Notas iniciais
Semanas antes da Triste Decisão

De todas as disciplinas da escola a única que gosto mais é História, por causa da minha professora e do que ela me proporciona quando assisto sua aula. Amo as viagens que faço no tempo, como esqueço quem eu sou e como assimilo o passado com o presente.

É incrível como a história se repete. Os humanos são idiotas.

Os outros professores consigo relevar... português é chato e a professora é indiferente a nós, amo inglês mas o professor é um cuzão. Geografia não entendo nada apesar do professor ser gatinho e as demais matérias nem lembro tanto que tirei 70% de notas vermelhas.

Não sei se deveria estar arrasada ou chorando mas... simplesmente não sinto nada... olho para aqueles números e eles não significam nada pra mim. Simplesmente nada.

Minha vida é um navio que está prestes a afundar mas diferente das outras vezes não quero me importar mais.

A história se repete.

Sou uma idiota.

***

Um rostinho bonito não te faz mais feliz, te faz parecer mais feliz, mas do que adianta?

***

Eu queria ter mais amigos, ou amigas; sim, aquelas pessoas que te fazem sorrir por coisas bobas e também riem das besteiras que você fala, aqueles com quem você faz loucuras, aqueles com quem você compartilha segredos e fofocas. Amigos.

Essa palavra soa tão estranha pra mim que eu chego a me perguntar se faço parte dessa planeta.

Não. Eu não sou alienígena, já tive colegas, os da escola como sempre, mas nenhum deles foi capaz de me dar a segurança de que eu podia lhe contar meus sonhos, nenhum deles foi capaz de me repassar a certeza de que não riria se lesse meus poemas, nenhum deles foi capaz de me garantir que estaria comigo até o final, nenhum deles.

A não ser você.

***

Eu gostava tanto de rir. Mas depois não encontrei horas adequadas para isso.

Queria fazer mais por mim. Pelos meus sonhos e pelo que acredito.

Mas é decepcionante saber que isso não cabe à mim totalmente. Sou dependente das circunstâncias e do tempo.

***

Eu não quero viver pouco entende? Quero descobrir coisas novas.

Quero saber fazer vários cálculos e discutir sobre os filósofos gregos.

Quero entender como funciona meu cérebro e como funciona o magnetismo da terra.

Quero tocar um instrumento vorazmente e quero cantar uma melodia cheia de paz.

Eu quero isso. Mas sei que é quase impossível.

Talvez, algum dia daqui a cinquenta anos eu consiga realizar isso.

Talvez.

E digo talvez, não porque é muita coisa, mas porque não sei se terei forças pra viver até lá.