So Damn Confusing
4 Fourth
Notas iniciais
No capítulo anterior: Riko não se sente confortável ao saber que Kiyoshi quer se declarar para uma garota, e fica mais surpresa ainda quando ele se confessa e beija a morena depois do treino. Enquanto isso, o resto do time faz apostas para ver quem vai ficar com Riko; Kuroko diz que ambos têm chances iguais, e Mitobe e Koganei estão brigados. Acompanhe a continuação.
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Foi sem querer. Não era minha intenção, eu juro.
Ah, que estou tentando enganar? Foi sim. Só que... Bom, na hora errada.
Juro que não tinha a menor intenção de beijar Riko ali no meio da quadra. Simplesmente aconteceu, ué. Ela estava lá enrolando a fita no meu joelho, tão concentrada e bonitinha que, quando me dei conta, já estava beijando-a.
Melhor dar mais uma volta no parque por causa disso. E porque preciso de mais tempo pra pensar. Pulo uma poça e continuo correndo, sentindo o vento balançando minhas roupas e as folhas das árvores.
Estou com raiva de ter me apressado pra sair de lá. Unf, não sei o que deu em mim; nem dei tempo o suficiente para que ela absorvesse a situação e já me despedi. Como sou burro.
Pelo menos fico feliz de ela não ter me rejeitado, ou gritado, ou feito um escândalo, ou me batido. Droga, meu coração ainda 'tá acelerado. Não consigo parar de pensar nela.
–Ahhhh, eu sou um idiota!
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–Eu. Gosto. De. Você.
Um calor muito forte começa a subir pelas minhas costas, vindo lá da base da coluna; deu pra sentir perfeitamente a sensação chegando até minha cara, e minhas orelhas prontas pra entrar em combustão a qualquer segundo.
–Te-Te-Te-Teppei!
Coloco a mão sobre a boca e caio para trás. Meu rosto pega fogo. Apresso-me em levantar, mas minhas pernas estão tremendo.
–Olha só a hora! — ele diz, olhando o relógio na parede. O rosto dele também está vermelho e ele parece super sem graça — Eu disse 5 minutinhos, e já se passaram 10! Vamos correr, vamos!
Teppei pega na minha mão e me puxa para cima, e me arrasta pela quadra até a porta. Ele rouba a chave das minhas mãos e tranca o ginásio.
'To tão boba que não sei o que falar. Tenho até medo de tentar abrir a boca.
–Vamos, vamos.
Ele pega na minha mão de novo e vai me puxando caminho afora e pela rua, meio que correndo no lugar enquanto aperto o passo para conseguir acompanhar aquelas pernas grandes.
–T-Teppei! Teppei!
–Só espero que seu pai não fique bravo comigo — e ri, ainda me puxando pela mão.
Chegando na esquina, ele solta minha mão e para na minha frente, ainda sorrindo para mim, e com as orelhas tão vermelhas quanto as minhas.
–Vou pra lá agora, ok? Se cuida! Cuidado no caminho!
–Mas, Teppei...!
Porque ele não me escuta?
–Até amanhã, Riko!
Ele abaixa e dá um beijo no topo da minha cabeça, então vira, acena, e sai trotando pela rua em direção ao parque, deixando-me plantada lá como uma idiota. Sozinha.
Preciso deitar.
Atravesso a rua. Meu corpo inteiro está pegando fogo, e eu estou morrendo de vergonha. Do que? Não sei exatamente, mas meu rosto continua vermelho, estou suando e meu coração tá acelerado.
Quando Teppei disse que iria se declarar para uma garota, nem em um milhão de anos passaria pela minha cabeça que a garota seria eu. Por isso que fiquei mais do que surpresa quando ele me beijou e disse "Eu. Gosto. De. Você." com aquele tom cantarolado dele.
Estou histérica.
Eu nunca, nunca (nunca [nunca] nunca. Nunca? Nunca.) iria pensar numa coisa dessas. Ele me pegou totalmente desprevenida. Meu coração continua disparado.
Chego na rua de casa, e vejo que Hyuuga-kun está na calçada colocando o lixo para fora. Por favor, não me veja, por favor, não me veja...
–Técnica!
Droga.
Tento esconder o rosto no cachecol, e fico mecanicamente tentando ajeitar o cabelo.
–O-Oi.
–Você está bem? — ele pergunta, arregalando os olhos — Meu Deus, você 'tá tão vermelha!
–N-Não é nada, Hyuuga-kun, só me sinto um pouco cansada — tento me livrar rapidamente dele, mas ele volta a entrar na minha frente.
–Cansada? Quer que eu te faça um chá? Parece que você vai desmaiar.
