So Heres Your Holiday
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Acordei e fiquei uns quinze minutos olhando pro teto, pensando em porra nenhuma e com preguiça de levantar, mesmo tendo acordado três horas da tarde, estava com preguiça de levantar. Assim que tomei essa coragem, peguei roupas e sai do quarto, em direção ao banheiro.
Assim que passei pela sala, avistei Mikey deitado no sofá mexendo no MEU computador. Ele olhou para mim por um segundo, e voltou seus olhos para o computador.
-Filho da puta, já falei que odeio quando você pega minhas coisas. –Eu disse, dando um tapa na bunda de Mikey.
-Para de frescura Gerard, e não bate na minha bunda. –Ele disse sério.
-Não é frescura, vou começar a pegar seus livros sem te avisar pra ver se o nerd ai vai gostar. –Eu disse e dei outro tapa na bunda de Mikey. –E eu bato na sua bunda quantas vezes eu quiser. –Eu disse em um tom de deboche.
Mikey revirou os olhos. –É eu gosto muito de mexer nas suas coisas, seu idiota, eu to vendo o percurso pra nós voltarmos para casa. Ray pediu pra deixar aberto por que ele ainda não gravou. E falta pouco para nós voltarmos, acho que no máximo em dois dias voltamos pra Jersey. –Mikey disse, e eu concordei com a cabeça. –Se prepara senhor Arthur Way, sabe que quando chegar com um dos sete anões falando que vai morar com a gente não vai dar nada certo... E vai piorar quando você falar que você é um bicha pra nossa mãe. –Ele disse, e eu tive que concordar novamente, não faço a mínima ideia da reação que minha mãe terá, ou ela pode aceitar numa boa e até permitir que Frank vá morar conosco, ou ela me expulsa de casa e eu vou morar com Ray, ou ela pode “aceitar”, mas, não querer me ver tendo afeto com Frank na frente dela...
-Anão? Ele tá mais pra Branca de Neve. –Eu disse rindo.
-Não Gerard, Branca de Neve é você, branco igual um saco de farinha e de cabelo preto... É, você é a Branca de Neve. –Ele disse, em deboche, mas sem sorrir.
-E você é o Zangado, por que é uma raridade ver você sorrindo. –Eu disse pondo a mão na cintura e requebrando, como um favelado.
-Eu sei sorrir. –Ele disse e depois deu um sorriso tão forte que até fechou seus olhos, acho que nunca vi Mikey sorrir assim. –Só que não acho necessário rir de tudo e qualquer coisa. E vai tomar no cu. –Ele disse, voltando a prestar atenção no computador.
-Aonde foram Ray e Frank? – Dei falta deles, se estivessem no apartamento, com certeza Frank estaria me xingando por ter dito que ele é a Branca de Neve. Mas na verdade eu sou a Branca de Neve, pior que parece mesmo, com essa minha cara de menina...
-Ray foi ao shopping comprar alguma coisa e Frank tá no quarto. –Ele disse, sem olhar para mim.
-Okay. –Eu disse, acho que dei sorte de Frank não ter escutado, ele ficaria puto comigo por uns dois minutos se escutasse que ele é a Branca de Neve...
Cheguei no quarto e avistei Frank sentado na cama, de costas para mim, estava com uma calça jeans e um moletom verde, e com fones de ouvido.
Me aproximei e toquei seu ombro, o que o fez olhar assustado.
-Amor. –Ele disse e fez biquinho pra me beijar, eu dei um selinho nele.
-Vai aonde tão arrumado desse jeito? –Eu perguntei, ele estava muito arrumado pra quem iria ficar em casa.
-Na verdade, esperando você. Vai se arrumar, vamos sair hoje. Eu e você. –Ele disse sorrindo.
-Nossa, já que você pediu com tanto jeitinho vamos sim. Pra que tipo de lugar mais ou menos? Preciso saber que roupa usar. –Eu disse e sorri.
-Um parque. –Ele disse, e tornou a sorrir.
-Okay, vou demorar pra me arrumar. Então espera ai. –Eu disse e fui rebolando até meu quarto pra pegar uma roupa apropriada para ir a um parque com o namorado.
Peguei uma camisa azul-marinho que a manga ia até os pulsos e uma calça jeans preta, acompanhado de um all star velho e preto.
Quando sai do banho, avistei Ray, Mikey e Frank na sala vendo algumas sacolas de compras.
-Tão vendo o que viados? –Eu disse, penteando o cabelo, que estava um pouco molhado.
Todos olharam para mim. –Coisas que eu comprei no shopping, hoje. –Ray disse.
-Comprou o que? –Eu disse, curioso.
-Algumas lembranças, eu gosto de comprar essas coisas tipo canecas e blusas. E comprei uma caneca pra você. –Ele disse remexendo um pouco umas das sacolas que ele trouxe, no total eram três.
Ray tirou de dentro da sacola uma caneca rosa com um arco-íris desenhado.
-Toma, pra você. –Ele disse e sorriu de um jeito filho da puta.
