Ah a nova Berk...
E que se dane o frio! Eu amo esse lugar. É bem mais amplo, mais bonito. E as paisagens são de tirar o fôlego. A que eu observo agora, porém, é a mais bonita que eu vi nos últimos tempos. A neve praticamente nos cobre, é verdade, mais em nada tira o encanto, pelo contrário, acrescenta ainda mais, torna tudo alvo, sublime. Porque tem um sol brilhante tocando-a e reluzindo tudo, principalmente os olhares deles.
Ah, eles...
Eu senti que sorria e tratei logo de parar, não podia perder a minha pose. Ele eu nunca chamei de amigo. Fala sério! Como poderia? Aquele perneta me roubava tudo que eu queria. Ainda sim, em meu peito, eu sabia que não haveria outra palavra para descrevê-lo. Ele olhava para ela com o mesmo olhar abobalhado de desde os 10 anos de idade. E não era para menos, ela era digna de uma deusa. Não foi a toa que minha paixonite durou tanto tempo, afinal, eu tenho um ótimo gosto.
Tá, vou tentar não falar de mim.
Mas, o fato é eles parecem dois bobões se olhando. E isso é lindo. Eu deveria está gargalhando da cara, principalmente dele, mas não consigo. Só consigo sentir uma espécie de gastura no meu peito, algo quente querendo sobrepor o friozinho que eu sei se tratar da pontada de inveja que eu sei que ainda sinto dele. E sinceramente, eu não me recrimino por isso, posso apostar que cada cara nesse recinto tem a mesma sensação, talvez exceto o Cara-de-Peixe. O idiota está se desmanchando em lágrimas ao meu lado. Se a Gothi não fosse muda tenho certeza que já teria tido que dar um soco nele para escutar algo que ela tivesse a dizer. Mas, enfim, a Gothi é muda, e eu sinceramente não sei de quem foi a ideia de trazer essa velha para realizar a cerimônia. A questão é: silêncio total! Exceto pelos fungados do Cara-de-Peixe.
Reviro os olhos, porque ele tirou a minha concentração. Do que eu estava falando mesmo? Ah sim! Da inveja que eu tenho do cara lá no altar. Mas, eu vou corrigir. Que eu: tinha. Exatamente, tinha. Como eu disse, esse perneta dos infernos é o melhor amigo que alguém pode ter. Daqueles que seria capaz de dar própria vida por você, mesmo que você, a maioria das vezes, não mereça tanto. Aquele que quer sempre o melhor pra você, que divide contigo um pouco de tudo — menos ela. Tá, aí já é pedir demais, eu sei.- , mas é realmente aquele amigo que está ao seu lado mesmo na hora que você menos merece. E talvez eu nunca o chame de amigo, um dia quem sabe eu até consiga o chamar de chefe, mas hoje eu sei, daria minha vida pelo meu líder.
E ela... Eu nunca a vi tão linda quanto estava agora. Na verdade, eu nunca a vi de cabelos soltos, muito menos de vestido, já tinha sonhado várias vezes, na adolescência principalmente, o que aumentava ainda mais minha ideia de quimera enquanto eu a olhava agora, mas o que a fazia ainda mais linda, era aquele olhar, era aquela mansidão em seu semblante, que eu raramente via nela, exceto, é claro quando olhava para ele, principalmente, quando ele não estava vendo. Ela era uma guerreira e fazia questão de ser, mas ela, como todo bom guerreiro tinha um ponto fraco. Ele. E isso era evidente para qualquer um que a conhecia. Por ele, ela se desarmava, como estava fazendo agora, enquanto tocava as mãos estendida dele. Por ele, ela cedia, como fez em relação ao casamento. Mas, por algum motivo isso não a tornava fraca, pelo contrário, a tornava mais forte.
E eu fico aqui me perguntando como isso é possível?
Mergulho por um momento em todas nossas aventuras, em tudo que vivemos juntos. E sempre esteve os dois lá. Juntos. Um pelo outro. Ele quase enlouquecendo quando ela se feria. Ela quase nos matando quando ele estava em perigo. E assim, sempre uma força descomunal os impulsionavam. Ele só precisava de uma palavra dela para se tornar mais forte. Ela só precisava de um plano dele — por pior que fosse — para acreditar. Dispostos a darem a vida um pelo outro a qualquer momento.
E enquanto eu sentia que aquilo era algo que eu ainda não podia alcançar, estava bem atento a ela. Então vi, mais uma vez, a certeza invadir os olhos azuis, ela deu um leve aceno de cabeça para ele. Era uma conversa silenciosa, que tenho certeza só eles entendiam — como inúmeras que eles tinham bem na nossa cara ao logo desses anos — mas, que com certeza era muito importante e dizia muita coisa. Senti aquela maldita pontada no peito, de algo que eu queria ter, mas não podia. Aquela cumplicidade, aquele olhar, era por aquilo que um homem deveria viver.
Os dois se beijaram. O cenário foi magnífico. Os vivas dos berkianos foi realmente feliz, entusiástico e estrondoso. E as minhas lágrimas caíram, porque no fundo eu sou um cara sensível. Naquele momento eu me vi dando adeus a minha adolescência e talvez aos melhores anos da minha vida. Eu me vi dando adeus a garota dos meus sonhos e ao meu arqui-inimigo. E enquanto eu os via nos encarando, com o olhar firme e esperançoso, mesmo com o peso da responsabilidade que agora tinham sobre eles, vi nossos líderes dando boas vindas as nossas vidas adultas.
Quase me senti tão adulto quanto eles, até Cabeçadura me abraçar pelo pescoço falando algo sobre "afogar as mágoas na barba dele". Idiota! Quando alguém ia convencê-lo que aquilo é cabelo? Além do mais, ele estragou meu momento sentimentalista. Suspirei, me arrependendo em seguida, pois quase sufoquei naquele monte de caca de iaque em forma de peruca. Bem, alguns de nós realmente vai demorar para amadurecer. Mas, um dia, a gente chega lá... Eu espero.
Notas finais
Se lerem, me deixem saber o que acharam? Comentários são importantes!
Agradeço o carinho nas outras fics! Até...
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