Sobrevivi
2 Capítulo 2
Continuei a dirigir e algum tempo cheguei na cidade, tudo parecia calmo, segui para a rua da minha casa. Sai do carro e comecei a bater na porta e chama-los. Ninguém atendeu, peguei a chave reserva que ficava no vaso da samambaia e abri a porta, fechei-a e chamei-os novamente. Subi para os quartos ninguém estava lá. Eu estava angustiada. Entrei no quarto de Louis e encontrei um bilhete.
"Susan, se você está lendo isso é porque voltou na casa e nossos pais. SAÍA DAÍ! Não há lugar seguro, eu encontrei um grupo de sobreviventes e estamos indo para um lugar seguro, sem walkers. Planejamos ir para 20 graus sul 65 graus oeste... venha por favor!
13/03
Louis."
Ele colocou a data para eu ter noção de a quanto tempo ele saiu... tem dois dias. Será que ele está no mesmo lugar? Vou tentar acha-lo. Agradeço ao meu pai por ter nos ensinado coordenadas...
Fui ao meu quarto e peguei mais uma mochila, desci e coloquei mais enlatados, biscoito, leite em pó, achocolatado em pó (nunca se sabe). Até sucrilhos eu peguei. Pensei assim: Se eu encontrar os tais sobreviventes eles vão precisar de água, não é? Temos um filtro em casa, e meu pai deixa vários galões de 5 litros na dispensa. Com MUITO sacrificio consegui levar dois galões para o porta malas.
Peguei outra mochila, e fui no quarto de meu pai. Ele sempre amou esportes. Ele adorava arco-e-flecha, fui até o seu armário secreto, que nem era tão mais secreto, e peguei seu arco e doze flechas numa aljava. Também achei uma arma, uma mauser c96 ou red9 como era conhecida mundialmente. Era uma típica de colecionador, meu pai tinha licença, lógico. Mas só a tinha por que gostava mesmo, nunca pensou que fosse ter que usa-la. E eu nem sei usa-la. Pelo pouco que pude notar haviam quinze balas nela e na mesma caixa em que ela se encontrava, haviam quatro caixinhas escrito "9mm Parabellum", deduzir ser a munição para a arma. Em cada caixinha haviam trinta balas.
Acho que daria para me virar. O Problema é aprender a mexer nela. Peguei meu celular rapidamente e tentei entrar no Google pelo wifi de casa, não funcionou. Tentei pelo 3G, funcionou. Pesquisei sobre a arma e entendi pouco, e logo a internet caiu e não quis conectar de novo.
Ouvi um barulho lá em baixo. Quem será? ou melhor, o que será?
Coloquei a arma no cós da calça e a mochila nas costas, desci devagar e sem fazer barulho. A sala estava vazia, mas a cozinha não. Uma coisa daquelas havia entrado pela porta dos fundos — que eu não sei o que estava fazendo aberta. Eu estava em pânico, estava armada mas tinha medo de usar. Seu rosto era deformado e completamente podre, cheirava mal e tinha o corpo todo mutilado e algumas partes em carne -morta. Se arrastava para perto de mim, tentei pegar o arco, mas lembrei que o esqueci na cama, só trouxe a aljava nas costas.
Fui em direção ao facão de de açougueiro que estava no faqueiro e o peguei. Tentei me aproximar do zumbi, mas o medo foi mais forte, dei um passo em falso para trás e cai. O desespero era tanto que eu não consegui me levantar de imediato e aquele troço se jogou em cima de mim, ia me morder a qualquer momento, eu o afastava com os braços, eu estava assustada. Não pensei duas vezes antes de meter o facão em sua cabeça. O troço caiu novamente em mim, mas agora sem vida. Seu sangue se espalhou por minha blusa e eu acabei vomitando. O Joguei longe e subi as escadas correndo. Eu estava zonza, o cheiro podre havia afetado a minha mente.
