Capitulo IV.


Metido no bar desde que abriu, Logan bebia cerveja no gargalo e por modéstia a parte, estava cercado por garotas usando roupas três números menores. Aqueles sorrisinhos por debaixo dos lábios cintilantes escondendo todo armamento confinado para mais tarde. Ele conversava, ria e mandava olhares para qualquer lado que seus olhos não encontrassem uma figura feminina e as curvas provocadoras, cheias de tanta luxuria e desejo por um canadense baixinho sendo o melhor no que faz.

Sabia que essa noite se daria bem. Tantas mulheres querendo experimentar outros sabores e aventurar-se com outros perigos...

Quando um par de lábios chegou perto demais da orelha, o celular tocou.

Por instinto, ele pensou em ignorar a ligação e capturar aqueles lábios traiçoeiros. Tomou o restante da cerveja e se levantou da cadeira, fazendo sinal com as mãos para que as mulheres esperassem por ele. Afastou-se delas e caminhou até um canto deserto e silencioso, sendo observado pelas recentes amigas. Meteu a mão no bolso da calça e o retirou, deu um sorriso de canto ao reconhecer o número.

Atendeu a ligação, e foi recebido com tamanho carinho que Logan sentiu-se culpado por tê-la deixando naquela situação com o professor. E eles conversaram como grandes amigos que há tempos não se viam.

Sem ressentimentos.

–Kurt não vem pra casa há dois dias. – comentou Ororo, com ar de preocupação — Desconfio de que ele ainda esteja chateado devido ao fim dos X-men e das atitudes de Charles.

Provavelmente está, completou calado. Kurt era um rapaz novo que sobreviveu às maiores ameaças e viu amigos morrer, mas Chuck era diferente. O professor o salvou de uma multidão que iriam enfiar uma estaca no coração e expô-lo em praça publica alemã. O fez acreditar que não era um animal, muito menos um demônio, que era um homem com
bom coração disposto a perdoar quantas vezes for necessário.

–O Elfo é crescido, Ro. – respondeu, tentando convencê-la que estava tudo bem com Noturno. Apesar de não ser feitio dele, sair sem avisar e não retornar no mesmo dia.

Um silêncio incômodo instalou-se por um curto momento.

–Tá, o que esta te incomodando? – perguntou, por final, lançando um olhar as mulheres que acenaram timidamente para ele retornar.

–Sinto um mau pressentimento. –Tempestade falou como se tirasse do peito algum peso. E a ouviu suspirar mais preocupação — Por favor, Logan.

Aquela voz de Deusa soando de forma manhosa tirou o chão dos pés de Wolverine.

–Tudo bem. To voltando hoje. – anunciou com a voz baixa ao passar a mão livre pelos cabelos negros, bagunçando-os um pouco.

Podia sentir que ela sorrir depois de um tempo cheio de angustia – muito diferente do que estava acostumado a vê-la, e isso não parecia bom de qualquer maneira. Depois de encontrar Kurt e o levar de volta para o Instituto, na marra, se for preciso, conversaria com ela do melhor jeito que conhecia.

–Obrigada, querido. – disse com a voz doce antes de terminar a ligação.

Colocou o celular de volta no bolso e olhou para as mulheres que faziam gestos com as mãos e mandavam beijos soltos no ar em sua direção. Em uma situação como essa, ele não seria capaz de deixar belas damas frustradas pela insatisfação sexual vinda de uma desculpa verdadeira. A Deusa entenderia caso ele se atrasar um pouquinho.

E desde quando Wolverine deixou de fazer um favor à Ororo?



O movimento de vai e vem tornava-se mais potente de acordo com os gritos não reprimidos de prazer chegavam aos ouvidos de Victor. A
cabeceira da cama batia na parede ao ritmo das estocadas e Kurt agarrou seus pulsos numa tentativa de permanecer no lugar.

Ele não sentia mais dor pelo tamanho do membro de Creed entrando e saindo e nem pelos cortes nas coxas, por onde escorria sangue e manchava o lençol. Havia sucumbido as sensações de
prazer que era proporcionado, sem resistir ou lutar, de tamanha
intensidade que não controlava os próprios lábios que exigiam a Victor não que parasse com os movimentos.

Os gemidos se tornavam cada vez mais provocantes.

Creed grunhiu ao sentir unhas cravando na pele e interpretou como um motivo suficiente para aumentar a velocidade das estocadas, e não parou ao sentir o corpo de Kurt se contrair em êxtase e do líquido quente atingir o abdômen. Encontrou resistência pelo aumento da pressão em volta de seu membro e continuou a forçar para dentro e para fora no mesmo ritmo de antes, até chegar ao limite.

O que não demorou muito.

Com um rugindo, ele atingiu o orgasmo e despejou o sêmen dentro de Kurt.

Ouviu um gemido baixinho entre a respiração pesada e irregular ao retirar seu membro após alguns minutos. Inclinou-se para o x-man enquanto recuperava o fôlego, notando a expressão de satisfação. Ele poderia ficar horas olhando para aquele rosto delicado.

Riu. Ele não se satisfazia na primeira vez.

Sem perguntar, lambeu quase carinhosamente a bochecha de Kurt antes de penetrá-lo e começar a se mover dentro dele novamente.



Quando acordou, sonolento, Kurt se moveu para o lado a procura do calor de Creed, e o que encontrou foi só a frieza do lençol de seda. Ele abriu os olhos e respirou fundo. Havia milhares de pensamentos estranhos rondando a mente, e agora, com a solidão do quarto, ele poderia raciocinar melhor, sem aquelas mãos abusando de seu corpo, a língua
roçando no pescoço e aquela presença intimidadora.

Respirou fundo. Não se sentia abalado emocionalmente por ter o corpo “corrompido” duas vezes em tão pouco tempo – o que era extremamente anormal devido a personalidade– por Creed. E sabia também que era estupidez se envolver com o principal inimigo de Logan e considerado um dos mais perigosos pelos X-men. Estava ciente da grande probabilidade de acabar se cortando – ou sendo cortado no final — , quando a luxuria perversa de Creed for saciada por completo.

As garras eram afiadas, cortantes e fatais.

Eles eram inimigos, cada um lutava e defendia um ideal totalmente opositor ao outro. Dentes-de-Sabre queria vingança, Noturno queria tranqüilidade, mas ambos desejavam paz.

Logan...

Creed supria um ódio anormal por ele. Talvez seja pelo fato que Wolverine fora o escolhido para ter implantes de adamantium e não ele. O “especial” do Professor da Arma X por possuir fator de cura avançado e melhor. Alguém que teve tudo o que Victor queria ter e nunca conseguiu. Não bens materiais, e sim amores, como Raposa Prateada e Seraph. E
se gabava por isso. Pois quando Wolverine saia correndo das missões, quando a consciência pesava por ter assassinado tantas pessoas inocentes, lá estava Dentes-de-Sabre para trazê-lo de volta.

O lembrando que era um animal e não havia outra forma viva que pudesse fazer parte do mundinho sangrento deles. Particularmente, Creed adorava lembrá-lo disso, matando todos que se envolveram num relacionamento amoroso – e sexual- que foram importantes na vida de Wolverine.

Dentes-de-Sabre assassinou a Raposa Prateada e Seraph, sem hesitar. Seria muito fácil acabar como elas.

Apesar do perigo daquela pelicular relação de entretenimento sexual, Kurt não conseguia conter aquela sensação indefinida quando estava perto dele.

Como se Victor fosse a parte vazia que faltava.