Notas iniciais
A Justiça prevalece? Será?

Desci as escadas dos canis Tsukishima com dificuldade, por minha perna estar debilitada e ao mesmo tempo Akise-san e Yukiteru-kun voltavam pelo corredor.

-Não achamos o portador misterioso. Só alguns cachorros, mas eles eram inofensivos. -Comenta Yukiteru-kun quando me vê.

-O Décimo... Eu o encontrei... Um homem triste, amargo. Eu destruí o diário dele. -Respondo para ele, com o pesar tomando conta da minha voz. -E não só ele... Hinata-chan e Mao-chan... Nossas colegas de classe... Elas tentaram me matar... Eu matei a Hinata, então a Mao-chan se matou.

-O que Hinata-chan e Mao-chan faziam aqui? -Pergunta Akise-san. Dava para ver que seus olhos estavam marejados de lágrimas.

-Hinata era filha do dono dos canis Tsukishima, Karyuudo Tsukishima. E a Mao estava aqui para ajudá-la, já que atirou um punhal na minha perna. -Aponto para o ferimento, estremecendo.

-Oh... -Akise-san abaixou a cabeça e ficou olhando para o chão.

-Me desculpem pedir isso, mas... Eu preciso da ajuda de vocês, mais uma vez. Os seguidores da religião Omekata...

Perdi o equilíbrio pela perda de sangue, e Yukiteru-kun veio me amparar. Ele passou meu braço por trás do pescoço dele, e ajudou-me a arranjar apoio. Akise-san fez um curativo improvisado, com um pouco de esparadrapo que eu trouxe na bolsa, para emergências.

-Obrigada Yukiteru-kun. Obrigada Akise-san. -Sorrio. -De qualquer modo, como eu ia dizendo, os meus seguidores estão se atacando.

-Como é? -Pergunta Akise-san, confuso.

-Vejam vocês mesmos. -Tirei meu diário da bolsa e o abri, mostrando bem algumas entradas para eles.

"Monge nº 214: Morto."

"Monge nº 476: Morto"

"Monja nº 843: Com um machado, está matando outros seguidores."

-Mas o que é isso? -Pergunta Yukiteru-kun, assustado.

-Por favor, me ajudem. Meus seguidores são a fonte do meu poder, se eles forem mortos, eu não terei como exercer minha função de líder e não terei poder para o meu diário. Além do mais... Eles são inocentes. –Suspirei, cansada.

-Nós vamos ajudá-la Tsubaki-san. –Afirma Yukiteru-kun, decidido. –Não é, Akise-san?

-Hum? -O garoto de cabelos brancos parecia estar no mundo da lua. –Ah, sim, claro. Vamos ajudar você Tsubaki-san.

-Obrigada, vocês são ótimos amigos. –Sorrio para ambos. Vamos sair, Marco-san e Ai-chan devem estar nos esperando.

Saímos da edificação, agora parecendo tão fria e sem vida. Eu ainda estava me apoiando no Yukiteru-kun. Encontramos Ai-chan e Marco-san sentados no carro, conversando. Chamei-os, e pedi para irmos embora logo. Esse lugar não estava me fazendo bem. Rapidamente contei sobre meu breve encontro com o Décimo, e como ele havia morrido. Yukiteru-kun e Akise-san entraram no carro. Eu acabei por ficar no meio deles.

-Ai-chan, nos leve para o Templo Omekata, depressa, por favor. –Pedi, aflita.

-Aconteceu alguma coisa? –Pergunta ela, enquanto colocava a chave na ignição e dava partida no carro.

-Meus seguidores enlouqueceram e estão matando uns aos outros. Preciso voltar depressa. –Respondo, o pânico tomando conta da minha voz.

-Vai ficar tudo bem. Vamos dar um jeito nisso. –Fala Akise-san tentando me tranquilizar.

Ai-chan dirigiu rapidamente para o Templo. Ficamos em silêncio o percurso todo. Quando chegamos, Akise-san, Yukiteru-kun e eu saímos do carro.

-Desculpe-nos Tsubaki-san. Mar e eu temos que ajudar nossa mãe de criação, a diretora do orfanato Vila da Mamãe, Kamado Ueshita. Mas assim que terminarmos lá, viremos diretamente para cá. –Ai-chan acena, e pisa fundo, sem nem me dar tempo de responder.

-Akise-san, Yukiteru-kun, estão prontos? -Olhei para as grandes portas duplas do Templo. –Uma vez que entrarmos, não teremos como sair.

