Sociedade Vampírica

3 Vingança é melhor que culpa


Notas iniciais
U.U

Oi gente linda da Nara ♥ Eu iria escrever isso nas notas iniciais, mas como o Nyah! tá de palhaçada com a minha cara, vou deixar aqui mesmo.

O capítulo tá pronto faz um dias, mas eu não tava conseguindo postar. Acho que dessa vez vai dar certo ~oremos. Me desculpem pela demora, mas essa história é muito complexa. Precisa de atenção a tudo e de criatividade. É muito difícil desenvolver algo bom e aceitável para o raciocínio de vocês.

Eu gostei desse capítulo. Maria dará o ar da sua graça, e como sempre roubará a cena da Yuuki. Quero manter a mesma personalidade de AV. Só vou mudar o macho dela, pode ser?

Fiquem atentos ao que lerão. Se não entenderem algo, ou achar que está contraditório, ou até mesmo se acharem algum erro, por favor me avisem. Meu cérebro tem bugado muito ultimamente. E se não for pedir muito, sejam o mais específicas que puderem, porque a vida não tá fácil. kkkk

Obrigada pelo apoio de todas, suas limdas. ♥

Aproveitem.

_____XXX_____

Até que ponto é o seu limite?



Os burburinhos não deixavam a mente da jovem vampira.

“Assassina!”

“Maldita!”

“Ela não merece ser uma de nós!”

“Ela deve morrer!”

“Ela está fora de controle! Precisa ser morta antes que mate a todos nós!”


– Seiren. – o vampiro que a segurava chamou e imediatamente uma mulher apareceu em frente aos dois.

– Meu senhor. – curvou-se.

– Precisamos sair daqui. Cuide dos convidados.

– E-e-eu eu não fiz nada! Eu juro que não os matei! – Yuuki repetia incessantemente.

– Eu se disso. – o vampiro sorriu para Yuuki tentando passar uma calma que os dois sabiam que não existia.

Após deixar para trás toda aquela confusão em um carro que já os esperava na entrada da mansão, a jovem vampira mais uma vez se via sozinha no mundo. Seus pais haviam morrido, Kaien deveria estar acusando-a juntamente com o resto dos convidados e o homem parado a sua frente, bom, ainda não sabia como se sentir em relação a ele. Por algum motivo, não tinha medo, mas seus pensamentos sempre a alertavam que não deveria confiar em pessoas estranhas ou que são caridosas demais, principalmente se elas fossem o rei dos vampiros. Talvez ele estivesse levando-a para a morte, mas Yuuki não se importava. Ela também achava que merecia morrer.

Uma verdadeira covarde, isso é o que ela era. Disse que ajudaria seus pais, mas por sua causa agora eles jaziam num chão frio. De todos os sentimentos aquele era o pior, o mais torturante, aquele que não desejava a ninguém.

– Parece cansada... por que não dorme um pouco? A viagem será um pouco demorada. – o vampiro falou, fitando-a com olhos de indiferença.

– Melhor não, obrigada. – sorriu, tentando parecer gentil.

– Não confia em mim, Yuuki?

– Não é que eu não confie em você, mas é que chega um momento na vida que a gente passa a duvidar de tudo.

– Você tem apenas dezoito anos humanos, como pode dizer algo que nem uma pessoa com o dobro da sua idade costuma falar?

– Uma pessoa com o dobro da minha idade provavelmente nunca teve o sobrenome Kuran. E particularmente, acho que deve se considerar uma pessoa muito sortuda. – o vampiro esboçou um sorriso como se pensasse no quão ingênua a menina ainda era.

– Você ainda tem muito o que aprender, minha querida. Alguém que possua o sobrenome Kuran, deveria se sentir alguém muito privilegiado. Não por ter nascido com esse sobrenome, mas pelo que ele traz.

– Quer dizer maldição? – fez que não.

