Voltei para o quarto e troquei a roupa de novo antes de descer as escadas conferindo a munição da minha Winchester. Caminhei pelas ruas seguindo as sombras. Acho que caminhei o resto da noite toda.

Quando o sol começou a nascer eu retornei para casa tendo a noção de que carregava uma arma pendurada no ombro.

Assim que entrei na casa encontrei Alexandre tomando café. Ele cuspiu o café em cima da toalha quando me viu.

— O que aconteceu com você?

— Isaac e eu terminamos. — Respondi.

— O que? Espera! Não estou seguindo essa linha de raciocínio. Na festa vocês estavam bem.

— E ontem terminamos.

— Sinto muito. Vocês vão se acertar de novo.

— Se ele vir pedir desculpa e me dizer o que esta escondendo de mim.

— Por que não liga para ele?

— Vamos dizer que eu sou muito, mas muito teimosa Alexandre. Além de orgulhosa. Rancorosa. Tudo de ruim e mais um pouco. Não vou fazer isso por ele.

— Katrina...

— Não me venha com Katrina. — Virei as costas e subi as escadas.

Me sentei em baixo do chuveiro, sentindo a agua escorrer pelo me corpo.

Foi nessa hora que desabei. Chorei sem parar ate voltar para a cama e me deitar onde continuei chorando e passei o dia assim.

A maldita dor que precisava ser sentindo uma hora ou outra.

Isaac não retornou. Durante a semana fui para a faculdade, mas não o encontrei. Pelo que fiquei sabendo ele trancou a matricula. Continuei mais uma semana esperando por ele.

Mas ele não apareceu. Então eu fiz a única coisa que poderia fazer. Voltei a caçar. Allan tinha ido embora.

— Vai querer caçar? — Alexandre perguntou.

— Fiz isso minha vida toda. E vou continuar fazendo.

— E a faculdade?

— Eu penso nisso depois. E artes nunca foi meu forte mesmo.

— Vai mesmo fazer isso?

— Estou certa sobre isso.

— E Isaac. Já tentou falar com ele?

— Não! Ele trancou a faculdade. Foi a única coisa que fiquei sabendo dele.

— Por que não liga para ele? Você o ama posso ver claramente isso. Não pode deixa-lo escorrer por entre os dedos.

— Eu já deixei. Agora é bola para frente. Se ele não veio trás é por que não me quer. Alexandre eu estou decidida a caçar. Com ou sem você.

— Eu vou com você. Só não apoio isso que você esta fazendo.

— O único apoio que preciso é na hora de caçar. Preciso que me de cobertura na hora certa.

Naquela noite entramos em seu mustangue e fomos ate a cidade vizinha caçar. Primeiro não tínhamos muita sincronia por que nunca tínhamos feito isso juntos. Mas eu sabia que isso era só questão de tempo.

O mês passou mais rápido do que eu imaginei. Tranquei a faculdade. Na verdade desisti. Me inscrevi no exercito se era para fazer algo que eu gostasse que fosse isso.

Alexandre não gostou da ideia. Mas ele sabia que eu vivi minha vida toda lutando, atirando e salvando vidas. O exercito não seria diferente.

E não foi. Enquanto todos sofriam eu fazia tudo muito bem. Corria. Atirava. Fazia abdominal. Tudo que era mandado fazer eu estava em primeiro lugar.

Jesse no começo não gostou da ideia, mas depois apoiou. Disse que tentou falar com Isaac e não conseguiu. Ate mesmo Alexandre entrou nessa campanha indo atrás de Isaac e Derek, mas encontrou tudo vazio e abandonado.

Como se tivessem ido embora a tempo.

Eu fingi não me abalar com isso, mas me abalei bastante. Não podia mentir. Doía. Doía bastante. Parte era culpa minha por ser marrenta e dar as opções para ele. Mas parte também era culpa dele que foi embora sem ao menos tentar.

Me deixou no escuro. E essa escuridão tomou conta de mim. Eu estava cega.

— Não começa Alexandre. — Falei me agachando no chão para observar o sangue empossado no chão. — É fresco. Ele esta por perto.

Ouvi um rosnado da floresta e algo saltou. Eu não tive tempo de pegar a arma somente ergui as mãos para tentar parar o impacto o que seria besteira.

Mas não houve impacto. Abri meus olhos e observei o lobisomem lutando contra uma barreira invisível. Ela se desfez e o lobisomem caiu no chão. Quando ele ameaçou levantar Alexandre acertou ele que caiu no chão já voltando a forma humana e morrendo.

Alexandre se aproximou de mim e ficou me encarando com os olhos arregalados enquanto eu observava minhas mãos. Nunca tinha feito algo assim.

Senti algo pingar do meu nariz e toquei com os dedos para depois ver que era sangue. Encarei Alexandre.

