So Heres Your Holiday
18 Capítulo 18
Notas iniciais
“Vou chamar Ray pra conversar, agora mesmo.”
Ray estava pondo o celular no bolso e parecia que ainda não tinha visto minha cara de dúvida.
Me aproximei dele e disse bem baixo. –Sabe que ainda temos que conversar né? –Eu disse muito baixo, Mikey e Frank estavam sentados no sofá e eu não quero que eles escutem nada.
-Agora? Não pode ser mais tarde não? –Ray disse, como se não quisesse me contar.
-Agora. –Eu disse e fui em direção ao meu quarto. Ray foi depois de mim.
Chegamos no quarto, fechei a porta.
-Pode começar. –Eu disse e me joguei para trás. Cai sentado na cama.
Ray se sentou do meu lado e deu um suspiro, logo depois fechou os olhos.
-Seu irmão me beijou... –Ele disse e abriu os olhos para ver minha reação.
CARALHO, EU SABIA QUE ELES TINHAM PELO MENOS SE BEIJADO! EU SABIA! MANO SOU MUITO FODA! EU SABIA! EU JÁ SABIA! EU ESTAVA CERTO!
-E... –Eu disse, querendo saber mais POR QUE EU ESTOU CERTO E MUITO CONTENTE POR SABER QUE ACONTECEU ALGUMA COISA. MAS NÃO POSSO DEMONSTRAR ESSA FELICIDADE POR QUE EU TENHO QUE PARECER PREOCUPADO E INTERESSADO NISSO!
-Não foi um beijo, foi só... Um selinho, ai eu perguntei pra ele se ele tinha bebido e ele falou que sim. Depois disso não aconteceu mais nada. Dessa vez eu vou ignorar e fingir que não aconteceu, mas se ele tentar de novo, vamos ter que conversar, primeiro por que eu sou hétero, e segundo que eu estou gostando de Mel. –Ele disse, tentando se explicar.
-Mikey bebendo? Ele só bebe em festas. Quando bebe é por que ele sabe que ele não vai arranjar confusão com nossos pais, por isso ele fica bêbado nas festas que nós vamos aqui, quando fica. Isso está estranho. –Dei uma pausa e depois continuei. –Hétero? Tem certeza? Parece muito preocupado pra ter certeza disso. Gostar da Mel eu acredito, mas tenta primeiro saber se você pode ser... –Não continuei, Ray entendeu, e acho que se eu falasse “gay” ou até “bi” ele poderia se assustar.
-Eu sei que Mikey nunca bebe quando está em casa, mas... Sei lá. Será Gerard? Será que eu sou gay mesmo? Será que... Ah eu não sei. Merda. –Ele disse, e parecia estar meio decepcionado.
-Calma Ray, isso você descobre com o tempo. Sai com Mel, deixa Mikey e Priscila saírem também. Se você se sentir incomodado ou sei lá, você... –Não sabia como falar pra Ray, na minha cabeça só vieram às palavras “come meu irmão” e não acho que essas palavras seriam boas pro momento. Mas acho que Ray entendeu.
-Mas Gerard, eu não sei se “gosto” do seu irmão. –Ele disse, com uma voz mais calma.
-Então arranja uma forma de saber, sei lá.
-Acho que isso é tudo Gerard, agora eu tenho que resolver com Mikey. –Ele disse, se levantando.
-Vem cá meu viadinho, me dá um abraço. –Eu disse dei um sorriso e estendi os braços.
-Não sou eu quem tem que falar isso? –Ele disse me abraçando.
-Eu também posso. Viadinho. –Eu disse e fiquei balançando a cabeça fazendo bico de piranha.
-Ah tá desculpa, sou eu quem tenho marido. –Ele disse dando um sorriso debochado.
-Um marido muito gostoso e só meu. Brevemente você terá um namoradinho também, fica com inveja não. –Eu disse e Ray tentou prender o riso, mas não conseguiu.
-Vai se foder, filho da puta. –Ele disse, mas nós dois riamos.
-Ah é? –Eu disse, eu e ele estávamos em pé, eu pulei em cima dele e caímos em cima da cama, e começamos a brigar, de brincadeira, mas os socos e puxões de cabelo eram de verdade. Estávamos rindo e nos socando.
Alguém abriu a porta.
-EITA PORRA, QUE ISSO? –Era Frank, ele se assustou, qualquer um se assustaria: Eu estava em cima de Ray, e ele estava com uma mão na gola da minha blusa, e eu com uma mão preparada para dar um soco nele. Eu e Ray congelamos e ficamos encarando Frank.
-DECIDIRAM SE PEGAR AGORA É? RAY NÃO SABIA DESSE SEU LADO. –Frank disse, ele sabia que não estávamos fazendo nada de mais, até pela minha mão pronta para dar um soco em Ray.