– Yuuki, acho que você só está vendo o seu lado. Cada um carrega sua cruz, acha que só você tem uma vida difícil? Vampiros de baixa classe precisam dar um jeito de sobreviver sem ameaçarem os humanos e suportar as humilhações da alta sociedade. Nossa nobreza não é nem nunca será solidária. A menos que você esteja acima deles, é claro.

– Com toda a certeza a frieza deles é mais verdadeira do que os sorrisos. – a jovem ressaltou.

– Sim, mas você aprenderá que às vezes é melhor andar no meio dos lobos do que das ovelhas. Os sorrisos podem ser falsos, mas a submissão é verdadeira. Se você fosse uma vampira qualquer, provavelmente estaria sendo tratada como um cão. As pessoas não se importam com quem está abaixo delas, só com quem está acima. Talvez você não saiba isso porque se há mais de cinco pessoas acima de você é muito.

– Então você acha que eu devo ser grata pela minha posição?

– Nas atuais situações, se você fosse uma qualquer não teria dado sequer um passo sem ter se transformado em pedaços.

– A morte não me parece uma opção tão ruim. Na verdade, é muito convidativa se comparada à solidão na qual vivo.

– Não diga isso! Não diga isso nunca mais! – Yuuki se assustou com a reação do vampiro. – Você não sabe o que é solidão, Yuuki. Você não sabe o que é ter apenas a si mesmo como única companhia. Você não sabe o que é não poder amar alguém...

– Acha que eu não sei? Acha que eu não sei porque sou nova demais pra isso? Você sabe absolutamente nada sobre mim! Como pode dizer que não sei como é sentir essa solidão? Desde cedo, todos a quem amei me abandonaram, um por um. Você não sabe o desespero que é aproveitar cada dia como se fosse o último, a tortura de ter sempre que lembrar que quando menos esperar aquela pessoa sumirá tão rápido quanto apareceu!

Por que ela tinha dito aquelas coisas a ele? Quem era aquele vampiro afinal? Aquelas eram coisas que nunca haviam saído do seu mais profundo íntimo e como ele tinha feito que as revelasse tão facilmente?

– Talvez tenhamos mais em comum do que imagina, pequena. – ele sorriu.

Pequena...

Aquela palavra não era estranha, aquela forma de afeto muito menos. Mas quem falava aquilo? Quem era? Quem era?

Uma forte dor começou na cabeça de Yuuki, tão intensa que a cada segundo sua capacidade de raciocínio ia embora sem se importar com que estivesse perto de lembrar-se de algo importante. A dor era grande demais para suportar. A rendição era o melhor caminho, talvez o único.

Flash back on

– KANAME-SAMAAAAA! – a menina enrolada em seu roupão de banho com capuz corria pelo corredor em direção ao seu Kaname enquanto Kaien a perseguia.

– Yuuki, pare aonde está agora mesmo! Isso não são maneiras de se apresentar ao Kaname-sama! – a menina virou-se, deu língua ao homem e continuou correndo de braços abertos em direção ao vampiro que a esperava enquanto tirava o sobretudo.

– Yuuki, você deveria ouvir seu pai... – o vampiro dizia enquanto se ajeitava para pegar a menina nos braços.

– Ele diz isso, mas sempre vejo algumas empregadas indo pro quarto dele de roupas de baixo! – o vampiro dos olhos cor de ameixa enrubesceu juntamente com Kaien. O que dizer a uma criança sobre aquela situação?

– Não fale besteiras, menina! Já disse que é feio mentir! – Kaien puxou a orelha de Yuuki.

– Ai! O único mentindo aqui é você! – a menina passava as mãos na orelha após Kaien tê-la liberado.

– Ele já é adulto, então não importa o que ele faça, você deve obedecê-lo, Yuuki! – disse Kaname.

– Então quando eu for adulta vou poder mentir? – o vampiro riu.

– Não. O que estou dizendo, é que mesmo ele fazendo algo errado, você precisa obedecê-lo, porque ele sabe o que é melhor pra você!

– Tem certeza? Eu tenho minhas dúvidas, sabe?

