Sob a luz das estrelas
8 Capítulo 8: Beco sem saída e novos nomes
Notas iniciais
Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito.- Machado de Assis
Eugene estava frustrado. Os homens do rei sabiam que ele estivera pela capital de Corona e segundo Vlad e HookHand eles estavam fazendo rondas pelas pequenas vilas mais próximas do centro. Não podia mais se dar ao luxo de levar Rapunzel em alguma festa e muito menos ir ao Snuggly Duckling para uma tarde relaxante. As idas a praia não seriam mais possíveis e mesmo que a mãe dela ficasse um mês inteiro fora eles poderiam se arriscar apenas no “quintal” da torre, onde nenhum guarda sequer imaginava a existência. Colocou seu pescoço em risco e sua localização em cheque para absolutamente nada. Os registros não lhe disseram muito nos três dias que os procurou. Duas crianças foram abandonadas e duas roubadas no mês em que Rapunzel fazia aniversário. Os papéis o levaram a caminhos sem saída. Uma família tinha se mudado para sempre do país dos oceanos, a outra tinha sido separada por brigas e cada qual foi para o seu canto. Da criança abandonada nada se sabia, o que significava que num golpe de sorte Gothel poderia ter achado um recém-nascido de cabelos mágicos que a deixaria jovem para sempre. Por fim, tinham o rei e a rainha que eram tão inacessíveis quanto essas famílias que rumaram para além mar. Mesmo que quisesse encontrar a família de Rapunzel jamais poderia. Agora ela era uma procurada tanto quanto ele e jogá-la no palácio, apenas por uma suspeita infundada, seria como mandá-la para cadeia. Ela corria sérios riscos de não ser a princesa perdida e por isso ser presa e torturada até que revelasse sua localização. Ele não podia suportar a ideia de sua garota sofrendo qualquer tipo de abuso. Não a mandaria para o castelo, era arriscado de mais. Eles precisavam sair de Corona, começar uma nova vida além mar. Longe da mulher que se dizia mãe dela, longe de toda aquela confusão. Onde ele poderia andar feito um home livre ao lado da mulher que amava. Depois de muito correr e se esgueirar finalmente chegou ao pub onde esperava encontrar noticias de Gothel. O dono estava no balcão como sempre e uma das prostitutas que um dia fizeram a cabeça de Eugene girar de prazer, o olhou com malicia e aprovação:
–Que bons ventos o trazem bonitão?- O dono gritou tirando sarro. Os homens sempre o chamavam assim com certo sarcasmo, um aviso de que sua beleza não o levaria a lugar algum num meio como aquele, muito menos que o salvaria:
–Ah hey Ted. Só estou fugindo dos guardas, tomando uma ou duas doses... O de sempre.- Deu de ombros e sentou no balcão. Pediu uma dose ao cara do bar que o serviu sob o olhar atento do dono- Hey, aqueles irmãos cenoura não passaram por aqui de novo certo?
–Eles passaram sim. Rumaram para Arendelle. Não é pra lá que você está?
–É, eu mudei de planos! Arendelle não é tão longe de Corona e um estranho boa pinta e cheio da grana chamaria muita atenção. Você sabe como as mulheres adoram fofocar de caras lindos.- Falou arrogante e o dono revirou os olhos- Mandou aqueles idiotas para Arendelle então?
– Escuta Rider.- Apontou o dedo para ele- Esse tipo de coisa que fez não é lá muito aceita no nosso meio. – Eugene o olhou com descaso e deu de ombros enquanto tomava um gole bem servido do conhaque:
–Acaso os ouvi cochichando que fariam exatamente a mesma coisa comigo, com a diferença de que me amarrariam na árvore sem roupas para que eu fosse preso já que era mais procurado que eles. Só aproveitei a oportunidade. – Ted o olhou com ceticismo- Ouch.- Debochou de novo- A credibilidade que me dá ofende.
–Bem. Isso é problema seu com aqueles psicopatas. Eu teria cuidado se fosse você. Estão no seu rastro.
