Sob a luz das estrelas
13 Capítulo 13: Suspeitas
Notas iniciais
Pra você guardei o amor. Que nunca soube dar. O amor que tive e vi sem me deixar. Sentir sem conseguir provar. Sem entregar e repartir- Nando Reis
–Bom dia. – Eugene murmurou rolando para o lado e ficando por cima de Rapunzel. Enfiou o rosto no pescoço dela e agradeceu a pouca roupa que ela usou para dormir. Levantou a cabeça e encarou-a sorrindo. Ela sorriu de volta e depois franziu o cenho:
–Que dia é hoje?
–Dia de me desculpar por ter bebido feito um porco.
–Pela centésima vez, está desculpado. – ela sorriu largamente e espreguiçou-se de maneira manhosa. O corpo dele contra o seu era um peso bem vindo – Agora saia de cima de mim que tenho algo importante a fazer.
–E seria?
–Joe vai me ensinar a manusear uma espada. Quer vir? – Eugene arqueou a sobrancelha direita e a olhou desconfiado – Vamos, será bom praticar! Nunca se sabe quando precisaremos usar uma.
–Espero que nunca mais. No velho mundo armas são permitidas. Só precisa ter uma boa pontaria e fim do drama. Poderia usar uma arma até com minha costela ruim como está. – a loira riu debochada com o drama dele. Tinham ido ao médico. Ele não tinha quebrado nada, mas a dor seria inevitável por alguns dias.
–Amy me contou que o mercador tem uma espingarda que conseguiu na alfândega de Corona com algum elemento suspeito. – Eugene riu e beijou-lhe a ponta do nariz:
–Você gosta daqui, não é?
–Sim. Primeira vez que faço amigos e tenho algum tipo de vida além da torre. Tem tantas coisas para fazer aqui. Um dia estava tomando café. No outro estou dando aulas à futura condessa e hoje vou aprender a lutar! É emocionante. E daqui um mês chega o Natal. – olhou para o canto e resmungou – Eu só ouvi falar em livros e a mãe sempre dizia que... – baixou o olhar – Não importa. – falou novamente empolgada. Eugene a olhava risonho. Achava graça quando ela resmungava daquele jeito – Vamos comigo? – fez um bico e olhou-o esperançosa. Eugene já não teria forças para recusar aquele olhar normalmente, mas naquela situação, com a loira abaixo de si apenas com as roupas intimas, estava derrotado:
–Claro que vou com você. – ela sorriu largamente:
–Ótimo. Vamos tomar um banho antes de sair.
–Está frio Goldie!
–É por isso que estou te chamando pra ir junto. – ele arqueou a sobrancelha direita até o limite e sorriu de maneira sem vergonha. Levantou e admirou sua garota conforme ela andava até o banheiro. Correu atrás dela e ficou embasbacado ao vê-la tirar as roupas na sua frente. Alguma coisa chamou-lhe atenção, ele não sabia ao certo dizer se era nos seios ou nos quadris, mas algo na nudez de Rapunzel estava diferente e aquilo o excitou de maneira sem igual. Fez amor com sua garota de maneira apaixonada e atenciosa, tentando descobrir qual era a novidade que via. Acabaram chegando atrasados para o compromisso com Joe e Rapunzel se desculpou quando viu a expressão entediada da outra:
–Ah, Joe, esse é Eugene, meu noivo. O Pascal você já conhece. – apontou com o olho para o ombro de maneira feliz – E Eugene, essa é minha aluna Joe. – ambos deram as mãos e a morena ficou olhando-o de maneira intrigada. Joe levava uma espécie de saco nas costas:
–Eu te conheço de algum lugar?
–Acredito que não, mas minha reputação me precede. – murmurou num tom arrogante e recebeu um cutucão de Rapunzel. – De ótimo espadachim.
–Veremos. – a morena rebateu em tom tão arrogante quanto. Os três rumaram sentido a verdejante floresta. Quando estavam afastados o suficiente da cidade Joe abriu o saco que levava nas costas e retirou duas espadas de lá – Não sabia que ele vinha Rapunzel.
–Ele já sabe lutar, mas achei bom que voltasse a praticar. – esticou a mão para Pascal e ele andou até ela encarando a loira – Se importa de ficar com Eugene enquanto eu treino? – o camaleão soltou um chiadinho conformado. Rapunzel beijou-lhe a cabeça e entregou-o a Eugene.
