So Easy?
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
“Bom… Garotos são mais fáceis de se lidar e agradar, sabe? Não choram por tudo, falam uma coisa de cada vez, e não exigem tanto de nosso sangue, suor e coração. Além do mais, sempre estão dispostos, huhu… Se é que me entende…
Acho que é mais ou menos por isso que eu prefiro garotos!”
Soltou um suspiro cansado, logo percebendo o quão estava errado sobre o que ele pensava sobre os meninos. Não, ele ainda continuava com esse mesmo pensamento, na verdade. Só que a droga da regra achou uma exceção.
– Foi só um selinho, Kentin — tentava explicar pela enésima vez. — Não significou nada.
– Então quer dizer que quando eu te dou um selinho não significa nada também? — pela enésima primeira vez rebatia, de bico e braços cruzados. — Não foi diferente do que eu faço, Alexy.
Estavam no banheiro da escola, tendo uma conversa séria sobre o infeliz ocorrido de dez minutos atrás: Castiel apostou com Alexy se ele conseguia um pedaço da torta de pêssegos de Jade com um beijo.
Primeiro erro: Kentin ODIAVA o fato de Alexy ter se tornado amigo (colega, próximo, chegado, cara que conversa nas aulas, o raio que o parta) de Castiel. Não era ciúme, até porque Castiel só começou a ficar mais simpático (mentira, simpático ele nunca foi, só ficou menos xarope) depois de começar á sair com Nathaniel. O caso era que, não importava quando, em que idade, fase da vida ou encarnação, Kentin não gostava do ruivo de jeito nenhum.
Segundo erro: Kentin era receoso com jogos de azar, e mesmo esse tipo aposta “teste de coragem” lhe remetia á um “se dar mal no fim”.
Terceiro erro: a torta era de pêssego. Kentin não gostava de pêssego.
Quarto e mais grave erro: Alexy. Beijou. Outro. Cara. Fim.
Em pauta nessa conversa séria o primeiro e último tópicos eram os únicos abordados.
Alexy realmente não pensava que Kentin era sistemático desse jeito. “Sistemático? Na minha terra, “frescura” é o nome certo!” Mas, desde que se declarou, isso há uma semana, sentia que algo do tipo iria acontecer cedo ou tarde. O de cabelos castanhos nem era do tipo que se irritava e chateava por coisa pouca, então um passo em falso e levaria um baita sermão.
Alexy só não esperava que o sermão na verdade era uma discussão infantil que nem aquela.
– Kentin, foi só brincadeira — revirou os olhos rosados.
– O que você disse que sentia por mim foi só uma brincadeira também? — os olhos verdes não davam trégua.
– É claro que não! — juntou as sobrancelhas.
– Então por quê? — finalmente olhou-o nos olhos. — Qual a explicação pra isso, hn?
– Quantas vezes preciso repetir? — estava quase perdendo a paciência, o que era raro. — Fiz só uma aposta com Castiel! Coisa boba, tosca!
– Beijos não são coisas bobas, Alexy! — Kentin estava vermelho, talvez de raiva, mas tinha algo mais.
– Beijo de língua não é, agora, um selinho eu dou até na minha mãe! — respondeu, alterando-se. — E não é como se eu fizesse isso sempre, ou como se o Jade fosse a pior pessoa do mundo — cruzou os braços, um mal sinal. — Você já beijou a lambisgóia da Ambre, e eu falei alguma coisa?
Os esmeraldas se tornaram estreitos, ofendidos e furiosos. Não era mais uma “conversa séria”. Eles realmente estavam discutindo.
– Você então está descontando de quando eu a beijei? — apontou para si mesmo, alterando um pouco a voz.
– Deus, é lógico que não, né! — bateu as mãos nas coxas. — Só estou tentando enfiar nessa sua cabeça dura que o que eu fiz não é tão grave!
– É CLARO QUE É! — inesperadamente, o grito nervoso ecoou pelo banheiro. — Você beijou outra pessoa que não sou eu, depois da gente começar um relacionamento! Aposta ou não, você me traiu! Por uma droga de torta! — no meio de sua explosão, a voz tremia, enquanto as lágrimas se formavam no canto dos olhos. — Por um acaso, você considerou o que eu sentia? O que eu estou sentindo?
Sem mais respostas. A ficha caiu, junto com o peso de estar errado.
Colocou-se no lugar do de cabelos castanhos, adotando por um pouco de tempo sua personalidade. Desagradável foi a conclusão.
Ele não era como todos os garotos que conhecera no fim. Ele era inesperadamente mais sensível. Alexy pensava de um jeito completamente diferente de seu mais novo namorado, logo, descobriu meio tarde que coisas como selinhos casuais em amigos não existem no mundo de Kentin.
Os próprios pensamentos o prenderam de tal forma, que, quando deu por si, já estava sozinho.
Fazia uma semana que namoravam, e Alexy pela primeira vez na vida realmente se importou em pedir desculpas.
