Notas iniciais
Esse capitulo foi escrito por Clara.

“Bem, não sabia como e quando o fim do mundo chegaria, ou pelo menos o fim do mundo para mim. Apenas pensei que poderia mudar, ou fazer com que ele mudasse, mas me decepcionei, pois nem sempre a vida é como a gente quer.”

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Estava na cama com sono, quando meu pai me chamou para me arrumar e ir a escola, tomei café e troquei de roupa. Ainda com sono entrei no carro e meu pai falou “Filha, hoje tenho uma reunião no laboratório de ciências, e quero que vá para a casa da Lucy depois da escola.” Meu pai era um cientista que estudava o mundo, e a maioria das vezes não me dava atenção. Acho que isso começou a acontecer depois da morte da mamãe, quando ele deixou o trabalho em primeiro lugar. É isso mesmo, minha mãe havia morrido no ano passado, a causa da morte foi uma experiência. Minha mãe também era cientista, acho que essa era uma das razoes por meu pai ter se apaixonado por ela. Mas em fim, voltando para a Lucy... Ela era uma menina esquisita e dócil, era muito inocente e nunca havia tirado uma nota ruim. Resumindo, não era popular. Bem, na minha idade, a popularidade na escola era uma coisa disputada, e só as pessoas populares tinham direito a sentar-se à mesa mais legal do refeitório. Acho que já perceberam que eu não sou uma dessas pessoas, nem a minha melhor amiga Andy. É a pessoa que mais me compreende em horas como esta. O que me faz gostar dela, é a sua sinceridade e confiança. É a única pessoa que sabe dos meus segredos, fora o meu pai, é claro.

Depois da escola naquele dia, eu fui obrigada a ir a casa de Lucy, e para não ser mais obvia, foi uma chatice. Passei o resto do dia lá, já tinha começado a pensar que meu pai havia me esquecido. Mas finalmente ele chegou, graças a deus, não agüentava mais ficar naquela casa. Meu pai agradeceu a mãe de Lucy, e fomos embora ( que alivio). No caminho de casa paramos para lanchar, porque eu não havia comido nada o dia inteiro. Enchi a pansa, comi dois hambúrgueres, um refrigerante, uma batata frita media e para completar, um sorvete de creme com calda de chocolate e biscoitos.

No final do dia estava morta de sono, bastou eu chegar em casa para cair na cama. Só acordei no outro dia, e meu pai não estava lá. Só havia um bilhete na mesa escrito:

Anna,

Precisei ir mais cedo para o laboratório hoje, pois houve uma emergência. Depois entro em detalhes. Se arrume para a escola, pois a mãe da Lucy irá te pegar

Beijos, do seu pai Richard.

Já era a segunda vez que meu pai fazia isso comigo. Uma adolescente de 15 anos que perdeu a mãe, não podia ser tratada desse jeito. Desta vez eu realmente estava chateada com meu pai. E para piorar a situação, Andy tinha acabado de viajar, como eu ia sobreviver na escola sem ela? Ela me fazia me sentir um pouco menos invisível, com ela viajando, eu sentiria vergonha ate de falar com os professores. E para não ficar mais terrível, eu tive que ir a escola com Lucy e seus irmãos esquizofrênicos, foi um horror, para variar. Já havia imaginado como seria o meu dia na escola...

O sinal tinha acabado de tocar e a minha próxima aula seria com o professor Ethan, era a aula mais chata do dia, e se Andy estivesse comigo,nos passaríamos a aula inteira trocando mensagens no celular. Na hora do almoço, não tinha uma mesa que estivesse fazia, então fui obrigada a ir comer no banheiro. Na aula de educação física, jogamos Queimada, levei três boladas na cara e uma na barriga, fui direto para a enfermaria.

Após a aula, voltei para casa andando, quase morrendo. Entrei, e encontrei meu pai sentado na mesa da sala de jantar observando mapas e escalas. Ele estava com uma cara de preocupação enorme e ficava reclamando com sigo mesmo. Eu fui logo perguntando o que tinha acontecido primeiro ele não m ouviu, mas ai eu gritei e rapidamente ele olhou para mim e disse:

Ah, querida você chegou, estava esperando por você. Sente-se aqui, preciso lhe contar uma coisa.

Meu pai começou a dizer algumas coisas que no começo eu não entendi, mas logo depois ele disse que precisaria receber alguns cientistas na nossa casa. Não me disse o porquê dessa necessidade, mas pela cara que ele fez, eu nem quis perguntar.

Os dias se passaram, e meu pai ficava preocupado cada vez mais, eu não sabia o que fazer, e também estava ficando preocupada. Mas o maior problema era que meu pai não abria nem a boca para falar comigo, passava o tempo inteiro no computador observando gráficos, mapas e escalas, não sabia mais o que fazer. A minha primeira reação a isso foi ligar para a Andy, mas o celular dizia que não tinha sinal, então foi ai que eu resolvi encarar os fatos e conversar com meu pai, cara a cara, para ele esclarecer tudo.

No dia seguinte, depois da escola, eu cheguei em casa e me dirigi a mesa da sala de jantar,

Pai, eu já estou preocupada com essa sua rotina esquisita de ficar o tempo inteiro observando essa papeladas, você precisa me contar o que esta acontecendo.

Ele, então, me explicou que ainda não estava pronto para falar, mas que ia me contar no dia seguinte, quando os cientistas chegassem. Eu não tive coragem de perguntar para ele quais eram os cientistas, pois naquele instante eu percebi que a minha relação com o meu pai, não havia só mudado porque minha mãe tinha morrido, mais sim, tinha mudado porque ele estava diferente.

Quando eu acordei na manhã seguinte, a casa estava arrumada para esperar as visitas, e meu pai havia preparado o café da manhã. A primeira coisa que ele falou foi:

Vá se arrumar, porque as visitas já devem estar chegando.

Nem um bom dia ele me deu. Mas já era de se esperar. Bom, o que mais me preocupava era o que ele teria para me dizer, e a pergunta que não calava era, o que cientistas de outros lugares, estariam fazendo na minha casa?

Notas finais
Reviews?