Notas iniciais
Eu sei que estou postando dois capítulos por semana, dias de segunda e quinta quando consigo, e bem... não estou no horário de verão, então ainda é quinta, haha. Como sempre, não revisei nada.

A floresta Hilink encontrava-se vazia, como de costume; ninguém chegou a ver uma estranha forma sobrevoando os céus naquela manhã atípica.

Não que um foguete azulado fosse ser a coisa mais absurda que um cidadão comum de Unova poderia presenciar. Nem mesmo considerando que havia um jovem pendurado naquele foguete como quem montava em um Sawsbuck para uma caminhada no campo.

Hilbert, contudo, tinha muito mais coisas para pensar do que a reação de quem o observasse do chão. Cada segundo seria essencial, ainda que ele não tivesse a resposta que passara as duas últimas semanas procurando.

Ele recapitulava os últimos acontecimentos desde que vira o temido Zekrom sob o controle de N, aquele que havia considerado como amigo até então; aquele que agora se preparava para tomar a região de Unova em assalto, exigindo a liberação Pokémon. Hilbert havia acompanhado boa parte da jornada do garoto de cabelos esverdeados, ainda que por acaso, mas ainda não conseguia compreender como as coisas evoluíram daquela forma.

Nem mesmo a ajuda de Drayden, prefeito da cidade de Opelucid e especialista em Pokémon do tipo dragão, fora o suficiente para esclarecer a situação delicada. Baseado nas lendas e relatos, Hilbert descobrira a respeito dos dragões dormentes, os quais eram tidos apenas como lendas para o bem da população de Unova. Porém, com Zekrom tendo sido libertado por um treinador com intenções duvidosas, a única chance de se evitar uma catástrofe seria com a ajuda de Reshiram.

Convém citar que, antes do despertar de Zekrom, até mesmo Drayden considerava que os dragões não mais existiam.

Para a sorte do garoto, porém, seus colegas pareciam dispostos a ajudá-lo. Em especial Cheren, por ter presenciado a conversa no topo da Torre Duodraco. Ele sabia o quanto andava treinando para ser o melhor treinador da região, porém sentia que Hilbert era superior sem muito esforço. Talvez por isso ele tenha o levado até as ruinas do Castelo Rélico, em uma carona bastante cômoda com a ajuda dos poderes de tele transporte de um de seus Pokémon, Beeheyem.

A tarde de exploração fora infrutífera, apesar de não ter sido uma perda de tempo completa. Eles encontraram uma equipe de que realizava estudos arqueológicos, mas ainda assim não obtiveram respostas. O máximo que conseguiram foi entrar em conflito com o Pokémon que protegia as ruínas, um Golurk de tamanho bastante avantajado.

Hilbert sorria ao lembrar-se da batalha, aonde Nuts fora de um papel essencial. O resultado da batalha se mostrava no tempo presente; o treinador acabou por capturar o Golurk, que servia naquele exato momento como meio de transporte, apesar de estar perdendo aos poucos a velocidade.

— Estamos quase chegando, Jaeger, você consegue aguentar mais um pouco?

O rugido do Pokémon mecanizado não disfarçava seu cansaço, porém ele tornou a acelerar, deixando um rastro azulado pelo céu.

Hilbert ainda se lembrava de ter retornado até a cidade de Nacrene no dia após a expedição, decidido a estudar mais a fundo o tema ao se lembrar da exposição que a cidade abrigava sobre o Castelo Rélico. Era certo de haverem estudiosos sobre a lenda dos dragões de Unova; seu conhecimento seria de grande importância naquela situação.

A persistência do garoto foi recompensada na forma de um reencontro com Lenora, que dividia as funções de líder de ginásio com a administração do museu. Hilbert lembrava-se de cada palavra daquela conversa:

— Tenha calma, garoto. Porque o súbito interesse?

— Eu vi Zekrom ser acordado por um treinador, ele precisa ser detido.

— Tem certeza que não foi um sonho?

