Sobrenatural 2 - Escuridão

7 Capitulo 6 - Indiferente


Dancei um pouco mais com Alexandre depois ele me entregou para Isaac.

— Sabe dançar? — Perguntei depois de passar meu braços pelo seu pescoço.

— Musica adolescente sim.

— Musica adolescente é fácil. Só dançar como se fosse um louco. — Ele riu apertando meu corpo contra o dele. — Estou falando de outros tipos de dança?

— Não. E você?

— Aprendi uma vez alguns ritmos. Valsa, tango, salsa. Era bom para testar equilíbrio, concentração e sincronia.

— Isso é estranho. — Sorri.

— Nós treinávamos no gelo não tínhamos muito o que fazer. Só tinha neve ao nosso redor. Um dia eu iria gostar de te levar lá.

— Eu duvido que conseguiria voltar vivo dessa viagem.

— Infelizmente você tem razão.

— Mas tem vários lugares com neve que a gente pode ir.

— Mas lá tem as aurora boreal que são lindas de se ver.

— O que?

— Em Fairbanks no Alasca podemos vê-la de oito a cada 10 noites. É lindo. É um fenômeno ótico composto por um brilho nos céus noturnos na regiões polares. Isso acontece por causa do impacto de partículas de vento solar com a alta atmosfera da terra canalizadas pelo campo magnético terrestre.

— Continuo sem entender muito.

— Falando a nossa língua o céu fica colorido ok?

— Por que não me explicou assim? — Revirei os olhos.

— Boa pergunta. — Respondi. — Fiquei sabendo que no Canada também ocorre esse fenômeno. Se você visse garanto que ficaria impressionado com a beleza.

— Não existe beleza maior que a sua. — Falou e eu sorri antes de beija-lo.

Quando a festa acabou Isaac falou que tinha que ir embora o que me deixou surpresa.

— Por que? — Perguntei.

— Preciso ajudar Derek com algo.

— Que seria?

— Albert foi visto perto daqui ontem o que quer dizer que ele voltou. E se ele voltou atrás de vingança ele tem um novo bando.

— Então eu vou junto. Vamos caçar juntos.

— Não. Fique aqui e descanse. Hoje é o seu dia. — Beijou meus lábios. — Se eu conseguir volto ainda essa noite para dormir aqui. Do contrario nos vemos amanhã.

Beijou meus lábios de novo e saiu fechando a porta. Alexandre apareceu no alto das escadas.

— Ele foi embora?

— Foi.

— Achei que fosse ficar.

— Eu também.

— Quer mais um pedaço de bolo?

— Acho que não. — Ele desceu as escadas e ficou me observando.

— Tudo bem?

— Sim. Só estou cansada e... — Cocei a sobrancelha. — Isaac e eu não tínhamos te contado, mas Albert fugiu aquele dia.

— O que?

— Sim. E parece que ele foi visto por aqui essa semana.

— Eu vou sair para caça-lo. Se esse desgraçado chegar perto de você...

— Eu sei me defender Alexandre. Esta tudo bem. — Falei segurando ele. — Isaac e Derek vão dar uma olhada na área. Amanhã vamos conversar melhor sobre isso com eles.

— Ok. Mas se ele estiver mesmo por aqui, eu não vou descansar ate mata-lo.

— Obrigada.

— Pelo que?

— Por tudo isso. — Ele sorriu satisfeito e eu virei as costas indo para a escada.

Tomei um banho e fui dormir. No outro dia acordei sozinha na cama e sentindo a falta de Isaac. Já tinha me acostumado a dormir nos braços dele sentindo seu corpo quente contra o meu.

Vesti uma calça jeans toda rasgada nas coxas, uma regata azul, uma camisa xadrez de branco e azul e calcei meu tênis all star.

Fui tomar café enquanto ligava para Isaac, mas ele não me atendeu.

O domingo passou se arrastando por que estava sozinha. Alexandre tinha saído com Allan para investigar algo em uma cidade vizinha e Isaac não apareceu, nem mesmo retornou minhas ligações.

