Sobre piratas, tesouros e laranjas
2 Sobre o sabor cítrico dos teus lábios - parte dois
O dia amanheceu tranquilo para alguns e para outros não. Mal começou a manhã e já sabia que aquele pedaço de carne que estava guardado na geladeira sumiu. Ou seja, Luffy tinha comido o almoço deles que era para hoje! Um delicioso churrasco que estava sendo preparado à SEMANAS que foi tudo pelo ralo. O loiro gritou da cozinha:
— Pessoal, vai ser problema se a gente comer peixe, de novo?! — e pelo tom de voz, estava completamente irritado.
Robin abafou uma risadinha. Já Luffy, fez um bico e olhou para cima, fazendo-se de desentendido e continuou pescando como se nada estivesse acontecido. Já o bando, exceto Robin, suspiraram pesadamente já sabendo que foi o responsável. Peixe não enche o bucho!
Por sorte, pararam numa ilha para abastecerem mais uma vez o estoque de alimentos. Mas o problema era: quem ia ficar com Luffy? Apesar deste ser o capitão, era uma criança teimosa que precisava ficar de babá. Resolveram a situação com o palito e quem ficou foi a Nami, que suspirou derrotada.
Sanji choramingou por não ficar ao seu lado mas prometeu que ia comprar as coisas que a ruiva precisava além do estoque de comida; Chopper fora com Robin para comprar livros e mais materiais medicinais, Usopp junto ao Franky e Brook foram explorar e vê se achava mais coisas para a sua artilharia e mais coisas exóticas para o navio e Zoro, bom, foi dar um volta e Nami sabia que ele ia se perder por aí.
A ruiva, sem ter o que fazer, foi até a proa do navio do Sunny Go onde encontrou o moreno deitado com as bochechas infladas e braços cruzados. Apenas deu um sorriso de canto e revirou os olhos.
— Olha, Luffy, sabe que a gente só está nessa situação por causa da seu buraco negro que se chama se estômago, certo?
Ele apenas fez um bico e virou para a sua direção, agachado contra a cerca do navio. Logo, mudou a feição para uma curiosa.
— Ué, que cara é essa?
— Bom, é que ontem de noite, além de roubar carne da geladeira, tive uma conversa com a Robin.
— Sobre o que era?
— Bom... É que eu perguntei à ela sobre o que era beijo e eu devia matar essa curiosidade com você porque toda vez que eu chego perto de você minha barriga ronca de fome mas não é fome.
Nami só foi capaz de arregalar o olhar e engoliu seco. Robin, às vezes eu quero te esganar e ao mesmo tempo de abraçar! Suas bochechas começaram a ficar vermelhas e o suor frio começou a aparecer na palma das mãos.
— Oe, Nami, você está com febre? Quer que eu chame o Chopper?
— O que?! Não, não precisa. — riu fraco. — Luffy, você sabe o que é pelo menos um beijo?
— Bom, pelo que a Robin me disse, é mais do que encostar a boca nos lábios de uma garota. Quando criança, eu vi a Makino e Shanks fazendo isso algumas vezes.
— Então, você sabe mais ou menos como é isso, certo?
— Sim! E Robin disse que eu teria que matar essa curiosidade com você. Me ensina?
— Clar... O QUÊ?!
Era isso que tinha acabado de ouvir?
。⃟⸼ᝲ⃟‹ْ 。⃟⸼ᝲ⃟‹ْ 。⃟⸼ᝲ⃟‹ْ
Era isso que ela tinha ouvido? Isso mudaria drasticamente tudo entre eles! De certa forma, a ruiva sabia que Luffy não sabia sobre o amor e suas causas.
Antes mesmo que pudesse responder, ouviram as vozes dos amigos voltando para o navio. A ruiva engoliu seco e saiu de perto do capitão, que até então, podia sentir o olhar dele queimando suas costas. Tinha um longo problema para resolver.
A parte mais difícil da sua vida é ignorá-lo com todas as forças. Metade dela não queria fazer isso com o pobre coitado mas a outra dizia que era para fazer isso.
Nami, o que eu sinto é medo?, era o que o seu subconsciente indagava.
Para Luffy, ver sua companheira o ignorando lhe deixava triste e irritado. Ele a protegia de quaisquer perigo e era assim que agradecia? Os dias se formaram semanas.
Mas o que afastou seus pensamentos por uma certa ruiva foi quando atracaram numa ilha portuária da Grand Line. Dessa vez, Luffy saiu do navio sem que ninguém perceba e foi dar uma volta.
Usopp foi o primeiro a perceber.
— Espera um pouco, cadê o Luffy?!!
— Aquele desgranhento! Puxa vida, justo na hora que a gente ia tirar o palito. Agora, resta esperar que ele não arranje nenhuma briga com nenhuma pessoa da aldeia.
