Notas iniciais
Dois dias e meio depois da triste decisão

Enquanto Hillary me conta quais foram seus últimos pensamentos antes de apagar eu fico pensando como vou contar pra ela o que fiz lá fora.

— E pensei também em você.

Olho pra ela e vejo as lágrimas em seus olhos ainda. Quero abraçá-la mas sei que ela odeia essas demonstrações de carinho.

— Pensei... poxa, não vou poder estar com o Luiz quando ele entrar na universidade, mas pelo menos eu não iria mais te encher com meus problemas...

— Nunca me importei com isso. Você sabe.

Ela dá um sorrisinho.

— A verdade Luiz é que se eu tivesse um motivo pra desistir seria por nós. Pelo nosso futuro e as coisas incríveis que poderíamos ter feito juntos.

Será que a esperança está voltando pra ela outra vez?

— Mas esse motivo perdeu força a medida que os outros motivos pra fazer o contrário foram aparecendo... e crescendo.

Parece que não...

— E qual foi a última coisa que você pensou?

O olhar de Hillary vaga pelo quarto.

— A última coisa... _ murmura ela. _ A última coisa que eu pensei foi “eu sou muito burra mesmo, poderia ter procurado uma forma de me matar que não doesse e não demorasse tanto, sou uma otária.”

Ela se vira pra mim e um sorriso se abre em seu rosto.

E nesse momento eu já sei que ela já encontrou essa outra forma.