-AH QUE LINDO,ADOREI, RAY OBRIGADA,QUE LINDO, MAL VEJO A HORA DE USAR ! –Eu disse, como uma menininha, ou só como uma bicha feliz mesmo, debochando. Todos riram.
-Olhei isso na loja e pensei “Tenho que comprar isso pro Gerard, é a cara dele!” e está ai, que bom que gostou. –Ele disse, ainda em deboche.
-Assim que puder vou usar isso, amei demais. –Eu disse em deboche e depois olhei para Frank.
-Que horas nós vamos? –Eu disse e ele olhou no relógio.
-Quer ir agora? Estava achando que você ia sair do banheiro umas quatro horas, ainda são três e meia... –Ele disse, com um tom de voz relaxado.
-Vamos, quero ver que porra é aonde você quer me levar. –Eu dei uma pausa. –Mas antes vou pegar casacos. –Eu disse e fui em direção ao meu quarto pegar um casaco para mim e outro para Frank. Voltei para a sala e Frank me esperava na porta.
-Que horas vão chegar? –Mikey perguntou.
-Vamos dormir em casa? –Eu olhei pra Frank, com um pouco de malicia.
-Não sei, você quer dormir no mato? –Ele disse e eu ri, depois que ele parou pra analisar o que tinha dito, riu também. –Quer dizer... Se você quiser a gente não dorme em casa. –Ele se corrigiu.
-Então não dormimos em casa e é isso ai. –Eu disse olhando para Mikey e ele concordou.
-Tchau babacas. –Eu disse.
-Tchau babacas. –Ray e Mikey disseram juntos.
-Tchau... Er... Babacas? –Frank disse, ainda não estava acostumado com nossa educação.
Já no carro a caminho do parque, Frank botou um CD dele, que era do Nickelback, All The Right Reasons, na música Far Away, que eu já tinha escutado, e é uma música linda, e foi cantarolando a música por todo o percurso, eu fiquei o observando cantarolar o percurso todo.
Chegamos no parque e ele estava aberto, tinha pouca gente ali, umas crianças com seus pais e uns casaizinhos apaixonados.
Frank pegou na minha mão. –Vem aqui, conheço um lugar incrível mais pra dentro daqui. –Ele disse me puxando para mais afundo do parque.
Andamos um pouco por entre aquele grande verde até Frank parar de me puxar, na frente de uma árvore, gigante, com poucas folhas.
-Venho aqui às vezes, quando quero parar de pensar um pouco nos problemas, e por pelo menos uma hora, parar de ser quem eu sou obrigado a ser... Por um minuto eu gosto de me sentir... O Frank, e não a puta. –Ele disse, me deu vontade de rir quando ele falou “puta” mas acho que se eu risse ali Frank ficaria magoado.
-Quando você precisava, você não precisa mais. Agora você é só meu. –Eu disse e puxei Frank para um abraço.
-Não foi por mim que eu vim aqui. Foi por você. Mikey me disse que já vamos voltar pra Jersey e eu sei quantos problemas e pessoas você vai ter que encarar quando voltarmos. –Ele parou de me abraçar e olhou nos meus olhos. –Mas lembra que eu vou estar sempre do seu lado tá? Bem... Eu não sou uma Jessica da vida, mas acho que quebro um galho... –Ele disse meio irônico.
-“Quebraria um galho” se fosse Jéssica querendo ficar no seu lugar, eu só amo a você Frank, Jessica pra mim é passado, e você é meu presente, e meu futuro. Pra sempre. –Eu disse e beijei a testa dele. Por um minuto vi lágrimas se formando nos olhos dele.
Eu sorri. –E então? Vamos ficar por aqui? –Eu disse e sentei na grama, apoiando as costas na árvore, Frank fez o mesmo. Ficamos abraçados ali por muito tempo, em silencio. O único som que dava pra escutar era uns bichos e o barulho do vento.
Já estava ficando escuro e eu estava preocupado com a hora.
-Frank, nós vamos que horas? Está escurecendo e a gente ainda tem que saber aonde vamos dormir. –Eu disse, olhando para Frank.
-Ah, achei que você fosse menos pervertido. Quando eu disse “dormir no mato” quis dizer que a gente vai dormir aqui. É muito bom dormir aqui, mas nunca fiz isso com ninguém... Quer me acompanhar essa noite? –Ele disse sorrindo.
-Opa, dormir no mato, que delicia! –Eu disse, e Frank riu.
-É sério, seu tarado. Só que faz muito frio de noite. –Ele disse e me empurrou, cai deitado na grama e ele por cima de mim. –E acho que um casaco não vai me esquentar tanto. –Ele disse e eu sorri malicioso.
-É pra isso que serve um marido tarado nessas horas, pra se esquentar quando dorme no mato. –Eu disse e Frank aproximou seu rosto do meu, mas eu não aguentei e cai na gargalhada.
-Para de rir seu idiota. –Ele revirou os olhos e sorriu ao mesmo tempo. –Meu idiota. –Ele disse e saiu de cima de mim.
Levantei e fiquei o encarando, ele estava esperando eu sentar pra por a cabeça no meu colo.
