So Heres Your Holiday
25 Capítulo 25
Notas iniciais
O pior clima do mundo é o de depois que você fala pra sua mãe que é gay e leva seu namorado pra morar junto. Nunca duvide disso.
No carro com os fones de ouvido no máximo, mas dava pra ver que minha mãe estava reclamando pelas minhas caveirinhas desenhadas no casaco, e também pela calça rasgada nos joelhos.
Assim que chegamos lá eu já estava bolando planos malignos para sacanear de alguma forma alguma parte do culto, ou seja lá que merda eles fazem na igreja.
-Amém irmãos. –Um cara de terno disse, quase em um grito.
-AMÉM SENHOR JESUS ESTÁ AQUI PRESENTE ENTRE NÓS POSSO SENTIR. –Eu gritei, minha mãe deu um tapa na minha cabeça.
-Glória a Deus irmão. É muito bom ver jovens da sua idade tão ligados em Deus. –Ele respondeu.
Dei um sorrisinho, que pra mim foi debochado mas parecia orgulho. –Amém.
Começaram a falar e eu dormi.
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-Gerard acorda... –Minha mãe disse enquanto cutucava meu ombro.
-Que foi? Me deixa dormir. –Eu disse fechando os olhos novamente.
-Não quer ir pra casa? –Ela disse.
Levantei. –Agora.
Sentei no banco do carro e liguei a música de novo. Minha mãe estava falando com umas pessoas com cara de retardados.
-Finalmente! –Eu disse quando ela entrou no carro.
-Não sei você, mas eu gosto de conversar com pessoas diferentes as vezes
-Não sei você, odeio pessoas.
-Eu não discuto mais com você.
Ficamos em silencio por mais algum tempo.
-Meu pai volta que horas?
-Acho que lá pelas quatro da tarde. –Ela disse.
-Jessica nessa hora vai lá em casa.
-Okay. Se você fosse homem eu ficaria feliz com isso.
-Continuo sendo homem só que gosto de outro homem.
-Pra mim isso não é homem.
-Se essa é sua opinião. Não vou discutir com você. Já que você acha assim, então agora eu sou mulher.
Minha mãe não disse mais nada.
Assim que chegamos, fui correndo pro quarto. Frank ainda estava dormindo. Só que ele estava sem blusa. Hm.
Tirei o casaco e me deitei em cima dele. Comecei a beijar o pescoço dele.
-..hm? G-Gerard? Para com isso. –Ele disse, e depois deu uma risadinha. Como se meus beijos deixassem ele com arrepios.
-Por que? –Eu disse, e o encarei sorrindo.
Ele não disse nada. Só ficou me encarando, também sorrindo, daquele jeito infantil.
-Bom dia. –Eu disse, dei um beijo na bochecha dele e levantei.
Liguei o computador e Frank sentou na cama.
-Sabe quem vai vir nos visitar hoje? –Eu disse. Melhor contar, vai que ele fica revoltado quando ver a menina.
-Não. –Ele disse, sem se importar.
-Jessica.
-Aquela vadia?
-Essa mesmo.
-Porra Gerard! O que essa puta quer aqui? Se ela ficar te paquerando vou dar uma porrada nela. –Ele disse, dava pra ver que estava muito puto.
-Relaxa meu amor, quando ela chegar você vai estar comigo, qualquer coisa é só eu te dar uns pegas. –Eu disse e Frank riu.
-Quem pega aqui sou eu mano. Tá ligado? –Ele disse.
-Sem vacilo irmão. Tu tem meio metro de altura. Pego mais mulher que tu! –Eu respondi.
Nos encaramos e rimos.
-Seu favelado. –Eu disse.
-Vem cá que eu mostro do que as novinha gosta. –Ele continou falando como favelado.
Dei um pulo da cadeira do computador pra cima do Frank, caímos pra trás. E eu apoiei o rosto no peito de Frank pra rir. Quando paramos de rir, inclinei a cabeça e eu e Frank começamos a nos beijar.