–E eu teria cuidado se fosse você.- Sorriu- Com aquele mulherão da última vez pode acabar casado.
–Ah.- o homem sorriu feito um idiota- Minha misteriosa dama.
–Qual o nome dela?- O mais velho puxou Eugene pelos colarinhos:
–Por que quer saber?
–Woah! Woah!- Ergueu as mãos numa pose inocente- Só estou curioso. Ela deve ter um nome engraçado. Tem jeito de estrangeira.
–E você olhou muito não é?- O moreno não queria briga com aquele tipo. Ele era grande, forte e tão loiro quanto os típicos moradores do norte. Lhe daria um soco que certamente lhe quebraria o nariz e o Smolder:
–Balzaquianas não fazem meu estilo. – Lançou num tom de deboche com um sorrisinho que fez o homem se enfurecer um pouco- Ela lembra muito a mãe de uma garota que estou saindo.- Ted revirou os olhos e resmungou algo como “lá vem ele de novo”- Qual é, não deu pra resistir aquela morena. 20 anos e cheia de energia.- Mentiu- Mas a mãe dela é um pesadelo.- Riu- Sua dama misteriosa não tem filha não, em?
–Não. E se tivesse e eu soubesse que é a tal garota que está saindo avisaria para deixar bem longe dessa sua lábia de quinta categoria. – Eugene apoiou a mão no queixo e os lábios fechados formaram um sorriso convencido:
–A minha garota se chama Gayah. Duvido um nome mais diferente do que esse. – Jogou sabendo que o homem adorava ter sempre as histórias mais mirabolantes:
–Sua? Durante quanto tempo até largar a pobrezinha?- Eugene riu- Não tão diferente. Gothel certamente ganha.- Falou mordendo a isca- Minha misteriosa dama.
–A estrangeira do vestido vermelho?- Ted assentiu:
–Ela não é estrangeira. É solteira e vive com a mãe doente. Mora nos arredores de Corona. Está esperando a mãe melhorar ou morrer de vez para enfim ficar comigo de vez.- Eugene arqueou a sobrancelha:
–E você acreditou?
–Claro que sim.
–Hum.- Debochou- Acho que ela está te enrolando.
–Se estiver também.- O homem sorriu- O que importa é que ela é boa no que faz.- O moreno fez uma careta:
–Que mau gosto Ted!
–Falou o cara de bordel.
–Você a vê muito?
–Ela vem de 15 em 15 dias. É uma distância longa e não quer deixar a mãe sozinha por tanto tempo.
–Então ela gosta mesmo de você em. – O homem assentiu- Quantos anos ela tem?
–32.- Respondeu sonhador. Eugene não conseguiu conter a expressão de tédio:
–Bom. Eu vou nessa. Foi bom parar para tomar uma com você Ted.
–Pra que lado vai Rider?
–Acha mesmo que vou falar aqui? Onde aqueles irmãos birutas podem ter informações?- Jogou uma coroa de ouro do balcão e o dono olhou impressionado- Pelas vezes que destruí as mesas com minhas confusões.- Levantou e foi embora. Não tinha conseguido muita informação, mas pelo menos sabia que a existência de Rapunzel era mantida em segredo. Ficou mais irritado ainda com as mentiras de Gothel. Ela era fria e sem limites. Tinha quase certeza de que Rapunzel fora roubada e não abandonada. Rumou para a Torre com os pensamentos a mil por hora. Voltou para a árvore onde ficou empoleirado por dias da última vez. Esperaria anoitecer para subir no telhado e descobrir se Gothel estava por lá. Já tinha passado tempo de mais longe de Rapunzel, procurando informações que não o levaram a lugar algum. Estava na hora de virar a página. Os dois podiam não ter uma história e ela nem mesmo um nome, mas ainda tinham muito que escrever. E quanto ao sobrenome, ele tinha um que daria a ela de bom grado.
