Sogros

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Boa leitura. Haha

Quanto mais perto chegava, mais o desespero me atacava. Podia ver que o relógio estava prestes a marcar 10h:25m da manhã, mas mesmo assim estava difícil me acalmar.

Decidi então mentir, peguei meu celular em cima da mesa e escrevi a mensagem:

“H: Amor da minha vida, quero pedir desculpas mas acho que não poderei ir à ceia de natal na casa dos seus pais. Eu estou doente. Cof, cof. :( Mas pode ir e se divertir por mim. Te amo.”

Enviei a mensagem satisfeito, pouco depois meu celular vibrou com a chegada de uma nova mensagem.

“D: Tadinho de você, anjo. :(

Nada disso, vou ficar com você em casa, te encher de beijos para melhorar! Vou até aproveitar que estou perto daquele restaurante de sopas e levar uma de alho caprichada pra você melhorar logo. ♥

Te amo, meu amor.”

Meus olhos se arregalaram em desespero.

“H: Não precisa se preocupar, já estou melhor. Tomei um remédio ótimo que mamãe recomendou, me sinto novo em folha!”

Não precisei esperar muito para a resposta.

“D: Eu sei que isso foi só para fugir do jantar, Harry Tiago Potter. ¬¬°

Ninguém tosse na mensagem, sabia que ia voltar atrás depois de falar da sopa de alho.

Até logo. ♥”

Como eu fui escrever a tosse? Eu deveria ter ligado, mas já foi uma tentativa, agora ele não vai mais me dar crédito. Além de que em breve ele vai chegar aqui. Será que dá tempo de fazer igual aquelas pessoas que esquentam bolsa de água e fazem pintinhas e fingem estar doentes como nas novelas?

Acho que não...

Tá, essa é uma fase necessária para nós dois, temos quase a obrigação de ir a essa ceia. Estamos juntos há quase um ano e eu ainda não havia tido uma conversa com eles. Talvez eu estivesse com um pouco de medo do senhor Malfoy, quase insignificante...

Ou muito.

Mas também tinha o receio de ficar com raiva dele e pular em seu pescoço, não seria um bom momento com o pai do namorado.

Mas qual é? Ele odeia meus pais, com certeza vai me odiar por tabela. Até porque o ódio entre Malfoy e Potter passa de geração em geração por causa da disputa acirrada de melhor jornal da cidade. Acredito até que esse ódio passe geneticamente, porque assim que Draco e eu nos conhecemos no nosso primeiro ano em Hogwarts – uma das melhores escolas de Londres – faltaram sair faíscas de nós dois, e assim foi durante todo o período em que estudamos lá; Discussões, brigas físicas e insultos, até que uma bebedeira no ano novo e um pouco de solidão nos fez ficar juntos no começo do ano. Realmente, eu não saberia dizer em que momento os insultos viraram beijos e os socos viraram abraços, mas depois de muitos encontros casuais Draco tomou a dianteira e me pediu em namoro (o que quase me fez ficar pulando de alegria, quase) alguns meses atrás, até que chegamos a onde estamos hoje: eu tendo que ir à casa dos Malfoy no natal e ele tendo que ir à casa dos Potter no ano novo.

— Eu acho que você está muito pensativo, Potter.

— Que susto! — praticamente gritei, quando Draco falou atrás de mim, fazendo ele rir divertido.

— Vejo que está distraído mesmo, nem me ouviu entrar.

— Só pensando. — respondi, o abraçando pelo pescoço e lhe dando um beijo.

— Só cuidado para não queimar isso que chama de cérebro. — Ele disse, provocativo.

— Sou bem eu que é apenas um rostinho bonito. — respondi.

— Obrigado? — perguntou, me fazendo rir.

— Idiota. — falei, soltando ele.

— Volta aqui, neurótico. — Ele falou, me puxando pela cintura.

— Neurótico é o seu...

— Sem xingamentos. Agora, sobre mais cedo, não se preocupe com os meus pais, sério, nós não mordemos.

— Você morde sim. — respondi, fazendo ele rolar os olhos.

— É sério, Harry. Meus pais vão te receber como as cobras recebem seu jantar.

— Nossa, estou rindo muito, Dray. Que tal largar a carreira de modelo para ser comediante.

— Estou tentando deixar isso mais fácil para você. — falou, sorrindo divertido.

— Me sinto muito tranquilo, obrigado. — falei, debochado.

— Eu sei de uma forma de fazer você relaxar. — Ele falou, começando a distribuir beijos pelo meu pescoço.

— Sabe, é? — perguntei, rindo.

Talvez uma distração seja o que eu precise.

(...)

Não! Uma distração não basta!

— Harry, não precisa surtar. — Draco falou, massageando minha mão enquanto os portões da mansão iam abrindo.