– Eu também. – sussurrou no ouvido da menina que soltou um risinho.

– Kaname-sama, você é adulto, quer dizer que você pode entrar no meu quarto de roupas de baixo? – o vampiro não sabia se ria ou se ficava envergonhado. Yuuki era tão inocente, dizia as coisas com tanta facilidade. Ela era a única pessoa no mundo capaz de constrangê-lo com sua pureza.

– Não acha que ainda é pequena demais pra isso, mocinha? – apertou o nariz dela.

– Qual é o problema? As empregadas parecem bem felizes quando saem do quarto do papai. Talvez ficar de roupas de baixo deixe as pessoas felizes. Quero vê-lo feliz, Kaname-sama.

– Você não precisa fazer muito, apenas continue sendo minha pequena. – beijou a bochecha dela. Yuuki ficou vermelha no mesmo instante.

– Sua pequena? Quer dizer que eu posso ser a pequena de outras pessoas? Quer dizer que eu nunca vou crescer? Mas eu preciso crescer ou o papai nunca vai me deixar sair para vê-lo!

– Sabe Yuuki, você ser minha pequena, não quer dizer que você ficará desse tamanho pra a sempre. Significa apenas que você nunca deixará de ser quem você é.

– E quem eu sou, Kaname-sama?

Minha salvação.

– A menina que me faz feliz por estar feliz. – beijou a ponta do nariz dela.

– Então acho que serei sua pequena pra sempre, porque nunca vou deixar de estar feliz enquanto você estiver ao meu lado!

Kaname...sama...

Flash Back off

A vampira acordou assustada. Imediatamente constatou que suava mais que o normal e que se encontrava deitada numa cama king Size. Estava ofegante.

Foi só um pesadelo. Só um pesadelo.

Percebeu uma porta entreaberta na parte oposta do quarto em que estava. Levantou-se cambaleante e seguiu em direção à luz que machucava seus olhos.

– Acha que eu não sei o que está fazendo, Kaname? – um homem que Yuuki não conseguia enxergar falava com o vampiro sentado em uma poltrona que aparentemente estava exausto.

– Poderia me dizer então o que eu estou fazendo, Kaien? – perguntou impaciente.

– Você está tentando fazê-la lembrar!

– Não acha que já é hora, Kaien? Yuuki já não é mais criança. Está na idade de saber a verdade.

– Essa escolha foi sua, Kaname! Não acha que deveria conviver com ela?

– Hm... não lembro de ter proposto isso. Mas lembro de não ter tido opção a não ser aceitar. Kaien, não pode haver mais segredos entre Yuuki e eu. Como irei protegê-la se ela não confiar em mim?

– E ela precisa saber de tudo pra poder confiar? Ela te venerou uma vez, o que a impede de fazê-lo de novo?

– Não acha que está subestimando a capacidade de Yuuki?

– Acho que ela ainda não está preparada.

– E quando estará, Kaien? Quando você trancá-la numa sala à prova de vampiros e privá-la de qualquer contato com a humanidade? Um humano com metade da idade sabe mais coisas sobre a vida do que ela! Como espera que se defenda?

– Se acha que não será capaz de protegê-la, não se preocupe, eu me encarrego. – o vampiro se levantou. Yuuki deu um passo para trás com medo de ser descoberta.

– A única coisa que me impedia de tomar minhas próprias decisões eram Juuri e Haruka. Agora que estão mortos, farei as coisas como bem entender.

– Acha que não tentarei impedir?

– Acha que irá conseguir? – os homens ficaram se encarando por um longo tempo, sem respostas.

Em um pulo, Yuuki voltou para o seu lugar na cama antes que os homens decidissem sair daquela sala e fingiu estar dormindo. Não demorou muito para que sentisse a presença das duas figuras no mesmo lugar que ela. Passados alguns minutos passou a sentir apenas uma pessoa no local, que por sinal, estava sentada na sua frente.

– Já pode abrir os olhos, Yuuki. – Kaname falou.