–A pratica é sempre ótima. Nos leva a perfeição e nos deixa mais espertos quanto a erros. – Joe murmurou – Vamos ver como você se sai professora. – brincou e jogou uma espada para a loira. Eugene encostou-se a uma árvore e cruzou os braços enquanto olhava de maneira entediada. Joe começou a dar as primeiras lições e em algum momento o moreno sempre interrompia a explicação com um comentário impertinente:
–Já chega! – a morena rosnou e pegou a espada de Rapunzel – Vem. – jogou a arma na mão de Eugene – Vamos ver se é tão bom quanto se gaba bonitão! – Pascal correu do ombro dele e se empoleirou na árvore.
–Blondie! – reclamou.
–Está merecendo bem mais que isso Eugene. – a loira devolveu e se afastou encostando-se à árvore. O moreno revirou os olhos e começou a armar o cerco em volta de Joe. Ela estava de vestido, seria fácil derrotá-la. Aproximou-se e suas espadas cruzaram no ar. O movimento fez a costela de Eugene doer. O moreno tentou não arfar. Em poucos minutos ele estava na luta mais árdua que tinha tido na vida e ela parecia nem ao menos suar. Eugene ficou irritado porque sempre se considerou um bom lutador. Ele podia não ser muito bom em brigas de socos, mas tinha vantagens como a rapidez quando se tratava de espadas. Ele tentou ignorar a dor na costela, mas depois de um tempo foi impossível fazer isso. Em poucos segundos se viu com a cara no chão, o pé de Joe em suas costas e a ponta da espada dela em sua nuca – E assim você está morto. – proclamou arrogante. Eugene ouviu Rapunzel bater palmas e bufou:
–Você quebrou meu Smolder.
–Ah sinto muito senhor sedutor! – tirou o pé de cima dele e o moreno levantou – Acho que deve desculpas a alguém.
–Rapunzel, desculpe por debochar de suas aulas.
–Hey! – Joe o olhou irritada. Eugene a encarou com ceticismo:
–Ok. Desculpa Joe! – fez uma careta e voltou para o ponto inicial, encostado na árvore – Como consegue nem suar com espartilho e anáguas?
–Não uso nenhum dos dois! – ela devolveu e em seguida jogou a espada para Rapunzel – Ok! Agora do inicio! Mantenha sua guarda, seja leve e lembre-se: seu tamanho será uma vantagem contra um oponente maior!
–Entendi! – a loira sorriu largamente.
____________//_________
–Então? – Rapunzel perguntou quando entraram no café. Amy os atendeu com a alegria de sempre e foi providenciar os pedidos. Sentaram numa mesinha perto da grande janela e Pascal ficou na mesa observando os transeuntes da rua – Joe não é demais?
–Sim. Foi super divertido ter meu nariz enfiado na terra por ela.
–Você a provocou.
–Ela é esquentada demais! – reclamou sem dar o braço a torcer:
–Mas riu das piadas dela.
–Ok Blondie. Ela é legal. Eu só não sei me afeiçoar tanto a pessoas quanto você.
–Ela pelo visto também não.
–E que história era aquela de me conhecer de algum lugar? – fez um gesto de descaso com a mão e um barulho estranho com a boca. Rapunzel revirou os olhos – Ok. Ela é legal e vocês parecem se dar muito bem.
–É. Nós gostamos uma da outra. Problemas com mães aproximam as pessoas.
–O que você contou? – ele tentou parecer despreocupado, mas não conseguiu:
–Só mencionei que não me dava bem com a minha e ela falou da dela. – ele assentiu. Amy voltou com o cupcake de Rapunzel e um café preto para Eugene. A garçonete deixou um pratinho de frutas para Pascal, gesto que Rapunzel apreciou profundamente:
–Hey Punzie. Sabe o que fiquei sabendo? – a loira negou e Amy se aproximou tentando fazer Eugene não ouvir – Sabe a neta daquela velha empertigada que estava aqui? Passou o maior vexame no teatro. Ela sentou na cadeira ao lado do conde e estava se achando, mesmo sabendo que ele é noivo. Quando ela levantou estava com o vestido manchado.
–Manchado?