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Alexy nunca pensou tanto em sua vida. Seus relacionamentos anteriores foram todos de tempo curto e término tranquilo — a não ser seu segundo namoro, quando tentou sair com uma garota. Três dias foram o suficiente para que ele, por fim, decidir definitivamente que era gay. Mas ele não era leviano. Só nunca soube o que era realmente o amor. Por isso, se via um cara bonito e de boa personalidade, se sentia atraído, e pedia para sair com ele um pouco depois. O que não ocorreu exatamente com o ex-aluno militar.
Primeiro que sua personalidade não era das melhores. O caso era que Alexy gostava de irritá-lo, e quando menos esperava, estavam próximos á ponto de nem mesmo Kentin não conseguir ficar longe, mesmo com os bullyings diários.
Outra coisa: mesmo que na primeira troca de olhares, os olhos rosados se reluziram ao ver aquele puta pedaço de mau caminho, Alexy não saia com héteros. Nem tentava, só riscava da lista. Até então, o castanho era 100% beija moças (pelo menos pra ele), mas a surpresa veio quando disse um falhado e envergonhado “ok, vamos tentar”.
Kentin era o garoto que Alexy mais gostou, digamos assim. O carinho que sentia por ele estava sendo maior do que os outros anteriores.
O que era inexplicável, visto que Kentin era chato e “hétero”. Mas não deixava de ser cativante, mesmo com as palavras duras, que não pareciam suas na maioria das vezes. Os olhos cor-de-rosa viam Kentin por dentro. Talvez esse fosse um dos principais fatores que fez com que Alexy se apaixonasse.
Paixão. O azulado não tinha certeza se era amor. Na verdade, nem sabia o que era isso.
Mas, depois de três dias de um Kentin emburrado, e um Alexy desesperado por atenção e perdão, o de cabelos coloridos estava pra rever alguns conceitos. Claro, depois que aquilo passasse.
Lexy era espontâneo demais, e dificilmente estava errado em algo. Ele era simples: se ia com a cara de alguém, tentava a amizade; se a pessoa não gostou dele, azar. Simplesmente se afastava.
Estava acostumado com o tipo de desculpas que se pede quando se pisa no pé de alguém, mas não tinha intimidade com o tipo de perdão que se pede quando se magoa alguém.
Sabia que precisava fazê-lo. E sabia que não era só uma palavra que resolveria.
Passou um tempo pensando sobre o que poderia fazer e a primeira coisa da lista foi pedir ajuda.
Estava no meio da aula de geografia, e de onde sentava — segunda fileira, penúltima carteira — tinha uma boa vista da sala.
Mas, ao ver um vagabundo na última carteira uma fileira depois, pensou que seus problemas talvez pudessem ser resolvidos. Afinal, Castiel também namorava um garoto, que parecia ser tão complicado quanto Kentin.
[O que você faz pra pedir perdão pro Nath quando você o deixa chateado?]
Enviou a mensagem, e Castiel leu com uma careta engraçada. Riu e respondeu.
[Sexo.]
Alexy revirou os olhos. Por que ainda falava com ele?
[Sem ser isso!]
A resposta demorou um pouco. Sério que era tão difícil pensar em algo que não fosse sexo, Castiel?
[Sei lá. Acho que nada.]
Alexy olhou para o de cabelos vermelhos, que deu de ombros como se dissesse “fazer o quê?”.
[O que você compraria pra ele, tipo, casualmente?]
[Algemas, eu acho…]
Lexy passou a mão pelo rosto, suspirando nervoso. Por mais que fosse uma ideia genial, não era isso que ele precisava. A parte boa era que, no aniversário de Kentin (caso voltassem á se falar) já sabia quem consultaria para dar opiniões.
[SEM SER ISSO!]
A resposta não chegou. Quando olhou para trás, Castiel realmente parecia pensativo. “Bom, pelo menos nesse quesito, Nathaniel não tem muito do que reclamar”.
Tentou facilitar.
[Do quê ele gosta?]
O sms dessa vez não demorou nadinha.
[Pra quê quer saber?]
Chegava á ser engraçado quando Castiel ficava com ciúmes sem motivo nenhum.
[Porque eu quero conquistá-lo, óbvio.]
Mais uma resposta imediata.
[Chegue perto do representante, que eu te viro do avesso pelo rabo.]
O senso de humor era ótimo também. Tão previsível…
Mas não é sobre a relação do falso ruivo e o loiro que estamos falando.
[O Kentin ficou chateado por causa do lance com da torta.
Preciso pedir perdão á ele.]
[A-há! Se fodeu.]
Alexy não sabia como é que ele ainda esperava algo produtivo vindo de Castiel.
[E de quem você acha que foi a culpa?!]
[Não te obriguei á nada. Você fez porque quis.]
Olhou para trás e viu aquele sorriso que transbordava sarcasmo. Vontade louca de jogar um tijolo naquela cara branca…
A parte não tão ruim era que, além da torta estar deliciosa, ainda tinha uma grana á disposição, que ganhou de Castiel pela aposta.