A noite preparei uma salada para mim e fui comer enquanto respondia as mensagens de Jesse.

— Continua falando com ele?

Na cozinha de Alexandre há uma mesa enorme com cadeiras e uma bancada com banquinhos de bar ao qual eu estava sentada em um. É claro que com o susto eu girei o banquinho, me desequilibrei e cai no chão.

Lancei um olhar para Isaac.

— Pelo menos alguém quer conversar comigo. — Retruquei erguendo as pernas para cima antes de dar impulso com as mãos atrás da minha cabeça e saltei ficando em pé na sua frente.

Isaac arregalou os olhos observando o movimento.

— Opa! Você é uma verdadeira ninja.

— Haha! — Fingi rir. — Onde esteve o dia todo? — Coloquei as mãos na cintura.

— Estava dando uma volta pela fronteira.

— Fiquei preocupada. — Comentei enquanto arrumava o banco de volta ao lugar dele. — Já estava quase pegando minha arma e saindo atrás de você.

— Estou bem. — Ele se aproximou e beijou meus lábios.

Era meio que sem sentimento. Gelado demais. Afastei meu rosto e observei sua expressão. Parecia calmo. Mas em seus olhos tinha algo. Eu só não conseguia decifrar.

— O que aconteceu?

— Não aconteceu nada!

— Não minta para mim Isaac. Te conheço muito bem para saber que esconde algo de mim.

— Não estou escondendo nada. E falando em esconder por que continua conversando com esse idiota?

— Por que continuamos amigos. — Falei voltando a me sentar. — Não desvia do assunto.

Ele foi sentar no banquinho ao meu lado, mas eu o parei com a mão em seu peito.

— Comida vegetariana. Deve ter um pedaço de pizza na geladeira ou você pode fazer um sanduiche. Se tivesse avisado eu poderia ter pedido comida para você.

— Eu me viro com um sanduiche mesmo. Comi quando cheguei em casa. — Ele murmurou enquanto mexia na geladeira.

Foi o jantar mais estranho e silencioso que já tivemos. O mais distante também. Era como se ele fosse um estranho para mim.

Estava escondendo algo e não queria contar. E eu não conseguia descobrir o que era. Isso me deixava muito frustrada.

Ele lavou a louça enquanto eu enxugava depois subimos para o meu quarto. O beijei e seguimos para a cama, mas ele parou no meio do caminho.

— Eu tenho que ir de novo.

— O que? — Perguntei só para ter certeza se tinha ouvido direito.

— Sinto muito. Tenho que ir embora.

Encarei seus olhos.

— Você não parece que sente muito.

— Eu tenho que sair ok? Acho que posso fazer isso sem você não é?

Foi um soco no meu estomago.

— Pode me dizer o que esta acontecendo? — Gritei furiosa.

— Só entenda que eu preciso ir.

— Então vá para puta que te pariu. Pro inferno. Va se fuder! — Gritei e ele foi em direção a porta. — Quer saber se você for nessa caçada a Albert sozinho não precisa mais me procurar.

Ele me encarou por cima do ombro. Coloquei as mãos na cintura e fiquei esperando que ele voltasse. Mas tudo o que ele fez foi assentir e sair fechando a porta.

Eu gritei de raiva. E chorei.

Tirei a calça e vesti uma bermuda de lutadora. Tirei a camisa e desci para a sala de treinamento.

Passei parte da noite distribuindo socos e chute em um saco de areia pendurado. O saco de areia já tinha se rasgado e eu continuei socando e chutando. Não usava proteção nas mãos então elas estavam cortadas e sangue pingava.

Mas eu não me importava com isso. Sempre consegui acabar com um incomodo sentindo dor. Perdi as contas de quantas vezes cortei meus braços tentando fugir dos problemas.

Ou da vez em que tentei me matar depois do que Kate fez comigo. Mas Jesse chegou a tempo e me salvou.

Me joguei no chão da academia e bati os pés no chão. Eu tinha largado um relacionamento bom e um emprego por Isaac e ele tinha descartado facilmente tudo isso.

O ódio borbulhava dentro de mim.