Ao anoitecer Eugene esgueirou-se pelas árvores, ficando o mais longe da janela da torre. Olhou a construção com ansiedade e certo receio. Lá era onde sua garota estava, mas ainda assim era o que a mantinha prisioneira. Correu até as paredes do lugar e ficou atrás, onde não existia janelas. Chegou mais perto dos vincos e viu plantas tomando apenas um ponto especifico da construção. Arqueou a sobrancelha e passou a mão por lá afastando-as. Viu uma porta completamente tapada por pedras e franziu o cenho:
–Isso está cada vez mais suspeito.- Murmurou desconfiado. Pegou suas flechas e começou a subir. Foi mais difícil se empoleirar no telhado, principalmente quando precisava ser silencioso. Mas não era a primeira vez que fazia aquilo, na verdade aquela era uma de suas especialidades. Arrastou-se feito pluma o mais próximo que podia da janela e ficou por ali tentando ouvir algo. Logo ouviu uma voz pedir:
–Rapunzel feche as janelas antes que essa torre se encha de mosquitos. Depois ficarei cheia de brotoejas e irritada por sua culpa.
–Sim mãe.- A voz de sua garota murmurou de um jeito desanimado:
–Brincadeira minha flor, você nunca deixaria essa janela aberta de propósito.- A risada escandalosa fez o moreno se irritar.- Embora seja tão distraída que se esquece facilmente das coisas, feito um bebê. O que seria de você sem mim minha flor?
–Nada mãe. Não seria nada.- Respondeu num tom automático. A voz carregada de exagerada doçura não convenceu Eugene a perdoar as alfinetadas que a mulher dava em Blondie. Aquele poderia ser o pior tipo de manipulação. Regado de falsas gentilezas. Sem resistir pegou uma moeda de ouro e jogou até a janela. Rapunzel arfou ruidosamente e ele pode ouvir:
–O que foi Rapunzel?- Gothel também ouviu:
–A lua está linda.- Ela disse num tom animado- Posso sentar na janela para ver? Só um pouquinho?
–Claro que sim minha flor. Mas seja breve, não quero pernilongos dentro de casa muito menos você caindo de cara na grama afiada lá embaixo. Vou tomar banho.- A mulher falou e após essa declaração seguiu um longo silêncio. Minutos depois ele finalmente ouviu:
–Eugene?- O sussurro alto foi ansioso e temeroso. O ladrão deslizou de barriga pelo teto e pendurou-se tentando descer até a janela. Precisou usar as flechas como apoio e finalmente chegou. Sentou no batente de um jeito perigoso. Rapunzel o olhou com tanto amor e saudade que seu peito apertou- Eugene!- Sussurrou feliz jogando-se nos braços dele. Sem mais perder tempo ele a puxou pela nuca e lhe deu um beijo cheio de saudades. Rapunzel abriu a boca recebendo a língua dele com entusiasmo. O jeito ofegante e necessitado que ele a beijava era diferente de tudo que tinham compartilhado até então. Era possessivo e cheio de luxuria. Ele poderia arrancar-lhe a boca tamanha brusquidão e vontade empenhadas no beijo, mas ela pensou que não se importaria nenhum pouco se isso significasse que ele continuaria a beijando daquele jeito e lhe fazendo sentir todas aquelas sensações. Entre os beijos e mordidas ele sussurrava palavras como “saudade” “minha” “te amo” e não deixava a boca dela por um só segundo. Quando finalmente começou a se acalmar colou a testa a dela e deixou a respiração normalizar. Rapunzel sentia o peito subir e descer com rapidez e se deu conta de que ele estava na mesma situação- Essa é sua maneira de dizer que está com saudade?- Ele assentiu ainda de olhos fechados e sorriu:
–Eu sempre encontro o melhor jeito pra tudo.- Murmurou fazendo-a rir e lhe dar um tapinha no ombro:
–Menos para o seu ego gigante.- Riram e se afastaram mediocremente. Eugene a olhou com atenção enquanto fazia um carinho no rosto delicado:
– Você está bem?- Ela assentiu olhando para baixo- O que houve?
–O de sempre. Rotinas. Estou bem.- Sorriu feliz que ele estava ali:
–Está mentindo.- Murmurou preocupado- O que ela te fez?
