Sobrevivência.

3 Cavalo maldito.


POV Daryl.


A moça da floresta era no minimo intrigante, como podia alguém levar a vida de maneira tão leve em pleno apocalipse, idiota, mas diferente dos outros no grupo eu até simpatizei com ela, era uma pessoa legal pelo menos, diferente do resto que ficava choramingando com medo de um zumbi se alimentar de sua carne, imbecis, quando vão aprender que chorar não leva a nada.


– ei caipira me espera. — a xerife gritou ao longe.


Continuei a andar fingindo não ouvi-la já estava me irritando esse negocio de caipira, sem contar na cena de Shane um pouco antes, que ele é imbecil todo mundo sabe, mas o que sera que aconteceu entre esses dois, puta merda Daryl você esta virando uma mulherzinha fofoqueira agora, bufei.


– ai Daryl deixa de ser anti-social e me espera homem eu não vou te agarrar e abusar de você não. — disse divertida.


– ah Deus já não bastava um apocalipse agora isso? — perguntei olhando pra cima e apontando pra ela.


– então Daryl quantos anos você tem, eu tenho 24. — voltou a dizer depois de maravilhosos minutos de silêncio.


– não enche. — pedi.


– credo que caipira revoltado, ei vai ser muito melhor procurar a menininha na minha companhia. — disse ela piscando, bufei e voltei a andar, agora com ela ao meu lado. — Sabe Daryl eu quase atirei em você aquele dia, se você não tivesse com essa besta na mão atiraria sem dó nem piedade, sem mesmo saber se você era mocinho ou vilão. — revirei os olhos.


– porque não atirou depois que abaixei? — perguntei curioso.


– porque você tinha um grupo e estava procurando a menina, sem contar que deveria estar delirando. — Deu de ombros.


– depois eu que sou revoltado. — balancei a cabeça evitando sorrir.


– vocês foram as primeiras pessoas decentes que encontrei depois que meu grupo se desfez, certa vez encontrei com um grupo de homens na florestas, homens nojentos e perigosos. — a encarei por um tempo até que continuasse. — felizmente era mais esperta do que eles e sumi antes que tentassem algo, depois daquilo decidi atirar primeiro e perguntar depois. — deu de ombros.


– sei isso é desculpa pra não dizer que foi meu charme de caipira. — debochei, a fim de mudar de assunto.


– ôh Daryl como descobriu é exatamente isso sabe tenho fetiche por homens sulistas. — rebateu revirando os olhos.


Continuamos a procurar por Sophia até que encontramos uma casa abandonada, com certeza ela tinha estado ali, ninguém com mais de um metro e meio dormiria naquele armário, essa era a primeira pista que tínhamos, começamos a fazer o caminho de volta e embora a companhia de May fosse até agradável, ela fala demais e perguntava demais também, em uma única tarde conversei mais com ela do que com o resto do grupo todo em todos os meses juntos, chegamos antes de escurecer e nos juntamos ao restante do grupo, falamos sobre a casa e Shane como de costume achou mil e um motivos para argumentar que qualquer pessoa poderia estar lá.


– Sabe Daryl foi muito agradável passar a tarde com você, olha tive que fazer um esforço tremendo para cumprir minha promessa de não te agarrar. — revirei os olhos novamente para sua brincadeira.


– acho que deveria fazer outros exames sobre loucura, tenho quase certeza de que os primeiros deram errado. — brinquei empurrando de leve seu ombro.


– até o jantar caipira. — acenei enquanto ela ia em direção ao seu carro.



Voltei pra minha barraca peguei minha mochila e fiz o caminho de volta para o rio, precisava de um banho, pelo jeito alguém tinha pego minhas roupas para lavar, ainda não aprenderam que não gosto que mecham nas minhas coisas, e que posso muito bem lava-las sozinho, é eu to virando uma mulherzinha ranzinza, pulei na água gelada do lago e fui o mais rápido que pude, antes que algum errante desgraçado aparecesse, me vesti e voltei para fazenda.


– Daryl vamos comer venha. — o velho Dale me chamou assenti o seguindo todos já estavam lá.


Sentei em um canto mais afastado e o velho do trailer sentou ao meu lado, ficamos observando as mulheres conversando quando Andrea encarou May com uma cara de poucos amigos, não dei bola, a final não é da minha conta mesmo.


– a xerife é bem bonita não? — Dale perguntou apontando com a cabeça.


Embora não pensado muito sobre isso, era sim, May era a mulher mais bonita do grupo, seu corpo não era magrelo como o de Carol ou Lori, mas também não era exagerado como os das prostitutas que costumava sair por ai.


– acha que tem uma chance com ela. — brinquei.


– não, não ela me serviria como filha, além do que Shane parece mais interessado que eu. — apontou agora para os dois que conversavam afastado.


– Shane é um babaca que pegava a mulher do próprio amigo e pelo que entendi tiveram algo que a fez pegar bronca dele. — disse calmo.


– é ele é um babaca. — concordou se levantando e saindo.