Enfim. Do ex-moreno não sairia nada (que fosse mais proveitoso). Talvez a parte pensante daquela relação tivesse algo melhor.
[Se você brigasse com o Castiel, e ele tivesse que pedir perdão,
o que acha que ele faria?]
A resposta veio quase na mesma hora.
[Não mande mensagens durante a aula, Alexy.]
O esperado do representante. Claro.
[Só me responde isso!]
Pouco tempo depois de reflexão:
[Sexo.]
É. Castiel era um maníaco.
[E se fosse o contrário?]
[Nada. Ele é sempre quem esta errado, afinal.]
Um suspiro.
Em suma, o relacionamento daqueles dois se resumia á sexo? Nathaniel não parecia negar ou reclamar disso. Era quase de se sentir inveja... Alexy gostaria de ter alguém menos complicado... Ou melhor, só queria que Kentin fosse menos complicado.
– Terminei! — duas vozes femininas soaram em conjunto.
E uma luzinha se acendeu no topo da cabecinha azul.
Seria mais fácil se, desde o começo, ele falasse com elas, e não gastasse seu tempo e suas mensagens.
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– Você precisa de uma fantasia! — bateu as duas mãos na mesa, animada com a ideia que teve.
– Estamos querendo fisgar o Kentin, minha filha — a outra continuou á lixar as unhas, rindo. — Cosplays são mais efetivos com o Armin.
Na lousa um grande "Operação Kentin" e desenhos engraçados, de mesmo tema. Kagamicchi e Luna Hana atrás da mesa do professor e Alexy na primeira carteira, com um caderno e uma caneta.
– Eu consegui o Castiel com uma saia e meias 7/8 — a ruiva se gabou, com as mãos na cintura.
– Deu tão certo, que ele tá saindo com o Nath — o azulado observou, desenhando algo aleatório.
– Quem você acha que juntou os dois, meu querido? — botou uma mão na mesa, com um sorriso vitorioso. — Essas roupas foram pra ele, não pra mim.
– Se você está falando "daquele" — fez aspas com os dedos — episódio, do motel, não foi obra da Rosalya?
– Eles foram num motel?! — perguntou interessado e surpreso o único garoto da sala.
– Sim — a de cabelos vermelhos olhou para Alexy. — E mais ou menos — olhou agora a outra moça. — Eu ajudei ela, indiretamente. É sempre eu quem tenho essas ideias brilhantes.
– E por indiretamente, entendemos que você não teve parte em nada — sorriu, e voltou ao trabalho de manicure.
– A questão é: no Natal foi eu quem fez a magia acontecer — subiu o tom de voz, quase admitindo a derrota. — Ou seja, manjo desses negócios.
– Mas estamos falando do Kentin — a albina pareceu um pouco mais séria. — É fácil riscar um fósforo que pega fogo rápido.
– E é por isso que você está aqui, Luna, meu amor — sorriu largo. — Você junta a lenha e joga combustível, que eu faço o fogo pegar, acendendo o fósforo — o sorriso tornou-se pervertido.
Alexy pareceu interessado com a parte do fósforo. É claro que ele não era santo, oras! Talvez Kentin fosse (um sonso), mas a mente dentro da cabeça de fios celestes não era exatamente inocente. Divagou ainda sobre possibilidades e acontecimentos, sorrindo com os resultados. Anotou.
– Vamos começar com o básico do básico — Luna olhou para as unhas e depois pros outros dois, parando no garoto. — Alexy, do quê ele gosta?
Os olhos rosados piscaram duas vezes. Ah é, ele estava na sala de aula…
– Bom, não é segredo que ele gosta de biscoitos — deu de ombros.
– E ele tem cara de quem gosta de pelúcias também — a ruiva comentou. — E sorvete, e toda a variedade de doces…
– Seus biscoitos favoritos são os com gotas de chocolate, não é? — observou a de cabelos longos.
– JÁ SEI! — a garota quase pulou, estralando os dedos. — Chame-o pra sua casa e prepare tudo para quando ele chegar, você está em uma banheira cheia de biscoitos!
Silêncio. A coitada continuava com aquela cara como se fosse a ideia do século.
Gente…
– Bizarro, admito — os olhos amarelados da garota se abaixaram, pensativos. — Mas acho que funcionaria. Tem um pouco de lógica, até. Tome nota, Alexy, em último caso.
Imaginá-lo comendo biscoitos e depois comendo ele (com biscoitos, what?) não soava de todo ruim. Anotou.
– Uma boa ideia seria uma serenata, também — Luna Hana sorriu. — Sabe tocar algum instrumento?
– Bom… — buscou na memória. — Já joguei Guitar Hero com o meu irmão. Conta se for no controle?
– Não! — uníssono.
– Nem que fosse na guitarrinha, Alexy! — os olhos vermelhos se reviram. — Tu é irmão do Armin mesmo, necessita nem teste de DNA!
