Sociedade Vampírica
1 Prólogo
Notas iniciais
Devo avisá-los de que isso é um projeto em teste. Se vocês gostarem e me apoiarem, ele continua.
Uma dúvida que talvez vocês tenham e quero logo esclarecer é sobre a idade da Yuuki nesse flashback. A yuuki tem a mesma idade que costumava ter nas lembranças do mangá/anime. Imagine-a com aquele tamanho e aquela mentalidade.
A noite estava mais fria que o normal. O vento soprava nas árvores permitindo que a neve caísse, cobrindo ainda mais o chão. A localização daquela casa era mais distante que o normal, tudo para proteger a herdeira mais poderosa da família Kuran.
A pequena Yuuki, que brincava com seus cabelos compridos, ainda não fazia idéia do quão forte poderia se tornar, e do quão perigosa era sua existência. Só havia uma pessoa que poderia detê-la, ou melhor, só havia um vampiro poderoso o suficiente para superá-la com sua linhagem genuína.
A campainha tocou alertando a chegada de alguém que já era esperado.
- Que bom que você veio Kaname! Yuuki já estava ficando impaciente. – o vampiro dos olhos de ameixa penetrantes retirou o sobretudo e entregou a Kaien.
- Me diga quando ela não fica. – seguiu em direção à sala de estar, onde a pequenina se encontrava deitada de cabeça para baixo no sofá brincando com os cabelos e balançando as pernas. – Nunca pensei que veria essa cena: um certo alguém morrendo de tédio. – encostou-se na soleira da sala.
Ouvir aquela voz foi o suficiente para fazer com que a menina desse uma cambalhota para ficar de pé e fosse correndo em direção a uma das pessoas mais preciosas para ela.
- Kaname-sama! – pulou em seu colo, ao que ele a ergueu em seus braços. – Pensei que não fosse vir.
- Acha mesmo que eu deixaria de ver minha linda princesa? – colocou-a no chão após um forte abraço.
- Ultimamente você tem priorizado outras coisas. – cruzou os bracinhos fazendo bico. – Só porque eu não sou tão alta ou tão bonita quanto aquelas moças que o seguem. – virou-se de costas.
O Kuran não pôde deixar de rir. Tão pequenina e já sentia ciúmes. Algo desnecessário por sinal, afinal, ninguém mais ocupava o coração mais desejado do mundo dos vampiros a não ser Yuuki.
Agachou-se diante dela obrigando-a a olhar em seus olhos. – Sua boba. – deu um beijo em seu nariz, fazendo-a enrubescer. – Eu jamais poderia deixar de priorizar as coisas que envolvem minha pequena princesa. – chegou mais perto, para sussurrar em seu ouvido. – E saiba que nenhuma delas é páreo para você.
Yuuki não tinha reação diante daquelas palavras. Por um momento, chegou a pensar que Kaname era dela e somente dela.
- Yuuki... – a voz do seu amado tirou-a dos devaneios.
- Venha. – começou a puxá-lo pela mão. – Quero te mostrar uma coisa. – Kaname seguiu-a até seu quarto. Apesar de ter parado na porta, Yuuki continuou a andar até a cama, sentando. – Sente ao meu lado Kaname-sama. – pediu.
- Yuuki, acho melhor eu ficar aqui...
- Por favor... – aqueles olhos piedosos eram capazes de fazer Kaname ir ao céu e despencar até o inferno ao mesmo tempo.
- Tudo bem. – foi vencido por fim. – Então, o que a senhorita queria me mostrar?
- Toda vez que você vem me ver traz algo para mim, certo?
- Certo. – concordou retirando do bolso uma caixa de jóias. – E falando em trazer algo... tome o seu presente.
Yuuki não pôde conter a alegria ao ver o colar.
- É... é... é lindo Kaname-sama! Obrigada! – abraçou-o. – Poderia colocá-lo em mim? – perguntou, retirando as mechas que cobriam o pescoço. Mesmo tão controlado como Kaname era, aquilo ainda sim, não deixava de ser uma tentação. Sua única e verdadeira prova de resistência. Porém, isso era algo que só ele precisava saber e conviver, então colocou o colar na sua pequena.
- Ficou linda!
- Agora é a minha vez! – exclamou, pegando um porta jóia situado em seu criado mudo.
- Sua vez? – o poderoso Kuran ficou confuso.
- Aham. – hesitou. – Bom... papai disse que quando a gente ama alguém casa com essa pessoa...