A vampira fingiu despertar e sentou-se na cama.

– Majestade? – olhou ao redor. – Onde estou? – ele sorriu.

– Meu Deus, Yuuki. Você mente muito mal. – enrubesceu.

– Como assim mentir?

– Acha que eu não sei que você escutou nossa conversa? Como atriz você é uma ótima princesa. – Yuuki cobriu o rosto com o lençol. Estava envergonhada demais.

– Me desculpe...

– Eu deveria?

De início, Yuuki assustou-se, mas após olhar nos olhos do vampiro alguma coisa hipnotizou-a. Ela sentia que ele estava triste, sentia que ele estava se controlando. E aquilo trouxe todos os últimos acontecimentos à sua mente.

– Talvez não devesse. – respondeu. Ele arqueou uma sobrancelha.

– Acha que eu não deveria perdoá-la? Hm... isso é estranho. Geralmente as pessoas imploram por perdão.

– Dizem que eu sempre fui diferente. Por que não seria agora?

– Se sente culpada pelo que aconteceu aos seus pais? – como se pudesse ler a mente dela, Kaname disse diretamente.

– Eles morreram por minha causa. – abraçou os joelhos.

– Você não pode pensar assim.

– Como não posso? Eu fiz absolutamente nada para ajudá-los e ainda por cima os atrapalhei! Eles poderiam estar vivos agora se não fosse por mim!

– Me diga, Yuuki, se culpar agora os trará de volta? Fará com que você volte no tempo para mudar as coisas? Não é porque você tem todo o tempo do mundo que deveria se torturar dessa forma.

– E o que eu deveria fazer? – Kaname sorriu torto, como se estivesse apenas esperando que Yuuki fizesse tal pergunta.

– Kaname, seu idiota! – uma vampira de cabelos brancos e olhos acinzentados, um pouco menor que Yuuki, adentrou o quarto a passos curtos, porém rápidos. Ela parecia não temer o fato de chamar o rei dos vampiros de idiota. Será que ela era do tipo que precisava de adrenalina pra sobreviver?

– O que foi desta vez, Maria? – Kaname suspirou.

– Como você traz Yuuki pra cá e me diz nada, hein? – deu um tapa no ombro dele. – Tá achando que isso aqui é bagunça?

– Ta perdendo a noção do perigo, Maria?

– E você? Já perdeu a sua? – aumentou o tom de voz.

– Por que não está cuidando dos novatos?

– Porque eles são uns idiotas! Não sabem diferenciar um ataque de puro sangue de um ataque de um nobre! Algo tão simples assim e eles não conseguem fazer! Se eu fosse você dava uma revisada nessa equipe de recrutamento aí porque o nível ta caindo. Já foi época que eu botava essas crianças pra ralarem de verdade! – olhou para suas unhas como se falasse a coisa mais normal do mundo.

– Você sabe que a equipe de recrutamento é composta pelos líderes, não é mesmo?

– E daí? Troque todos, então.

– Está me dizendo que não tem capacidade para fazer desses novatos grandes vampiros da Sociedade? – Kaname começou a brincar com o psicológico de Maria.

– Mas é claro que não! Mas você não pode me dar um pedaço de madeira e esperar que eu o transforme num diamante!

– Mas posso te dar um pedaço de madeira e esperar que o transforme em uma arma. – sorriu vitorioso.

– Argh! Não estou com tempo pros seus joguinhos, Kaname. Você não tem nada mais produtivo pra fazer, não?

– Bom, estava cuidando de Yuuki até você invadir o quarto com toda a sua educação. – a vampira fez um muxoxo. – Perdoarei você porque chegou na hora certa. Timing melhor impossível!

– O que você quer? – arqueou uma sobrancelha.