Corri para o banheiro, tranquei a porta, tirei minhas roupas, joguei no lixo e tomei um banho no box. Me vesti apressada, peguei a mochila, a aljava, o arco, a arma e o bilhete. Voltei para o meu carro. Demorou cinco minutos até eu e recompor. Quando ia liga-lo ouvi tiros. Meu Deus, tem alguém vivo! Mas em fração de segundos várias daquelas coisas vieram para a rua que eu estava, eles nem me viram, ou sentiram que eu estava ali, estavam apenas segundo o som. Me desesperei, eram mais de cem zumbis passando ao meu lado.
Fiquei cerca de dez minutos esperando eles saírem de perto, mas ouvi mais tiros. Quem será? Será que é só uma pessoa? Será que o meu irmão? Não, ele disse para eu sair daqui, ele não voltaria.
Quando haviam poucos zumbis na rua eu liguei o carro e resolvi seguir as coordenadas que Louis deixou. Eu estava com medo, a experiência que tive mais cedo foi uma das piores de minha vida. Estava com a consciência pesada, eu matei uma pessoa. Estava certo que não era mais uma pessoa, mas aquele cara tinha uma vida antes, uma família. Talvez até filhos pequenos para cuidar.
Parei o carro numa estrada de terra e comecei a chorar. Eu não estava acostumada com isso. Queria acordar e ver que tudo isso foi apenas um terrível pesadelo. Lembrei-me de meus tios, mortos-vivos a essa hora. Chorei mais intensamente, Louis não falou sobre papai e mamãe no bilhete, será que eles estão vivos? Me desesperei.
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Avistei um trailer e dois carros há poucos metros de onde eu estava, continuei dirigindo. Havia um cara vigiando no teto do trailer, ele apontou sua arma para mim e gritou algo que eu não consegui entender. Mais dois caras apareceram com armas apontadas para mim. Levantei as mãos na hora. Joguei minha faca no chão, para mostrar que eu não sou uma ameaça. Minha arma e meu arco-e-flecha eu deixei no carro junto com as três mochilas.
– Quem é você? O que quer? — O da espingarda perguntou autoritário.
– Meu nome é Susan, eu estou procurando meu irmão, ele me deixou esse bilhete — tirei o bilhete do bolso da calça e mostrei — com as coordenadas desse lugar.
– Qual o nome do seu irmão? — O senhor em cima do do trailer perguntou.
– Eu cuido disso, Dale! — O da espingarda o repreendeu.
– O nome dele é Louis!
Respondi antes que o cara moreno dissesse algo. Todos abaixaram as armas.
– Seu irmão está conosco, Susan. Meu nome é Shane. — O da espingarda disse.
– Onde ele está?
Olhei ao meu redor e notei algumas barracas de acampar. Uma fogueira com uma grade e uma panela em cima, parecia estar cozinhando algo. Quatro crianças me olhando de dentro do trailer e uma mulher de cabelos curtos perto da panela.
– Venha comigo.
Segui o tal de Shane até um lago, quatro mulheres estavam lavando roupa, e meu irmão estava num barco tentando pescar. Shane deu um grito não muito alto, chamando Louis, e ele voltou para a margem do rio. Correu e me abraçou.
– Ai meu Deus, Susan! Você está bem!
O apertei bem forte.
– Ainda bem que você está bem, eu fiquei tão preocupada! E a mamãe e o papai, onde estão?
Ele me soltou devagar. O olhei mais preocupada ainda.
– Mamãe mão sobreviveu... papai foi para Atlanta junto com algumas pessoas do nosso grupo buscar suprimentos.
Lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto. Agarrei Louis de novo. Shane se afastou para nos dar privacidade.
– E a tia Jessie e o tio Benson? — Pude ouvi-lo perguntar.
– Não sobreviveram.
Ele me apertou contra ele. Senti ele chorando. Ele sentou no chão e eu fiquei chorando em seu colo. Ninguém falou um 'ai' conosco, sabiam que era difícil para nós dois. Mas quando estava no fim de tarde, Shane pediu que voltássemos para o acampamentos pois logo-logo iria escurecer.
Notas finais
Mandem reviews :)
Beijos...
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