Londres talvez fosse o lugar mais lindo do mundo. Ou pelo menos, a companhia fazia com que João tivesse essa impressão. Ele poderia estar no complexo do Alemão e achar tudo pitoresco, desde que Vicky estivesse agarrada ao seu braço e com aquele sorriso de orelha a orelha.

Look, Johnny... O Big Bang. É tão lindo.” Ela se derretia a cada cartão-postal, a cada casinha típica, a cada rua que andavam. Ele estava se embanando com o carro, não iria negar, mas nada preocupante.

“Tudo aqui é lindo para você, amor. Até um cachorrinho fazendo cocô.” Ele puxou as mãos entrelaçadas e beijou a dela por cima da luva de couro forrado. “Mas tem um lugar que você vai achar maravilhoso.”

“Qual?”

“A estação 9 ¾.” Assim que ele proferiu o nome, os olhos castanhos brilharam intensamente.

Havia sido exatamente como ele imaginou. Ela quicou e tremeu durante todo o caminho, agarrada à mão dele como uma criança ansiosa para seu primeiro dia de aula. Só de chegar à estação ela já começou a chorar, quando avistaram a dita plataforma.

“Eu sonhei com isso por anos, sempre pedi para o meu pai me trazer aqui.” Ela contou novamente o que já lhe dissera inúmeras vezes. O pai de Vicki era um homem brega e rico, porém terrivelmente ocupado e sem muito tempo para as filhas. Apesar de ter dito que pagaria a viagem da garota para Londres, o grande desejo dela era que fossem juntos, como uma família. “Sabe qual está sendo a melhor parte de tudo isso, Johnny?”

“O que, amor?”

“Eu sempre quis vir aqui com a minha família, mas meu pai nunca teve tempo para isso. E agora eu estou realizando meu desejo... Eu estou em um dos lugares que mais sonhei na vida, com a minha nova família.” Ela o encarou com os olhos rasos d’água, recebendo um sorriso lindo do namorado.

“Acho que essa foi a declaração mais bonita e simples que você já me fez, Victória... Mas foi a melhor, saiba disso.” Ele a envolveu pela cintura, selando seus lábios em um beijo suave. “Eu tenho um presente para você.”

“O quê?”

“Espere e verá.”

Quando chegou a vez deles irem tirar a foto no carrinho, João entregou um papel ao funcionário que cuidava do local. Ele já havia combinado tudo antes por e-mail, para que nada saísse errado.

“Para você.” Ele estendeu o exemplar de ‘O Enigma do Príncipe’.

“Mas eu já tenho esse livro.” Ela riu.

“Não igual a esse.” O rapaz garantiu, enquanto ela abria o exemplar e arregalava os olhos. “Antes que você me mate por cortar o livro, eu quero que você me ouça.”

Ele se ajoelhou depressa, sendo seguidos pelos olhos da morena, ainda arregalados pela surpresa do anel maravilhoso no interior. Os espectadores começaram a assoviar e soltar gritinhos, e João precisou respirar fundo para vencer a vergonha.

“Eu nunca fui bom com garotas, ou com pessoas, de maneira geral. Mesmo quando nos reencontramos, eu ainda era um tanto deslocado e desajeitado, mas com você eu não tinha medo; medo de ser quem eu era ou de dizer o que eu queria, por mais idiota e sem noção que fosse. Eu te amo muito, Victória, e fico tão feliz de saber que você também me ama e que agora nós somos uma família... Ou quase isso. Falta apenas um único detalhe, um tanto formal. Vicki Vigarista, amor da minha vida... Você aceita se casar comigo?”

“Sim...” Demorou alguns segundos para que o sussurro escapasse dos lábios dela, nos quais o rapaz mal conseguia respirar de tão ansioso. “Eu aceito me casar com você, meu amor.”

Ele deu um pulo e puxou o livro da mão dela de maneira afoita, fazendo a noiva rir enquanto os presentes aplaudiam com entusiasmo. Ele puxou o anel do laço que havia feito, derrubando o livro no chão e pegando a mão dela, tremendo ao tentar colocar a peça no dedo dela.

“Calma, Johnny.” Ela ria em meio as lágrimas, assim como ele. Ele ergueu os olhos para ela, se aproximando. “Eu te amo, seu bobo.”

“E eu você, sua vigarista.” Ele sussurrou antes de selar os lábios de ambos embaixo de uma chuva de palmas.

~B&J~

“Ela aceitou? Ah, meu amor... Parabéns.” Dandara não escondia a emoção ao telefone, observada pela família toda.

“Johnny está amarrado.” Comemorou Pedro, erguendo a cunhadinha do chão e a rodando.

“O que é amaado, Pedinho?” A pequena tinha dificuldades com o R.

“Quer dizer que o João vai casar com a Vicki, que nem o papai e a mamãe, a Bibi e o Duca... E logo, logo, o Pedrinho e a Karina também.” Explicou a irmã lutadora, pegando a irmãzinha do colo do noivo.

“E eu?”

