Sob As Estrelas

5 O país é livre


Notas iniciais
Gente, peço muitíssimas desculpas pela demora, mas é que o meu PC quebrou e quando foi consertado minha agenda apertou muito. Aí vocês me perguntam: mas e o sábado e o domingo? Bom, eu tenho curso no sábado e no domingo. Mas, enfim... Vou tentar postar com o mínimo de demora pra vocês, ok?
Beijos ♥

Segunda-feira. Como eu odeio esse dia. Já não gostava dele antes de... Bom, vou começar do início.

Estava um pouco animada para chegar ao colégio por uma simples causa: Leo. Acabei chegando um pouco cedo de mais no colégio. Fiquei sentada debaixo de uma árvore, lendo, esperando que minhas amigas chegassem. Thalia, Percy e Leo chegaram. Os meninos me cumprimentaram e passaram direto para os armários do lado de dentro do prédio escolar. Thalia me puxou para que eu me levantasse e fomos até os nossos armários. Quando dobramos no corredor de nossas propriedades, me deparei com uma cena que me deixou enfurecida e extremamente triste. Tudo aconteceu rápido, mas eu consegui registrar tudo. Samantha, a piriguete que eu não suportava desde a quarta série, estava abraçada a Leo, prendendo-o de costas aos armários. O pior: seus lábios estavam colados aos de Leo. Sabe aqueles beijos de cinema? Samantha aplicava um desses nele. No garoto que eu tinha acreditado que me amava. No garoto que quase me beijou. No garoto que eu amava. Percy vinha se aproximando na direção contrária a mim, mas parou ao ver a cena. Ele os olhou incrédulo. Lágrimas encheram os meus olhos, mas eu não sabia se eram de tristeza, decepção ou raiva, de Leo, de Samantha ou de mim mesma.

Samantha se afastou um pouco de Leo, em busca de ar. Leo olhou em volta e me viu. Ele deu um passo em minha direção. Usando meus talentos de atriz, deixei meu rosto sem expressão, endireitei a postura e comecei a andar. Passei por eles, evitando olhar na direção de Leo. Apesar de me seguirem com o olhar, ninguém foi atrás de mim. Fui para o meu refúgio: a biblioteca. Ali sempre estava vazio, a não ser pela bibliotecária e ninguém nunca me encontrava lá, exceto Percy. Entrei e me escondi atrás da última estante de livros da sala, que iam do chão até quase o teto alto do local. Chorei por um horário de aula inteiro, sem que a bibliotecária me notasse.

Quando o primeiro sinal da segunda aula tocou, eu comecei a me recompor. Respirei bem fundo várias vezes e verifiquei minha aparência no espelhinho que levo na mochila. Quando o segundo sinal bateu, eu já estava recuperada, e minha aparência disfarçada pela maquiagem básica que levava para emergências como essa.

O segundo horário passou rápido, sem ninguém notar nada de estranho comigo. Depois que o mesmo acabou, saí e me encaminhei para o terceiro horário. Esse era meu horário de mitologia. Faço parte da classe avançada, ou seja, eu estava junto com Percy na aula. Assim, que eu me sentei ao seu lado, Percy olhou em meus olhos por um tempo, examinando meus sentimentos e me abraçou carinhosamente.

- Você está bem? – ele perguntou.

Eu considerei assentir e dar uma de forte, mas Percy me conhecia bem de mais para se deixar enganar. Ele era o único que conseguia distinguir meus teatros de minhas ações verdadeiras. Neguei com a cabeça e contei como me sentia. O professor de mitologia tinha faltado, então conversamos o horário inteiro. Na hora do almoço, Annie e Thalia estavam sentadas na nossa mesa de costume, e me olhavam preocupadas e com pena. É claro que Thalia fez o favor de contar para Annabeth o que acontecera. Está certo que Annabeth era uma de minhas melhores amigas, mas eu não queria que mais uma pessoa ficasse com pena de mim ou viesse fazer mais perguntas. Leo ainda não estava na mesa. Passei direto pelas garotas e me sentei sozinha numa mesa relativamente distante, brincando com a comida à minha frente. Quando Percy e Leo chegaram, eles estavam conversando. Leo parecia agitado. Percy encerrou a conversa e sentou-se na cadeira, Leo veio em minha direção com sua bandeja de comida. Ele parou ao lado da minha mesa e me olhou, desviando o olhar quando eu o mirei, fria.

- Eu... Posso me sentar aqui? – ele perguntou, gesticulando para a cadeira em frente a minha.

- O país é livre – respondi.

Ele se sentou e nós ficamos ali, sem falar nada ou olhar um para o outro, brincando com a comida, por uns cinco minutos até que Leo se recostou na cadeira, olhando para a mesa de nossos amigos.

- Porque não está sentada com eles hoje? – ele perguntou.

- Não estou me sentindo muito bem, se me sentasse lá, ficaria mais irritada.

- O que você tem? Dor de cabeça?

- Também – falei, sem mentir – Não tive um dia muito bom.

Leo bufou sarcástico.

- Nem me fale em dias ruins – ele disse – O meu foi horrível. Acredita que a Samantha me beijou?

- Eu vi. – falei, usando um tom cortante – Deve ter sido o ponto alto do seu dia, não foi? Afinal, ela é a super popular loira, com olhos azuis, que todo mundo deseja, por que você não gostaria que ela te beijasse?

Percebi que estava tagarelando, então me calei, esperando pela resposta. Leo me olhava confuso.

— O quê? Foi isso que estragou meu dia, Jenny... – ele disse — Só por que ela tem olhos azuis, não quer dizer que eu a ache bonita. Só por que ela é loira e popular, não quer dizer que eu vá gostar dela. E depois... Prefiro as morenas. – ele finalizou, olhando para meus cabelos caídos sobre os ombros.

— Pensei que gostasse dela – falei – Foi o que pareceu quando ela te beijou.

Leo balançou a cabeça negativamente.

- Ela é superficial, gosta de chamar atenção e faz tudo pra isso – ele disse — Eu gosto de... Outra pessoa.

Nesse momento, um garoto que passava ao lado da mesa tropeçou, jogando bolo em cima de mim. Uma parte do bolo caiu na mesa, mas o resto foi para o meu rosto. E tinha de ser a parte da cobertura. O garoto pediu desculpas desesperadamente e eu disse que estava tudo bem. Ele pediu desculpas mais algumas vezes e se foi. Peguei um guardanapo e me dediquei à tentativa de limpar meu rosto até achar que tinha terminado.

- Espera, ainda tem bolo aqui – Leo falou, se inclinando em minha direção para limpar o chocolate de minha bochecha.

Ele desviou os olhos de minha bochecha para meus olhos e sua mão segurou meu rosto com mais firmeza. O clima era o mesmo de quando o incidente no sofá ocorreu. Ele se aproximou um pouco mais de mim. E então, o sinal de fim do almoço e começo da aula toca. Afastamos-nos e alguém puxou Leo da mesa.