A navegadora suspirou. Todo mundo saiu do navio e quem ficou apenas ali foi Franky para dar algumas ajustadas no navio. Chopper fora junto com Robin para passearem juntos e por incrível que pareça, Zoro estava ao lado da dupla. Aqueles dois estão próximos ultimamente.
Parou em umas vitrines e comprara algumas roupas, tudo no desconto. Também comprara algumas joias e perfumes e por incrível que pareça, parou em frente a um restaurante de aparência chique e encontrou o borrachudo lá, conversando com todos do restaurante. Assim que entrou no local, todos do restaurante se encontravam rindo das histórias que o chapéu de palha contava sobre as aventuras do bando.
Se encostou numa coluna bem reservada e o observou do balcão de onde Luffy estava agachado e sua risada ecoando em cada canto do estabelecimento. Assim que os olhos negros do capitão lhe encararam, ele sorriu e com os poderes de borracha, foi até a mesma sorrindo.
— Gente, essa é a minha navegadora! Eu disse que ela era especial e muito, mais muito talentosa!
O vermelhidão tomou de conta das suas bochechas num piscar de olhos. Os homens a olhavam como se fossem um tesouro, já as mulheres... com inveja. Suspirou baixinho.
Só o chamou para ir embora quando estava perto do meio-dia e precisava de ajuda para carregar as compras.
O caminho até o navio foi silencioso, que chegava até dar um arrepio na espinha. Quando chegaram ao Sunny, Franky não estava mais lá. Seu estômago se revirou. Ela guardou todas as suas compras dentro do seu armário e se livrou das sacolas.
Bebeu um copo d'água na cozinha e observou Luffy sentado na proa do Sunny, e era a brecha perfeita para se esconder atrás das plantações de laranjeiras.
Já Luffy, ele deu um sorrisinho colocando seu plano em prática. Passou-se um tempinho até usar seus poderes de Akuma no Mi para ir até lá sem fazer barulho. A encontrou sentada no chão observando o tempo. Chegou devagar perto dela.
O moreno notou que ela usava a blusa sem manga de uma cor verde e seu olha pousou na cicatriz. Lembrava daquele dia que lhe marcou a memória.
Nami era uma pessoa forte, carregou o destino da vila e da sua família nas costas para se livrar das garras do mal. Vendo-a se esfaquear foi a prova de que fora valente esse tempo todo, depositara seu tesouro nos cabelos ruivos e partira para cima de Arlong. Gritara em plenos pulmões que ela era sua companheira.
De repente, se sentou atrás de si causando um pequeno susto da navegadora.
— Luffy, o que voc-
Sentiu os lábios do borrachudo na sua cicatriz. Um selinho.
Virou o rosto para frente para utar contra as lágrimas mas não conseguiu segurar um sorriso nos lábios. Sentia sua pele se arrepiando devagarinho com aquele simples ato.
Quando ele desencostou seus lábios na marca, sentiu os braços do garoto enrolando-se na sua cintura e deitou seu queixo no seu ombro.
— Luffy...
— Nami...
A ruiva suspirou e se virou delicadamente para encará-lo seriamente e pegou as maçãs de seu rosto.
— Você quer realmente aprender tanto assim?
Assentiu.
— Sabe que vai ter consequências drásticas depois disso, não sabe?
— Eu sei disso! Shishishishishi
Nami suspirou mais uma vez. Saiu do seu colo e o deixou sentado perto das laranjeiras para ficar com uma diferença de idade. Se colocou no meio das pernas do garoto e disse:
— Primeiro, relaxe seus lábios.
Luffy fez o que ela pediu. O segundo passo era criar um clima, chegou mais um pouquinho perto do borrachudo, encostando suas testas, a respiração quente batia no seu rosto. Com um toque sutil, levou a sua mão até a nuca do moreno fazendo um pequeno enquanto levou a mão deste até sua cintura. Os corações de ambos estavam acelerados.
— Feche os olhos.
Assim que o borrachudo os fechou, Nami o beijou numa velocidade lenta e molhada e de um modo impaciente, Luffy pediu a passagem da língua e a ruiva concedeu, tornando tudo envolvente. Suas mãos passeavam livremente nas costas da navegadora enquanto sentia as dela brincando com seu cabelos negros e bagunçados. Logo, encontrou o caminho da cintura dela, onde a puxou para mais perto arrancando um suspiro de ambos. E por incrível que pareça, ela tinha o mesmo aroma cítrico das laranjeiras e o sabor estava no seu paladar.
A velocidade do beijo diminuiu e Luffy deu mais alguns selinhos e por fim, se separaram.
Nami o olhou diretamente nos olhos.
— É assim que se beija. — comentou assim que saiu de perto do garoto.
— Ei, Nami.
— Hm?
— Beijar é melhor que comer!
A ruiva riu.
— E tem mais: eu gosto de você e vamos ficar juntos! Shishishishishi.
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