Sob O Céu De Ahmar
1 Introdução
A agitação no palácio real de Ahmar... Na mesma noite iria haver uma grande festa para receber o príncipe que iria casar com a filha mais nova do Sultão... Faltavam algumas horas para que as portas do palácio fossem abertas para os convidados, e o Sultão(um homem de meia idade e grande porte) ainda nem havia decidido onde queria exibir suas grandes estátuas de ouro maciço.
— E os indianos? Onde estão os indianos afinal?
Perguntou o Sultão, irritado. Um dos empregados indianos, que a muitos anos trabalhava para o Sultão, olhou em volta.
— Está falando comigo, senhor?
— Não! Os garçons!!! Os indianos que contratei para servirem os convidados! Onde estão?
— Eles vão chegar dentro de algumas horas, senhor. Mas terão tempo o suficiente para se prepararem antes do início da festa. Eu mesmo entrei em contato com eles e irei dar as coordenadas assim que chegarem.
Respondeu o empregado, seguro de si.
— O que eu faria sem você Palash? Sabe que é o único indiano em quem confio! O único!
Gritou o sultão, que gesticulava com as mãos enquanto saia do salão principal. Seu fiel empregado sorriu com o “elogio” que recebeu, e voltou a trabalhar.
Em uma das torres do palácio, em um quarto que possuía móveis folheados a ouro, paredes decoradas com desenhos de flores douradas e uma grande sacada com a melhor vista da cidade de Ahmar, estava Yasmin... A princesa possuía olhos pretos, assim como seus longos cabelos, sobrancelhas expressivas, traços fortes e pele levemente dourada. Yasmin encarava sua imagem no espelho, seus olhos perfeitamente delineados de preto pareciam mais preocupados que nunca.
Ela ouviu três batidas em sua porta e suspirou.
— Pode entrar.
Disse Yasmin.
— Onde está a noiva?
Perguntou uma moça sorridente ao abrir a porta. Yasmin olhou em direção a porta e sorriu ao ver Amira, uma de suas primas e sua melhor amiga.
— Aqui, Amira.
Respondeu Yasmin antes de abraçar sua prima.
— Ah Yasmin... Você parece tão triste... Para a princesa que vai casar com um dos príncipes mais ricos e bonitos do golfo pérsico!
Disse Amira antes de pular de empolgação pela ‘conquista’ de Yasmin.
Yasmin deu um sorriso sem vontade.
— Yasmin, sorria de verdade! Você não vê? Emir é o tipo de homem tão afortunado, que vai te comprar uma Porsche por dia, se quiser! Fora todas as jóias e pedras preciosas... Não é um sonho? Meu marido só me dá uma Porsche a cada duas semanas...
Disse Amira antes de rir.
— Em primeiro lugar, Amira, já tenho Porsches e joias o suficiente!
Respondeu Yasmin.
— E depois... Emir é um homem mau, Amira. Eu sei disso! Ele é tão aclamado, porque tem fama de torturar indianos sem motivo algum.
Insistiu Yasmin.
— Ah, bobagem! Primeiro, ele é aclamado comanda muito bem um dos exércitos mais fortes do qual ouviram falar... E depois... Ele não deve torturar alguém sem motivos, deve? Claro que não! Isso são boatos Yasmin, apenas boatos!
Disse Amira, sorridente e positiva.
*
No fervente e colorido centro da cidade de Ahmar, onde nenhum membro da realeza ousava pisar, o único lugar daquela grande cidade onde não haviam carros luxuosos desfilando pelas ruas, um lugar cheio de vendedores, dançarinas, charlatões, batedores de carteira e grande quantidade de indianos com sonhos de riqueza frustrados, encontravam-se Aladdin e seu melhor amigo Moshin. Um mais deslumbrado que o outro, com a esperança de uma vida melhor. Seus olhos brilhavam e enchiam de alegria com as cores vibrantes e o agito que tomava conta do local. Os lenços coloridos que voavam embalados pelo vento abafado que soprava pelas ruas, a música ecoava por todos os lados, e o falatório dos populares parecia fazer parte da melodia.
— Aladdin! Isso é incrível cara!
Disse Moshin dando um tapa nas costas de Aladdin, que não conseguia parar de sorrir.
— Esse é nosso tipo de lugar, Moshin! A nossa vida começa aqui, pressinto isso.
Respondeu Aladdin.
— Índia, até nunca mais! Agora que chegamos até aqui, nunca mais vamos voltar!
Disse Moshin, antes de puxar Aladdin por um dos braços e sumirem no meio da multidão.
— Hey, Aladdin! Não é hoje que temos que dar uma de garçons? Na parte rica da cidade?
— Sim, meu amigo! Nosso primeiro trabalho em Ahmar! Temos que começar em algum lugar, não é?
Respondeu Aladdin, empolgado por ter conseguido o emprego.
— Eu só sei que quero ver como os ricaços se comportam... Para que daqui um futuro muito próximo, quando eu tiver tanto dinheiro quando esses caras, eu saiba como agir!
Disse Moshin com empolgação. Aladdin sorriu.
Uma moça de olhos maliciosos passou pelos amigos e encarou Aladdin com um leve sorriso. Aladdin virou para observar a moça caminhar.
Moshin gargalhou.
— Admite Aladdin! É bom ser bonitão, não é? Já chegou na cidade atraindo olhares! Eu posso não ser bonitão como você, mas as garotas que você dispensa, com certeza terão um ombro para chorar.
Caçoou Moshin batendo no próprio ombro.
— Ah, qual é cara? Um dia te ensino a ser como eu, ok?!
Brincou Aladdin.
— Vem! Vamos ver o que mais encontramos por aqui!
E novamente os dois amigos sumiram nas ruas da cidade.
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