-Não meu amor, nós estávamos brigando, ele falou que eu sou viado! –Eu disse, saindo de cima de Ray e indo pra perto de Frank. –Ai eu joguei ele na cama e começamos a brigar.
-E você é machão né? –Frank cruzou os braços e ficou me olhando com ironia. E Depois continuou –E você acha mesmo que jogar um cara na cama e subir em cima dele é o melhor jeito de provar que não é gay? Como você é viado Gerard. –Ele disse e eu comecei a rir.
Ray levantou. –Frank, toma conta desse viado ai. Jogando os colegas na cama, sei não hein. –Ele disse.
-Vai tomar no cu Ray, vou chamar seu namorado pra te dar um jeito. –Eu disse e ele ficou sério.
-Que namorado geeeente? Que babado é esse que eu to perdendo? –Frank disse como uma bicha.
-Um cara ai que eu fico sacaneando Ray. –Eu disse e ele ficou me olhando sério.
-Um viado que deu em cima de mim no meio desse ano, ai esse filho da puta fica me zoando até hoje. –Ele disse, mas acho que Frank já sabe quem é o “namorado” de Ray.
-Okay... –Frank disse e depois fomos todos juntos para a sala, Mikey estava sentado no sofá, conversando com alguém no celular.
-... Acabou de chegar, quer falar com ele? –Mikey disse para a pessoa com quem conversava. –Gerard, tua mãe quer falar com você. –Ele disse e me passou seu celular.
Minha mãe? Ah fodeu, eu falei pra ela que iria ligar todos os dias e já tá quase acabando a viajem e eu ainda não liguei pra ela nem uma vez.
-Oi mãe. –Eu disse, como se nada tivesse acontecido.
-Oi mãe? Alguém não cumpriu sua promessa. O que eu faço com esse alguém? –Ela disse, como se eu tivesse sete anos.
-Desculpa, é que a gente sai bastante, aproveitando a viajem e tudo... Desculpa. –Eu disse, mas estava com vontade de dizer “NÃO MÃE, NÃO TE LIGUEI POR QUE EU ESTAVA TRANSANDO LOUCAMENTE COM MEU MARIDO EM TODAS ESSAS NOITES.” Mas eu quero viver mais um pouco.
-Okay, e ai filho anda pegando muitas gatinhas? –Ela disse, tentando parecer... Adolescente, não deu certo.
-Opa, todo dia. –Eu disse, não vou contar nada para ela até chegarmos em casa.
-Estou morrendo de saudades, espero que volte logo, eu te amo filho, tchau. –Ela disse.
-Tchau mãe. –Eu não estava com saudades dela.
Desliguei o celular, e o entreguei a Mikey.
-Por que motivos vocês estavam gritando na porta do quarto? –Mikey disse, olhando para Frank.
-Por que Ray estava deitado na cama e Gerard em cima dele, bem gay. –Frank respondeu e Mikey fez uma cara de “E você não fez nada?” e Frank continuou –Mas eles estavam brigando, Gerard estava com uma mão pronta pra socar Ray, e Ray estava segurando na gola da blusa de Gerard como se fosse o jogar longe. –Ele terminou e Mikey o olhou com uma cara de “Okay então...”
-Por que vocês estavam brigando? –Mikey perguntou agora pra mim.
-Por que Ray falou que eu sou viado. –Eu disse.
-E você é homem pra caralho né? –Ele disse, e Frank riu.
-Claro que sim. –Eu disse e me sentei do lado de Mikey, Frank e Ray estavam rindo de alguma coisa.
Passou alguns minutos até dar o comercial do programa que Mikey estava assistindo.
-Mikey, lembra que o compasso falou que você ia deixar de ser forever alone? Então, anota o telefone de Priscila, eu peguei pra você.
-Sério? Porra valeu mano, me deixa pegar meu celular.
Ray passou a merda do número de Priscila para Mikey e eles ficaram comentando um bom tempo sobre ela e Mel.
-Sobre Mel eu aguento ouvir falar, mas sobre a outra piranha não. –Eu disse e revirei os olhos.
-Ela não é piranha. –Mikey defendia Priscila. NÃO MIKEY CLARO QUE NÃO.
-Você a enrolou e a comeu em menos de uma hora. –Eu disse, pra deixar Mikey com vergonha.
-Não sai da boate já indo comê-la. A gente só tinha se beijado antes de sair de lá, e nós fomos primeiro a um bar, pra conversar e tal... Ai depois eu comi ela. –Ele disse, e parecia estar orgulhoso disso.
-Piranha do mesmo jeito. –Eu disse e voltei a prestar atenção na TV.
-Oi? Priscila, sou eu Mikey e ai tudo bem? –Mikey ligou pra ela na mesma hora, ficaram conversando sobre mil coisas e marcaram de sair com Ray e Mel amanhã. Já vi que isso pode acabar em casaizinhos héteros... Ou não...