–Sim. O Conde e todos do teatro ficaram sabendo que ela estava no período. Que vergonha, já pensou? Por isso eu evito sair quando estou. – sussurrou e ouviu sua mãe chamá-la – Tenho que ir. Depois te atualizo do resto. — saiu e Eugene começou a ter um acesso tentando segurar o riso:
–O que foi? – ele deu de ombros e quase engasgou enquanto tentava não rir – Esses eventos são importantes para Amy. Ela se distrai. E não gosta daquela garota. Elas são meio... Rivais, não sei.
–Isso é tão importante. Uma menina que sujou o vestido de sangue. Grande. – Rapunzel riu e empurrou o braço dele:
–Ela fez um grande estardalhaço com essa noticia não é? – os dois começaram a rir:
–Imagina se alguém vomita no café? Ela vai mandar a nota para o jornal.
–Você é horrível. – Rapunzel acusou rindo:
–E você me ama mesmo assim. – os dois continuaram rindo – Hey Blondie. Me lembra de avisar quando for seu período. Pra eu checar se seu assento não está sujo quando levantar ou Amy pode te fazer virar noticia também.
–Das mais importantes. – Rapunzel murmurou sem nenhum pingo de humor e Eugene a olhou atentamente:
–O que foi Goldie? – se aproximou e tocou o rosto dela com carinho – Ficou tão pálida.
–Eu só... Lembrei de umas besteiras que a mãe me dizia. – mentiu e ele a olhou desconfiado – Não é nada! – sorriu nervosamente antes de morder o cupcake. Eugene continuou desconfiado. Rapunzel passou o resto do dia aérea e com o semblante sério.
_________//____________
No fim de semana Rapunzel e Eugene passaram boa parte do tempo com Amy e os músicos. O moreno não se lembrava de ter se divertido tanto em anos. Eles foram pescar no riacho em meio à floresta e fizeram piquenique regado de música e boa conversa. Depois assistiram a uma peça de rua feita por uma comitiva passageira e participaram da festa de aniversário de Alecto, o menino de 12 anos com quem Rapunzel dançara na primeira noite em Arendelle. A loira tinha voltado ao normal desde o comportamento esquivo no café, mas Eugene ainda podia sentir alguma coisa diferente nela. Ele só não conseguia notar o que seus instintos gritavam. Na segunda feira fizeram companhia a Georgia, a dona da hospedaria, enquanto tomavam café. A senhora loira se divertia alimentando Pascal com pedacinhos de chocolate:
–E como será a cerimônia? – a senhora perguntou olhando para Pascal e Rapunzel sorriu tímida:
–Ainda não sabemos. Vamos esperar a mãe dele nos ajudar.
–A sim. Uma bela maneira de conquistar a sogra. Eu tenho três filhos. Um menino que é mais velho e duas meninas. – sorriu quando Pascal rodeou a mão dela procurando por mais doce – Já chega seu gulozinho. – o camaleão soltou um muxoxo e se conformou – A mulher dele organizou toda a festa com a mãe e não me chamou pra nada. – a rechonchuda senhora de bochechas rosadas parecia muito ressentida. Os cabelos loiros com muitos fios brancos saíam da touca de linho cru e o avental branco não tinha livrado o vestido cinza da farinha do pão – Mas minhas meninas foram muito bem criadas. Elas estão casadas. A mais velha, a Truddy. – encarou o casal – Está tentando ter um bebê. Faz um ano que está casada. A mais nova, Barbara, casou tem 3 meses e já está com um pãozinho no forno.
–Deve ser muito emocionante ter um filho. – Rapunzel murmurou feliz e percebeu o desconforto de Eugene diante a conversa – Mas eu não sei se estou preparada para ser mãe. Eugene e eu queremos fazer muitas coisas antes de nos responsabilizarmos assim.
–Ah vocês são aquele tipo de casal que quer ver o mundo, ter aventuras, não é?
–Basicamente. – Eugene murmurou:
–Então nunca se esqueça do chá mensal querida. Ele é muito eficiente. A minha mais velha parou de tomar quando casou e até agora não conseguiu engravidar. Mas a parteira disse que em pouco tempo o útero dela estará quentinho para um novo bebê.