-Se vai começar a sacanagem pelo menos fechem a porta, porra! –Mikey gritou da porta.
Não parei de beijar Frank, pelo menos tentei. –Mikey se fode, sai daqui ! –Voltando aos beijos em 3,2,1...
-Então fechem a porta! Ninguém é obrigado a ver pornô gay! Acabei de chegar, fui levar Ray em casa e me deparo com isso, sério, não quero passar por isso toda vez que eu for passar pelo corredor pra ir pro meu quarto. –Mikey disse e fechou a porta.
Frank começou a rir.
-Sua mãe deve me odiar mais ainda com o Mikey gritando desse jeito.
-Aquela velha surda não escuta nada não. Relaxa. –Eu disse beijando o pescoço dele.
-Para com isso. Tá muito cedo. Tem gente em casa. E não é uma boa hora.
-Sério? Ah Frank, você está virando um velho. –Eu disse levantando de cima dele, voltando pra cadeira e digitando a senha do meu computador.
-Velho nada. –Ele disse, depois bocejou. –Acho que vou dormir mais um pouco.
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-Gerard e Mikey, estou indo buscar o pai de vocês agora, daqui a umas duas horas eu estou de volta, juízo ! – Ela disse, pegou um casaco e foi embora.
Já eram mais ou menos Quatro e meia e eu estava jogando vídeo game com Frank, e Mikey estava conversando com alguém no telefone.
A campainha tocou e todos já sabiam quem era, então eu fui obrigado a ir atender.
-Gerard! –Jessica disse me abraçando.
-Jess... –Eu disse, dava pra ver que não estava muito “animado”
Ela me soltou. –Como foi lá em Vegas?
-Ótimo, e como estão sendo suas férias?
-Tediantes. –Ela disse.
-Entra ai. –Eu disse e abri mais a porta, Jessica entrou e logo Frank lançou um olhar amedrontador pra ela.
-Oi... Quem é você? Estuda na nossa escola? Nossa nunca te vi por lá... – Ela disse pra Frank.
-Frank Iero, não estudo lá. –Curto e grosso, Me come Frank Iero.
-Hm... Então... oi! –Ela disse. –Mikey, não te vi ai, como você tá criança?
-Oi Jessica, estou bem e você? –Ele disse.
-Bem... Mas enfim, não vim aqui só fazer uma visitinha, vim pedir uma coisa muito importante pra você Gerard. Muito mesmo. Só vai existir alegria se você concordar comigo. –Eita porra.
-O que foi? –Eu disse, tentando disfarçar que estava com medo de Frank dar um tiro na cabeça dela.
-Conhece a Amanda né? –Ela disse.
-Uma que fica no recreio com você? Baixinha de cabelo vermelho? –A única Amanda que eu conhecia daquela escola ela era. Por que eu meio que tinha uma leve obsessão por saber quem andava com Jéssica, o que ela fazia no tempo livre, e se alguém falasse um “oi” pra ela na rua eu já pesquisava a ficha criminal da pessoa. Que vergonha desse tempo de hétero.
Ela arregalou os olhos. -É, ela mesmo. – fez uma pausa e depois continuou. –Os pais dela vão viajar dia 23 de dezembro e só voltam acho que dia 10 de Janeiro... Algo em janeiro. E ela vai dar uma festa de fim de ano e convidou quase todo mundo da turma. E acho que também vai gente que não é da nossa sala. Mas enfim, ela sabe que eu sou amiga de vocês e mandou chamar. Vocês vão, né? –Ela disse me olhando com uma cara de quem diz “Você nem quase vê a luz do Sol, então te obrigo a ir por indireta.”
-Não sei, Jéssica, não conheço ninguém lá, vão me chamar de emo-nerd e provavelmente vou ficar no canto vendo as pessoas vomitarem. –Pelo menos na única vez que eu fui em festas de populares da escola foi assim.