Hana riu, concordando.
– Oh! Poesias são bonitas também! — falou animada a de cabelos alvos.
– Chamemos o Lysandre — Alexy se levantou.
– E tem graça mesmo, o Lysandre pedir desculpas por você! — Kagamicchi o repreendeu. — Qual seria o seu trabalho, nesse caso?
– Eu não sei escrever poesia nem pra minha mãe! — colocou as mãos na cintura. — E vocês? Não dá no mesmo pedir o poema pro Lys? Vocês estão fazendo o mesmo, oras!
– Calma lá! — Luna ergueu o indicador, sua voz se sobressaindo. — Estamos te ajudando, não fazendo por você. Estamos te empurrando ladeira á baixo, não correndo com você no colo. Vai da sua pessoa quebrar o nariz ou não.
Kagamicchi quase chorou e aplaudiu, ao contrário de Alexy, que fez bico.
Mas elas estavam certas, no fim. Ele só estava com medo de fazer tudo errado.
Deixando isso de lado, estavam ainda na estaca -1. Não sabia se era pior não conseguir pensar em nada (o antes), ou pensar em tudo, só que em nada que desse certo exatamente (o agora).
– Ainda aposto nas fantasias — a ruivinha insistiu, cruzando os braços, fazendo a outra revirar os olhos.
– Sugere o quê? Ele se vestir de biscoito gigante? — disse irônica.
– Boa. Anote.
– NÃO!
Alexy só fez rir. Anotou, no caso de um dia ele querer descontrair um pouco.
Pensou. Riscou. Era mais bizarro ainda do que a ideia da banheira.
– Oh! Uma boa ideia seria referências de filmes! — esquecendo um pouco o último (estranho) assunto, Luna ergueu o indicador. — ‘Cchi, o que foi a última coisa que assistiu?
Os olhos vermelhos da do clube de basquete piscaram duas vezes, antes de um brilho diferente fazer conjunto com um sorriso esquisito.
– A parte do fósforo. Não vai ajudar por agora.
Anotou: “perguntar pra Kagamicchi o que ela anda assistindo”. Destacou.
– Mas, se te serve de consolo… — tornou-se mais séria. — Mamãe ficou de bico com o papai, e ele deu um buquê de flores á ela. É simples, romântico e clássico — deu de ombros. — Apesar das flores murcharem em uma semana…
– Descarta flores artificiais! Ridículo! — a albina exclamou, sendo apoiada pelos outros dois. — Achei boa a ideia do buquê, mas podemos deixá-lo diferente e mais criativo. Sem flores.
– É — o azulado concordou. — Do jeito que o Kentin está sensível, é capaz de flores pisarem ainda mais no orgulho dele. Ele é macho, no fim das contas…
– Se ele fosse macho mesmo, não ia fazer tanta birra! — Kagamicchi e sua cara de pau levaram um baita beliscão. — AI! O que é? Só falei uma verdadezinha de nada! — massageou o vermelho do braço, deixado por Hana.
– Entenda, criatura, que ainda tem um Ken dentro dele — os olhos dourados diziam claramente “sua insensível”. — Ele foi pra escola militar, e foi forçado á amadurecer. Foi uma puta mudança, tão rápida que…
A sala pareceu mais clara do que realmente era, por causa da brilhante ideia e o sorriso iluminador.
– Kagamicchi, me consiga a agenda do Kentin para esse sábado, depois de amanhã. Eu já sei o que fazer.
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O sol não agradou os olhos verdes, que se fecharam por um momento quando o dono saiu da academia. Porém, dois passos depois, algo tão brilhante quanto foi percebido. Alguém.
– Oi, Kentin — o de cabelos naturais não sabia se o que mais iluminava eram os cabelos claros em contato com o sol, ou o sorriso.
– O que faz aqui, Alexy? — estreitou o espaço entre as sobrancelhas, mantendo os olhos entreabertos.
Seu coração se apertou. Ele queria e não queria ver Alexy.
A saudade queria, o orgulho não.
– Estava passando — mentira, Kentin logo detectou.
O sorriso quase infantil que o de cabelos azulados mantinha não era o de quem estava arrependido exatamente. Sério que não tinha um pingo de remorso por causa daquela terça-feira?
– Te acompanho até em casa — se ofereceu com os olhos rosados prestativos.
Kentin estava ciente de que, do mesmo jeito que sabia quando Alexy mentia, o vice-versa era real. Então não ia adiantar dizer não. Só resmungou e começou á andar.
A sorte era que a casa era no comecinho do bairro residencial, e em cinco minutos quase exatos já estariam lá.
Nesse curto tempo, Alexy ia um pouquinho atrás, sem tirar as mãos nas costas. Era incômodo de certa forma, pois não era segredo que ele andava sempre balançando os braços, ou até com as mãos na nuca. Mas sem perguntas, por favor. Não trocaram uma palavra, aliás.