Eles marcaram de ir a um restaurante, acho que japonês.
Depois de umas horas em silêncio, (como não tínhamos assunto, lugar, ou qualquer outra merda para fazer, sempre que ficávamos em casa, estávamos vendo televisão.) eu queria ficar do lado de Frank.
-Ray, troca de lugar comigo. –Eu disse e Ray ficou me olhando tipo “tá querendo que eu sente do lado do Mikey é?” mas eu estava pouco me fudendo.
-Por que? –Ele disse.
-Pra eu ficar do lado do meu marido, porra, para de frescura e troca logo. –Eu disse levantando, Ray também se levantou e se sentou ao lado de Mikey.
-Que foi anjo? –Frank disse quando eu me encostei nele pra ficar mais perto.
-Nada, preciso ficar do seu lado, só isso. –Eu disse e me mexi, ele apoiou sua mão no meu ombro, estávamos muito gays daquele jeito, mais pra mim era lindo.
-Parem com a viadagem, por favor, casal! –Mikey disse com uma cara de nojo.
-Deixa eles, se fosse você e Priscila ninguém ia reclamar, então cala a boca. –Ray disse meio revoltado.
-Ray defensor dos gays fracos e oprimidos. –Eu disse e comecei a rir sozinho.
-Não porra, só acho meio sacanagem, as pessoas olharem diferente pra vocês pelo fato de serem gays, que merda. –Ray disse e ficou olhando para Mikey.
-Ah tá bom Ray, agora cala a boca. –Mikey disse, dando de ombros, Ray não retrucou com Mikey, só jogou um travesseiro nele, Mikey não ligou e não respondeu, nem fez nada de volta com Ray.
Já era de noite, Mikey e Ray já estavam quase cochilando no sofá, e Frank estava brincando com meu cabelo.
-Hoje eu vou dormir no quarto, boa noite ai mocinhas. –Ray disse e foi em direção ao quarto.
-Ray sai daí, você sabe que quem dorme nesse quarto sou eu! –Mikey deu um pulo para o quarto e tentou abrir a porta, mas Ray tinha a trancado.
-Foda-se o quarto é meu. –Ray disse de dentro do quarto, mas deu para escutar.
Mikey desistiu de tentar dormir no quarto.
-Pelo menos me dá meu travesseiro e meu cobertor! –Mikey disse e Ray destrancou a porta.
Ele a abriu toda e estendeu a mão. –Entra, pega e sai. –Ele disse e Mikey entrou, pegou seu travesseiro e sua coberta e saiu com uma cara de quem não estava entendendo nada.
Ray fechou a porta, não trancou dessa vez, e pelo menos eu acho que foi dormir. Que estranho... O que tá acontecendo com Ray?
-O que houve com esse cara? –Mikey disse enquanto arrumava o sofá para dormir.
-Também não entendi, Gerard vamos deixar teu irmão dormir, vamos pro nosso quarto. –Frank disse, enquanto se levantava e me esperava.
Levantei-me e Frank foi em direção ao quarto.
-Boa noite Mikey. –Frank disse enquanto abria a porta do quarto.
-Boa noite Frank. –Ele respondeu.
-Tenha pesadelos amor. –Eu disse para Mikey e entrei no quarto também.
-Que o travesseiro te sufoque de madrugada gostoso. –Mikey respondeu.
Começamos a rir e eu fechei a porta do quarto.
-Estranho comportamento de Ray agora né? –Frank disse enquanto puxava o edredom para cima.
-Falta de dar o cu. –Eu disse e me deitei do lado de Frank.
-Sério, será que ele e Mikey... –Ele disse, e ficou me olhando confuso.
-Eu sinto que amanhã quando eles encontrarem as “namoradas” vamos descobrir, sinto que essa história vai render e muito... –Eu deu uma leve pausa e continuei –Credo, estou virando Mãe Diná.
-Ah Gerard, isso eu também acho, mas sei lá né...
-Vamos parar de falar deles, boa noite meu amor. –Eu disse e Frank sorriu.
-Boa noite anjo. –Ele disse e me deu um selinho.
Frank dormiu abraçado comigo. Não me sinto tão seguro em nenhum lugar a não ser nos braços dele, eu sei que eu sou um idiota, não ligo muito pra sentimentos, pessoas e muito pouco pra educação e outras coisas assim, mas Frank... Ele é tudo o que eu queria. Não me importo com o que vão pensar, eu tenho o sorriso dele todo o dia pra me dar toda a vontade de continuar que eu preciso. E eu nunca imaginei que fosse achar o amor da minha vida em Las Vegas, tão longe de onde eu moro. Realmente, nunca se sabe de onde pode vir alguém e mudar por completo sua vida.
Mas agora vou dormir, esse dia foi longo e tenho quase certeza que amanhã será mais ainda.
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