-Gerard, para com essa neura! Você é foda, sabe conversar, é muito engraçado, é lindo pra cacete, e ainda é rebelde, que pessoa não vai querer estar com você? Você se auto intitula anti-social e as pessoas começam a achar que você não quer falar com elas, e se você fica com cara de cu no canto, é claro que ninguém vai falar com você. Eu lembro que a gente começou a se falar na quarta série, por que eu pedi emprestado um apontador. Se não quem sabe eu nem estaria falando com você hoje em dia. -Ela disse, séria. Frank já estava me dando medo, parecia que ele ia atacar a Jéssica.
-Não. Foda e engraçado eu sei que eu sou. Mas as pessoas não falam comigo por que elas me odeiam por que dizem que sou um “emo nerd” e isso é babaquice deles.
-Você vive de preto e com uma cara de quem não dorme e vive a base de café pra ficar acordado e ama vídeo games e livros. Quer que eles te chamem de muleque zica das favela?
Eu comecei a rir, mas depois que olhei pra Frank sério sentado no sofá, parei na hora.
Fechei os olhos –Tudo bem Jéssica, nós vamos. Mas vai eu Mikey, Frank e Ray certo?
-Eu já suspeitava de que Ray, você e Mikey fossem juntos, pelo jeito Frank é o quarto elemento ? –Ela disse olhando pra ele com um sorriso tímido.
Ri do falso sorriso que Frank tentava demonstrar.
-Só isso ou tem mais algo? –Eu disse.
-Tem sim. –Ela disse e depois se jogou em cima de mim em um abraço muito apertado. Cacete. Frank vai cortar a cabeça dela fora. –Senti muita saudades de você Ge, muita mesma! Lembra que eu falei que tinha que te contar uma coisa que eu descobri ? Então, eu achava que isso de melhor amigo não existia, mas eu estava com tanta saudade de você. Gerard você é meu melhor amigo. –Ela disse, e eu estava assustado com ela me abraçando daquela maneira do nada, e Frank ficou movimentando a boca e pelo que eu entendi ele falou “Larga essa vadia, antes que eu quebre as pernas dela e as suas também, porra!” ou alguma coisa assim.
-Oh Jessica... Você também é minha melhor amiga... –Eu disse retribuindo o abraço, tentando mostrar afeto, só que não estava dando certo.
-Eu te amo seu viadinho filho da puta! –Ela disse me largando do abraço e dando um soco no meu braço.
-Vadia! Vai caçar uma rola e me deixa em paz. –Eu disse pra ela e rimos. Frank estava ficando vermelho. Meu Deus.
-Então... É só isso. Tenho que ir antes das seis se não o idiota do meu irmão fala pros meus pais que eu to aqui. –Ela disse, revirando os olhos. E o irmão dela tá certo. Porra deixar a irmã vir na casa de um garoto quando só tá ele, o irmão e ela? Eu até incluiria o Frank, mas acho que o irmão dele não o conhece.
-Okay, te levo até lá fora. –Eu disse me levantando do sofá junto com ela.
-Então... Tchau Frank, você é bem quietinho, mas achei você legal. –Ela disse sorrindo.
-Tchau Jéssica. –Ele disse.
-Então é isso Gerard, vou indo. Mas a gente se ve dia 25 na casa da Amanda, ok?
-Não sei aonde fica.
-Porra garoto, você não existe. Quando der oito e meia eu venho aqui e levo todos vocês até lá.
-Ok, tchau Jess.
-Tchau Ge. –Ela disse me abraçando e depois indo em direção a esquina.
Eu já fui caminhando até a porta da casa pensando em como Frank estaria puto comigo.
Cheguei e ele estava olhando pro nada com uma cara de sério.
-Frank...? –Eu disse, será que entrou em transe como minha mãe?