-E você é meu folgado. –Eu disse e comecei a fazer carinho no cabelo de Frank.
Não falamos mais nada, Frank acabou dormindo no meu colo, e eu fiquei admirando aquele lugar, que era bem relaxante, mesmo cada vez mais escuro e macabro, era legal. Mas eu já estava quase desmaiando de sono, então eu tive que acordar Frank pra eu me ajeitar.
-Frank... Acorda... estou com sono, deixa eu me ajeitar. –Eu dizia balançando o ombro de Frank.
-Hm? Ah, Gerard, deita aqui do meu lado. –Ele disse e levantou o braço, Frank estava bêbado de sono.
Eu me deitei ao lado de Frank e o abracei, ele pôs a perna em cima da minha e logo voltou a dormir, eu fiquei acordado mais um tempo, mas logo adormeci também.
===================================2h00======================================
Acabei acordando de tanto frio. Eu e Frank tremíamos, mesmo abraçados e os dois de casaco.
-Hey Frank... –Eu disse tentando acordar o baixinho. –Fran...? ...Frakie...? ...PORRA FRANK CARALHO ACORDA. –Frank acordou assustado com meu grito.
-Q-que f-foi? –Ele disse gaguejando, ou por susto, ou por medo.
-Tá muito frio, vamos para casa. –Eu disse levantando.
-Ah Gerard, eu estava dormindo, nem estava sentindo nada. –Ele reclamava.
-Estava tremendo. –Eu disse, pegando nas mãos dele e o puxando para cima.
Frank levantou. –Ok, tudo bem então, vamos pra casa. –Ele disse indo em direção ao grande portão de ferro que cercava o parque.
-Olha que legal, meu marido vai me fazer pular um portão gigante de madrugada por que ele estava com frio, muito legal, muito mesmo. –Ele reclamava, e eu ignorava, ele estava com sono, e eu sei que quando eu fico com sono eu fico até pior que isso...
-Vou mesmo, pula logo essa porra, eu vou depois de você. –Eu disse, empurrando Frank pra frente, só pra provocar.
-Não encosta em mim. –Ele disse meio revoltado.
Frank com um pouco de dificuldade, pulou o muro. –Agora é a sua vez. To esperando. –Ele disse.
Eu demorei uns quinze minutos pra pular aquela merda, eu era uma criança antissocial que quase não teve amigos e gordo, eu não pulava muros. Muito mal sabia correr rápido.
-Porra que demora. Vamos pra casa. –Ele disse indo em direção ao carro.
Eu o segui e quando chegamos perto do carro ele estendeu a chave.
–Você quem dirige.
-Okay, minha princesa irritadinha. –Eu disse e mandei um beijo pra ele.
Frank só revirou os olhos e entrou no carro.
Já no caminho de volta pra casa, Frank dormia feito uma pedra. Foi assim o percurso todo.
Tive que carregar Frank no colo até o apartamento de Ray, que era o antepenúltimo do prédio. As pessoas que viam eu levando outro homem no colo, que parecia estar desmaiado, e essa minha carinha linda de psicopata com sono, achavam que eu tinha sequestrado ele, por que os olhares não eram de nojo, eram de espanto. E do estacionamento até o elevador tinha muita gente, o pior de tudo, é que era de madrugada, não deveria ter ninguém lá.
Cheguei na porta do apartamento e acho que nunca tive um desafio maior em vida: Destrancar a porta com Frank no colo e em silencio, por que deveriam ser umas três horas da manhã e as pessoas fazem uma coisa chamada dormir durante esse horário.
Quando passei pela sala, não avistei ninguém...
Pus Frank no quarto e depois fui procurar os caras.
Como sou viado e não idiota, fui direto pro quarto de Ray, quando abri a porta...
Eu não acredito... Mikey e Ray, deitados na cama tipo... ABRAÇADOS E SEM CAMISA? Eles estão se pegando? DESDE QUANDO? Por que essas bichas não falaram pra mim? Alguém vai morrer amanhã.
-Que... TRAUMA... –Eu sussurrei, só pra eu mesmo escutar. –Não posso desfazer a posta com Frank, mas eu também acho que meu irmão é passivinha. –Eu continuei sussurrando, e ri de mim mesmo.
Não vou contar pra eles que eu sei sobre essa pegação...? Vou ver quanto tempo demora pra que eles me contem...
Fechei a porta do quarto e fui pra cozinha.
Abri a geladeira e fui procurando algo pra comer.
-Iogurte? ...Não... Leite? ...Não... Pizza! –Foi mais ou menos assim que eu comecei a engordar de novo, mas que se foda, eu sou casado agora, ninguém precisa me achar gostoso a não ser meu marido.
Peguei dois pedaços de pizza de calabresa que estava na geladeira pus pra esquentar e peguei também um copo de Coca-Cola.
Enquanto eu deixei a pizza esquentando, fui trocar de roupa. Fiquei só de boxer e meias, fiquei vendo tv até umas quatro horas, depois fui dormir.
Fale com o autor