O portão foi visto e a caminhada teve fim. O sorriso de Alexy estava menor.
– Na verdade, eu queria vir aqui conversar com você. Posso entrar?
Houve uma guerra (inútil) interna. Mas o resultado foi óbvio.
– Pode… — abriu o portão, pensando se sua resposta foi dita dura demais.
Kentin gostaria de ter respondido com uma patada, ainda estava chateado no fim das contas. Mas Ken estava tão feliz de ver aqueles cabelos celestes e principalmente o sorriso do dono… Seu lado mais meigo respondeu a pergunta, mesmo que com a voz do lado mais rude.
Foi na frente com seu orgulho. Passou pelo quintal e abriu a porta da grande casa que residia, sempre á frente. Quando fechou a porta da sala e se virou, ficou surpreso. Como Alexy conseguiu esconder uma coisa daquele tamanho nas costas…?
– Pra você — o azulado estendeu a mão e um belo presente.
Kentin não soube dizer exatamente sua reação ante aquele buquê de bichos de pelúcia* e biscoitos embrulhados em saquinhos, tendo pelo menos seis do primeiro item, e dez do outro.
Pegou o “ramo” enfeitado com crepom verde e branco e um laço prateado como se sua vida dependesse daquilo, tamanho o cuidado. Suas bochechas ficaram vermelhas como tomate, e sua garganta travou, emocionado.
– Esses biscoitos foram difíceis de fazer… — pediu licença, e sentou-se no sofá da casa que não era sua. — O Armin é outro inútil na cozinha, e mamãe não estava em casa, então… Sem contar que ele metia a fuça na cozinha toda hora, querendo comer os chocolates!
Os dedos de Alexy tinham alguns curativos, principalmente na mão esquerda.
– Isso… — perguntou baixo, sem tirar os olhos verdes das mãos do outro.
– Oh, isto? — levantou e mostrou as palmas. — Foi fazendo os biscoitos. Queimei em alguns lugares, e a esquerda cortei enquanto picava o chocolate — falava como se não fosse nada. — Não se preocupe, estou passando pomada. Não dói mais.
O coração se apertou pela segunda vez naqueles quase dez minutos. Só que o aperto aqueceu as batidas fortes.
– Você… — tentou formar uma frase, completamente encantado com o presente e o esforço. — Não precisava…
– Oras, Kentin, é lógico que precisava… — falou mais baixo do que o usual, fitando os bandaids. — Eu vim pra me desculpar. Eu não sabia que você ia se chatear tanto. Te desrespeitei, me arrependo. Não estou acostumado á um namoro sério…- só então os olhos cor de rosa se ergueram sinceros, honestos.
Kentin sabia que era verdade. Mas ainda queria ouvir mais.
– É-É questão de ética, Alexy! — gaguejou sem realmente querer. — Não se beija uma pessoa por um pedaço de torta! — não disse em um tom rude, como queria, mas num timbre um pouco mais ofendido.
Silêncio. Um sorriso distante, quase triste por parte do visitante.
– É verdade… Não sou bom com essas coisas de ética também… — coçou a nuca.
Ok. Alexy pianinho daquele jeito, era no mínimo… Diferente demais.
– Sabe, Kentin… Eu já namorei várias vezes. Nunca era sério, sabe? A gente ficava, e quando acabava o interesse, a gente só terminava. Nunca liguei pra coisas como marcar um encontro, ou aniversário de namoro, ou até mesmo não beijar outros caras. Uma coisa bem liberal. Sem amarras ou exigências, bem solto. Aqueles tais relacionamentos abertos. Meus namoros sempre foram assim.
A cabeça de cabelos castanhos não entendia onde o outro queria chegar. Sentou-se no sofá, ao seu lado, atento ao discurso.
– Uma vez eu namorei uma… Pessoa. Que não aceitava nada menos que seriedade. Sair todo dia livre, eu pegar na porta de casa, deixar na porta de casa, conversar com os pais, falar no telefone todos os dias, dizer tudo sobre tudo, dar atenção toda hora, andar de mãos dadas, lembrar datas… E foi esse o que menos durou — por um momento Kentin sentiu-se ofendido: era exatamente isso que ele entendia por namoro, e era por aí que ele esperava de seu relacionamento novo. — Mas aí eu conheci você. Se irrita fácil, gosta de doces. Gosta de moda militar, o que aliás eu ainda acho super cafona… — “QUAL O MALDITO PROBLEMA COM MINHAS ROUPAS, ALEXY?!” Ignorou essa parte. — E gosta de carinho. Atenção. De tudo o que eu achei impossível querer em um relacionamento. Só que essa semana eu percebi que até agora, eu não namorei de verdade. Era atração, paixonite, não eram as pessoas certas…
Alexy se aproximou, tocando as mãos cheias de pequenos curativos no joelho de Kentin (quase coberto por uma bermuda brega).
– Eu nunca quis tanto assim ficar com alguém. Eu amo você. E não quero que o que a gente tem seja uma amizade com vantagens, como foi comigo até agora. Confie em mim, eu vou fazer dar certo.
