Sobre a serenidade

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Provavelmente o texto sobre o qual eu fiquei mais insegura. Eu sempre fico quando escrevo sobre algo que pode tão facilmente soar brega ou clichê - se apaixonar. Mas espero mesmo que gostem.

Você me ensinou que o amor podia não doer. Eu achava que amar tinha a ver com a sensação de seus pulmões estarem cheios de água, mas tudo entre a gente foi como um suspiro de alívio. Porque o amor não precisava habitar na ansiedade e na tensão, em cada dúvida que eu tivesse ou em toda insegurança que eu sentisse; não precisava ser impossível pra ser pungente. Pela primeira vez eu amei mais na cumplicidade do que na saudade. Eu quis exatamente aquilo que eu podia ter. E não me apaguei, porque a cada passo eu tinha em vista o meu reflexo nos seus olhos. Eu amava te ver me ouvindo, com aquele sorriso implícito em algum lugar entre a boca e as pupilas, como se nada no mundo fosse mais importante.

Os meus leitores que me perdoem, mas não sei escrever sobre amor; me faz sentir tão boba. Então eu vou escrever sobre você. Não importa que já tenham feito isso antes — escrever odes de amor; porque quem ama nunca ama nós mesmos detalhes. Eu poderia dizer que me apaixonei pela sua gentileza e persistência, só que eu conheço duas dúzias de pessoas gentis e persistentes. Mas ninguém possui o cantinho da boca igual ao seu, ou o mesmo cabelo. Ninguém tem o mesmo padrão de combinação de castanho e verde nos olhos. E todas as outras coisas que eu admirei e vou manter comigo. Afinal o que significariam para outra pessoa? Ninguém perceberia o que elas têm de especial; porque é isso: o amor desperta a nossa atenção para pequenos milagres que ninguém mais vê.

E como definir o fascínio de amar inteiro? Desde a mão que me acolhia ou o ombro que sem querer roçava o meu. O corpo, esse mistério, desejável enquanto representação palpável daquilo que eu jamais vou alcançar por completo — cada fala cada riso cada ação, cada sinapse que eu amei em você. Um corpo — cada parte tão amável, e o todo muito mais do que as partes.

Se eu precisasse definir, diria que cada abraço com você era o primeiro, não o último — e essa é a diferença entre amar com desespero e amar com carinho. De amar com leveza, nas coisas menores, com realidade. Sem necessidade de inventar o amor, elevando o perecível ao nível de divino; mas trazendo o sublime para os detalhes, para o ínfimo. A licença poética de estar apaixonada me permite dizer que você não me deu borboletas no estômago, mas me ensinou a ser borboleta?

Eu disse que ficava boba.

Notas finais
E aí? Não queria falar nada não mas um review seria a melhor coisa do mundo...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!