Sobrenatural

2 Capitulo 1 - EU CONHEÇO ELE


Observei a janela do avião sabendo que logo a neve sumiria e no lugar eu veria praias e um sol escaldante. Deixaria so 30 graus negativos por 30 graus positivos. Eu nem queria pensar nisso.

Observei minhas roupas e suspirei. Camiseta de mangas compridas preta com botões na gola, jaqueta jeans verde militar, calça jeans e coturno. Eu iria derreter!

Mas seriam so por algum tempo. Não poderia durar para sempre.

Ainda estava emburrada por receber ordens de que teria que me mudar para Los Angeles para caçar alguns lobisomens.

Sim eu sou uma caçadora de lobisomens assim como toda a minha familia e a familia dos meus amigos. Eu não poderia dizer que minha familia é uma familia. A maioria da minha familia esta morta e outros abidicaram de suas vidas. E outra fez de tudo para me tornar a aberração que eu era hoje.

Não sou uma pessoa normal. Posso ficar invisivel. Isso ajuda bastante no campo de batalha. Mas não me explica como ela fez isso comigo. Minha mãe se chamava Kate Argent. Esta morta. Eu mal a conheci. Ela descobriu que estava gravida quando era bem nova devia ter uns 15 anos.

Quando nasci fui entregue ha uma fortaleza no Alasca. Não era tão ruim. Mas crescer sem ter amor era horrivel. A unica pessoa que conheci e sei que sempre tive um amor era Alisson minha prima. Ela era mais que uma prima. Era minha melhor amiga. Mas agora ela estava morta. Morreu em batalha, eu nem mesmo pude comparecer ao funeral.

As horas de viagem foi passando enquanto eu escrevia sem parar em meu caderno e Jesse dormia ao meu lado. Jesse era meu namorado. Era um cara lindo que deixava qualquer garota apaixonada. Ele era inteligente. Tinha uns olhos castanhos e um cabelo castanho encaracolado, mas o deixava cortado curto para arrumar os cachos.

Jesse e eu nos conheciamos desde criança, crescemos juntos. Ele tambem foi abadonado pelos pais. E agora vivemos juntos. A fortaleza do Alasca na verdade é uma comunidade de caçadores. Tem regras e treinamento excessivo.

Quando eu tinha 17 anos minha mãe apareceu lá. Estava diferente Ela fez algo comigo. Não sei explicar o que é. So sei que doeu bastante e logo depois ela se foi sem me dar uma explicação. So o que eu sabia é que meu corpo ficava invisivel. Tive que treinar isso e esconder de muitas pessoas.

Eles temem o desconhecido. O que não podem controlar. Observei a foto de Alisson e eu quando eramos crianças e fechei os olhos nosso sonho quando ela descobriu a verdade sobre os caçadores era que pudessemos um dia fazer uma dupla. A unica coisa que eu tinha no mundo de verdadeiro era ela. Nós eramos diferentes em quase tudo. Eu era loira com os cabelos ondulados agora com mechas verdes. E tinha os olhos azuis. Tinha um corpo bonito e era agil e flexivel.

Tinha uma tatuagem de dragão que começava nas costas e terminava na coxa esquerda. Um piercing na linga e outro no nariz. Praticava snowbordy, patinação e tocava violão.

Mas nada era tão bom quanto lutar muay thay e atirar com meu rifle Winchester. Era minha reliquia. Ninguem tocava nele. E fumar claro. Um vicio adiquirido ha um ano que não faço questão de me desfazer por mais que todos achem isso idiota e que vai estragar a minha saude. Vamos dizer que não dou valor para a opinião dos outros nem mesmo do Jesse.

Jesse alem de meu namorado era companheiro em batalha. Nos conheciamos melhor que qualquer pessoa. Sabiamos como agir e quando agir. Era impressionante nossa sintonia. Na verdade tinhamos sintonia em tudo por isso viviamos juntos como um casal.

Mas eu sabia que faltava algo. Aquela paixão ardente. Como qualquer garota você sonha com o principe encantado montado em um cavalo branco como nos Contos de Fada. Mas como qualquer pessoa normal eu sabia que isso era bobagem.

Quando finalmente chegamos em terras californianas eu cutuquei Jesse ate acorda-lo.

— Chegamos? — Ele perguntou esfregando o olho.

— Sim. — Respondi.

Ele sorriu e beijou meus labios antes de levantar para ir ao banheiro.