Confesso que estava surpreso com o grande portão com um M no meio e algumas serpentes, mas só o que eu imaginava era em eu virando o prato principal da ceia.

— Vou respirar fundo, bem fundo. — falei, fazendo isso.

— Sim, vai dar tudo certo, amor. — Ele falou tranquilamente, me dando um selinho e saindo do carro.

O segui e entrelaçamos os dedos andando pelo jardim da entrada.

— A mansão é bem bonita. — comentei.

— Isso ela é, foi construída por algum tataravô Malfoy e vem passando de herdeiro para herdeiro. — Ele falou, sorrindo levemente.

Draco abriu as portas da entrada e depois de passarmos por um longo hall chegamos a uma sala, onde estavam os pais de Draco.

— Olá. — Ele falou, chamando atenção para nós.

— Oi. — Narcisa falou, confusa.

— Draco, Potter. — Lucius falou, nos olhando com a sobrancelha arqueada, fazendo questão de caprichar no sarcasmo quando falou meu sobrenome. — Pensei que traria seu namorado, não esse indivíduo.

— Então, esse é o Harry, ele é meu namorado — Ele falou.

— Boa noite. — falei, sorrindo amarelo.

— Rápido, Narcisa, ligue para a polícia. Não, para um hospício! — Lucius falou, virando para ela.

— Você não vai nem ficar para a ceia? — perguntei, sarcasticamente.

— Ah, o Potter sabe responder!

— Pai, por favor...

— Não vou escutar suas piadinhas calado. — falei, Draco me cutucou, falando para parar.

— E você acha que eu devo receber um Potter que supostamente é o namorado do meu filho com um grande sorriso e abraços?

— Tenha modos, Lucius. Calado. — Narcisa falou, olhando para ele com os olhos em fenda. — Não ligue para ele, você é bem vindo se faz meu filho bem.

— Obrigado. — respondi, sorrindo.

Ela nos encaminhou para uma sala de jantar que uma mesa continha uma diversidade de comida natalina que me fez salivar, estava morrendo de fome, Draco não deixou eu ficar comendo em casa. Logo todos nos servimos e começamos a comer, com Lucius me olhando desconfiado.

— E o que faz da vida, Potter? — Lucius perguntou.

— Sou designer.

— Não vejo muito sobre isso nas revistas. — Ele falou.

— Não gosto de expor minha vida por aí. — falei, dando de ombros.

— Percebi, visto que está namorando com Draco há um bom tempo e não saiu nada em canto algum.

— Queríamos um pouco de paz, pai. — Draco falou, bebendo um pouco de vinho.

— Pelo menos deveriam ter contado para nós, não é mesmo?

— Sim, mas queríamos ficar um pouco só nós dois. — respondi.

— Como posso ter certeza de que isso não é só para me irritar?

— Por que eu faria isso? — Draco perguntou.

— Não sei, alguma afronta de graça?

— Claro que não, nós estamos namorando desde o começo do ano. — Draco respondeu.

— Então pode ser alguma pegadinha do Potter para nós.

— Eu amo o Draco, senhor Malfoy. Não tem pegadinha nenhuma. O mundo não gira ao seu redor, dono do mundo. — respondi, sarcasticamente.

— Talvez só queira alguém pra usar, quem sabe roubar informações do nosso jornal. — Ele alfinetou.

— Lucius!

— Pai!

— Eu não tenho paciência para isso. Passar bem, senhor Malfoy. — falei, entredentes.

Joguei o guardanapo em cima da mesa e saí, indo em direção à porta. Mas dei meia-volta e peguei o meu prato.

— Nem você me faz perder a fome. Depois Draco traz o prato. — falei, dessa vez indo embora mesmo.

— Harry. Me desculpe, eu pensei que ele iria superar essa rixa idiota. — Draco falou, me seguindo para fora.

— Eu sabia que era má ideia. — resmunguei.

— Pelo menos tiramos o band-aid de uma só vez, hum? — Ele falou, me abraçando.

— Sim, já posso odiar seu pai sem reservas. — falei, dando de ombros, fazendo ele rir.

— O que vamos fazer agora?

— Eu tinha feito um estoque natalino em casa, só por precaução. — respondi, fazendo ele rir.

— Só você mesmo, vamos. Me desculpe novamente.

— A culpa não foi sua, e o meu consolo é que no Ano Novo você vai ir à casa dos meus pais. — falei, rindo da careta que ele fez.

Oh, sim. Eu mal posso esperar.

Notas finais
Postando a primeira one de natal. o/
Ia deixar para o dia 25, mas como vou para a casa do papai (onde não tem Wi-Fi e nem área) e não sei se volto antes do natal acabar, decidi postar logo. Hehe
Espero que tenham gostado. :3
Bjs ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!