Além da voz de Alexy, as batidas fortes de seu coração ecoavam pela sala. Não era possível que só ele estivesse ouvindo. Até doía com a força e a rapidez, mas Kentin nunca se sentiu tão leve. Tão amado.
Ao parar pra pensar em sua vida, nunca imaginou que seu primeiro namoro fosse com um garoto. E nem que sentiria como se pudesse ficar pelo resto de sua vida com ele. Droga, estava muito feliz. Também não imaginou sentir isso quando, depois da Educação Física, Alexy lhe roubou um beijo e disse que queria namorar com ele. Foi a melhor escolha feita nos últimos anos.
– Aw, Kentin! Não precisa chorar, haha! — semblante animado estava de volta. — Você é mesmo uma graça!
– Q-Quem aqui está chorando?! — pôs as mãos nos olhos marejados, que quase o trairam.
O azulado o abraçou mais forte do que todas as outras vezes, mas o peso no pescoço que Alexy se enganchou não foi nem um pouco incômodo. Foi obrigado á deixar o buquê no sofá para devolver o abraço em sua cintura. E foi mais ou menos aí que sentiu mais do que antes o tamanho da saudade daquele moleque e de seu calor.
Abraçou-o por longos e especiais minutos, como se aquela fosse a última oportunidade. E quando os olhos se encontraram, não foi necessária palavra alguma. O dono da casa foi agarrado pelas bochechas e beijado com toda a felicidade que caracterizava o de cabelos azuis.
Não tinha porque apresentar resistência, certo? Foi preciso só uma semana de namoro para Kentin se viciar nos beijos de Alexy (mais um dos motivos que o fez ficar puto naquele dia; e se Jade viciasse também?!). Não reclamava todas as vezes que o amante radiante tomava a iniciativa, apesar de momentos e lugares inusitados (Lexy já pediu um beijo no meio da prova, para dar sorte. E sim, uma semana de namoro).
O jeito espontâneo, brilhante e alegre também se fazia presente nos beijos, como aquele. As línguas já se entrelaçavam e se abraçavam, como uma dança em par. Não havia quem dominasse, era simplesmente os dois fazendo aquilo juntos.
Sentiu novamente o abraço no pescoço, e mais uma vez o pegou pela cintura.
O beijo se tornou possessivo por parte de Kentin, e Alexy só fazia aceitar de bom grado. Parecia uma conversa. “Hey, você é meu, ok?”, “Certo, com todo prazer”.
Ainda não era hora de respirar.
Kentin sentia seu corpo ir para trás por si só, obrigando-o a achar um lugarzinho no chão ao lado do sofá para o seu presente. Alexy o acompanhou, deitando-se sobre ele, não parando o beijo por nada no mundo. A carícia estava intensa, era possível sentir os leves tremores na garganta do azulado, gerando sons agradáveis, mesmo que abafados. A sala estava mais quente.
Não era legal sentir o leve áspero dos curativos adesivos contra sua pele, mas não tinha como dizer que não estava gostando da ousadia do de cabelos azuis tocando-o por dentro da regata branca. Kentin sentia arrepios bons quando as unhas curtas arranhavam-lhe de leve, e seu instinto de seguir o outro no quesito atrevimento o fez descer as mãos das costas pro quadril de Alexy. Boa escolha no fim, um suspiro e uma reboladinha como respostas. O coração foi pra garganta com a reação, as mãos tremeram de leve, e ele percebeu que aquilo poderia ser perigoso.
Agora sim era o momento certo para se tomar fôlego.
– Seus pais estão em casa…? — era quase impossível prestar atenção nas palavras quando a expressão ofegante e desejosa de Alexy era mostrada. Apenas balançou a cabeça. — Ótimo.
Kentin se envergonhou um pouco ante o sorriso travesso do outro, que começou á descer os beijos pelo pescoço e tentava tirar a regata. Mordeu as bochechas por dentro.
Era bom… Não queria que parasse. Mas estava nervoso, não sabia o que fazer. Afinal, não era como se ele já tivesse feito…
– H-Hey! — censurou.
Imerso em seu nervosismo, não percebeu que os beijos no pescoço viraram uma tentativa bem sucedida de abrir suas calças.
– O que foi? — o garoto perguntou, como se fosse a pessoa mais inocente do mundo.
– O-O que está tentando fazer?
– Não é óbvio, Kentin? Estou querendo te ch... — melhor não ouvir essa parte; tapou a boca do azulado com as duas mãos.
– N-N-Não fale! — estava mais envergonhado do que nervoso.
Não se sabia se estava mesmo mais nervoso ou com vergonha. Era virgem, oras! Não que não quisesse fazer, só não sabia o que fazer. Suas mãos tremeram de leve no rosto de Alexy, que pareceu captar o nervosismo: tocou com calma os dedos do menor em seu rosto, tirando-os dali.
