Notas iniciais
Quatro dias depois da Triste Decisão

— Eu quis falar antes. _ começo. _ De verdade. _ e sei que não vou parar tão cedo. _ Mas tudo foi acontecendo de uma forma que eu nem percebi... _ agora é minha vez de falar _ E quando dei por mim, já estava morrendo.

“O Papai fez aquilo e eu pensei, nossa, eu nunca imaginei que isso fosse acontecer comigo, numa imaginei que essa dor existia e que eu a sentiria. O último homem que eu pensei que me machucaria foi o que primeiro o fez.”

“Depois percebi que em nenhum outro lugar eu era importante ou útil, e a senhora apenas se escondeu... eu não sabia o que deveria fazer... E todas as vezes que eu quis te confidenciar algo e você não ligou? Era só um segredo bobo, mas era um segredo, e eu queria contar pra você. Pode me ouvir? Pode guardar um segredo?”

Lágrimas escorrem pelo rosto da minha mãe. Ela não fala nada. Melhor assim.

— E depois que ele chegou. Bem, aí eu não quis saber mais de nada. A senhora estava feliz e isso bastava pra mim, eu não servia pra nada. E o resto, bem, o resto é que eu apenas sobrevivi... até não aguentar mais. E agora... agora estou tentando aguentar de novo. Só não sei até quando vou conseguir fazer isso.