– Preciso resolver alguns problemas. Quero que explique à Yuuki como funcionam as coisas por aqui. – virou-se para a princesa que assistia tudo perplexa. Quem era aquele homem na frente dela? E como ele podia deixar aquela menina tratá-lo daquela forma? – Hoje lhe darei uma outra alternativa além da culpa. Espero que a aproveite bem. – levantou-se do divã. Deixarei você sobre os cuidados de Maria. – aproximou-se de Yuuki e sussurrou em seu ouvido. — Não se preocupe, apesar de parecer louca, ela sabe o que faz.

Dito isso o rei deixou-as a sós.

A jovem princesa não sabia o que pensar ou falar. Não estava acostumada a pessoas tão comunicativas. Principalmente se elas desafiassem o rei.

– Você deve me achar uma louca, não é mesmo? – Maria sentou-se no lugar antes ocupado por Kaname. Yuuki não sabia o que responder. Sim, ela achava, mas como dizer isso? – Ao que parece as coisas não estão muito boas para você, mas não se preocupe. Vamos mudar isso. – levantou-se.

– Q-qual é a sua relação com o rei? – Maria estacou ao ouvir a pergunta. Nem a jovem vampira sabia o motivo de perguntar aquilo, mas algo em seu interior precisava saber.

– Minha relação com Kaname? Hm... deixa eu ver... Kaname é pra mim uma espécie de irmão mais velho. Por ser uma das poucas pessoas que não o venera, criamos um laço bem forte.

– Você não tem medo que ele possa fazer algo a você?

– Kaname não é do tipo que faz algo a alguém sem um bom motivo. Além do quê, existem poucas pessoas que o tratam como alguém normal. Muitos vampiros não conseguem esquecer o título e isso às vezes o incomoda... – Maria ficou pensativa, como se sentisse a dor do próprio Kaname. – É por isso que procuro tratá-lo da maneira mais fraternal possível. Ele sabe que apesar dos meus caprichos, seria a primeira a dar minha vida por ele. – fez uma pausa. — Pensando melhor, a segunda... terceira talvez.

– Por que diz isso?

– Um rei é o tipo de pessoa que ou você ama ou você odeia. Não há meio termo. E muitos dos nobres da Sociedade veneram Kaname, porque em algum momento ele fez algo significativo para a vida deles. Fora que também tem a Seiren. Ela é a guarda costas pessoal do Kaname. Encoste num fio de cabelo de Kaname e Seiren estará cravando as unhas em seu pescoço.

– Nunca a vi...

– E nem vai ver. É por isso que ela é a segurança pessoal do rei. Há anos que conheço Kaname e se a vi duas vezes foi muito.

– Você costuma passar muito tempo com o rei? – por que estava perguntando aquilo? Por Deus, só faltava escrever na sua testa que estava interessada naquele vampiro.

– Se você gosta dele, saiba que seu último problema sou eu. Antes disso você precisa enfrentar uma lista extensa de mulheres. – Maria riu da cara que Yuuki fez. – Não é fácil ser o rei dos vampiros e ser solteiro.

Por algum motivo Yuuki se sentiu triste. O que estava acontecendo? Por que ele mexia tanto com ela? E aquele enjoo repentino? Yuuki estava sentindo coisas novas, e definitivamente não gostava delas.

– Vamos. – Maria chamou-a. – Há muita coisa que você precisa conhecer.

Ao se levantar da cama, Yuuki percebeu que ainda usava suas roupas rasgadas pela luta.

– Hã... acho que não posso sair assim. – Maria deu uma rápida olhada.

– Você tem razão. – ela entrou por uma porta e saiu carregando uma roupa branca. – Vista isso.

Em poucos minutos Yuuki estava pronta. Apesar de querer tomar um banho demorado no banheiro que havia no quarto, não pôde ficar muito tempo devido à pressão que Maria fazia.

– Ficou ótimo em você. – a vampira disse assim que avistou Yuuki.

O uniforme era composto por uma saia de pregas branca, uma blusa com um blazer também branco, um laço vermelho no pescoço e botas de cano longo também brancas.

– Me sinto uma médica.

