Notas iniciais
Dois dias e meio depois da triste decisão

Minha cabeça parece querer explodir.

O rosto de Hillary e sua boca fechada zombam de mim.

Aquele amigo dela agressivo e paranoico parece ter sido o responsável por ela estar ali, naquele estado.

E Júnior? Ainda sinto pena dele, não posso mentir e faria isso se dissesse que não quero ir atrás dele.

Quero saber o que aconteceu, porque ele nem quis ser cuidado pelas enfermeiras e simplesmente voltou pro carro depois de dizer pra mim que não dava mais.

“Acabou.”

Só uma palavra.

E eu não aguento mais chorar.

Chorar por descontrole.

Porque é isso que está acontecendo aqui. Me sinto como se tivesse andando em círculos e ninguém me dá respostas...

Mas de uma coisa eu sei, aquele garoto só vai sair daqui quando me contar toda a verdade. Por mais dura que ela possa ser.

***

Depois de alguns minutos Luiz sai do quarto e me olha sentada no corredor. Sei que estou um caco mas o olhar desse garoto parece transpassar minha alma.

Ele vem andando até mim e coloca as mãos nos bolsos.

— Olha só... _ começa ele_ Convenci Hillary a contar pra senhora o que aconteceu.

Levanto num impulso.

— Ai meu Deus do céu! Muito obrigada!

— Mas calma aí... _ continua ele _ a senhora não pode falar nada, ok? Nem fazer perguntas.

Franzo a testa e cruzo os braços.

— Só ouvir.

— Mas eu tenho muitas coisas pra conversar com ela e...

— Eu sei. Eu sei. Mas agora ela não quer lhe ouvir.

As palavras dele me atingem como facadas.

— Acredito que todo esse tempo ela tinha muita coisa pra lhe dizer mas nunca conseguia e também... porque a senhora não dava muito espaço. _ ele dá de ombros.

Agora nem interrogo mais nada. Não vou falar nada porque simplesmente as palavras fugiram de mim já que a realidade chegou.