-Vai lá com sua melhor amiga, ela é muito importante na sua vida não é? Então vai la com ela. Aproveita e mora com ela também, duvido que ela saísse da porra de lugar aonde ela morava só pra vir morar com um cara e ele te deixar magoado com a menina que ele gostava falando que ama ela e vai se foder seu viadinho filho da puta. –Ele foi falando cada vez mais alto e rápido.
-Calma meu amor, meu anjo. Você acha mesmo que ela é mais importante na minha vida do que você? Você ainda duvida que eu te ame mais do que até a mim mesmo? Porra, eu fui contra minha mãe por você, e mais tarde irei contra meu pai, mesmo que você continue chateado comigo, só por que eu te amo. Te ver triste não me faz bem, eu te amo, para com isso meu amor. –Como ele estava sentado no sofá, fiquei ajoelhado na frente dele.
Frank não parecia mais bravo. –Gerard... –Ele disse e foi levando seu rosto pra perto do meu.
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Eu e Mikey reconhecemos o barulho do carro da minha mãe.
-Chegou. Mais uma briga, muito legal ter que contar pros pais que é viado.
-Eu vou pro meu quarto, não vou ver outra briga de vocês. Frank você vem também ou vai encarar com o Gerard? –Mikey disse.
-Vai com você. Subam. Daqui apouco eu estou lá também.
-Boa sorte. –Frank disse e foi com Mikey pro quarto.
Fiquei pensando em como contar pro meu pai. Mesmo não suportando ele direito, ainda é mais difícil do que contar pra minha mãe.
-Chegamos! — Minha mãe disse e deu uma leve olhada por toda a sala.
Eu só dei uma olhada em meu pai segurando uma mala preta e depois levantei e fui em direção a escada. Quero ficar perto de Frank, depois conto pro meu pai.
-Gerard... –Minha mãe disse assim que apoiei o pé no primeiro degrau.
-O que foi, mãe? –Eu disse, mas claro que eu sabia.
-Não tem nada a dizer ao seu pai não? –Eu revirei os olhos cheguei perto dele.
-Pai... Olha, seu filho... ele... –Eu não sabia como falar...
-O que foi filho? –Ele disse, mesmo quase nunca falando com ele, ele sempre parece calmo.
-Pai eu sou gay. –Eu disse.
-Você é o que?
-Gay pai, eu sou gay, gosto de meninos, quer dizer, de um menino, e não só gosto, amo ele demais, e é agora que você começa a gritar comigo. –Eu disse e fechei os olhos.
-Filho... Por que eu gritaria com você? –Ele falou com calma e QUE PORRA É ESSA PAPAI?!
-...
-Filho, é a sua escolha, se você descobriu isso, e decidiu não se importar com o que os outros pensam e ser feliz, eu te parabenizo, você é meu filho, e eu sempre vou te amar. –Chupa essa mamãe.
-...Pai...Obrigada...
-E então... Você me disse que tem alguém, quando vamos conhecer? –ele estava sorrindo. Puta merda quem é esse clone muito foda que eu estou amando do meu pai que eu odeio?
-Pode ser agora. –Eu disse e sorri meio tímido.
-Mas amor, nosso filho... –Minha mãe se meteu.
-Mãe... Não estraga. –Eu disse e ela se calou, olhou pra baixo e saiu da sala.
Meu pai ficou em silencio, e eu estava sem graça.
-Agora? –Ele disse. –Não está muito tarde pra ele sair da casa dele e vir aqui? –Bobinho esse meu pai...
-FRAAAAAAAAAAAAAAAAAAANK! –Eu gritei com tanta força que minha voz ficou rouca.
Meu pai ficou me encarando confuso por uns vinte segundos. Logo Frank estava na escada, parecendo um bichinho com medo.
-O-oi... –Ele sussurrou, só sei que ele disse por que vi seus lábios se mexendo.
Meu pai sorriu... ?!
-É ele? –Meu pai disse.
-É. Frank vem aqui pra conhecer meu pai. –Eu disse e Frank desceu as escadas. Ele estava rosado de vergonha.
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