Sob a luz das estrelas

1 Capítulo 1: Lanternas e novos sonhos


Notas iniciais
Leiam. É muito importante!

Olá todo mundo. Não é segredo para ninguém que eu amo Tangled (Enrolados se assim preferir) e tenho essa mania de ficar levemente obcecada por tudo que gosto (o levemente foi para amenizar a situação). Eu estava loucamente lendo e lendo fics do casal Eugene e Rapunzel em inglês e aquelas que eram melhores nunca estavam terminadas. Então vi a fic The Road Untravelled que pode ser encontrada bem aqui https://www.fanfiction.net/s/6755007/1/The-Road-Untravelled . O que isso tem relacionado a minha fic? Bemmm eu vou explicar. Eu tinha já algum tempo a ideia de fazer uma fic que resgatasse o conto original, onde o príncipe visita a Rapunzel escondido da mãe dela. No conto original ela acaba engravidando e é assim que a mãe descobre a traição. Bem, eu queria mesmo resgatar algo dessa parte do conto, que gosto muito, então queria fazer uma fic onde Gothel não descobria que a Rapunzel tinha escapado e o Eugene vai visitá-la. Bem! Enquanto escrevia a minha achei a fic The Road Untravelled que é exatamente a ideia que tive, de Gothel não encontrar Max e nunca descobrir sobre a escapada de Rapunzel. Posso dizer que me apaixonei pela fic e queria traduzi-la. O enredo dela tinha muitas coisas diferentes do que eu pensei pra minha fic (muitas mesmo), mas o contexto segue o mesmo. Gothel não sabe sobre Eugene e Rapunzel vai se virando sobre isso. Pensei em traduzir The Road Untravelled para vocês, mas faz um ano que a escritora não atualiza e eu nem sei se ela volta a atualizar. Eu não tenho cara de pegar a fic traduzir e continuar por conta própria, fazer meu próprio final, porque eu não sei o que vai na mente da ficwriter e tenho certeza que jamais chegaria perto de descobrir. Também não posso traduzir e postar uma fic que está tanto tempo sem atualizar.
Bem, isso nos leva a essa fic. Como já foi explicado tive a iluminação, ou o azar sei lá, de ter a mesma ideia que a escritora de The Road Untravelled e até por isso fiquei desanimada de escrever essa fic por um tempo. Mas essa é a minha fic sobre Tangled em português para os fãs do filme como eu e que carecem de alguma história sobre eles em nosso idioma. Isso não é um plágio. Nem foi inspirado na outra fic, embora admita as semelhanças do motivo pelo qual o enredo se desenvolve, que é: Gothel não encontra com Max e segue sua viagem. Bem esclarecimentos a parte, espero que gostem da fic. Ela é um presente para vocês que amam Tangled tanto quanto eu. Sério, não consigo tirar esses personagens da cabeça. Espero que gostem.

N/A: Sem betagem, mas relido. Espero que gostem! =D

P.S: Romance, melado, açucarado, flufly e além das expectativas de acontecer na vida real. Se gosta fica se não gosta foi avisado. =D

Algumas vezes precisamos apenas de um gatilho, algo bobo e sutil, para finalmente entender que nos apaixonamos.

Eugene engoliu em seco ao olhá-la naquele cenário lúdico. Ele não conseguia entender como uma criatura solitária feito ele foi sentir aquilo. Ele era tão sozinho e difícil de lidar que tinha inventado uma outra pessoa para si mesmo! No entanto estava ali. Sendo agradável com aquela menina cheia de vida e empolgação. Não se importou de que a levaria de volta para aquela torre em algumas horas e muito menos que gêmeos ruivos e assassinos estivessem atrás dele. Segurou as mãos dela e a olhou nos olhos. O jeito inocente e expectante era algo que ele poderia se acostumar. Um pouco de inocência para sua vida corrompida. Alguma canção tocava ao longe, ele não soube identificar se era de um dos barcos perto da margem ou seu estado de espirito. Rapunzel tinha o tocado de um jeito que ninguém fez. E o que o deixava mais intrigado era como em tão pouco tempo ela tinha feito aquilo. Ele sabia, era loucura o que sentia vontade de fazer, mas via-se tanto nela, a identificação com alguém, algo que ele nunca sentiu, chegava a deixar-lhe zonzo. Deslizou a mão lentamente pela nuca e quando seus lábios se encontraram o suspiro dela foi o mais doce som que ouviu em anos. Sem conseguir conter abriu a boca e ela o seguiu, com uma curiosidade ávida de provar tudo que aquele novo mundo lhe ofertava. Era aquele tipo de sentimento que ele tinha sobre a vida. De experimentar o que tinha ao seu alcance. Foi aquele sentimento que o meteu em problemas e que a tinha encrencado nesses dois dias. Ela sentia o mundo da mesma forma que ele e embora pudesse ser um pouco idiota ao ponto de deixar algo dessa magnitude escapar, Flynn não era e sabia muito bem o que era uma raridade quando via uma. O ladrão dentro de si ficaria inquieto enquanto não a roubasse também.