–Chá? Como assim chá? – Rapunzel perguntou. Eugene sentiu o estomago pesar e engoliu em seco enquanto levava a mão discretamente à boca:
–Oh querida! Chá de ervas pra evitar barriga. Você nunca tomou? – Rapunzel negou com a cabeça – Mas não deve se preocupar, você e seu noivo estão respeitando o prazo do casamento não é? – Rapunzel assentiu levemente e sentiu o calor sumir das bochechas. Georgia percebeu na hora a realidade que atingiu a menina – Pobre criança. Rapaz, onde está com a cabeça que não lembra de dizer algo assim à sua noiva? Ah! Deixe disso. – revirou os olhos – Homens! Todos uns tolos, nos vê numa combinação e esquecem da vida. Querida, está com seu período atrasado? – Rapunzel negou de maneira lenta e a mulher sorriu:
–Não tem com o que se preocupar. Basta tomar o chá de agora em diante. Vou providenciar para você.
–Muito obrigada Georgia. Pode deixar com Eugene? Hoje darei aulas a Joanne.
–Ah, sim. Que bom que estão se dando bem por aqui. Deveriam ficar. Arendelle é bem melhor que as Ilhas do Sul. Tem mais oportunidades dignas de trabalho. E você bonitão, faz o que da vida?
–Tinha negócio próprio em Corona. Vendi para ter dinheiro para o casamento. – mentiu enquanto cortava um pedaço de pão de milho:
–Hum, um comerciante. Fazia o que?
–Joias. — murmurou e a mulher o olhou com brilho nos olhos:
–Então pode me dizer. – esticou a mão – Se esse anel que Rudy me deu é falso ou não. – suspirou – A esposa do meu filho vive dizendo que sim, que meu marido não teria dinheiro para comprar um diamante, mas... – Eugene olhou atentamente:
–Posso? – perguntou apontando para o anel. Ela tirou da mão e entregou a ele. O moreno examinou atentamente. Era vidro, da melhor qualidade, tão perfeito que passaria aos olhos de qualquer leigo, inclusive do marido dela. – É definitivamente real. Sua nora não deve entender nada de diamantes. Esse corte foi tão trabalhado que qualquer arranhão pode danificá-lo. É tão bem feito que guardaria com todo carinho. Rudy deve te amar muito pra te dar um. – Rapunzel sorriu desconfiada:
–Eu sabia. Vou esfregar na cara dela. Um verdadeiro conhecedor de joias atestou meu anel. – levantou e ajeitou o espartilho – Bem, devo voltar ao trabalho. Muito obrigada pela companhia. – saiu andando com a mão esticada:
–Eugene. – Rapunzel chamou no tom brincalhão e ao mesmo tempo reprovador. Ele adorava quando ela falava daquele jeito:
–Hey. É uma bela bijuteria. Como soube?
–Bem. Eu percebi pelo seu jeito exagerado de falar. – revirou os olhos como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Eugene sorriu – Muito gentil da sua parte.
–Espero que ela nunca tente vendê-lo. – Rapunzel abraçou o braço dele e beijou-lhe o rosto com carinho. Quando terminaram o café ele a levou até o palácio. Pascal ficou com ela. Estavam esperando na sala de pintura e Joe se atrasou. Quando ela chegou estava com o rosto inchado e todo salpicado de vermelho:
–Joe. – Rapunzel se aproximou preocupada e segurou-lhe as mãos – Joe, o que houve?
–N-na... Nada! – soluçou e rompeu num pranto sentido. Rapunzel a abraçou e esperou que ela se acalmasse – Eu s-sinto m-muito. – soluçou – E-eu pensei que... Que p-podia fazer i-sso. – tentou acalmar o choro, mas não obteve sucesso – Mas não consigo. Eu não consigo Rapunzel.
–Tente se acalmar ok? – Joe assentiu:
–Eu estou tão brava. – sentou de frente para a tela e Rapunzel sentou ao seu lado. Lançou um olhar a Pascal e o camaleão escondeu-se entre o cabelo dela, ficando amarelo – Tão cheia disso tudo. Me leve com vocês, por favor, me leve com vocês.
–Nós não vamos tão longe.
–Me poupe. O que está prendendo-a aqui então além de a espera por um navio? Para as Ilhas do Sul podem ir até andando. Eu preciso. Eu... – suspirou – Eu não posso me casar com um homem que não me ama! – Encarou-a atentamente – Não posso. – Rapunzel segurou a mão dela e a olhou com carinho – Eu estava pronta para partir, estava pronta, mas então... Minha tia fez o favor de colocar na minha cabeça o senso do dever e os problemas que eu traria a ela e a Edward. – Joe olhou para baixo – Ela disse que eu deveria ao menos conhecê-lo e entender as responsabilidades do título. Apenas isso. – suspirou triste – E eu caí na besteira de ouvi-la. Agora estou... Encrencada.
