So Here Is New York
8 Blackbird
Notas iniciais
Kurt não aparecia na faculdade a uma semana, nem ele e nem Adam, e Blaine estava realmente preocupado, ele queria perguntar se alguém sabia do castanho, mas não devia se intrometer tanto assim na vida dos outros.
Mas já fazia uma semana, e ele estava preocupado.
Ele não ia procurar ninguém para perguntar, mas Rachel passara por ele vezes de mais nesse corredor, e sempre o encarando como se quisesse que ele perguntasse, e a curiosidade do moreno era tanta.
–Rachel, oi — ele para a morena no meio do corredor.
–Olá Blaine! Tudo bem? – ela diz como se não tivesse reparado na presença do moreno até agora.
–Tudo, eu só queria perguntar se aconteceu alguma coisa com o Kurt? Eu não o vejo a uma semana, e quando o vi pela última vez ele estava bem estranho! – diz vendo a morena se iluminar.
–Achei que nunca ia perguntar! Ele está em casa, Adam se mudou para Nevada faz dois dias, eles terminaram, e o Kurt tá meio mal, você devia ir vê-lo – ela sorri como se estivesse esperando para poder dizer aquilo – Você talvez possa anima-lo – ela tenta o convencer.
–Mas nós nem nos conhecemos direito, eu não sei se...
–É só uma visita, você conversa com ele e tenta alegra-lo, tenta fazer ele voltar para a faculdade – ela diz suplicante – Nesse fim de semana ele tem um desfile importante, e o coitado está tão tristinho.
–Vou passar lá depois da aula então, pode me dar o endereço? – diz o moreno, ele tinha que ajudar o castanho.
–Aqui – ela tira o papel com o endereço anotado, surpreendendo o moreno – Não diga que eu mandei você ir, e seja paciente, ele fica meio estupido quando tá triste – o moreno a encara – Não é de propósito. – ela se retira.
Blaine encara o papel e fica pensando no que fazer, mas a resposta parecia obvia, o castanho precisava dele.
*****SHINY*****
Blaine chegou no endereço e bateu na grande porta algumas vezes, o local parecia vazio, de tão silencioso, ele percebe que a porta estava destrancada e ficou preocupado, afinal, aquele era um bairro bem suspeito, entrou em silencio. Kurt estava sentado no chão, com pernas de borboleta, encarando a janela com um olhar vago, e na mão, tinha um passarinho morto. Blaine se assustara com o cena!
–K-Kurt? – pergunta inseguro, o castanho o olha com um semblante choroso.
–O passarinho morreu! – ele diz mostrando o pequeno corpinho desfalecido em sua mão – Ele bateu no vidro da janela. Quebrou o pescoço – diz olhando para o pássaro.
–Eu sinto muito – diz o moreno se sentando ao lado do castanho, também encarando a janela.
–Por que ele tinha que morrer? Já não a dor e sofrimento o bastante no mundo? – pergunta o castanho, realmente afetado com tudo aquilo.
–Devíamos enterra-lo. – o castanho o olha curioso – Ele merece um funeral.
–Sim – diz o mais alto, sorrindo minimamente – eu poderia fazer o caixão?
–Só se for forrado de veludo – diz vendo o castanho sorrir mais abertamente. Kurt estendeu o corpinho sem vida para Blaine, que meio hesitante segurou o pássaro.
Kurt se levantou e pegou algumas caixas, algumas com tecidos, outras com coisas de costura, tintas, pedras e cola, pegou uma caixinha de madeira que estava em sua cômoda e se sentou junto ao moreno novamente.
–Você pode deixa-lo nessa caixa por enquanto – estende uma caixa de sapatos vazia.
–Obrigado – diz fazendo o que o castanho falou.
–Você não veio aqui pra isso não é? – diz mudando repentinamente de humor, parecendo irritado – Rachel te mandou aqui? – começa a pintar a caixa de madeira.
–Sim – se lembra do que a morena diz, assim que vê o castanho ficar ainda mais irritado – quer dizer, não. Bem, ela me deu o endereço, mas eu fui perguntar de você para ela. – o castanho o encara – eu estava preocupado – a raiva do outro ameniza.
–Adam me deixou. Ele foi embora – diz olhando para o material em sua mão – Ele só decidiu ir...
–Pensei que não amace ele – Blaine se arrependeu no mesmo instante que disse isso, o castanho o olha irritado.