“Você só vai pensar em se casar daqui uns cinquenta anos, ouviu o papai?” Perguntou Gael, aparecendo na porta da cozinha. “Até lá, brinque de bonecas com as suas irmãs.”

“Gente, mandem um tchau geral antes de eu desligar.” Pediu Dandara, virando o telefone para os demais.

“Parabéns, garoto.” Gritou o padrasto, voltando para a cozinha.

“Parabéns, bro... Agora vê se toma jeito.” Riu Pedro, se largando no sofá.

“É niveisaio do Joãozinho?” Perguntou Renata, fazendo todos rirem.

“Tchau, meu filho... Divirtam-se aí e cuidado, ouviu?” A professora desligou o telefone, secando os olhos discretamente. “Com licença, gente.”

Ela deixou a sala rumo ao banheiro, cruzando com Bianca, que ficou confusa.

“Por que ela está chorando?”

“O João acabou de ligar e dizer que a Vicki aceitou o pedido de casamento... A tia Dandara não está conseguindo controlar a emoção.” Explicou Pedro, risonho. “E enquanto isso, a Renatinha está tentando entender porque demos parabéns para o João sem ser aniversário dele.”

“Ah... Então eles estão noivos mesmo? Uau, quem diria.” A atriz sentou no sofá, começando a mexer no celular.

“Com ciúmes, irmã?” Brincou Karina, recebendo uma fuzilada.

“Só surpresa que aquela brincadeira deu certo... E irritada com a falta de notícias do Duca.” Ela bufou, vendo que não haviam novas mensagens.

“Deixa o menino curtir a viagem dele, Bianca.” Repreendeu Gael, voltando para a sala. “E vamos comer que a janta está pronta. Terminem de pôr a mesa enquanto eu tento trazer a Dandara de volta.”

~J&B~

Depois de uma noite de comemorações no hotel, resolveram sair cedo no dia seguinte. Pegaram o carro e resolveram dirigir sem rumo, de preferência fora de Londres, em busca de alguma área desabitada e com bastante neve; os dois estavam loucos para fazer um boneco e anjos.

Foi preciso dirigir várias horas e eles não faziam ideia de aonde haviam ido parar. Mas fizeram os ditos anjos e bonecos de neve, tiraram um milhão de fotos e postaram diversas no Facebook e Instagram, esfregando sua felicidade para o mundo inteiro ver se assim quisesse.

Já começava a escurecer quando resolveram voltar para Londres, sabendo que o percurso demoraria um longo tempo. Haviam se alimentado de bolachas e salgadinhos durante todo o dia, e suas barrigas roncavam absurdamente.

“Eu estou exausta.” Comentou Vicki, coçando os olhos. “Dormimos tarde noite passada, não é, senhor Johnny?”

“Você gostou da comemoração que eu sei.” Ele riu, pegando a mão dela e beijando com carinho. “Pode dormir, amor... Eu te acordo quando achar algum lugar para comermos.”

“Mas você não está com sono?”

“Eu passei metade da vida dormindo três horas por noite para jogar videogame, lembra? Eu aguento.” Ela riu e concordou, se acomodando no banco e adormecendo depressa.

Mas ele estava sim com sono, e era preciso muito esforço para permanecer de olhos abertos. Comeu algumas bolachas e abriu um pouco a janela, para que o ar frio o ajudasse a ficar desperto. Se encontrasse uma pousada, pararia sem hesitar.

Uma tempestade de neve chegou para provar que sua ideia estava correta. Se desesperou um pouco, mas decidiu não acordar a noiva e deixá-la preocupada. A adrenalina ativou seu cérebro e seu foco ficou redobrado.

Mas, infelizmente, ele ainda não estava acostumado à mão inglesa. Dirigir na esquerda ainda lhe escapava às vezes e ele acabava tendendo o carro para a direita. E esse foi um daqueles momentos.

O farol mal conseguia iluminar um metro à frente, o limpador de para-brisas quase voava de tão rápido que funcionava, mas nada disso adiantou. Só percebeu o caminhão quando ouviu a buzina e viu o farol. Por reflexo, jogou o carro mais para a direita ainda, buscando o acostamento.

Sentiu o impacto e o ouviu o vidro e metal estilhaçando. Bateu a cabeça com força e percebeu os sentidos se esvaindo. Tentou agarrar Vicki com a mão, mas não conseguiu encontrá-la ao seu lado.

A última coisa que conseguiu pensar antes de a escuridão chegar, era que queria morrer se ela não estivesse mais ali.

Notas finais
PUTA QUE PARIU, QUE MALDADE A MINHA. To me sentindo uma vilã, me deixem. Não pretendia matar a Vicki tão rápido, mas simplesmente foi. ADEUS VICKI VIGARISTA, OBRIGADA PELA PARTICIPAÇÃO. Ai Giovana, e agora? O que vai aconteceu com o Johnny? E como a Bianca vai reagir a isso? E será que o Duca está bem? O NEGÓCIO TÁ PEGANDO FOGO NO COMEÇO AINDA, PORQUE EU GOSTO ASSIM. Comentem, ok? See you ;*