O beijo foi calmo e doce, uma experimentação do que poderia ser, mas ele sabia que não seria. Podia? Provavelmente não. Ela agarrou o colete dele com vontade e Eugene quase sentiu a emoção da novidade no beijo dela. Ele podia ter a fama de homem de bordel, afinal, não saia desses ambientes quando tinha uma folga, até podia ter sentido seu coração palpitar mais rápido uma ou duas vezes antes de seus 18 anos, mas ele jamais provou algo como aquilo, um beijo com uma conexão quase sobrenatural. Ele jamais esteve apaixonado por alguém e aquilo lhe atingiu feito um gancho de direita bem dado. Se afastou e ainda com a mão na nuca dela a olhou surpreso:

-E-eu fui muito ruim?- Ela sussurrou preocupada e ele sorriu ternamente:

-Não. Na verdade foi tão bem que eu...-Inclinou-se e beijou-a mais uma vez. A boca macia seria sua perdição. Aquilo era incoerente e fugaz, mas não menos incrível. Ele se afastou mais uma vez e tocou-lhe o rosto, para ter certeza de que era real. Ela sorriu timidamente e Eugene sabia que estava olhando-a feito bobo. Sem conseguir se conter tomou os lábios dela novamente, mas daquela vez foi diferente, com mais ofegos e mãos nos cabelos e ombros. O jeito que a língua dela se movia contra a dele o fez sentir correntes elétricas pelo corpo. Suspirou dentro da boca macia e quase caiu do banco ao inclinar o corpo mais para frente. Ela não pareceu se assustar. Parecia curiosa sobre aquilo. Eugene apartou o beijo antes que a puxasse para o colo e sorriu:

-Eugene.- Sussurrou encarando-o com um sorriso tímido- Isso foi realmente muito mais do que eu esperava de um beijo. Mas...-Passou a mão pelo cabelo e sorriu sem jeito- Mas eu devia imaginar ãh?- Arqueou as sobrancelhas, um gesto que ele estava começando a apreciar nela. Não era maldoso. Era divertido, camarada, e embora jamais admitisse, ele precisava de um amigo.- Cheio de surpresas senhor Fitzherbert.- Ele soltou um riso sincero e deu de ombros:

-Faz parte do meu charme.- Piscou e ela sorriu mais ainda:

-Do seu charme ou de Flynn Rider?- Eugene começou a rir e ela pulou para o banco ao seu lado — Tem mais coisas para confessar?

-Woah! Vamos devagar Blondie. – Ela meneou a cabeça negativamente enquanto soltava um risinho. Ele passou a mão pelo ombro dela e encarou o céu cheio de lanternas. Um sentimento quente e confortável dominou seu coração. Algo como quando ele tinha uma boa refeição e uma cama quente e segura durante toda a noite, sem medo dos guardas. Só que naquele momento era muito melhor do que uma noite feliz para acordar num dia incerto. – Estou mais interessado no que está pensando.- Ele nunca esteve interessado no que os outros tinham a dizer, pelo menos não quando não lhe trazia beneficio algum. Andou sendo um belo canalha nos últimos tempos:

-Oh. Isso é novo para mim. A mãe sempre diz que falo muito e aí ela começa a reclamar e...-Bufou e aconchegou-se ao ombro dele- Acho que ela estava errada sobre muitas coisas.- Murmurou num tom chateado- Sobre as pessoas. Sobre o mundo.- Ele sentiu o corpo dela ficar tenso. A loira se afastou dele e ficou olhando para cima. Eugene pode ver o começo de lágrimas nos olhos verdes- Tudo o que ela disse... A primeira coisa que encontro fora de casa é uma prova de como estava errada. Vi aqueles homens, prontos para te atacar, no entanto foram gentis comigo, abriram o coração e mostraram, numa conversa civilizada, o que realmente querem para vida. Por um momento pensei que ela fosse inocente, que ela tivesse medo do mundo, mas ela sempre saí. Isso talvez signifique que ela só estava mentindo para que eu não saísse. Mas por quê?- Eugene deu de ombros:

-Às vezes ela não tem medo do mundo, mas não quer que você se machuque e levou isso sério de mais.

