, Damon, não minta para mim.
- Não estou mentindo, Lena, acredite em mim, eu estou feliz com a notícia mas como eu disse, é muito novo...
Eu me endireitei em seus braços e levei minha mão até seu rosto, olhei dentro de seus olhos e ele correspondeu aquele olhar da forma mais intensa que conseguiu. Damon era um livro aberto, seus olhos diziam muito por ele e naquele momento, eu percebia o quanto ele estava confuso, não fazia ideia do que ele estava pensando ou qual era sua confusão interna, mas eu via que ele não estava mentindo ou pelo menos seus olhos não pareciam mentir para mim. Ele passou o braço pela minha cintura aproximando nossos corpos, deixando nossos rostos milímetros de distancia e eu encostei nossas testas fechando meus olhos enquanto nossos gestos falavam por nós.
- Por favor, Damon, não me abandone...
Damon soltou um riso baixinho e com sua a outra mão tocou meu vente delicadamente para só então encostar nossos lábios em um beijo calmo.
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