– Uma médica sexy, talvez. – sorriu. — Bom, se serve de consolo, assim como os médicos também cuidamos de algumas pessoas. Só que nossos cuidados são especiais.

– O que quer dizer com isso? – Maria deu um sorriso brincalhão.

– Em breve você entenderá. – a vampira segurou a mão da princesa e puxou-a para fora do quarto. – É hora de começar nosso tour.

O corredor era movimentado e composto por diversas portas. A iluminação dava um tom sombrio e burocrático ao lugar, como se não houvesse espaço para qualquer tipo de vontade própria. Pessoas passavam por ela como se fosse o ser mais insignificante da face da Terra.

– Onde estamos?

– Bem vinda à Sociedade, Yuuki! Há tantas coisas que você precisa conhecer que nem sei por onde começar... Vamos para minha sala.

A sala de Maria era espaçosa e tinha todo o luxo que se poderia merecer. Desde o carpete do chão até à luminária no teto, tudo esbanja poder e autoridade.

– Esta sala era de Kaname. – explicou. — Depois de tanto insistir, ele finalmente cedeu. – sentou-se numa poltrona de couro atrás de uma mesa de mogno entalhada à mão.

– Como conseguiu que ele trocasse de sala com você?

– Anos de insistência, muitos anos... muitos anos mesmo... E também porque ele fez uma nova sala para ele. – fez um biquinho de decepção. — Mas agora, é hora de lhe explicar como as coisas funcionam. – pegou uma pilha de papéis e os colocou sobre a mesa.

“Há muitos anos, os vampiros faziam o que bem entendiam. E isso muitas vezes acabava por prejudicar os humanos. Foi quando eles se uniram e formaram os Hunters. Um Hunter é um caçador de vampiros, que tem como objetivo exterminar qualquer ameaça a um mortal. Com o tempo, estabeleceu-se então, uma guerra entre os dois mundos. Muitos morreram. Tanto humanos quanto vampiros. “

“Foi quando o nosso rei, juntamente com alguns nobres e o conselho dos Hunters se uniram para tentar trazer alguma estabilidade ao mundo, antes que todos acabassem mortos. Ou você acha que todas essas guerras foram apenas por interesses? Assim, se estabeleceu A Sociedade. Com o intuito de manter o equilíbrio entre os dois mundos, vampiros e Hunters trabalham juntos.“

– E como funciona A Sociedade?

– Entrar para A Sociedade não é algo fácil de acontecer. Isso porque o primeiro quesito é que você seja um nobre. Vampiros normais muitas vezes não são capazes de lidar com os problemas que enfrentamos. Para os Hunters, é necessário habilidades excepcionais. Depois, você não escolhe A Sociedade, ela escolhe você. Temos uma comissão que a todo tempo avalia possíveis candidatos. Ela é dividida em comissão vampírica e a comissão dos Hunters. As comissões são compostas pelos respectivos presidentes, o vice presidente – para os vampiros — , o conselho – para os humanos — , um grupo de olheiros e um representante da comissão oposta, para que não haja problemas.

– E depois que se é aceito?

– A Sociedade funciona como uma empresa. Temos os líderes e os subordinados. Todos os novatos precisam passar por mim. Meu trabalho é treiná-los e avaliá-los, assim, ao fim de um determinado período eu decido o que é melhor pra eles.

“ Porém, tudo é muito divido entre humanos e vampiros. Nós não mexemos com eles e eles não mexem conosco. Eles cuidam dos assuntos relacionados aos Hunters e nós cuidados dos relacionados aos vampiros. Eles tem seu lado do prédio, e nós o nosso.“

– Como assim?

– A estrutura do prédio é em forma de H, só que no subterrâneo para não chamar tanta atenção. Em uma paralela é a parte dos humanos e na outra a nossa. A horizontal é a ponte que liga os dois prédios. De fachada, somos uma espécie de delegacia. Só que aqui, geralmente só costumam chegar os casos sobrenaturais.

– E como é a hierarquia? – Maria abriu uma pasta que continha várias fichas de membros da Sociedade.