– Desculpa, eu não pedi… — coçou a nuca. — Posso…?
Era impossível negar algo áqueles olhos tão… Urgh! Impressão, ou aquele sorrisinho fazia parte do sex appeal?
Kentin suspirou e relaxou a tensão dos ombros, dando sinal verde. Seus olhos se fecharam, e logo a boca se entreabriu, num gemido baixo e um pouco contido. A língua de Alexy era quente e habilidosa, não só nos beijos pelo visto. A falta de visão o deixou bem sensível á cada toque molhado que subia pelo seu membro. Sua voz não se conteve quando sentiu que estava dentro da boca de Alexy. Era ainda mais quente e gostoso.
Não conseguia exatamente descrever aquela sensação nova de ser sugado, lambido e beijado naquele lugar tão íntimo. Claro que ele já tinha se tocado, mas puts, era outro nível. Além de o estímulo ser diferente e muito melhor, quem o fazia era o de cabelos azuis.
Atreveu-se á dar uma espiada, e cara, que visão… Seu membro sumia na boca do outro e voltava á aparecer. Era tão erótico e… Bonito… Ficou ainda mais excitado.
Os olhos rosados o fitaram e um sorriso foi visto por parte de seu dono. Kentin mordeu o lábio inferior.
– Você já fez isso? — Alexy disse amavelmente, era incrível como ele conseguia combinar a voz meiga á expressão sexy.
– Hn… Isso ou… — ficou confuso, estava sem saber se ele estava falando do que fazia no momento, ou do sexo como um todo. — N-Não… — mas bem, pra todos os efeitos, a resposta ainda era a mesma.
Alexy se ergueu, levando uma das mãos aos cabelos castanhos, ainda um pouco úmidos por causa da ducha na academia.
– Não fique nervoso, Kentin querido — sorriu brilhante. — Eu posso te ensinar.
Recebeu um beijo na testa, e observou o azulado olhar a própria mão e pensar um pouco. Logo em seguida, ele pareceu lembrar-se de algo, tirando rapidamente os adesivos curativos dos dedos da mão direita.
– Bom, não temos lubrificante… — começou o de cabelos tingidos. — Mas dá pra usar minha pomada. Meus dedos ainda estão meio queimadinhos mesmo.
O espaço entre as sobrancelhas castanhas se tornou menor, enquanto via o azulado colocar uma boa quantidade da pomada do tubo nos dedos indicador e médio. Com a outra mão abriu as calças e se apoiou nos ombros de Kentin, que á essa altura, já estava sentado.
– O que está fazendo? — perguntou ao ouvir uns gemidos de incômodo vindos do outro.
– Me preparando… — riu ofegante.
Olhou para baixo, por cima do ombro do outro garoto. Corou ao entender na íntegra o que ele quis dizer.
– E… V-Você quer… Ajuda? — perguntou sem jeito.
– Não precisa… — afastou-se de seu ombro, estava corado e mordível (também). — Só me beije por enquanto…
Obedeceu prontamente, segurando Alexy pela cintura, logo enroscando as línguas novamente, de maneira apaixonada e urgente. Kentin agora parecia mais corajoso, subindo as mãos pelo corpo esguio coberto por uma camiseta lilás sem estampas e descendo as calças azuis escuras pelo menos até os joelhos. Sentia a pele do namorado se arrepiar, e os suspiros do mesmo no meio do beijo. Seus cabelos castanhos próximos á nuca foram apertados e dessa vez o baixo gemido saiu de sua garganta. Intervalo curto pra respiração, e mais um beijo fervoroso.
– Ok… Pronto… — encerrou a nova carícia entre as línguas, e abriu os olhos cor de rosa.
Algumas almofadas foram dispostas no canto do sofá, e Alexy acomodou as costas nelas, puxando Kentin pelo pescoço. O anfitrião da tarde ainda segurava o outro pela cintura, com aquela cara de “o que eu faço agora?”.
– Não tem segredo, Kentin — ergueu os quadris um pouco. — É só ir colocando devagar.
Engoliu em seco e mordeu as bochechas por dentro, duvidoso.
– A-Acha que eu consigo?
Um sorriso encorajador foi a primeira resposta.
– É claro que sim, meu Cookie.
Estranhou o apelido novo, mas ficou longe de desgostar. Respirou fundo, tomando a coragem necessária e ergueu um pouco mais o quadril de Alexy. De acordo com a instrução dada, foi entrando devagar. O que estava por baixo resmungou e seu coração apertou, medroso.
– T-Tudo bem? — perguntou preocuopado.
– Aham… — falou com um pouquinho de dificuldade. — É assim mesmo. Não pare, está indo bem.
Ainda incerto, continuou. Era um pouco difícil entrar, mas conforme ia mais fundo, ia ficando bom.. Melhor… Ótimo. O ar saiu junto á um gemido rouco de ambas as partes quando já estava todo dentro. Novamente o olhar “e agora?”, porém devido ás circunstâncias, era mais sexy. Um curto tempo sem palavras, apenas respirações.