–Não dá tempo de explicar agora. Em alguns minutos ela saí do banho. A água já devia estar morna quando ela entrou.
–Como posso te deixar sabendo que ela pode te machucar?- Ela suspirou:
–Não me machucou, só gritou comigo por uma coisa. Prometo que te conto. Amanhã a tarde ela vai sair. Volta em 15 dias. – Ele a olhava preocupado- Depois do almoço ela vai embora, então terei todo tempo do mundo para você.- Sorriu levemente- Estou tão feliz de te ver que não sei se consigo disfarçar.- Beijou-o e ouviu a portar do banheiro abrir- Vai embora.- Ele sorriu roubando-lhe mais um beijo. Assim que saiu do batente ela fechou a janela com força. Ficou parada encarando a madeira e finalmente saiu dali. Não conseguiu conter a alegria de vê-lo. Saber que ele estava tão perto, arrancando um beijo daquele jeito com sua mãe em casa, a deixava com uma sensação quente na boca do estomago. Sensação que lhe fazia impossível espantar o sorriso do rosto. A presença dele lhe tirava a solidão que tomou seus dias desde a dispensa:
–Vejo que está mais contente.- Gothel observou ao sair do banheiro. Rapunzel cantarolava sem perceber:
–A lua está maravilhosa.- Respondeu e sua mãe a olhou desconfiada:
–E está assim só pela lua? Como é simplória Rapunzel.
–Bem...-Suspirou e rumou para a cozinha tirando o assado do forno- Eu gosto muito da lua.- E soltou um risinho arrumando o cabelo para trás. Gothel revirou os olhos:
–Então tudo voltou ao normal.- A mulher murmurou aliviada com o comportamento natural de sua flor. Tinha ficado extremamente preocupada com as explosões. Tê-la obedientemente cativa era uma coisa fácil, não lhe podava a liberdade de ir e vir. Esperava que ela nunca se rebelasse contra si. Daria muito mais trabalho mantê-la em cativeiro de maneira forçada. Ela tinha se excedido, reconhecia, ficou em pânico ao vê-la com a tesoura perto do cabelo. Lembrou de quando a menina tinha quatro anos e quis cortar o cabelo para que elas pudessem sair da torre. Gothel tinha 400 anos e a única razão de estar viva era a flor. Se Rapunzel perdesse os poderes ela morreria. As coisas mudaram muito desde a renascença, mas algo nunca seria diferente, o instinto de sobrevivência. Gothel faria de tudo para continuar viva:
–Tudo bem mãe?- Rapunzel questionou com curiosidade quando a mulher sentou:
–Só cansada minha flor. Vamos, coloque meu jantar. Amanhã será um longo dia.
–Mãe. O que faz lá fora além de buscar comida e coisas para eu passar o tempo?- Gothel a olhou friamente:
–É muito fácil e muito rápido chegar até a civilização de bárbaros onde fornecem esse tipo de entretenimento barato para garotas com tempo.- Olhou para a filha com irritação:
–Se é uma civilização como pode ser de bárbaros?
–Nossa, como você é esperta Rapunzel.- E daquela vez a loira identificou o sarcasmo. Franziu o cenho- Céus! Como leva tudo a sério garota! Eles têm sua civilidade ao fazerem livros, tecidos, panelas... Entende minha flor?- O tom irritado e cansado a fez sentir vontade de bufar:
–Sim mãe.- Sorriu forçadamente e colocou o assado de legumes com molho no prato da mais velha- Mãe?
–Sim...Rapunzel?- Respondeu pausadamente num tom irritadiço:
–Você come carne quando está fora?
–Claro que sim. Preciso de energia. Que tipo e perguntas são essas?- A jovem apoiou a mão no queixo e sorriu:
–Eu só quero te conhecer melhor mamãe.- Gothel a olhou com confusão:
–Hora minha flor. Não existe nada que a mãe esconda de você.- Piscou de um jeito coquete- A mãe sempre lhe diz tudo. Sabe por quê?
–Porque a mãe sabe mais.
