So Whos Gonna Watch You Die?

1 One-shot - So whos gonna watch you die?


Notas iniciais
É minha primeira one-shot, espero que gostem.

Eu estava sempre ali, ao seu lado. O amando e acima de tudo o apoiando. Gerard trabalhava como redator em uma famosa revista de NY, o que fazia com que ele me esquecesse algumas vezes, dando prioridade total ao trabalho. Por mais que eu deixasse coisas importantes de lado e tentasse chamar sua atenção, ele permanecia daquela forma, agindo como se eu não existisse — ou pior, como se fosse uma espécie de garantia para ele. À noite, eu estaria na cama ao seu lado, fazíamos sexo e dormíamos abraçados. Mas era apenas isso, bem cedo, no dia seguinte, ele saía sem mesmo que eu escutasse seus passos pela casa. E então eu resolvi dizer o quanto aquilo me incomodava, já não podia mais aguentar tudo aquilo. Eu amava Gerard, mas ele estava cada vez mais distante. Se eu iria perdê-lo, preferia que fosse de uma só vez do que lentamente, como estava acontecendo.

- Gerard... Nós precisamos conversar. - Ele sorriu, deixando a mostra às pontas afiadas de seus dentes pequenos, aquele sorriso me matava, mesmo assim não perdi o rumo de nossa conversa.

- Diga, pequeno.

- Você está se distanciando de mim, e isso dói. Você sabe o quanto eu te amo e quero estar ao seu lado. Se tiver algo acontecendo, é melhor me dizer de uma vez. - Ele desviou os olhares para o chão, sem dúvidas algo estava acontecendo.

- Não... Tem nada acontecendo, Frankie. — Algo em suas palavras não me convenceu, e eu perguntei novamente.

- Gerard, o que é? — Ele ergueu novamente o rosto, seus olhos lacrimejavam, o que me assustou bastante. Pôs sua mão direita sobre a minha, entrelaçou nossos dedos e pressionou nossos dedos entrelaçando-os com força.

- Eu... — Ele hesitou em me dizer, como se estivesse preocupado com minha reação. Será que Gerard havia me traído? Não me amava mais? Mil coisas me passaram em mente, até que ele completou a frase. — Estou morrendo. - Eu não pude acreditar nas palavras que ele havia acabado de dizer, entreabri meus lábios, fazendo menção em dizer algo, mas as palavras me faltaram naquele instante e ele voltou a falar. — O cigarro acabou comigo, Frankie. Estou com câncer... O maldito se espalhou pelos meus pulmões, e eu... Não pretendo me tratar. — Suas últimas palavras pareciam me cortar por dentro.

- C-como assim não pretende se tratar, Gerard? Você está louco?! — Enquanto ele olhava em meus olhos, lágrimas começaram a rolar por seu rosto, o que não demorou muito para acontecer comigo.

- Eu não quero que você me veja morrer aos poucos. Mas, se isso vai acontecer, não quero que seja em uma maldita cama de Hospital. - Eu não sabia o que dizer, não podia perdê-lo, não assim. Ele aproximou seus lábios dos meus e os selou demoradamente, os aproximando de um de meus ouvidos e sussurrando contra o mesmo. — Me desculpe... Me desculpe... Eu te amo.

As semanas seguintes àquilo pareceram se arrastar. Ele saiu da revista onde trabalhava com sucesso, parecia estar decidido a morrer. Aquilo acabava comigo, mas de alguma forma eu o entendia... As chances, segundo aos médicos, dele sobreviver eram mínimas e os tratamentos agressivos demais. Gerard esteve ao meu lado por mais seis meses, o vi enfraquecer aos poucos, mas agimos como se aquilo não estivesse acontecendo... Como se fossem apenas férias. Aproveitamos cada segundo do tempo que tivemos juntos. Eu queria mais... Muito mais. Mas não pudemos evitar, no sexto mês ele estava em uma maca de Hospital, respirando através de tubos e quase incapaz de falar. Sentado ao seu lado, eu segurava uma de suas mãos, era cruel... Como esperar a morte chegar, para a pessoa que você mais ama.

- Frankie... — Sua voz fraca e falhada chamava por mim, me aproximei um pouco mais. — Obrigado. — Toquei sua testa delicadamente com meus lábios antes de sussurrar.

- Descanse, meu amor. - Ele sorriu e encarou meus olhos fixamente, voltando a falar.

- V...ou d-escansar, sim. E-eu... Te... Amo. — Sorri com o canto de meus lábios, e esperando que ele dormisse encarei seus olhos... Mas eles não se fecharam. Foram perdendo seu brilho aos poucos e só entendi o que havia realmente acontecido quando um dos aparelhos ao meu redor começou a apitar de uma forma aguda e contínua... Enfermeiros e médicos entraram as pressas no quarto, fazendo com que eu saísse. Os observei pelo vidro que ficava de frente para o quarto, apoiei uma das mãos sobre o mesmo e esperei que eles pudessem reanimá-lo, mas eles não puderam, e em questão de minutos o médico registrava a hora da morte. Minha respiração parou por segundos e me sentei naquele corredor frio, abraçando meus joelhos e lágrimas deslizavam por meu rosto. Lágrimas, por um lado, de alívio. O sofrimento de Gerard havia... Acabado. E lágrimas de dor, pois o meu sofrimento estava apenas começando.

\"But I\'m thinking of what Sarah said
That love is watching someone die.\"

What Sarah Said — Death Cab For Cutie.

Notas finais
Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!