- Sim... – incentivou-a.
- Então eu queria saber se você gostaria de casar comigo. – aquela pergunta realmente surpreendeu tão imponente figura. Obviamente, estava feliz por saber que Yuuki o estimava tanto, mas onde tão pequenino ser tinha tomado coragem e tido a idéia de fazer tal façanha?
- Por que quer casar se você ainda é tão jovem? – indagou.
- Porque aí eu poderei estar ao seu lado não só por algumas horas, mas todos os dias, e além do mais, tenho que te proteger daquelas mocréias.
- Yuuki! Quem anda te ensinando essas palavras? – mesmo repreendendo-a, não deixava de achar hilário aquele ciúme.
- É o que elas são. Mocréias que acham que podem te tirar de mim.
- Minha princesa, já disse para não se preocupar com elas. E acho que casamento não é exatamente como você pensa. Tenho certeza de que uma hora você irá se enjoar de mim. Evito te ver todos os dias justamente para que não me ache chato. – sorriu. Um sorriso que encantou a pequena.
- Mas não tem como eu me enjoar de você ou achá-lo chato. Não quando os melhores dias nessa casa são quando você está aqui. Não duvide das minhas decisões só porque você é mais velho que eu.
- Eu não duvido.
- Então me responda e não fique se esquivando. Gostaria de casar comigo? – ele pensou um pouco e decidiu arriscar, afinal, o que poderia perder?
-Tudo bem. Mas depois não poderá voltar atrás, ok? – os olhinhos da menina brilharam de tanta alegria. Ainda empolga, retirou do porta jóia duas alianças. – Onde você conseguiu isso?
- Comprei quando fui ao mercado da região com a empregada.
- E quem deixou você ir? – perguntou. Yuuki não podia sair em hipótese alguma, essa era a lei suprema naquela casa.
- Ninguém. Eu fui escondida. – sorriu. – Toma. Essa é a sua. – colocou uma das alianças em seu dedo. – Ela é especial.
- É? Por quê?
- Porque eu mandei escrever nela “Pertence à Yuuki “.
- Ainda bem que você cuida do que é seu! – Kaname achava divertidas as ideias que Yuuki tinha. Além de serem singulares, sempre o surpreendiam. – E na sua? O que vem escrito?
- “Pertence ao Kaname”. – respondeu enquanto ele colocava a aliança nela.
- E de mais ninguém. – completou.
- É. Mais ninguém. – sorriu. – Agora você é meu marido. – falou olhando a aliança.
- Sim. E você é a minha esposa. – acariciou seus cabelos.
Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos. Yuuki encostada no peito de Kaname, enquanto ele continuava a brincar com os cabelos da menina.
- Não quero que vá embora. Fique, por favor.
- Yuuki, você sabe que eu não posso.
- Pode sim. Você é que não quer.
- Eu realmente não posso. Você sabe disso. – a pequena ficou em silêncio novamente.
- Então me leve com você! – se empolgou.
- Aí seu pai me mataria. – Kaname jamais colocaria em risco a vida de sua amada.
- Me promete que volta logo? – ajoelhou-se na cama, ficando na mesma altura que o puro-sangue.
- Prometo. – disse enquanto Yuuki acariciava seu rosto.
Os dois passaram alguns minutos se encarando, até que involuntariamente foram quebrando a distância que havia entre eles. Aquilo era novo para Yuuki e ela queria descobrir como era sentir os lábios de Kaname. Queria fazer o mesmo que as personagens dos filmes que via. Fechou os olhos e selou os lábios ao de seu protetor.
Kaname estava sem reação. Não podia negar que já havia desejado aquilo, mas nunca pensou que sua pequenina faria algo tão... imprudente. Ele não sabia o que fazer, pois qualquer movimento intenso poderia assustá-la. Decidiu acompanhá-la no que fizesse. Sua sorte era que Yuuki apenas uniu os lábios. Não fez movimento algum e depois de um tempo parou.
Ela estava totalmente enrubescida.
- Yuuki, porque fez isso? – Kaname perguntou confuso.
- Não sei... não era pra fazer? Me desculpe.
- Não é isso. É que...
- Eu sei que você já deve ter feito mais coisas com outras garotas, mas você não quer me ensinar. – deitou no colo dele.
- Na hora certa você vai saber o que fazer.
- Eu sabia! Você sente pena de mim, não me leva a sério só porque sou criança! – levantou da cama e fugiu.