– Na nossa Sociedade, Kaname é o presidente, Ichijou é o vice, Kain é nosso diretor estrategista, todas as operações importantes passam por ele. Shiki e Rima são responsáveis pela execução das operações. Trabalham muito ao lado de Kain, já que eles põem em prática o que Kain pensa. Hanabusa cuida geralmente da bagunça que os outros fazem. Tentamos fazer o mínimo de alarde, mas você sabe, às vezes é difícil evitar. Para esse tipo de situações, Hanabusa e sua equipe sempre dão um jeito de pôr tudo debaixo dos panos. Falando bonito, ele seria nosso diretor de relações internacionais, mas eu gosto de dizer que ele é só nosso gari. E eu, bom, você já sabe o que eu faço. Temos também Ruka, que é a secretária pessoal de Kaname. Ela organiza todos os assuntos dele, tanto da Sociedade como os de Rei.

– E como são as coisas na parte dos Hunters?

– Se você quiser saber, terá que perguntar a um deles. Mas é muito difícil, porque mesmo que não hajam mais guerras, a rixa interna ainda é muito grande. Se você chamá-los de “humanos”, por exemplo, eles tentam matar você. Eles não gostam desse título, gostam de ser chamados de “Hunters”. Mó palhaçada isso. Pra mim, continuam sendo humanos. Só porque tem alguns pontinhos a mais no QI se acham superiores.

– E que tipo de operações exatamente vocês fazem?

– Vampiros fora de controle ou que cometeram alguma infração, vampiros tentando dar algum golpe de estado, vampiros torturando outros vampiros, vampiros tentando dominar o mundo... essas coisas de sempre, sabe? Mas vamos para a parte mais importante. – Maria abriu uma pasta vermelha.

“Sempre desconfiei que Shiki e Rima tem alguma coisa. Kain só falta beijar o chão onde Ruka pisa, enquanto ela estende um tapete vermelho para Kaname. De todas, talvez ela seja uma grande rival para você. Hanabusa segue a vida no lema “ninguém é de ninguém” e Ichijou, depois de um bom tempo, cheguei à conclusão de que ele é assexuado. “

Yuuki queria rir. Maria tinha mesmo uma pasta só com relatórios sobre a vida amorosa dos diretores? Rapidamente, a princesa percebeu que Maria era do tipo que é melhor manter por perto. Ela conhecia todos os membros da Sociedade melhor que ninguém e sabia muita coisa sobre cada um deles.

– Mas... o que eu tenho a ver com tudo isso? Por que eu preciso saber todas essas coisas? – Yuuki perguntou. Sua cabeça já doía com tantas informações que considerava inúteis.

– Seus pais foram assassinados porque alguém estava atrás de você. – Kaname apareceu na sala, imponente. – E ultimamente anda ocorrendo uma série de mortes cruéis que ninguém consegue explicar ao certo. – ele se apoiou na mesa de mogno.

– E...? – a princesa incentivou, ansiosa para ouvir o que esperavam dela.

– Você pode ficar se torturando com sua culpa ou se vingar de quem matou seus pais e descobrir porque estão atrás de você. Se aceitar minha proposta ninguém a tocará a menos que queira. Você estará sob a proteção da nossa Sociedade e o conselho ou qualquer outro vampiro não poderá persegui-la. E então? – apesar de não demonstrar, o rei dos vampiros estava agitado. Sempre esperou o momento de fazer tal proposta a sua pequena. E esse dia havia chegado.

Quando Yuuki encontrou os olhos de Kaname, ele não viu medo ou incertezas. Ele viu esperança, rancor, ódio e talvez um brilho diferente. A jovem sorriu pela primeira vez em sua presença.

– Quando começo?

Notas finais
Não tem conta, mas quer dizer o que achou? Ask: http://ask.fm/naranatuavida Grupo: https://www.facebook.com/groups/302848229813748/ Vlw, flw. Beijo galere
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.