–Muito bem minha flor.- Usou o mesmo tom de voz que alguém usaria para agradar um animalzinho obediente. Rapunzel sorriu pensando em Eugene e no beijo que ele tinha lhe dado há alguns minutos. Antes um elogio de sua mãe lhe faria ganhar o mundo, mas depois de sua épica aventura descobriu que o mundo era grande de mais para ser ganho. “Não quero ganhar o mundo” pensou “Quero conquistá-lo” e o pensamento a deixou animada.
_Tangled_
–Eugene!- Rapunzel o abraçou feliz e ele a beijou com desejo. A jovem suspirou contra a boca dele. Pascal ficou vermelho e se escondeu atrás de uma almofada do sofá- Não deveríamos esperar algum tempo? Caso ela volte?- O moreno fez um gesto negativo com a cabeça, os olhos focados nela. Sem dizer uma só palavra continuou beijando-a. Rapunzel gemeu contra a boca exigente e inclinou o corpo mais contra o dele. Eugene mordeu o lábio macio da garota e largou sua bolsa no chão. Quando se viu livre do acessório a tomou pelo traseiro e a levantou. A loira envolveu as pernas nos quadris dele e o moreno andou cegamente. Encostou-a sofregamente contra o armário verde, seu corpo aproveitando todo o calor das curvas dela, mas da mesma forma que ele começou a beijá-la ele parou, abruptamente- O que foi?- O homem se afastou e suspirou- Eugene? Eu fiz algo errado?
–Hey Goldie.- Murmurou- Me desculpe. Não deveria me impor sobre você quando...- Ela se aproximou e tocou-lhe o rosto com carinho- Você está bem?- A loira assentiu- Bom.- Ela sorriu abertamente para ele. O sorriso franco que ele gostava de ver- Você não fez nada de errado eu só...-Suspirou- Eu só acho que você precisa entender o que estamos fazendo...-Tomou fôlego- O que faz comigo.
–Bem. Eu acho que entendi antes mesmo de ler aquele livro sobre o pirata e a moça da nobreza.- Ele assentiu e tomou-a pela mão. Sentaram no sofá- Gostei muito da história de Clair a propósito.- Ressaltou com um sorriso feliz:
–E do que fala o livro?
–Além do amor proibido e aventuras com perseguições, segredos e diversão?
–Você acabou de descrever nossa história?- Rapunzel riu:
–É o que parece.- Os dois riram de novo e ela ficou séria logo depois- Eugene eu entendi o que é o sexo. Você pode parar de se preocupar com isso. E acho que deixei bem claro da última vez que me beijou daquela maneira...-Corou- Daquela maneira deliciosa... Eu sei o que significa ter prazer. Eu te amo. O que posso fazer para que se sinta da mesma forma?
–Oh Goldie.- Ele a olhou com uma mescla de sofrimento e alegria- Você vai acabar sendo minha morte se ficar pedindo coisas desse jeito.- A expressão da jovem lhe atiçou até o último fio de cabelo. Passou a mão pela nuca dela e a olhou nos olhos, suas testas quase coladas. Rapunzel aproveitou o momento e deslizou até o colo dele. Eugene arfou e fechou os olhos:
–Me beija Eugene.- Sussurrou e ele acatou a ordem sem pensar duas vezes. Ela suspirou ao sentir a língua dele contra sua. Se tudo já era delicioso antes, sabendo o que aquilo significava tornava tudo mais gostoso ainda. Suspirou contra a boca dele e não se assustou ao sentir a maneira como o corpo dele reagia com os beijos. Ela queria aquilo, que ele reagisse exatamente daquela maneira, afinal, pelo que pode entender, ao reagir daquela forma, significava que ela estava agradando-o. Rapunzel queria vê-lo tão inebriado e feliz quanto ela ficava com os beijos ousados que ele lhe dispensava em partes privadas. Sentiu as mãos dele em seus quadris forçando-os para baixo e friccionando sua intimidade contra as calças dele. O moreno respirava rapidamente, o peito subindo e descendo sem parar. Rapunzel testou o movimento que ele tinha lhe forçado a fazer e ficou feliz ao vê-lo abrir a boca num grito mudo. Foi um pouco para baixo sentando nas pernas:
–Você está bem?- Ele perguntou preocupado e ela assentiu. Inclinou o rosto na direção dele e lhe beijou de maneira lenta, provando os movimentos erógenos de maneira curiosa e satisfeita. Ouviu-o gemer baixinho e ficou contente com aquela reação. De maneira ousada deslizou a mão até a calça dele. Sentiu a firmeza e o tamanho e quis saber mais. Enfiou a mão dentro da calça e apreciou a textura macia e quente. Suspirou, percebendo que ao tocá-lo daquela maneira sentia-se quente e com vontade de beijá-lo mais e mais. Agora ela entendia o sentimento que começava em seu coração e terminava em eu baixo ventre. Mordeu o canto do lábio ao ver os lábios entreabertos de Eugene. Se perguntou qual seria a textura de mordê-lo e não passou vontade. Inclinou-se e mordeu o lábio inferior que parecia convidá-la a fazer exatamente aquilo. O moreno chamou seu nome baixinho, de um jeito rouco e febril. Ela sabia que ninguém mais no mundo teria capacidade de falar o nome dela de um jeito que a deixasse tão feliz quanto Eugene tinha feito. Ficou surpresa quando a mão dele envolveu a sua e satisfeita quando percebeu que ele a ensinava o que fazer. Era um movimento firme e rápido que o deixava tão inebriado quanto ela ficava com ele. Rapunzel olhou para o rosto dele e o viu travar o maxilar e engolir em seco:
–Está tudo bem?- Parou os movimentos e ele assentiu freneticamente:
–Inferno Blondie. Isso é muito bom. Só...Não pare agora. – Ela assentiu e continuou. Ele agarrou a nuca dela com força e a beijou enquanto tinha espasmos. Rapunzel sentiu sua mão subitamente quente e se afastou dele olhando o que tinha acontecido. Eugene ainda tinha os olhos fechados e o peito arfando:
–Eu acho que sei o que é isso.- Ela murmurou olhando para a mão suja. Eugene abriu os olhos e a encarou com preocupação:
–Sinto muito.
–Não quero que sinta.- Murmurou- Eu fico feliz de ser capaz de fazer com você o mesmo que faz comigo.- O moreno sorriu e passou a mão carinhosamente pelo rosto dela:
–Vem.- Ele levantou e levando-a consigo. A jovem o seguiu até a portinha ao lado do quarto de sua mãe e entrou no banheiro. Ele pegou o vaso com água e lavou a mão dela. Rapunzel prestou atenção em cada movimento dele. Eugene esticou a mão até a toalha e tomou as pequenas mãos entre as suas secando-as com devoção. Os olhos dela estavam mergulhados nos dele- Você tem os olhos mais lindos que já vi na vida. – A loira corou- Você é linda.- Beijou-a sem resistir aos lábios rosados- Eu te amo.- Ela piscou sentindo o coração acelerar. As palavras dele tinham uma sinceridade crua. Os olhos dela marejaram:
–Eugene...-Suspirou- Eu não quero mais morar aqui.- O rapaz piscou atordoado:
–O que? Por que isso assim do nada?
–Não é do nada. – Ela o abraçou longamente- Eu não quero te perder.
–Hey Rapunzel.- Murmurou segurando o rosto dela com ambas as mãos- Mesmo se quiser passar a vida inteira aqui me escondendo da sua mãe e vivendo dessa forma...-Suspirou- Jamais me perderia. Eu finalmente encontrei meu lugar quando me perdi em você.- Ela o abraçou e suspirou:
–Eu preciso sair daqui. Eu não quero mais viver essa pressão... Essa relação difícil com a minha mãe.
–O que te levou a tomar uma decisão dessas?- Ela desviou o olhar:
–Eu só pensei em conhecer mais do mundo.