— Vai precisar treinar isso. Não pode esquecer que tem poderes. Que não é completamente humana.

— E o que eu sou? Uma abominação?

— Uma mutante. Aprimorada na verdade já que não nasceu com isso.

O mês tinha sido um pouco cansativo. Eu tinha treinamento no exercito. Continuava caçando lobisomens. E ainda estava treinando meus talentos por assim dizer. Consegui criar barreiras e deixar coisas invisíveis. O problema é um desgaste físico que eu tinha.

Me nariz vivia sangrando por causa do esforço.

Quando retornamos para a mansão depois de outra caçada havia uma pessoa parada no portão. Alexandre estacionou o carro e eu saltei já apontando a arma, mas abaixei ao reconhecer Derek.

— Derek? — Falei me aproximando dele enquanto empurrava a alça da arma para o ombro. — O que esta fazendo aqui?

— Quero conversar com você. Sobre o Isaac.

— Não tenho nada para falar sobre ele.

— Mas eu tenho. Um segredo que eu descobri recentemente já que agora que consegui retornar a Los Angeles.

— Espera. Isaac disse que você retornaria a Los Angeles há dois meses e meio atrás.

— Eu nunca disse a ele que voltaria nessa época. Estava resolvendo algumas coisas com Scott em Beacon Hills.

— Espera um pouco. Eu não estou entendendo nada! Por que Isaac mentiria sobre isso?

— Quando cheguei a cidade não o encontrei. Estava tudo vazio. Sem roupas ou objetos de que ele gostava. Achei estranho no começo depois deduzi que pudesse ter vindo morar com você. Andei pela área, mas seu cheiro esta muito fraco como se ele não estivesse aqui faz tempo.

— E não esta. Já faz uns 2 meses que ele trancou a faculdade e uns 2 meses e meio que não o vejo.

— Tentei ligar para ele, mas não consigo.

— Derek você esta começando a me deixar preocupada.

— Mas eu estou preocupado. Ele é meu beta. Minha família. Quero descobrir o que aconteceu. — Farejou o ar. — Você esta fumando? — Revirei os olhos.

— Sim eu voltei a fumar. Vamos entrar e conversar direito sobre isso. — Fiz sinal para Alexandre que abriu o portão.

Ele entrou de carro e nós seguimos a pé. Quando chegamos em casa nos sentamos em volta da mesa, Derek contou as coisas para Alexandre.

— Sabe o que pode ter acontecido com ele? — Alexandre perguntou.

— Quando sai a cidade estava tranquila. — Derek falou. — Levei Cora comigo achando que Albert nos seguiria.

— Achou errado. — Falei. — Ele voltou. Isaac comentou meio por cima. Disse que vocês dois estão lidando com a situação.

— Ele nunca me falou sobe isso. — Derek falou.

— Eu não estou entendendo nada, Derek. Não consigo chegar a nenhuma relação. Por que Isaac mentiria?

— Acho que todos nós aqui sabemos que Albert também quer vingança de você Katrina. — Alexandre comentou.

— Ele seria mais ganancioso a ponto de deixar Cora para se vingar de mim?

— Seria. — Derek respondeu depois coçou a barba em seu queixo enquanto me observava. — Acho que agora entendi o que Isaac fez. — Fiquei o encarando esperando a resposta. — Ele se entregou por você.

— Por mim?

— Ele a ama mais que tudo. — Derek falou. — Nunca vi ele ficar tão afetado por alguém como ficou com você. O ponto é ele estava enganado. Albert não vai deixar você ou nós em paz por causa dele. Ele virá atrás de vingança.

— O que podemos fazer? — Perguntei.

— Vamos tentar descobrir onde fica a moradia real de Albert. Não gosto de ataca-lo no território dele, mas não temos escolha.

— Derek somos 3 contra quantos? Um exercito? Você é um alfa, mas ainda assim é um. Sua alcateia esta comprometida.

— Sim, mas eu tenho uma segunda alcateia a qual tenho uma amizade.

— A alcateia de Scott? — Perguntei e ele assentiu antes de levantar já pegando o celular.

Enquanto ele ligava para Scott lancei um olhar para Alexandre.

— Eu sinto muito filha.

Ele não leu meus pensamentos. Sentiu meus sentimentos. Meu pai era um pai maravilhoso que em menos de um ano de convivência já me conhecia muito bem. Criamos um vinculo.

— Minha culpa. — Murmurei e ele segurou minha mão.

— Vamos resolver isso.

Derek desligou a chamada e nos encarou.

— Eles chegam amanhã. — E com isso ele foi embora.

Eu caminhei pela casa toda. Treinei nos sacos de areia. Eu mal consegui pregar o olho. Meus dedos doíam de tanto escrever em meu caderno quando o sol nasceu.