So Happy I Could Die
5 Capítulo 5
Capítulo 5- Quem é ela?
Amanheceu no Bairro do Limoeiro. Os primeiros raios de sol penetravam o quarto onde Ana dormia. Ela abriu os olhos, lentamente, olhou o poster enorme do Zac, que tinha colado na parede do quarto e sorriu. Levantou-se da cama e espreitou o quarto da mãe. Vazio, como em todas as manhãs. Estava sozinha de novo. Os pais de Ana haviam se separado faz algum tempo. Ana vivia com sua mãe. Eram felizes as duas, mas, havia um problema. A mãe de Ana trabalhava imenso e ultimamente não tinha tido muito tempo p’ra passar com ela. Ia trabalhar desde muito cedo, até muito tarde, deixando assim, na maior parte das vezes, Ana sozinha. A garotinha desceu as escadas, tomou o pequeno-almoço, pegou na mochila e foi p’ra escola. Encontrou Binah no portão, conversando alegremente com Mauro.
-Bom dia! – disse Ana.
- Bom dia! – disse Binah. – Esse é o Mauro.
- Binah, eu conheço o Mauro. Lembra que ele é meu primo?
- Ah, desculpa. – Binah corou. – Ultimamente tenho andado um pouco distraída.
- Sei. Mauro, posso lhe roubar a Binah por um pouco?
Mauro assentiu e as duas garrotas foram conversar p’ra um canto.
- Binah... o que você quer fazer na peça de teatro? — perguntou Ana, esperando a resposta meia óbvia da amiga.
- Bem, eu... nem sei.
- Acho que você devia ser cenógrafa. É perfeito. Você é uma artista magnífica Binah.
Binah abanou a cabeça. — Não. Apenas tento... me expressar através dos desenhos. São coisas simples, sem valor... Nunca virei a ser uma artista!
- Claro que sim, Binah. Você por acaso já olhou bem p’ra todos os seus desenhos? São perfeitos, divinos... Diz que vai ser cenógrafa... diz que vai! Só você teria capacidade p’ra exercer esse cargo. Porfavor...
Binah desviou o olhar, tentando disfarçar a satisfação que a percorria. – Está bem, está bem! Mas só se a professora Isabelle me deixar.
Ana sorriu, satisfeita. – Com certeza, deixará.
- Oi meninas! – uma garota falou.
- Oi Amy- exclamou Binah.
Amy era prima direta de Binah. Tinha 19 anos e andava no 3º colegial do Colégio do Limoeiro. Era alta e magra. Seu cabelo era ruivo com luzes pretas, era bem liso e sua franja era jogada ao olho. Tinha 3 piercings. Um no nariz, outro na língua e outro no umbigo. Seus olhos eram de um verde bem escuro, fora do normal e vivia de lápis de olho preto. Usava uma camiseta listrada roxa, calça colada preta a condizer com a mochila (também preta). Usava all-star e trazia na mão um MP4 negro com uma capinha fashion. Tinha um ar totalmente descontraído. E falava completamente à vontade. — Oi menina...qual seu nome mesmo?
- Eu me chamo Ana.
- Ah, desculpe Ana, você sabe como eu sou no que toca a nomes.
- Sei. Um desastre autentico.
- Nem me fale... – disse Amy, meia envergonhada.
- Bem, eu vou te apresentar a turma toda viu? — falou Binah decidida.
- Pode ser. Nem tinha nada p’ra fazer mesmo.
- Você devia ter um espírito mais alegre criatura. Parece uma morta viva... Sorria! — disse Ana, que gostava de ver toda a gente feliz e de preferência com um enorme sorriso na cara.
- Ana, deixa ela. Você sabe como são as Emos não sabe? – perguntou Binah.
- Sei.
- Podemos mudar de assunto? – falou Amy.
- Nem é preciso, olhe...ali à frente está toda a turma. Vamos? — Binah parecia contente.
Amy fez sucesso em frente a toda aquela gente. Tipo assim as pessoas ficavam comentando sobre o fato de ela ser uma Emo e tudo o mais. Mas o importante é que ela não estava sozinha. Andreyna e Caludinha defendiam justamente com ela o direito de ser Emo. Afinal...qual é o problema? Absolutamente nenhum.
Trimmmmmmmm- o sinal tocava, mais um dia, iniciando as aulas.
Amy foi p’ra sua sala, combinando p’ra depois um encontro com as novas amigas: Andreyna e Claudinha. Pensavam preparar uma manifestação contra os que não gostavam de Emos, e tencionavam cumprir com ela.
As restantes garotas caminhavam p’ra sala. A professora Isabelle estava no corredor, a fixar uma grande folha de papel na parede. Assim que as viu, abriu um sorriso encantador.
- Oi meninas! Vêm mesmo a tempo. Aqui têm a folha de inscrição para as audições da peça do 1º colegial. Quem alinha?
Num grande alvoroço, Mônica, Marine, Ana e Claudinha correram para a professora, tiraram-lhe a caneta da mão e assinaram, bem no topo da lista. Magali também assinou, mas não estava tão segura do que estava fazendo como elas.
- Posso ajudar com as roupas, professora Isabelle? Já tenho umas ideias fabulosas. Desenhei alguns esboços... – disse Andreyna, abrindo um grande caderno de desenhos, repleto de padrões de cores intensas e amostras de tecidos exóticos.
- Que máximo, Andreyna!- exclamou a professora Isabelle. – Nem consigo me lembrar de ninguém melhor p’ra cumprir essa função!
Binah levantou a mão, algo tímida. – Eu gostava de trabalhar nos cenários – disse ela. A professora concordou.
- Magnífico! É exatamente isso que você fará.
- Eu posso ser a diretora de cena. Já fiz um mapa dos horários dos ensaios. — disse Ândria, confiante.
- Ândria, o cargo é seu. Não conseguiria fazê-lo sem você.
As garotas sorriram p’ra sua distraída professora. – Bom, vamos p’ras aulas – disse Marine.
-Não queremos chegar atrasadas! – acrescentou Ana.
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