Sobrevivência.
17 Adeus Merle.
POV Daryl.
Não sei por que, mas não acreditava que o tal governador nos daria paz tão cedo, mesmo Rick dizendo que ele ofereceu um acordo, Michonne pela nossa paz, se você nos primeiros meses dessa loucura toda eu seria o primeiro a querer entrega-la, mas depois de ter vivido tudo o que vivi com o grupo de aprender mais sobre a importância de cada um já não sabia mais se era certo, entregar a vida de alguém que nos ajudou, para um cara que sabíamos do que era capaz, na verdade nem Rick acreditava nisso, mesmo com toda sua nova camada de frieza ele não era assim.
Ainda para ajudar ele não queria que ninguém mais soubesse, apenas eu, Hershel e o imbecil do Merle, mesmo sendo meu irmão eu preferia deixa-lo de fora disso, mas ninguém teria toda a falta de humanidade que ele tem para executar o plano, sai procurar alguma coisa para fazer, não podia ir falar com May, ele não queria que ela soubesse, pelo que percebi ela vinha conversando bastante com a Michonne.
- acho que vi alguns arames farpados, devíamos coloca-los próximo ao portão, se tentarem invadir novamente terão os pneus furados. — Michonne sugeriu, assenti e sai com Glenn para buscar, ela aproveitou para matar alguns zumbis que transitavam pelo pátio.
- foi um ótima ideia. — Rick disse depois que fechou o portão.
- ideia da Michonne. — disse não podia deixar de me sentir mal com a situação.
Continuei a ajudar Glenn, não tínhamos muito o que fazer , mas pra dizer a verdade não queria conversar com May, não agora tendo que ficar caldo diante da situação, confiava na escolha de Rick, ele tem sido um bom líder para o grupo, mas sei que ela não concordaria.
- ele se desculpou? — perguntei a Glenn enquanto o ajudava a colocar um portão de volta no lugar. — ele vai se desculpar eu farei que sim, deve haver um jeito. — disse depois dele ficar quieto. — só é preciso um pouco de perdão. — acho que nem mesmo eu acreditava em minhas palavras.
- ele me amarrou em uma cadeira, me bateu e colocou um errante na sala. — disse serio. — talvez possamos estar quites, mas ele levou Maggie a um homem que a aterrorizou e humilhou, eu me importo mais com ela do que comigo, você pensaria do mesmo jeito se fosse com May, alias ele fez a mesma coisa com ela. — completou se virando.
Deixei Glenn lá e sai a procura de Merle, essa história de entregar Maggie ao governador já era demais, lembrei do primeiro encontro dele com May, em que ele disse que ela fugiu e ele foi atrás para capturada para o tal governador, encontrei Merle um pouco transtornado.
- ei irmãozinho — disse de maneira estranha.
- o que é isso? — perguntei vendo a lavanderia toda revirada. — o que esta fazendo aqui?
- só procurando um pouco de cristal. — respondeu como se fosse a coisa mais normal do mundo, balancei a cabeça em negativa. — sim eu sei, isso acabara com a minha vida, logo agora que tudo esta indo bem, certo? — ironizou.
- já falou com Rick?
- sim, claro, estou dentro, mas ele não tem estomago pra isso, ele vai desistir sabe disso, certo. — assenti.
- sim, se desistir, desistiu.
- quer que ele desista? — questionou.
- farei o que ele disser. — dei de ombros.
- cara, você ao menos tem um par de bolas, irmãozinho? — debochou. — elas estão ligadas a você? quero dizer, se estiverem, elas pertencem a você? — bufei. — você chamava pessoas assim de ovelhas, o que aconteceu com você, ficou de quatro pela xerife vadia e virou cadela do xerife babaca? — ignorei o fato dele ter envolvido May.
- o que aconteceu com você, Glenn e a Maggie? — questionei.
- já fiz pior. — deu de ombros. — você precisa crescer, as coisas são diferentes agora, seus amigos olham pra mim, como se eu fosse o diabo, pegando os pombinhos daquela forma, não é. E agora querem fazer o mesmo que eu, pegar alguém e entrega-lo ao governador, como eu fiz. — Merle com certeza havia mudado. — Sim, as pessoas fazem o que for preciso, ou morrem.
- não pode mais fazer as coisas sem as pessoas, cara.
- talvez eles precisem de alguém como eu por perto, para fazer o trabalho sujo deles, o vilão. — revirei os olhos. — é talvez seja assim mesmo, não é? o que acha disso?
- eu só quero meu irmão de volta. — falei.
- sai fora daqui cara. — mandou, apenas assenti virando as costas.