–Ela deu um jeito de te obrigar a ficar? – Joe assentiu – O que houve?
–Eu me apaixonei por ele. Eu... Podia lidar com isso vendo tudo apenas como um acordo, como obrigações. Eu entendi o lado dele, o que ele sofreria caso não se casasse logo, eu não queria ser a responsável por fazê-lo perder o título e outros entraves de lei. Não queria. Me senti verdadeiramente mal quando conversei com ele pela primeira vez e entendi o que estava acontecendo. Ele não tinha culpa alguma. Estava até apaixonado por uma garota. – a morena mordeu a bochecha – Então depois que nos conhecemos nos aproximamos. Ele começou a me dar cobertura quando eu queria treinar. Saía junto comigo e sempre tínhamos longas conversas. Ele é calmo, gentil e atencioso. Bem diferente de mim ou do pai dele. – suspirou longamente e deixou uma lágrima cair – Eu me apaixonei por ele e eu não posso me casar. Era mais fácil antes, entende? – Rapunzel assentiu:
–Claro que sim. Se eu tivesse que acordar todos os dias junto de Eugene e soubesse que ele me olharia enquanto pensa em outra. – o coração de Rapunzel quase parou – Seria aterrador.
–Eu não sei o que fazer.
–Já tentou conversar com ele? Talvez se seu noivo souber da situação libere os dois do casamento.
–Ele não pode fazer isso. Arendelle está fechando acordos com a Inglaterra e essa aliança depende desse casamento.
–Isso é tão errado.
–Eu sei. Sorte da princesa perdida. – murmurou – Era pra fecharem com Corona, um casamento entre a filha deles e meu irmão. – suspirou – Mas as coisas nunca saem como o planejado. – bufou – Muito menos por quem a gente se apaixona. Ele... – Joe suspirou – Falou na minha cara que – engoliu em seco – Que gostaria de cancelar para ficar com a amada dele e me deixar livre para encontrar um verdadeiro amor. – fungou e deixou mais lágrimas escaparem – Eu não sei como continuar com isso.
–Você ainda se importa com o título dele ou o da sua tia? – ela assentiu – Então fica mais difícil ainda fugir. Teria que dar adeus até mesmo ao seu sobrenome. Seria uma vida completamente nova.
–Longe de tudo isso? – perguntou com tristeza – Longe dele?
–Tudo.
–Eu não sei o que fazer. – suspirou triste – Não sei.
–Bem. – Rapunzel se aproximou dela e murmurou num tom calmo – Comece tentando se acalmar. Vamos. Feche os olhos, limpe sua mente e concentre-se em algo que não seja o problema.
–Como a pintura?
–Isso. Como a pintura.
________Tangled______
Eugene encarou Rapunzel com desconfiança. Estavam jantando na hospedaria e o local estava estranhamente vazio, exceto pelos dois. A loira estava silenciosa e apreensiva, demonstrando aquilo da mesma maneira que uma criança faria:
–O que aconteceu? – ele finalmente perguntou enquanto cortava a carne:
–Nada, por que acha que aconteceu alguma coisa? Eu estou perfeitamente bem. –enfiou os legumes na boca e continuou olhando para o prato de comida. Pascal e Eugene a olharam com ceticismo. Eugene levou o garfo à boca e ficou encarando-a com uma sobrancelha arqueada. A ouviu resmungar alguma coisa e segurou o riso com o jeito dela – Ah ok! – falou num suspiro ansioso – Joe estava com problemas, chegou chorando hoje na aula... – Rapunzel contou a Eugene o que a morena tinha lhe segredado e ele continuou achando divertido o jeito preocupado que ela estava – Então... Conversa vai, conversa vem. – ela puxou uma mexa de cabelo e olhou para o lado enquanto resmungava algo. Em seguida o encarou – Bem, Eugene. – tirou a mão do cabelo e encarou-o. Parecia muito nervosa. Fechou um olho e sussurrou de maneira incerta – Acho que estou grávida. – o moreno deixou o garfo cair de maneira barulhenta no prato. Ele e Pascal arregalaram os olhos e o camaleão logo foi para junto de sua amiga mais antiga e lhe dispensou um sorriso acolhedor. Eugene a encarava espantado, como no dia em que descobriu que o cabelo dela brilhava:
–Grávida? Como assim grávida?