Continuei quieto no meu canto, apenas observando como sempre fazia, Andrea parecia realmente irritada ao vê-la perto de Shane, sera que a loira vadia queria dar uns catas no cabeça chata, ri com o pensamento.


– ei caipira tomou banho, nem pra me chamar pra ir junto. — a xerife disse se sentando ao meu lado, era incrível como que todas as brincadeiras dela saiam naturalmente.


– você não tem mais o que fazer não? — ela negou a cabeça sorrindo. — ótimo. — murmurei.


– gostei do seu colete de asas, mas não combina com você, você não é nada angelical. — disse seria.


– mais respeito eu salvei sua vida.- á adverti.


– ai para de bancar o caipira ofendido. — revirou os olhos.



Ficamos um bom tempo quietos apenas observando os outros, olha quem diria a moça sabe calar a boca, Glenn surgiu segurando duas garrafas de vinho, fato estranho já que ele implorou para que nunca mais o deixássemos beber depois do seu primeiro e ultimo porre.


– ei Daryl quer uma garrafa? — perguntou chacoalhando e apenas neguei, não queria estar de ressaca na manhã seguinte. — e você May?


– não obrigada, não gosto de bebida de mulherzinha. — disse fazendo cara de nojo.


– bebida de mulherzinhas, machona? — debochei.


– claro me arranja uma garrava de vodka que de brinde ganha a melhor noite da sua vida. — piscou gargalhando em seguida.


– você não presta. — balancei a cabeça de forma negativa.


– a qual é Darylzinho como se você fosse um puritano, mas não precisa se animar não que é só brincadeira. — como se eu pensasse o contrario.



*****


2 dias depois.


Acordei mais cedo que o normal, ainda teria que ir atrás da garota, ninguém mais tinha fé de que ela esta viva, mas eu acho que esta e eu vou acha-lá custe o que custar, viva ou morta, de preferência viva, a garota loira filha do fazendeiro me ofereceu uma xicara de café logo depois que usei o banheiro da casa, aceitei e esperei pelo resto próximo a caminhonete, demorou um pouco até finalmente chegarem.


- bom hoje poderemos nos espalhar mais. — Rick começou a falar. — Shane ainda esta com pé rui então levara um grupo para umas aulas de tiro, May e Andrea vão com ele então seremos só nós. — encarei May que suspirava frustrada, não que eu imaginasse que ela fosse comigo.


- tudo bem eu vou pegar um cavalo e voltar pelo riacho. — avisei.


- cuidado com o chupa-cabra. — T-Dog gracejou.


- Chupa-cabra? — Rick perguntou com ar de riso, palhaços.


- é no primeiro dia no acampamento Daryl disse que isso tudo fazia ele lembrar de quando saiu pra caça esquilos e viu um chupa-cabra. — Dale fez questão de explicar, como se eu ligasse, patético.


- serio mesmo, caipira? — pronto lá vem. — cachorros sangue-sugas? — perguntou debochada.


- vai me dizer que acreditava em mortos-vivos antes disso tudo? — ironizei.


Virei as costas sem dar mais atenção para aquele assunto e sai em direção ao estabulo, precisava de um cavalo para poder ir mais longe.


- ei Daryl. — Me virei encarando a mulher. -boa sorte e volta logo para eu poder te atormentar. — disse socando meu braço com gosto e saiu em seguida.



Com certeza o cavalo foi uma boa ideia, economize um bom tempo, acho que cheguei no riacho na metade do tempo, desci e dei uma vasculhada até que alguma coisa no presa em um tronco de árvore me chamou atenção, era a boneca da Sophia, isso provava que eu estava certo ela ainda estava pela floresta perdida e eu iria encontra-la, montei no cavalo e comecei a vasculhar pela redondeza novamente, até aquela coisa se assustar e me jogar barranco abaixo, rolei caindo perto de outro ponto do riacho e uma das flechas atravessaram minhas costas, maldito animal espero que não cruze mais meu caminho.


Me levantei e comecei a subir de volta, consegui com sucesso até metade, depois já comecei a parecer uma mulherzinha molenga, a flecha em minhas costas não ajudavam nada, droga, minhas mãos começaram a escorregar e logo eu estava no chão novamente.


Tive uma alucinação com Merle me insultando de mariquinha, cadela do xerife e coisas assim, coisas de Merle, sabia que era só uma alucinação ele tinha as duas mão, fato que era impossível, senti alguma coisa chacoalhando meu pé e despertei com um Walker mordendo a minha bota, que por sorte tinha bico de aço, chutei o filho da puta tendo uma breve luta corporal, em seguida arrumei um pedaço de pau e enfiei na cabeça do desgraçado, armando a besta em seguida e consegui atirar contra o outro, malditos comedores de carnes, cortei as duas orelhas de ambos e fiz um colar, até que ficou bonitinho.


Subi o barranco todo ainda alucinando com os insultos do meu irmão, desgraçado quanto finalmente cheguei ao todo ele sumiu, quem é o mariquinha agora, voltei caminhando, já que a desgraça do cavalo sumiu, mal aguentava com o peso da minha besta e comecei a arrasta-la junto com a minha mochila.