–Adam era muito importante para mim – para por um instante e arregala os olhos — Será que é por isso que ele foi embora, por eu nunca ter dito que o amava?
–Duvido que ele fizesse isso – Kurt volta a fazer o caixãozinho – Quer desabafar?
–Porque eu iria desabafar com você? – pergunta rispidamente levantando uma sobrancelha.
–A uma semana, você disse que queria ser meu amigo – diz calmo – Amigos desabafam uns com os outros.
–Olha, eu sei que eu disse que não amava o Adam, mas ele era muito importante para mim. Era uma das poucas pessoa que se importaram comigo de verdade – diz sem tirar a atenção do que estava fazendo – ele foi o primeiro a gostar de mim como eu sou, ele me ajudou tanto sabe? – pergunta olhando o moreno.
–Muitas pessoas se importam com você, eu me importo com você, Kurt – diz o moreno pondo a mão no ombro do castanho.
–Você não entende, minha vida era um inferno, até eu vir para New York, eu era um garotinho assustado. Adam me ajudou, antes de namorarmos, ele era meu amigo. – olha para o moreno que o analisava atentamente – Eu passei por muita coisa, no ensino médio, era realmente um inferno, eu estava quebrado, achei que quando viesse para New York tudo melhoraria, mas as pessoas são cruéis, independentemente de onde você esteja. – volta a sua atenção para o caixão.
–O que aconteceu? – pergunta, ele realmente queria saber o que de tão ruim tinha acontecido ao castanho. Ele não podia acreditar que alguém podia fazer mal a alguém como Kurt.
–Eu não quero falar sobre isso tá? O que importa é que Adam foi bom comigo, ele me ajudou, foi minha base. E agora ele foi embora e eu estou sozinho de novo, eu sinto que vou desmoronar a qualquer momento. – diz com os olhos marejados.
–Você não vai desmoronar, e não precisa de outra pessoa para ser sua base, todos podem ir embora um dia, Kurt. Você precisa ser sua própria base – diz sorrindo para o castanho que o encara novamente com o semblante arrogante.
–E como eu faço isso?
–Tenha coragem – diz sorrindo ainda mais.
Mais nenhuma palavra foi dita. Kurt continuou fazendo o caixão para o passarinho e pensando no que o moreno dissera, onde estava o Kurt corajoso, que enfrentava os valentões no ensino médio? Que andava de cabeça erguida nos corredores mesmo que todos o olhassem feio e fizessem piadinhas sobre ele? Mas ele sabia a resposta. Aquele Kurt foi embora, junto com sua dignidade no dia do baile de formatura do terceiro ano, o castanho estremeceu só com a lembrança, logo se concentrando no passarinho e tentando não chorar.
Blaine ficara ali, olhando pela janela, vez ou outra espiava o mais alto, que fazia o pequeno caixão, ele só queria ajudar o castanho, queria poder ter protegido ele quando ele precisou, queria proteger ele agora.
Um tempo depois o caixão ficara pronto,e os dois decidiram que iriam enterrar o passarinho no Central Park. Com o pequeno caixão em mãos, e o passarinho dentro, eles rumaram ao metro.
Ao chegar no parque, eles escolheram um lugar afastado, onde ninguém veria eles, e enterraram o pequeno caixão. Kurt começara a chorar e Blaine o abraçara. Depois de uns minutos abraçados, o moreno pode ouvir a voz do mais alto.
Blackbird singing in the dead of the night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise.
Kurt cantava baixinho, se separando do moreno e se ajoelhando em frente ao pequeno amontoado de terra.
Blackbird singing in the dead of the night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free.
Blaine estava encantado com a voz do castanho, ele nunca tinha ouvido nada igual. E por mais que fosse uma situação triste, o moreno não conseguia não sorrir. Seus olhos brilhavam a cada palavra cantada pelo garoto a sua frente. E ele se apaixonara mais.
Blackbird fly, Blackbird fly
Into the light of the dark black night.
Blackbird fly, Blackbird fly
Into the light of the dark black night.
Blackbird singing in the dead of the night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise.
(https://www.youtube.com/watch?v=l-cZ_ElJ1oA)
A música acabou, Kurt levantou e limpou a sujeira dos joelhos.
–Obrigada – diz sorrindo fracamente para o moreno que lhe estende a mão.
Os dois saem do parque de mãos dadas, e com o coração um pouco mais leve.
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