— Eu estava na Torre Duodraco. Eu senti a aura de energia. Brycen estava comigo…

— Calma, Hilbert. Se você tiver razão, Reshiram irá se manifestar. É o que diz a lenda. Eles são dois lados da mesma entidade. O negro só é negro porque existe o branco, e vice-versa. Eles não são opostos, um complementa o outro.

— Mas Zekrom precisa ser detido! Ele está sob o controle dos Plasma!

— Então cabe a alguém de coração puro despertar Reshiram.

— É por isso que estou aqui! Não há tempo a perder…

— Reshiram aparecerá quando for a hora. Venha comigo.

Os dois caminharam pelo museu, detendo-se em frente ao mesmo hieróglifo que N havia mostrado a Hilbert quando da visita deles ao museu.

— Reshiram e Zekrom foram selados em pedra após o último conflito. Unova teve de ser reconstruída depois do embate entre os dois. Só o que sobrou em meio aos destroços foram duas joias. A Gema Obscura acabou se perdendo em meio a uma guerra recente, mas a Gema Luminosa se encontra…

Lenora parou de falar de súbito. A esfera branca que estava na redoma ao lado do hieróglifo começou a brilhar, flutuando dentro de sua proteção de vidro.

Hilbert não se lembrava tão bem dos detalhes depois daquele momento; haviam chego à conclusão de que a gema era uma peça-chave para que Reshiram pudesse ser despertado; Lenora relutantemente concordou em entregá-la ao garoto, dias depois, sob pressão da professora Juniper. Em conjunto, procuravam pela localização do dragão, porém sem sucesso. O último registro histórico da existência de uma estátua de Reshiram como haviam entendido datava de três milênios atrás, quando o rei de Unova entrara em guerra com o feudo de Kalos, saindo derrotado. A construção dedicada a Reshiram, que ficava ao leste do continente, havia sido completamente destruída; nada havia sido encontrado a respeito desde então.

Nenhum deles pensava em desistir tão fácil, porém as notícias daquela manhã mudaram completamente o curso das buscas.

Pois N havia derrotado cada um dos membros da elite da liga de Unova. E seu primeiro ato como campeão, como era de se esperar, foi um pronunciamento na televisão, aonde o dragão negro aparecia ao fundo.

— Cidadãos de Unova. Aqui quem fala é Naturi Gropius. Por decisão soberana em batalha, o trono imperial de Unova passa agora por mim.

Não pode ser…

O garoto de cabelos verdes parecia imponente. Utilizava vestes em tons de roxo e dourado, em uma cena estranhamente familiar a Hilbert.

— Para assumi-lo, trago comigo a força e o exemplo do respeito aos Pokémon. Eles, que sempre nos agraciaram com seus poderes mesmo nos momentos mais difíceis, merecem tão somente o nosso agradecimento. Nós, cidadãos, nos acostumamos a conveniência de termos eles por perto como ferramentas, como armas de guerra. Fazemos o que consideramos certo, apesar de nunca termos ouvido o outro lado da história.

Hilbert já largara a pesquisa que fazia. N haveria de ser detido, com ou sem Reshiram.

— Sendo assim, pretendo dedicar meu reinado a eles, vítimas de nossa exploração por séculos e séculos. Porém, não mais. Declaro, portanto, como meu primeiro ato como imperador de Unova, que a posse de Pokémon passará a ser considerada crime contra o reinado. Aquele que for encontrado de posse de Pokémon será considerado traidor do reino, sendo punido com a morte.

O mesmo tom de surpresa pode ser ouvido por todo o continente. Hilbert, contudo, não perdia tempo. Imediatamente lançou a pokébola de Jaeger, o Golurk, invocando-o.

Hilbert lembrava-se desse último momento quando avistou a sede do reino de Unova ao fundo. Haviam finalmente chegado.

O treinador poderia não ter encontrado Reshiram, porém estava disposto a qualquer coisa para impedir aquele absurdo ato de teimosia. Ou morreria tentando.