– Ok. Agora tire…
O pedido foi uma ordem…
… ao pé da letra.
– N-Não tudo, Kentin!
– F-Foi mal! Você pediu pra tirar, e…
– Tudo bem. Coloque de novo.
Ainda envergonhado pela gafe, respirou fundo e entrou novamente.
– Não precisa esperar dessa vez. Saia e entre novamente.
O receio de errar estava presente nos movimentos lentos de seu quadril. Mas era tão bom… Aconchegante de certa forma. Quente, e ainda apertado… Delicioso. Não esperou ordens, e dizendo “mais uma vez” baixinho, repetiu. E de novo. E de novo. E de novo.
– E-Está pegando o jeito… — o azulado riu com o nariz. — Com mais força dessa vez…
Apertou o lábio inferior entre os dentes, e investiu com mais força, dessa vez mais atento ás reações de Alexy. Mais duas daquelas, e o outro gemeu alto. Kentin se surpreendeu, se perguntando se aquilo foi realmente obra sua.
– Consegue fazer isso de novo, Cookie...?
Feliz, assentiu com a cabeça, e aplicou mais uma vez força aos quadris, procurando apertar o botão gerador de gemidos dentro de Alexy. E conseguiu.
– M-Mais rápido agora, Kentin…
Estava realmente pegando o jeito. De novo e de novo acertando o ponto especial do namorado. Era fácil até. E muito bom. Sentia que poderia viciar naquilo num instante.
Em pouco tempo, o ritmo estava frenético e a voz de Alexy soava pela sala como melodia em gemidos e incentivos com palavras desconexas. O de cabelos claros agarrou-se ao seu pescoço, e as unhas curtas marcavam seus ombros. Era bem verdade que Kentin estava indo bem.
E, deitado sobre Alexy, sentindo-o por dentro e ouvindo um timbre lindo e diferente do habitual, Kentin sentiu que não importava o quão espontâneo o outro fosse, o amaria da mesma forma. Porque mesmo com erros, era isso que o fazia especial. Foi isso que chamou sua atenção, mesmo que sua sinceridade, ás vezes exacerbada, falasse mal das suas calças.
O ápice veio com um chamando o outro (sem contar a sensação de ter o canal, já apertado, contraindo-se em volta do membro; foi no céu e voltou com isso). Não caiu porque se apoiou pelos cotovelos no encosto do sofá.
– Tem certeza… Que era virgem…? — fez esforço pra falar, ambos com a respiração descompassada, buscando controle.
– Tenho… — respondeu constrangido.
– Então vou brigar com você todo sia. Se é assim que se pede desculpas… — não foi por mal, mas o castanho não deixou de ofender-se.
– Não brinque com isso, Alexy! — censurou.
– Haha… — riu um pouco. — Perdão, não pude evitar… Eu não ia aguentar ficar mais tanto tempo sem falar das calças do Cookie! — abraçou-o forte pelo pescoço.
– Cookie?! — não pode deixar de perguntar, soltando-se um pouco do abraço.
– É! — esticou o braço e, com um pouco de dificuldade, alcançou um dos biscoitos do buquê. — Primeiro, tem a cabeçona redonda… — desamarrava o laço do saquinho que envolvia o biscoito.
– Eu não sou cabeçudo! E minha cabela não é redonda também!
– Era só pra dar tempo de eu abrir o biscoito — os olhos verdes deram uma volta nas órbitas. — É crocante por fora… — ilustrava, rodando o biscoito. — Mas o recheio é doce! — partiu o biscoito, revelando um recheio de chocolate. — Além de ser uma delícia~
– Isso não faz sentido, Alexy — estreitou os olhos fitando o biscoito, que diferente do de gotas, era um pouco mais grosso, tendo dentro um recheio cremoso. — Nem todos os biscoitos são assim. Só esse seu aí.
– Exato! — falou de boca cheia. — Só você, meu Cookie, é assim. E outra, que dá um trabalho…- mostrou a mão machucada ainda. — Mas vale muito a pena.
Foi uma comparação engraçada, mas Kentin sentiu-se emocionado do mesmo jeito, sem ter como mais reclamar do apelido novo.
– Nunca pensei que um garoto pudesse ser tão complicado… — Alexy suspirou, deixando a metade que não comeu na boca do amado. — Mas é divertido! Eu gosto muito de você. Mesmo.
Kentin mastigou o biscoito, delicioso por causa do chocolate e o carinho.
Alexy também seria bem difícil de se lidar — e uma das primeiras coisas á se fazer era proibir apostas! Não tinha como prometer que não ia mais se chatear com ele, mas namoro tinha dessas coisas, afinal.
Amar é fácil. Difícil é conviver com as diferenças!
Só que, não importava o obstáculo ou o tamanho da briga, Kentin sentia que teria uma solução. Difícil, talvez. Mas com amor, dá se um jeito.
Fim
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