-Pronto. Vamos lá. –Akise-san tirou uma arma do cinto. –Vamos ver o que está acontecendo.

-Bom... Acabaremos com isso. –Yukiteru-kun tira um dardo de uma bolsinha de dardos e olha com temor para as portas.

Assenti, e então empurrei com força as portas. Elas se abriram para dentro, e nós três entramos, lado a lado. Só havia sangue. Sem seguidores. Sem nada.

-Akise-san, vá para os jardins à esquerda. Mate qualquer um que tentar te atacar. Yukiteru-kun, para os jardins da direita. Elimine todos que lhe ameaçarem. –Eu disse, confiante. Tirei minha faca da bolsa. –Eu vou entrar no Templo. Nos encontramos no corredor exterior em 10 minutos.

O celular do Yukiteru-kun tocou, ele atendeu. Falou rapidamente e desligou.

-Era Ai-sama. Ela e Marco-san foram atacados por um cara vestido todo de preto, com uma máscara que lhe cobria toda a cabeça, com um desenho em azul. Ele se denominou Décimo Segundo, mas ele não tinha nenhuma habilidade de luta ou diário visível, Ai-sama atirou-lhe uma faca no pescoço e ele morreu. Ela tirou a máscara e era um seguidor do Culto Omekata, Tsubaki-san.

-Mas... Isso não é possível. Só se ele deserdou o Culto então, porque a entrada dele não aparece em meu diário. –Abri o pergaminho e procurei. –Nada. Bom, vamos continuar com o plano original. Até daqui a pouco. E cuidem-se, por favor.

-Você também. –Disseram eles, em uníssono.

Entrei no Templo com a faca em punho. Os corredores estavam vermelhos, corpos e sangue em todos os lugares. Quando entrei em uma sala, encontrei um homem com as descrições iguais as que Ai-chan havia dado. Todo de preto com uma máscara. Só que a máscara dele era verde.

-Olá Sexta. Eu sou o Décimo Segundo. Pronta para morrer? –Pergunta ele. –Eu sou a justiça, e esse seu culto é maléfico. Eu irei eliminá-lo.

-Meu culto é maléfico?! Ora seu... Eu vou acabar com você! –Corri na direção dele, com raiva, e tentei acertar uma facada no peito dele. Ele se desviou para o lado e me deu uma rasteira.

-Haha. A justiça sempre vence. É como pedra, papel e tesoura. O papel nunca ganhará da tesoura. É essa sua relação comigo, sua charlatã. –Ele assoviou e um seguidor quebrou a porta com um machado. –Bom proveito de sua morte, Olho Sagrado.

Ele saiu, mas eu atirei minha faca na direção dele. Acertou de raspão do braço dele e ele correu.

-Droga! –Exclamei, com raiva. Dei uma rasteira no seguidor, que caiu no chão. Chutei a mão dele e ele largou o machado. Peguei o machado e o decapitei. –Ninguém trai o Olho Sagrado. Ninguém!

Eu corri atrás do Décimo Segundo e o encontrei em outra sala, ele estava com uma seguidora agora.

-Oh, Sexta. Que desagradável surpresa. Vou deixar que minha marionete cuide de você.

A seguidora estava com um machado. Ela tentou me acertar com um movimento vertical, mas eu girei para o lado e cortei a mão dela. Ela nem demonstrou ter sentido, apenas partiu para o combate físico. Eu desci o machado com toda a minha força na cabeça dela e ela desabou.

-Sua vez Décimo Segundo. –Ergui o machado e sem deixá-lo falar mais nada, cortei a cabeça dele fora. O sangue começou a escorrer. –Isso é por meus seguidores.

Deixei-os sangrando na sala e fui para o corredor externo. Vi mais sangue e mais cadáveres. O cheiro começou a me enjoar.

Cheguei no corredor externo, onde Akise-san e Yukiteru-kun já me esperavam.

-Acharam algo? –Perguntei, curiosa. –Eu matei o Décimo Segundo.

Akise-san abriu a boca para responder mas uma voz o interrompeu.

-Matou o Décimo Segundo é? Que interessante, mas acho um tanto equivocado. –Três homens iguais ao Décimo Segundo estavam parados na outra extremidade do corredor. A única diferença era a cor das máscaras. O da esquerda usava uma máscara com os desenhos em rosa. O da direita tinha os desenhos em amarelo. E o que estava falando, o do meio, tinha os desenhos em vermelho. –Deixe que eu me apresente. Eu sou Hirasaka Yomotsu. O verdadeiro Décimo Segundo. E o verdadeiro jogo começa agora.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.