So Far Away
2 Capítulo 2 - The story of my new life
Algumas pessoas dizem que o tempo passa rápido; não é assim pra mim. Desde que descobri da minha doença há dois anos atrás, o tempo para mim vem se arrastando preguiçosamente. Eu fui diagnosticada com LPA — leucemia promileocitica aguda. O que era pra ser o dia mais feliz da minha vida, se tornou o mais triste.
Agora sim eu entendia o que meus pais sempre me diziam com " aproveite sua vida enquanto é tempo ", pena que eu não os escutei antes. Eu era ingênua demais. Orgulhosa demais. Minhas únicas preocupações eram com a minha imagem, e eu me esquecera completamente de que eu ainda possuía uma vida própria.
Mas o câncer mudou tudo isso. Depois que iniciei os tratamentos e tive que abandonar as coisas que, até então, eram as mais importantes da minha vida, percebi que nada daquilo tinha valor. Meu cabelo, por exemplo, caia sem parar. Eu estou ficando careca? Sem dúvida ficar careca está entre meus medos, eu ainda era vaidosa. Apesar de estar morrendo aos poucos, eu precisava me manter forte pelos meus pais.
Mas como eu poderia ser forte se no período de um mês havia perdido tudo o que era mais importante para mim?
No começo todos os meus "amigos" vinham me visitar, como se me visitar os faria ser parte da minha tragédia. Até o Jacob... Oh Jacob . Seis meses se passaram e nos estávamos "juntos". Foi quando ele me disse que não poderia mais ser meu namorado; "vai ser melhor pra você", ele disse "sempre seremos amigos".
Mas ele se afastou e eu piorei. Eu estava acabada, todos percebiam isso. Mas eu me mantinha viva por causa das pessoas que eu amava. Eu estava com Jacob a tempo suficiente para entender o motivo de nossa separação, e creio que qualquer um entenderia. É por que estou doente e não sou mais a garota popular que ele amava. Ou melhor, se é que amava.
Ultimamente venho percebendo a série de coisas que me acontecera desde a descoberta da doença. Meus amigos não me visitavam mais, ou então quando vinham pareciam forçados. E isso não me ajudava em nada. Isso nem era o pior. O que realmente me perturbava eram todos dizendo que eu ia ficar bem, que ia me curar. Eu já não era tão ingênua a ponto de acreditar nisso.
Eu via pelos olhos dos médicos que passavam aqui, eram como se já me vissem morta, e minha vontade no momento era essa. Se bem que eu poderia levantar e desligar os aparelhos que me ajudavam a respirar e logo tudo estaria acabado. Mas eu estava tão fraca que nem conseguia comer sozinha. Ok, nem tanto. Mas era ridículo depender de minha mãe até para me sentar.
E havia os transplantes; me deixavam fraca, isso se houvesse um doador pra que eles pudessem ser realizados. Ah as agulhas, eu sempre tive pavor desses objetos cortantes e perigosamente afiados. Uma bela ironia, pois eu vivia cheia delas.
" Para todo problema existe uma solução ", sempre dizia minha mãe. Mas eu não acreditava em suas palavras, não mais...
Para mim, já estava tudo perdido.
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