-Eu tinha certeza.- Ela sorriu olhando esperançosa para as lanternas- De que ela veria como posso me cuidar. -Sorriu triste -E me deixaria sair. Me acompanharia hoje, aqui nas lanternas. Mas ela nem me deixou falar.- murmurou por fim:

-Você se cuidou muito bem aqui fora. Você bateu num bandido e o chantageou. Você pode fazer algumas coisas sozinha.- Piscou. Ela sorriu largamente e depois baixou a cabeça. Parecia uma montanha russa emocional:

-Eu... Não acho que ela possa saber disso. Sabe? De hoje.- Eugene a encarou com interesse- Se ela souber que menti e vim mesmo assim vai dizer que o mundo me corrompeu, surtar ou algo pior. Ela jamais pode saber sobre isso.– Outra lanterna baixou perto deles e ela a empurrou para cima com os dedos:

-Rapunzel.- Ele a chamou e ela o olhou atentamente- As vezes ela tem algum trauma. Algo pode ter acontecido de ruim e ela não quer que o mesmo lhe ocorra. Muitas pessoas ficam agressivas se confrontadas. Tem que levar esse assunto aos poucos.- Ela assentiu. Suspirou visivelmente mais calma:

-Acha que posso convencê-la algum dia?- Ele queria dizer que provavelmente não, mas não queria estragar a centelha de esperança- O mundo é incrível. Viver fora das paredes da minha casa...-Suspirou- Me mostrou como o mundo é belo.

-Ele não foi tanto para mim.- Murmurou amargo- Eu entendo porque sua mãe não gosta do mundo.

-Mas você parece... Livre.- Ela sussurrou:

-Bem.- Ele deu de ombros- As coisas melhoraram depois que aprendi a me virar. Então eu realmente me apaixonei pela vida. Sabe?- Ela sorriu- Mas já tive meus percalços.

-Poderia me contar essas histórias qualquer dia.

-Se você quiser.- Sorriu carinhosamente para ela- Então...-Coçou a nuca- Quer voltar agora ou prefere ficar mais?- Desconversou. Ainda não se sentia bem para falar do passado.

-Podemos encontrar um lugar para acampar.- Sugeriu insegura- O barco não parece ser muito confortável.- Ele sorriu e pegou os remos. Ela continuou com os olhos sonhadores no céu.

Ao chegarem ao outro lado acenaram para Max que pareceu confuso, mas tentou fazer o melhor de um aceno de volta com um movimento de cabeça. Rapunzel pegou Pascal e colocou no ombro. Eugene estendeu a mão e ela aceitou. Saíram do barco e adentraram a floresta. A jovem olhou em volta achando tudo menos ameaçador do que no dia anterior. Uma irritação começou a aflorar em seu peito ao lembrar as coisas que a mãe lhe dizia e de outras que a mulher nunca respondia. Rapunzel notou que ela estava extremamente errada sobre os homens, afinal, eles não tinham dentes pontiagudos nem mesmo vontade de atacá-la e cortar o cabelo. O beijo não era nada horrível e penoso como ela tinha dito e a garota tinha quase certeza que a parte sobre os bebês poderia ser bem agradável já que a mãe estava errada em tudo aquilo. Eugene não era fedido, não tinha pele áspera e embora suas mãos fossem mais grosseiras que as dela, ainda assim eram perfeitas quando tocavam seu rosto. Tudo bem diferente das descrições de sua mãe sobre as outras pessoas. Ela estava bem irritada por se sentir idiota em algumas ocasiões ao longo de sua jornada. Se tinha uma coisa que Rapunzel gostava de fazer era aprender. Leu todos os livros que sua mãe lhe deu de presente e através deles soube fazer velas, música, roupas, crochê, bonecos e até jogar xadrez. Através dos livros aprendeu tanto sobre como misturar as cores para pintar, que era seu robe preferido, sobre astronomia e sobre romance e princesas. Mas agora tudo era tão diferente, os livros da biblioteca sobre economia, anatomia e história, coisas tão diferentes do mundo que a mãe tinha lhe apresentado. Ela estava muito irritada por ser privada de conhecer todas aquelas coisas:

-Está brava com algo?- Eugene perguntou enquanto andavam. Ela deu de ombros:

-Mais ou menos. Na verdade estou um pouco irritada.