–Eugene.
–Grávida mesmo, com um bebê na barriga?
–Eugene.
–Eu vou ser pai? E como a gente...
–Eugene! – chamou mais alto:
–O que? – perguntou olhando-a em pânico:
–É apenas uma suspeita. – ele engoliu em seco e suspirou enquanto a olhava. Cruzou os braços e levou a mão ao queixo enquanto chocado:
–Como chegou a essa conclusão?
–Bem... – ela voltou a puxar a mecha do cabelo. Sempre fazia isso quando estava com vergonha ou insegura – Eu comentei com Joe. Disse que fiquei meio espantada com o que Amy falou e depois me lembrei que não estava atrasada. – ele suspirou aliviado – Mas aí Joe disse que às vezes, quando vem bem pouco, algo que quase não percebe, pode sim estar esperando. Principalmente na primeira gravidez.
–E veio...? – a voz esganiçada dele a fez olhá-lo com preocupação:
–Bem. Era pra vir dois dias depois que chegamos aqui. – murmurou sem jeito – Veio, mas tão pouco que só percebi no fim do dia. Nem chamaria aquilo de período. – murmurou mais sem jeito ainda – Então... – suspirou e olhou-o de maneira penetrante, aqueles lindos olhos verdes o deixando ansioso – Joe perguntou se eu tinha os sintomas. Doença da manhã é o principal. Eu não tive enjoos durante a manhã, mas... – suspirou – Meus seios estão... Diferentes. – sussurrou – Você reparou? – ele assentiu lentamente, finalmente se dando conta de qual era a novidade que tinha reparado de maneira inconsciente – E ela falou que se logo mais eu começar a ficar sonolenta durante a tarde é porque estou mesmo esperando um bebê. Mas, tudo pode ser um engano. Apenas um atraso devido às mudanças emocionais bruscas que sofri por causa da viagem. – ele continuou com a mão no queixo, mas a expressão de choque tinha passado. Suspirou:
–Quando nos despedimos, pela primeira vez, você ficou mal? – ela assentiu – Muito abalada emocionalmente? – ela assentiu de novo – E atrasou? – ela negou e ele suspirou – E todo esse tempo, preocupada que sua mãe descobrisse sobre nós, ou preocupada que eu fosse pego, atrasou? – ela negou de novo – Foi o que imaginei. – olhou-a com uma expressão perdida:
–Então, acha mesmo que estou esperando um filho nosso? – Eugene piscou, se dando conta do que ela tinha dito, não usou “filho seu” ou “meu”. O peito começou a subir e descer rapidamente:
–E-eu... E-e... Eu. – engoliu em seco – Céus Goldie. – sussurrou e finalmente esticou a mão tocando a dela. Entrelaçaram os dedos e ela o olhou com os olhos marejados. Ele sorriu fracamente – Eu não tenho ideia de como fazer isso.
–Nem eu. – ela sussurrou – Se for mesmo verdade, estou apavorada. – sussurrou enquanto deixava algumas lágrimas caírem. Pascal tocou a mão livre dela e a olhou com emoção. A jovem olhou para o amiguinho – O que acha Pascal? – sussurrou e o bichinho fez um joia. Ela riu e olhou para Eugene – Eu não... – engoliu em seco – Não queria agora. – sussurrou – Mas se for verdade, se for...
–Vamos ao médico amanhã cedo. Tiraremos isso a limpo.
–Como ele pode saber? Não seriam suspeitas?
–Tem algo a ver com a pulsação e a posição dos quadris, eles sabem Rapunzel. – suspirou e sorriu carinhoso – O que você espera?
–Eu não sei. – sussurrou confusa. Eugene levantou e estendeu a mão para ela. A jovem aceitou e foram para o quarto sem terminar a comida. Ao chegaram lá ele a abraçou fortemente e ela enterrou a cabeça no peito dele. Pascal desceu do ombro dela e rumou para sua caminha no aparador da lareira:
–Eu estou tão apavorada. – sussurrou:
–Eu também Goldie, mas não se sinta mal. É normal sentir medo quando estamos diante de algo novo. – ela levantou a cabeça e o olhou por longos segundos:
–Vai ficar tudo bem? Não é? – os olhos verdes estavam marejados. Ele a olhou preocupado e passou a mão carinhosamente por seu rosto:
–Hey. Claro que sim. – murmurou – No que depender de mim sim.