Sai seguindo para o patio, Merle estava estranho demais, me sentei em uma mesa e logo vi May parada próxima a cerca observando os zumbis, a final o que deu nela ficar olhando aquelas coisas, caminhei até onde esta devagar, ela olhava uma zumbi em especial, era uma criança, deveria ter seus 5 anos, apenas uma garotinha.
- esta tudo bem? — perguntei notando que ela estava meio abalada.
- é apenas uma criança. — disse apontando para o pequeno monstrinho. — uma menininha. — completou.
- não devia ficar pensando muito nessas coisas. — disse.
- talvez, é fácil ignorar a maioria deles e não vê-los como humanos, mas uma criança, é só uma criança. — sorriu triste.
- vem vamos entrar. — falei passando meu braço pro seus ombros.
Rick passou por nós dando um breve sorriso, acho que era estranho para eles ver uma cena dessas envolvendo á mim, balancei a cabeça, entramos no bloco de cela recebendo um olhar reprovador do Merle, mas que se foda pouco me importo.
- ora ora irmãozinho, pelo que vejo eu estava certo virou uma bichinha mesmo, caidinho pela xerife vadia. — debochou.
- cala a boca, e presta atenção como fala. — disse irritado.
- era só o que faltava, um Dixon frouxo, por causa de uma mulher, quanto orgulho. — falou irritado saindo em seguida.
- ele ta meio irritado hoje né. — May comentou.
- falta de drogas e bebidas. — dei de ombros.
Deixei May com Beth e Maggie e voltei para fora, alguma coisa estava errada hoje, não gosto desse tipo de sensação, geralmente acaba dando merda, suspirei irritado, logo vi Rick caminhando em minha direção.
- esta desfeito, nós nos arriscaremos. — disse chegando perto.
- não acho que tenha errado, mas certamente acertou agora. — de certo modo estava um pouco aliviado. — o que houve? — perguntei o notando um pouco apreensivo.
- não encontrei Merle e Michonne, eles sumiram. — merda.
- vamos. — chamei seguindo para onde tinha o visto mais cedo. — ele estava aqui, disse que queria drogas. — falei vendo o lugar vazio e revirado. — disse muitas coisas na verdade.
- como o que?
- que você mudaria de ideia, por exemplo, aqui esta. — apontei para um saco e pano. — eles lutaram e ele a levou.
- droga. — brando Rick. — irei atrás dela.
- você não sabe rastrear. — lembrei.
- então ambos iremos.
- não, apenas eu, eu disse que iria e vou, e quando eu voltar precisa estar pronto, sua família também. — avisei saindo.
Segui os rastros dos dois, Merle foi esperto, sabia que se saísse pela parte onde estávamos seria notado, então saiu pela frente de prisão, mesmo com alguns walkers por lá foi fácil passar sem ser notado, continuei atrás dos seus rastros até chegar na estrada principal, Michonne vinha em minha direção sozinha.
- onde esta meu irmão? — perguntei enquanto ela terminava de matar um zumbi. — você o matou? — ela negou.
- ele me deixou ir. -estranho.
- não deixe ninguém me seguir. — pedi.
Sabia onde ele estaria, Merle tentaria resolver as coisas do seu jeito, indo até o encontro do governador e metendo uma bala em sua cabeça, droga, só espero chegar a tempo, levei um pouco de tempo para chegar até lá, tudo estava muito estranho muitos errantes, muitos corpos dos homens do governador, ele havia atraído o errantes pra la e acabado com metade dos homens dele, continuei procura-lo, acertando alguns antes mesmo que me vissem, estava arrumando mais uma flecha quando vi, Merle, Merle era um deles, não consegui deixar de chorar e sentir sua perda, Merle podia ser o filho da puta desgraçado que era, mas, ainda sim era meu irmão, ele me viu e deixou o corpo que se alimentava de lado e começou a vir em minha direção.
- não. — gritei o empurrando, eu sabia o que tinha que fazer, Merle era meu irmão, peguei minha faca e afundei em seu cranio, repedindo o movimento até sua cara estar deformada a ponto de não reconhece-lo, descontei toda minha raiva, desgraçado, não podia ter feito isso.
Me joguei na grama sem me importar se o local estava cheio de zumbis, me acalmei o máximo que pude e me levantei pegando minha besta e minha faca, ainda teria um longo caminho pela frente, ainda deixei algumas lagrimas estupidas caírem antes finalmente chegar a prisão, May abriu o portão para mim e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa me abraçou, confesso que no momento era tudo o que precisava, esse contato humano que tanto rejeitei durante minha vida toda.
- eu preciso ficar um pouco sozinho. — falei.
- tudo bem, só fique bem okay. — assenti.
- eu já encontro com vocês lá dentro, diga a Rick que tenho novidades. — falei virando as costas e saindo em direção a torre.
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