-Com?

-Bem. Toda essa situação com minha mãe.- Bufou- Não vou mentir. Ela me instruiu bem. Tudo que sei devo a ela. Mas tento entender porque ela não queria que eu soubesse a verdade sobre...-Olhou-o timidamente- Sobre os beijos.- Ele a questionou com os olhos- Quando eu tinha 11 comecei a questionar sobre os pais e reis das histórias e porque o beijo aparecia sempre no final das histórias. Perguntei se um dia isso aconteceria comigo. Ela ficou bem nervosa e disse que os livros faziam aquilo para enganar as crianças, mostrando que os homens eram bons quando na verdade eles eram cruéis e egoístas.- Eugene inclinou a cabeça para o lado. Aquilo não deixava de ser uma verdade- Ela mentiu dizendo que o sexo oposto tinha garras afiadas e dentes pontiagudos e que para fazer um bebê eles faziam mal as mulheres, comiam suas bocas com fome e...-Suspirou sentindo-se idiota por dizer aquilo- E enfiavam algo mortal entre as pernas das garotas para que o filho nascesse.- Eugene arregalou os olhos e parou de andar encarando-a com incredulidade- Então o bebê crescia dentro da mulher e ao nascer a rasgava e ela sentia tanta dor que quase morria. Por isso eu devo ser eternamente grata por ter minha mãe, porque ela foi a única a sofrer para me ter e mesmo assim ainda me ama muito. – Ela podia ver a expressão chocada dele- Eu acreditei nisso até te encontrar e ver que você não tinha presas e nem uma febre incontrolável em me atacar e todas as coisas que ela disse. Ela mentiu não é?- Eugene assentiu e ela baixou a cabeça. Parou de andar e suspirou- Ela tinha dito que os livros falam sobre beijo e bebês com alegria porque as pessoas tem que acreditar que seja algo bom para a humanidade conseguir continuar. Caso contrário nossa raça não existiria mais.

-Bem. A humanidade precisa continuar e alguns homens horríveis, o pior tipo de pessoa que se possa conhecer, eles podem sim atacar uma mulher e isso vai doer tanto quanto sua mãe disse e talvez seja isso que tenha acontecido a ela. Por isso ela não a quer fora da torre. E por isso você não deve confiar em todo mundo que conhece.- Rapunzel assentiu chocada- Mas os livros não estavam errados. Um bebê é fruto de um amor verdadeiro entre homem e mulher. Para demonstrar esse amor eles precisam se tocar e beijar e fazer mais outras coisas, quando se amam de verdade.- Ele coçou cabeça visivelmente sem graça- E essa parte de beijar e outras coisas mais é muito boa, na verdade é algo tão incrível que as pessoas vivem tendo filhos. – Rapunzel sorriu:

-É tão bom quanto nosso beijo?- O jeito que ela perguntou, olhando-o com carinho e curiosidade, o fez sentir vontade de beijá-la mais ainda:

-Sim. Às vezes até melhor. – Ela assentiu, arquivando aquela informação em seu íntimo. – Quando as pessoas se amam é perfeito.- E ela quase viu uma careta no rosto dele- Sua mãe pode ter algum problema com isso e tem muito medo por você. – Rapunzel bocejou e sentou na grama encostando-se a árvore. Ele fez o mesmo, estavam fora do caminho dos guardas e ninguém os acharia ali- Mas chega de papo. Hora de dormir.

-Sim. Tenho que chegar cedo amanhã ou corro risco dela me pegar fora da torre.

-E nós não queremos isso.- Soltou com um sorriso empolgado:

-Nem um pouco.- Sem cerimonias ela se aconchegou nos braços dele. Eugene sentiu o coração dar um salto e abraçou-a. Pascal se aconchegou nos cabelos dela e os três dormiram, um sono leve e atento, mas nem por isso menos confortável.

Notas finais
N/A: Gente. Além de todo aquele aviso antes do primeiro cap eu preciso lembrar. Quis fazer algo que resgatasse um pouco o conto original então, sim haverá interação sexual entre Eugene e Rapunzel. Eu só não sei se mantenho descritivo como está no meu documento word ou se deixo mais leve. Bem se curtiram deem suas opiniões. =D