Sob o céu de Paris
5 Capítulo 2 - Parte 2: O coração de Paris
O sol da manhã filtrava-se por entre as folhas das árvores, dançando nas calçadas como se Paris tivesse acordado com vontade de encantar. Olívia caminhava pelas ruas com passos leves, observando cada detalhe, guiada pela vontade de sentir a cidade — e talvez, fugir um pouco de seus próprios pensamentos.
Depois do café com James, havia ficado com uma estranha sensação no peito. Não era exatamente desconforto. A familiaridade que ela sentia em relação a ele era peculiar considerando que o havia conhecido na noite anterior. Mas havia algo nele, algo que ela não conseguia explicar, que parecia magnético.
Ela atravessou a Pont Alexandre III, sentindo a ponta dos dedos deslizarem pelo parapeito dourado da ponte e sorriu ao ver um casal de idosos caminhando de mãos dadas, como se o tempo tivesse desacelerado só para eles. Então percebeu que estava pensando em Jeremy, no futuro que um dia imaginou ao lado dele — envelhecendo juntos, dividindo memórias... Ela sentiu seu estômago embrulhar, e então teve vontade de chorar de novo. “Não agora, Olívia”, pensou e, quase como um sussurro interno tentando conter a maré, respirou fundo, e continuou a caminhar até o Jardim de Luxemburgo. Sentou-se em um banco sob uma cerejeira que começava a florir ajeitando a saia na altura de seus joelhos e buscou em sua bolsa um antigo livro de poesias que havia ganhado de sua melhor amiga anos atrás. "Isso é pra quando você precisar se reconectar com a sua alma romântica" havia dito Eliza na ocasião, de forma brincalhona.
Com cantos já levemente desgastados pelo tempo e pelas leituras repetidas, aquele pequeno livro ainda era uma boa companhia. Era um dos seus favoritos — versos delicados que sempre pareciam ganhar novos sentidos conforme os dias passavam. Folheou as páginas lentamente e começou a ler em silêncio. A brisa suave fazia as folhas balançarem em compasso com seus pensamentos, e o som distante das fontes do jardim parecia embalar a leitura. Entre um verso e outro, Olívia se sentia segura, como se naquele instante o mundo inteiro tivesse parado para deixar que ela existisse apenas ali, entre as palavras e as flores.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, James apertava a mão de investidores e explicava os detalhes de seu projeto. Mas um segundo de distração e sua mente, teimosa, voltava para a imagem dela naquela manhã — o vestido azul, o sorriso tímido, a delicadeza com que segurou sua xícara vazia.
Ambos, separados por algumas ruas e muitos pensamentos, passaram o dia tentando entender e processar o que exatamente estavam sentindo dentro de seus próprios mundinhos.
E Paris, como boa cúmplice dos corações que anseiam, mantinha o segredo por mais algumas horas.
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