–Blondie.- Ele a chamou cuidadosamente- O que houve? Está com medo da sua mãe por quê?- A loira o olhou com apreensão e o coração dele apertou- O que houve? Ela machucou você?- Rapunzel assentiu e não aguentou. As lágrimas começaram a cair. Eugene abraçou-a protetoramente tentando conter a raiva que sentia daquela mulher horrível. Sua preocupação pelo bem estar da garota ultrapassava qualquer sentimento de ódio por Gothel. Rapunzel narrou o ocorrido na tarde em que tentou prender os cabelos com a fita. O moreno ficou extremamente chocado e irritado com o que ouviu:
–Eu já estou... Desde o dia em que voltei do festival das lanternas...-Ela fungou e ele limpou-lhe uma lágrima teimosa com carinho. O gesto delicado dele a fez sentir o coração apertar de emoção- Pensando em deixar a torre.- Ele notou que ela não chamava mais o lugar de casa- Eu...-Suspirou- Queria que ela viesse junto. Eu não sei se tenho capacidade de deixá-la sozinha depois de tudo que vivemos juntas mas...-Soluçou- Está muito difícil. Está cada dia mais complicado. Estou escondendo tantas coisas dela e me sinto tão distante. Como se finalmente eu pudesse ver a barreira que foi construída ao longo dos anos. Eu nem sei só... Eu sei que tem coisas exageradas e erradas no modo como ela me criou e esse tipo de comportamento me sufoca ao ponto de enlouquecer. Ao mesmo tempo...- Rapunzel mordeu o lábio inferior e bufou enquanto levava as mãos ao peito- Foi a mãe quem me criou e me ensinou a ler, me deu livros sobre pintura, tintas e...-Suspirou pesadamente- E lembrou do meu aniversário.
–Rapunzel. Vou te contar uma história. Mas ela é longa então precisamos sentar.- Ela assentiu confusa. Ele a tomou pela mão e andaram lentamente até o sofá. Eugene segurou o rosto dela com ambas as mãos e empurrou para trás da orelha o cabelo que cobria o olho verde e brilhante. Por fim começou a brincar com as mãos dela tentando passar conforto- Um dos meus primeiros trabalhos foi fora de Corona. Eu não queria me arriscar por aqui. Um cara de uns 45 anos sequestrou a esposa de um duque. Eu ajudei com o esquema de fuga. Peguei minha grana e fui embora. Um tempo depois voltei pra lá, queria saber se tinha algo grande para me passarem. Eu encontrei esse cara e sabe o que aconteceu?- A jovem negou- Bem, os guardas do reino ao acharam e ele seria morto, mas a duquesa não deixou. Ele me contou que durante o período do sequestro ele usou um esquema muito comum no trabalho dele.- A jovem o olhou com curiosidade- É a aproximação emocional. Alguém, que no caso dele fui eu, leva a vitima até o cativeiro. Ele fica responsável por levar comida, um livro e até de vez em quando ouvir os temores da pessoa. Ele é ‘o cara bonzinho’. Isso não quer dizer que ele se importou com a duquesa. Ele simplesmente contou histórias de que se ela fugisse, ou algo acontecesse a ela antes que o duque pagasse o combinado a vida dele estaria por um fio. Ele se fingia de legal e colocava a vida dele nas mãos das pessoas que sequestrava. Isso fazia a pessoa se sentir responsável por ele. Era mais fácil manter cativo alguém que não tentaria fugir. Grandão fez a vida dele assim e não foi morto porque essas pessoas desenvolveram uma espécie de vinculo emocional com ele, afinal, ele deu comida, livros, companhia, quando tudo poderia ser bem pior. Só que Blondie...-Olhou-a com preocupação-Grandão pode ter suavizado a passagem deles durante o sequestro. Ele pode ter fornecido coisas que não era a obrigação dele apenas para vê-los menos preocupados e mais felizes, mas isso não fez dele uma pessoa melhor e nem mesmo encobriu o fato de que ele era um bandido. Entende?- Ela engoliu em seco- Sua mãe pode ter feito tudo isso, mas não anula o fato da relação entre vocês ser tóxica. É normal estar se sentindo culpada e dividida entre o que quer fazer. Eu ouvi o jeito que ela te trata. Ao mesmo tempo em que ela te elogia, para mostrar que te ama, ela te coloca pra baixo para provar que você não tem capacidade de viver sem ela. E isso é errado. É bem cruel. Inteligente porque te faz depender dela...- Rapunzel estava olhando para suas mãos entrelaçadas. Eugene segurou o queixo dela e a fez olhá-lo nos olhos- Nós dois sabemos que ela está errada. Você é perfeitamente capaz de cuidar de si. Você é inteligente e é uma mulher adulta. Não um bebê como aquela senhora fez questão de frisar. Rapunzel, se você quiser abandonar essa mulher você tem todo o direito, assim como é perfeitamente normal você sentir medo e culpa. Mas não deixe que esses sentimentos parem sua vida ou a deixem amarga e infeliz.