Kaname a seguiu, e a encontrou embaixo da escadaria principal. Ele agachou ao lado dela, que abraçava os joelhos e parecia chorar.
- Não é isso Yuuki. É que... você não entende.
- Você que acha que eu não sou capaz de entender! – gritou.
- Não fique assim minha pequena. Mal nos casamos e já estamos brigando? Isso não é bom.
- Então me trate como uma adulta e nós pararemos de brigar! – enxugou algumas lágrimas.
- Yuuki, não me trate assim ou eu vou embora. – ameaçou.
O medo de que ele cumprisse o que havia dito era bem mais forte do que uma manha. Kaname só a visitava uma vez por ano, isso quando ela tinha sorte. Eram momentos preciosos demais para que ela desperdiçasse chorando, além de só poder se redimir um ano depois.
- Me desculpe. – pediu. – Eu fui uma boba. Yuuki má! – a pequena se auto-penalizava com tapas.
- Pare com isso Yuuki! – Kaname tentou impedi-la.
- Não! Eu fui má e preciso ser castigada pelo que fiz ao meu Kaname-sama. – aumentou a intensidade dos tapas.
O Kuran tentou impedi-la, mas as unhas de Yuuki acabaram cortando seu dedo e o odor do seu sangue impregnou o ar. A menina curiosa, segurou o dedo do puro-sangue e lambeu o líquido que ali havia.
- Isso é tão... gostoso. Onde eu consigo mais? – seus olhos possuíam um brilho único.
- Futuramente você terá mais. – bagunçou os cabelos dela se levantando.
- Você nunca faz o que eu quero! – bufou.
- Claro que faço! Estou aqui, não estou?
- Aposto que você também veio para tratar de algum negócio com o papai.
- Yuuki, o único motivo de eu vir aqui, é por você! – beijou seu rosto.
- Se eu te der aquele líquido vermelho gostoso, você fica? – apesar de inocente aquela pergunta, a menina não tinha noção do quanto afetou Kaname.
- E onde você pretende arranjar? – ele queria ver até onde Yuuki sabia sobre o que ela era.
- Não sei. Eu descubro alguém que tenha.
- Vou te contar uma coisa: todos têm. Mas uns tem um gosto melhor do que outros.
- Então eu também tenho? – perguntou.
- Sim, você tem.
- Então tome o meu, Kaname-sama. – aquela era uma oferta tentadora, mas ele não era capaz de fazer aquilo.
- Quem sabe um dia. – sorriu. – Por enquanto, eu me contento com o seu sorriso.
- Mas mesmo assim você vai embora. – agarrou sua perna.
- Yuuki, por favor, não torne mais difícil.
- Então antes de ir, me dê um beijo. – pediu.
- Ok. – ele ficou de joelhos para igualar as alturas e deu um beijo em sua bochecha.
- Não é disso que eu estou falando! – brigou. – Eu quero um beijo de verdade! Igual ao das novelas!
- Isso eu não posso.
- Pode sim! Por favor! Será o nosso segredo. Assim como os outros que nós temos. – Kaname sabia que aquilo era errado, mas ao mesmo tempo tentador. Olhou ao redor e certificou-se que não havia ninguém por perto.
- Feche os olhos. – mandou e assim Yuuki o fez.
Ele segurou o rosto da sua adorada princesinha com uma das mãos e aproximou-se lentamente, dando um selinho, dessa vez movimentando um pouco os lábios, somente um pouco, para que suas presas não a assustassem e para que não a deixasse com medo. Depois de alguns segundos afastou os lábios. – Satisfeita? – perguntou por fim, levantando-se.
Ela estava ainda em estado de choque devido aos novos sentimentos que afloravam dentro de si.
- Agora preciso ir. – se dirigiu à porta.
- Antes, vamos à minha sala Kuran. Tenho algo a tratar com você. – Kaien chamou.
Os dois passaram apenas alguns minutos dentro da sala, que foram suficientes para que Kaname saísse por aquela porta e nunca mais voltasse. Deixando para trás uma pequenina e delicada menina que teve sua única esperança e alegria arrancadas em meio àquela prisão que chamava de casa. Talvez o único motivo pelo qual não tivesse fugido até aquele momento, era a certeza de que veria Kaname novamente, mas agora após a notícia de que não veria mais seu amado o mundo da bela vampira era tão vazio e obscuro quanto o olhar do Kuran ao dizer adeus.
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