Quando ele voltou nós apertamos os cintos para aterrisagem. Descemos do avião e como eu ja imaginava senti o calor me atingir.

Tinha um carro preto nos esperando. Fomos levados ate o hotel onde iriamos ficar essa noite e amanhã iriamos para a casa de algum caçador que morava na região.

Largamos nossas coisas no quarto e Jesse foi abrir as janelas.

— É muito quente aqui. — Ele resmungou e eu assenti.

— Ja era esperado. — Observei pela janela o mar e o sol. — É tão estranho.

— O lado bom é que vou ver você com menos roupa. — Ele debochou e eu revirei os olhos.

— Você me ve todos os dias nua.

Jesse abraçou minha cintura depois beijou meus labios me levando para a cama.

— Espera. — Falei e ele me encarou confuso.

— Vamos fazer uma revisão na area.

— Trabalho em primeiro lugar. — Ele resmungou e eu assenti.

Fechamos a porta e seguimos para o elevador. Apertei o botão e ficamos esperando.

— Eu vou deixar o casaco no quarto. — Jesse falou quando o elevador abriu. — Me espera la embaixo.

— Ok. — Entreguei a chave para ele e entrei no elevador.

So tinha um garoto no elevador e assim que as portas se fecharam eu apertei o botão do terreo. Estavamos em silencio quando as luzes piscaram e o elevador parou com um baque. Me segurei na parede.

— O que aconteceu? — Perguntei e o garoto apertou os botões do painel.

— Acho que faltou energia. — Ele murmurou parecendo estar começando a entrar em panico.

As luzes piscaram de novo e se apagaram. Tirei a pequena bolsa mochila de couro das costas e abri pegando a lanterna.

Liguei e vi o garoto sentado no chão com as mãos na cabeça.

— Você esta bem?

— Nem um pouco. — Ele falou.

Me ajoelhei na sua frente deixando a lanterna no chão.

— Você tem claustrofobia? — Ele me encarou seus olhos azuis brilhando.

— Sim. — Ele murmurou começando a suar.

Se antes estava quente agora estava o dobro.

Ele tirou a camiseta e fez uma bola apoiando contra a testa. Sua respiração estava descompassada.

— Hum... Se concentra em alguma coisa. Isso pode ajudar.

— Quanto mais você falar menos ar ficara aqui. — Ele murmurou.

— Isso é bobagem. Conversar ajuda.

Ele soltou uma risada sem humor algum.

O tempo foi passando e eu tirei o casaco. O suor começou a escorrer e eu passei a mão na testa tentando tira-lo.

Sentei no chão com as pernas dobradas e apoiei meus braços. Bati meu pé sem saber o que fazer.

Em um determinado momento o garoro despencou no chão puxando o ar com força. Rapidamente me inclinei para ele e o observei. Ele estava branco.

— Hey respira! — Falei segurando seu rosto. — Se concentra em mim! Olhe para mim! — Ele me encarou. — Respira e inspira. Respira e inspira. — Agarrei sua mão e coloquei contra o meu coração. — Segue as batidas do meu coração. Se concentra nelas.

Ele começou a perder a conciencia e eu puxei a camiseta para fora do meu corpo e coloquei a mão no meu peito onde o coração estava batendo feito um louco.

— Abra os olhos e se concentra em mim! — Pedi e ele me encarou. — Respira e inspira. Acompanhe as batidas do meu coração. Regule sua respiração. Você consegue.

Ele pareceu me ouvir por que começou a se acalmar. Notei algo de estranho nele, mas não conseguia identificar o que era.

As luzes começaram a piscar e finalmente ficaram acesas. Ele desceu seu olhar dos meus olhos para os meus peitos cobertos por um sutiã vermelho.

— Não olha! — Resmunguei pegando a camiseta e a vestindo.

— É dificil não olhar. — Ele comentou depois puxou o folego e ficou meio de lado no chão.

— Quer ajuda para levantar?

— Não. Obrigado. Desculpe por isso.

— Acontece. Todos tem fobia de algo. — Murmurei. — Se isso tem faz se sentir melhor. Tenho fobia de altura.

Ele levantou e o elevador desceu ate o terreo.

— Me chamo Isaac Lahey.

O nome não era estranho. Juntei as sobrancelhas o encarando. E ele ficou me encarando. Demorei alguns segundos para entender que ele queria saber meu nome.