–Eu não quero acreditar em suas palavras. Elas soam cruéis para acreditar, mas...-Soluçou e as lágrimas caíram- Quando ela saí ela diz que me ama então eu respondo, eu te amo mais e ela sempre termina falando que me ama muito mais. E todas as vezes que ela diz isso eu sinto como se nunca fosse capaz de amá-la o suficiente para retribuir tudo o que ela fez por mim.- A indignação de Eugene apareceu em seu rosto- E agora...Ouvindo tudo o que disse. Eu não... Eu só...-Engoliu em seco- Eugene eu confio em você. Mas... Ela é minha mãe, não um bandido sequestrador. Não posso acreditar completamente que nossa relação seja assim...Seja algo tóxico. – O moreno mordeu o lado interno da bochecha:
–Tudo bem Blondie. Você tem seu ponto. Mas...- Bufou- Eu andei sondando por aí.- Ela o olhou curioso- Pra saber se alguém sabia da sua mãe. Afinal, 15 dias fora, ela deve ficar em algum lugar.
–Ela sempre me diz que dorme na floresta, nas árvores e que é muito difícil então eu devo ser grata por tudo que ela me traz e...-Suspirou frustrada- O que você descobriu?- Rapunzel não tinha certeza se realmente gostaria de saber mais coisas:
–Bem. Eu fui num pub na estrada entre Corona e Arendelle. O dono do pub e sua mãe tem uma relação intima.- A loira arfou e o olhou com incredulidade. Ele contou toda a conversa que teve com Ted e a cada palavra a decepção inundava mais os olhos verdes que o fitavam- Então eu percebi que sua mãe não anda mentindo só pra você.
–Eu...-Ela bufou e levantou jogando os cabelos para trás. Seu peito subia e descia sem parar- Se ela mentiu para mim por tanto tempo...Quem me garante que você também não é um mentiroso de mão cheia?
–Eu sou um mentiroso de mão cheia!- Ele levantou e a olhou ofendido- Sou o ladrão mais procurado do reino esqueceu? Acusado até de sedução.- Lembrou com irritação- Eu sou muito mentiroso! Mas eu faço isso com as pessoas que não me importo. E acho bom ficar sabendo que você é a segunda pessoa que foi importante na minha vida.
–Aaa! O que aconteceu com a infeliz primeira pessoa?- Ele a olhou seriamente:
–Parou de roubar e está tentando ser decente.- Rapunzel cruzou os braços e o encarou com sofrimento:
–Já tivemos uma discussão parecida.- Murmurou sentindo-se romper. As lágrimas vieram:
–Você está brava comigo?- Ela assentiu- E culpada?- Ela negou- Ótimo, porque você tem todo o direito de ficar brava e não se sentir mal por isso! Você tem direito de sentir o que quiser Blondie.- Quando ele disse aquilo ela não aguentou e jogou-se nos braços dele. Eugene a abraçou de volta, afastando os cabelos do caminho e querendo sentir as costas dela em suas mãos. Rapunzel soluçou e aos poucos seu pranto foi abrandando. Foram muitas informações. Tudo muito rápido e pesado para assimilar.
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