–Você não vai se apavorar e ir embora?
–Eu pensei que tinha deixado claro o que queria quando voltei para aquela torre.
–Mas você não quer um filho, não está preparado.
–Nem você. E ainda assim eu sei que não vai me deixar. Pelo menos eu espero que não. – ela sorriu timidamente e fechou os olhos para aproveitar melhor a sensação da mão dele contra seu rosto:
–Desculpe. Eu estou apavorada. – abriu os olhos e mergulhou nos dele. Eugene se aproximou e beijou-a com tanto carinho que ela se emocionou:
–Eu também Goldie. – sussurrou – Mas formamos uma boa dupla em situações adversas, não é? – ela assentiu sorrindo abertamente. O coração de Eugene acelerou diante aquele sorriso.
–Eu te amo. – a jovem sussurrou e terminou a distância entre eles num beijo calmo e profundo. Afastaram-se lentamente e ele a abraçou:
–Eu te amo. – sussurrou para ela. Ficaram em silêncio por um tempo – Hey. Vamos dormir? Amanhã acordaremos na primeira hora para ir até o médico.
–Você sabe onde fica?
–Claro que não. – brincou e ela riu – Mas descobriremos em breve.
_____Tangled_______
Os irmãos Stabiggions estavam impressionados com a transformação da mulher a qual viajam juntos. De uma pessoa atraente ela estava virando uma senhora estranha de cabelos brancos e pele enrugada. Benjamin, o irmão de tapa olho, estava enojado por ter se deixado levar pelo charme dela no começo da viagem e não conseguia entender o que acontecia. Peter estava querendo encurralá-la e saber toda verdade. Quando finalmente chegaram à bifurcação que levava a Arendelle ou as Ilhas do Sul os dois se cansaram de tanto mistério e a cercaram:
–É o seguinte dona! – Peter puxou o facão da bainha do cinto e levou até o pescoço dela – A gente até ia fingir que não percebeu, mas não tem como negar. – Tocou o cabelo dela com a faca e percebeu a irritação e ódio em seus olhos – Vai abrir o jogo ou não?
–Que tipo de bruxaria é essa que está usando? – Benjamin a olhou irritado. Gothel bufou, o ódio estampado nos olhos dela:
–Isso é um problema meu com a minha filha. – gritou – E não diz respeito a vocês. Querem ou não encontrar Flynn Rider?
–Rider já escondeu o jogo de nós mais de uma vez. Queremos a verdade agora ou te pouparemos o desgosto. – Peter aproximou a ponta da faca do pescoço dela:
–Rider levou junto meu livro. – mentiu – É um livro com feitiçaria. Ele me mantém jovem quando quero. – Os homens a olharam com desconfiança e Gothel bufou. Precisava ser convincente – É um livro de família, passado de geração para geração. Meus antepassados fizeram um pacto de sangue e o feitiço funciona com os membros da minha família. Não ficariam ricos com o livro. Mas ele me pertence. Assim como minha filha. Aquele desgraçado levou os dois. – Peter a olhou desconfiado e Benjamin parecia mais propenso a acreditar – Está com medo de viajar com o diabo? – encarou Peter, que ela só conhecia como P. , de maneira desafiante – Pois é o que minha família fez durante muito tempo.
–Dona. – Peter falou olhando-a com desconfiança – O diabo tem medo de andar com a gente. – encarou-a com frieza – É bom ficar esperta. – encarou o irmão – Pra onde vamos B?
–Arendelle. Se ele pretende sair do continente é pra lá que foi.
–Acha que ainda está por lá? – Gothel questionou sentindo o coração acelerar. Como odiava estar velha.
–Não sei. Rider é imprevisível. Mas todo mundo comete alguns erros. – Benjamin respondeu – Mais um dia inteiro até chegarmos.
–E isso os dá a vantagem de três semanas. – Gothel sussurrou irritada. Se os cálculos dela estavam certos, quando ela voltou para a torre já fazia uma semana que eles tinham partido, mais o tempo que ela ficou procurando a esmo até encontrar os gêmeos – Quando eu encontrar aquela menina. – salivou só de imaginar o que faria a ela. Precisava ser mais esperta que Rider ou jamais teria sua flor de volta.
Fale com o autor