O elevador abriu bem no momento em que eu iria abrir a boca para falar.

— Katrina? — Virei para Jesse que estava nos encarando. — Fiquei sabendo do elevador e vim pelas escadas.

Juntei as minhas coisas do chão e lancei um olhar para Isaac antes de sair do elevador.

— Sim. Estou encharcada de suor. Acho que vou subir e tomar um banho, vou pelas escadas desta vez.

— Quem é aquele cara?

— Um garoto que tava no elevador.

Lancei um olhar para o garoto que tinha ido sentar em uma das poltronas do hall do hotel.

— Tudo bem? — Jesse perguntou.

— Vamos olhar as coisas depois voltar. — Ele assentiu.

Pendurei a mochila nas costas e sai do hotel ja pegando minha caixinha de cigarro e meu insqueiro.

Fazia muitas horas que eu não fumava e a falta de nicotina estava me corroendo.

Estava quente mesmo. Quanto mais eu caminhava mais minhas pernas pareciam ferver dentro da roupa. Como eu odiava o calor.

Observei cada centimentro das ruas e os predios.

Quando retornei ao hotel evitei o elevador e subi as escadas. Fui direto para o banheiro tomar banho.

Eu sempre gostei de tomar banho quentinho agora teria que me acostumar com a agua fria. Claro que ela era bem vinda naquele calor horrivel.

Quando retornei ao quarto estava enrolada em uma toalha e usava outra para secar meu cabelos. Liguei meu notebook enquanto aproveitava que Jesse não estava no quarto e fumava mais um cigarro. Consegui raquear as cameras mais proximas.

Lancei um olhar para o meu caderno e passei a lingua nos labios os umedecendo.

Jesse entrou no apartamente e sorriu.

— Achei que tivesse se perdido. — Mostrei meu dedo do meio para ele que riu.

Ele foi tomar banho enquanto isso eu pedi o jantar.

— Alexandre ligou. — Jesse falou assim que saiu do banheiro. — A noite vamos caçar.

— Ainda não acredito que os lobisomens estão atacando por aqui. É muito publico. — Peguei uma bala da mochila e coloquei na boca.

Jesse odiava o cheiro de cigarro. E desistiu a muito tempo de me fazer parar de fumar. Ele sabia que quem sabia da minha vida era eu.

— Ele acredita que seja briga de territorio. — Jesse deu de ombros. — Não me interessa vou matar o que se atravessar na nossa frente. — Sorri.

— É assim que se fala.

O serviço de quarto chegou e nós nos sentamos para comer.

— Sabe de uma coisa. — Jesse falou e eu o encarei. — Alexandre vai passar aqui em uma hora. Temos tempo para uma rapidinha.

Sorri antes dos seus labios invadirem minha boca.

As 8 horas da noite quando Alexandre disse que estaria nos esperando em um carro preto na frente do hotel nós descemos as escadas.

Eu estava com uma calça preta com bolsos laterais, regata preta e meu coturno preto.

Assim que vi o carro evitei a porta e abri o porta malas dentro havia um compartimento secreto, passei a mão na minha Winchester depois fechei o porta malas e fiz a volta para entrar no carro.

— Intacta. — Alexandre respondeu.

Ele era um homem mais velho que Jesse e eu. Devia estar berrando os 40. Sabia fazer uma piada as vezes. Mas na maioria das vezes era serio e seguia as regras da comunidade a rigor.

— Por onde começamos? — Perguntei.

— Vamos dar uma olhada por ai.

Alexadre parou o carro e nós descemos. Fui ate o porta-malas e peguei minha Winchester. Nós fomos caçar. Eu não conseguia imaginar por que Lobisomens estavam em Los Angeles.

Na verdade não conseguia nem acreditar.

Mas mudei de ideia quando um uivo se prolongou no ar. Comecei a correr na direção do uivo.

Ouvi rosnados e algo caiu no chão perto de mim. Era um lobisomem.

Ele levantou e me encarou. Apontei a arma para ele, mas não consegui atirar.

Eu conhecia aqueles olhos.

"Me chamo Isaac Lahey."

Minha memoria se acendeu mostrando uma conversa de Alisson e eu. Isaac Lahey o lobisomem que ela teve um caso.

Eu não conseguia acreditar naquilo. Não podia ser o mesmo Isaac.

Ele rosnou e veio na minha direção, eu me preparei para atirar.