Sob Holofotes
1 Capítulo 1
Tudo fica mais bonito quando você ama, neste caso, um lugar. Um típico ar gelado soprou quando eu abri a porta de casa, e dando alguns passos, parei onde os raios de sol do inicio da manhã me esquentavam. Era minha primeira viagem para o exterior, por isso admiro até mesmo uma folha alaranjada caindo da árvore ou garotos entregando jornais em bicicletas, tudo tão diferente do meu país. Suspiro, quando nem a beleza desse lugar me fazem esquecer de como eles estão atrasados. Quem é impontual em um país continua impontual no outro.
Resolvo dar-lhes mais alguns minutos e paro para observar, novamente, a rua: o asfalto de um cinza escuro e limpo. As casas separadas por jardins e cerquinhas em vez de muros de tijolo. Eu sacudi a cabeça, achando que já tinha passado tempo suficiente em meu desvaneio e volto a porta da casa gritando pelos atrasados.
"Gabe, Izzy !! Vamos"
Meu primo saiu com as mãos para o alto, num ato irônico. "Hey, eu já estou aqui
Detrás dele surgiu minha amiga, seu cabelo louro brilhou ouro quando ela passou sob a luz. Eu senti uma pontinha de inveja, não pelo louro, eu estou satisfeita com meu cabelo preto, mas por ela ter algo que a diferenciava. Cabelo preto há em todo lugar, é o raro que faz a diferença. Eu quero ser diferente.
"Você que está adiantada, não são nem seis em ponto ainda" Izzy disse e, tomou meus braços para que caminhassemos juntas, e assim fomos na frente, e meu primo vinha como um segurança atrás, até o nosso destino: A No-reality Movies.
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Esse sempre foi o meu propósito quando chegasse aos Estados Unidos: fazer um teste para alguma empresa de filmes. Acabei escolhendo a No-reality Movies: era a mais perto da casa da minha tia, e na qual eu tinha mais chances. Ser atriz era meu sonho, e a sensação de ter algo realizado vinha como uma brisa fresca em uma tarde verão, revigorava.
O Sol esta forte e o reflexo do vidro machuca meus olhos. A fachada do prédio lança um ar futurístico que engloba o local, o qual continua por mais seis quarteirões. Uma sensação desconfortável varre meu corpo, e eu sento meus olhos se umedecerem. Eu coloco a mão no rosto e tento falar de forma amena para não explodir e chorar como sempre acontece:
"Está cedo ainda...Como ?" eu gaguejei com a voz diminuindo e aumentando.
"Nós podemos esperar, e podemos vir outros dias também" Izzy respondeu.
Ela queria muito fazer o teste, porém mais por fogo de palha, e eu sabia disso. Tentei me recompor quando Gabriel estacionou.
Nos estavamos andando em direção ao final da fila, e eu paro e me encosto em um poste de concreto.
"A culpa é de vocês.. se vocês tivessem saído cedo..." Dessa vez, eu falo, não consigo segurar a raiva dentro de mim. Eu sabia que a culpa não era deles mas, ja era tarde de mais. Fica mais fácil passar a culpa para outra pessoa.
"Olha, calma. Sem estresse, ok" Meu primo disse sem paciência. Eu me considero calma, porém estressada quando não devo. Eu queria que ele falasse que iria voltar, e não iria mais levar me levar nos lugares. Eu precisava dele para sair pois minha mãe não me deixava sair sozinha. Eu queria que ele jogasse isso na minha cara, e eu pudesse ter algo para culpar por ter saído chorando e chutando tudo. Eu fico parada olhando sério, limpando os restos das lágrimas do meu rosto.
"Marjore...vamos logo para a fila" Izzy disse tocando-a no braço.
"Não, quem vai para lá é Gabe" Eu viro para ele. "Você vai lá e segura nosso lugar, que eu vou ali pedir informação com a Izzy e depois nós vamos."
"Só cuidado porque se não sua mãe me mata" Ele disse, já virando os pés em direção a fila. "Não demore!" ele finalizou.
Eu penso em muitas formas de driblar a fila: 1.Pedir carinhosamente. 2. Esperar que algum garoto gostasse de mim e então desse um lugar. 3. Furar. Mas, eu prefiro a minha quarta e última opção.
"Que informação é essa Jore ?" Isabel perguntou.
"Eu tive uma ideia. Nós vamos pular o muro, entrar por trás. Do mesmo jeito que fizemos no hotel, lembra ?" Ela cutucou Izzy.
"Você quer dizer invadir .Marjore, isso aqui é maior, e esse nem é nosso país. O que pode acontecer .."
"Para todos os efeitos nós somos mulheres, temos a preferencia e em segundo, nós não temos nem 18, não podemos ser presas. E ainda, o máximo que podem fazer é nos expulsar" Eu a interrompir minha amiga e implorei pelo olhar por uma concordância.
"É......"Izzy disse insegura.
"Vamos lá cara" Eu puxei sua mão e ela sorriu torto. "OK. Mas se algo der errado a culpa é toda sua"
"A amizade multiplica a felicidade, e divide a tristeza. DIVIDE, entende ? Culpa dividida." Eu disse enquanto andavamos em direção a rua dos fundos do estúdio.
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A rua de trás era contraditória a rua da entrada, que era uma grande avenida com carros colorindo a todo instante o asfalto. Agora, eu olho para uma rua cheia de galpões fechados, terrenos imensos cheio de mato, bem cuidado no entanto. A parte de trás do estúdio era tão majestosa quanto à frente, eu encaro a grade que me impedia de estar lá dentro calculando mais ou menos onde colocaria os pés. Izzy estava, provavelmente, pensando sobre a mesma coisa.
"Isso aí é muito alto, que pena Jore" Izzy disse encostando na grade.
"Não dá para morrer" Eu disse enganchando os pés entre os espaços da grade, me forçando para cima. Ficando na altura do segundo nível da grade, eu percebi o quanto aquilo era difícil. Eu queria descer, mas me nego a ter isso jogado na minha cara pelo resto da vida por Izzy, puxo a respiração e me forço para o terceiro e último nível, o que era o pior, pois é a hora de passar o corpo para o outro lado da grade evitando as pontas afiadas prontas para lhe rasgar um pedaço da carne, e firmar o pé do outro lado. Eu o fiz com grande dificuldade.
"Vamos logo" sussurro. Com aparente maior facilidade, Isabel passou para o outro lado e estava junto comigo em terra firme. Nos olhamos em volta, e percebemos que o lugar se estendia e onde a rua acabava sem saída, os fundos se estendiam para, provavelmente, a outra rua onde havia alguns homens retirando o lixo. Mais perto delas havia uma porta de Carga e Descarga que estava aberta.
Tentamos nos esconder, mas era tarde demais. Dois seguranças tinham nos visto.
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