Sobre Quero-Queros
1 aquela história, que eu ouvi do desconhecido
Notas iniciais
aviso: eu não ganhei nada pelo concurso - :(
Ontem eu ouvi uma história na rua, enquanto voltava pra casa, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido (na verdade não conheço muita gente nessa cidade) e que começava assim "Semana passada ouvi um sujeito contar uma história da namorada dele, sobre por que ela tinha medo de Quero-queros (dá pra acreditar?) e, depois de muito insistir, disse o porquê:
“- Eu tenho medo deles, amor! Acho que chega a ser fobia!
- E o que aconteceu, doçura? São apenas pássaros.
- Querido, promete que não conta pra ninguém? É embaraçoso.
- Se não quiser me contar, não precisa.
- Não, não, eu te conto. Foi quando eu era garotinha, uns 13 anos. Estava atravessando a praça, no caminho para casa...”.
Os dois desconhecidos (que vou chamá-los de 1° e 2° — o 2° está contando a história) começaram a andar, acho que se deram conta do horário; o 1° olhou no relógio e, sem nem mesmo interromper o 2°, mostrou-o a hora; se olharam com cara de quem viu um fantasma e foram indo. Pensei comigo “e eu, como fico??? Quero ouvir o final da história, esperem!“; saí andando atrás, bem na cola, para ouvir o resto:
“- Estava atravessando a praça, no meio da grama, quando vi um pássaro; eu o encarei, mas continuei andando; ele me encarou de volta; nós nos encaramos; enquanto estava em movimento, ele só virava a cabeça, era sinistro; fiquei com medo e apertei o passo.
- Mor, o que tem de traumatizante nisso?
- Ele começou a me seguir!!! Isso é traumatizante! Você ser perseguido por aqueles bichinhos malévolos! Virei para trás e o descobri com os olhos focados em mim! Comecei a andar cada vez mais rápido, mas ele acelerava também!!! Quase tropecei uma ou duas vezes nas pedras no meio do caminho, mas segui em frente, não podia deixar ele me pegar! Tinha virado uma questão de honra! A história de meus antepassados e de meus futuros familiares seria manchada caso aquele demônio me capturasse! Acreditando nisso, ativei o meu turbo interior e saí em disparada na frente; Não ouvia mais seus passinhos apressados, e me virei, não o achava; olhei pra cima e UOOU! Ele tinha levantado voo!!! Amaldiçoado seja! Se eu não tivesse me abaixado meio segundo antes, minha cabeça já não estaria mais aqui.
Ela contou tudo isso com movimentos estravagantes e mechendo a mão como se fosse o Quero-quero, a outra como ela mesma; incrível como conseguia deixá-lo tão interessado.
- Deu pra sentir o vento passando no meu rosto! Fugi sem olhar para trás.
- Uhuuuuu! Esse é o Meu Amor!!! Mas por que ele te atacou?
- Quando voltei a ter coragem para andar por aquelas bandas, vi um ninho abandonado; acho que ele era o macho do casal, só protegendo os filhotes.
- E ele teve medo DE VOCÊ? — O namorado disse, começando a rir imediatamente; ela deu um tapinha nele, corada — Seu chato! Eu disse para não rir!
- Não disse, não.
- m-Mas eu pensei!! E você devia considerar isso ! — Ela disse, num tom de fúria.
- Own, Mooor, desculpa. — Ele falou, baixinho, enquanto dava um beijo nela e a encarava — Tudo bem? Você me perdoa?? — Fez uma cara de cachorrinho.
- Hunn.. – disse e o abraçou logo depois."
O 2° terminou a história, mas eu não continuei para ouvir a opinião do 1° sobre isso, tinha que voltar ao meu caminho, meu ônibus já tinha ido embora.
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