–E-Eu 'to bem, Hyuuga-kun. Só preciso me deitar um pouco. Com licença.
Empurro-o para fora do caminho, abro a porta, entro, fecho, e corro para a minha cama, largando tudo no meio do corredor. Não estou nem aí.
Ok.
Ok.
O que aconteceu? O que foi aquilo?
Teppei simplesmente me beija e se declara. E depois age como se não tivesse feito nada. Droga. Droga.
Toda vez que fecho os olhos, sinto os lábios dele contra os meus, e a sensação não vai embora. Não sei se isso é bom ou ruim. E, honestamente, não sei se quero saber.
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Não.
Não.
Ele não fez isso.
Aquele... Aquele...
Nenhum xingamento que conheço é bom o suficiente pra expressar como me sinto em relação a ele.
Filho. Da. Puta.
Ele sabe que gosto dela, e ele vai lá e faz uma coisa dessas?! Quem ele pensa que é, caralho?! Eu sabia, sabia, sabia que não deveria ter deixado os dois lá!
Bom, eu também pensava que ele não jogaria sujo, mas pelo visto me enganei! Erroneamente enganado! Apunhalado pelas costas! Filho da mãe!
Chuto o lixo, que quase sai voando pela janela.
Eu pensei que fôssemos jogar um jogo limpo. Cada um na sua, sabe? Mas não. Um integrante do meu próprio time de basquete me passa a perna desse jeito.
Pensei que tínhamos concordado em ambos se declararem pra ela, e deixá-la escolher entre nós dois! NÃO ACREDITO NISSO.
Calma, Hyuuga, calma. Respira.
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IZUKI EU VOU MATAR AQUELE BASTARDO
Ele...?
O QUE VOCÊ ACHA??? EU ESTAVA JOGANDO O LIXO FORA QUANDO VEJO A TÉCNICA CHEGANDO EM CASA COM O ROSTO TODO VERMELHO E MEIO BOBA E ELA PARECIA QUE IA DESMAIAR!!! É MAIS DO QUE ÓBVIO O QUE ACONTECEU IZUKI
Antes de tudo, você precisa se acalmar.
VAI TOMAR NO CU.
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Lanço o celular contra a cama; ele quica, bate na parede e cai no chão. Jogo-me contra os travesseiros e berro de raiva.
E eu um dia cheguei a confiar naquele homem. Não acredito nisso.
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Não quero ir pra aula.
Definitivamente não quero.
Só de pensar em ter que encarar Teppei ou o resto do pessoal me deixa histérica. Estou até pensando em perder a primeira aula só para não ter que encará-los na entrada. Se bem que Tsuchi-kun está na minha sala, mas meu problema não é com ele.
Ah, droga. A primeira aula é Matemática; e o professor disse que ia passar matéria nova. Argh, não posso perder...
Talvez eu entre na sala bem no último minuto, aí não tenho que ver ninguém no corredor. É, boa ideia, Riko. Ótima ideia, na verdade. Vou fazer isso. Uhum.
O problema é que sempre vou com Hyuuga-kun para a escola, menos de terças e sextas. Vou precisar arranjar uma desculpa, a rápido, porque ele já está lá embaixo.
Coloco a cabeça para fora da janela.
–Hyuuga-kun!
–Dia, técnica! — ele olha pra cima e acena.
–Pode ir na frente, acabei de acordar e nem me arrumei ainda! Não vá se atrasar!
–Ah... Ok, a gente se vê — ele acena de novo e sai andando.
Uau, isso foi mais fácil do que pensei. Como ainda tenho mais 20 minutos até a aula começar, aproveito o tempo livre pra arrumar minha escrivaninha. Faltando 10 minutos, saio de casa. Apresso o passo. Espero não encontrar ninguém no caminho, e que Teppei já esteja dentro da sala.
Passo pelo portão da escola faltando 3 minutos para a aula começar. Corro. Entro na sala ao mesmo tempo que o professor, toda vermelha e suando. Jogo-me na cadeira ao lado de Tsuchida-kun.
–Bom dia, técnica.
–Dia.
Consegui. Eu consegui. Cheguei pra primeira aula e evitei quem queria evitar. Yes.
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M-M-Mas já é o intervalo?!
Preciso arranjar alguma coisa pra fazer. Rápido.
Espera. Kuroko-kun pediu minha ajuda com alguma coisa de Japonês e eu disse que ajudaria. Ótimo! Vamos até a sala dele.
Vou para o corredor. Não há sinal de ninguém. Continuo caminhando até a sala dele, passando pela sala de Hyuuga-kun e Teppei. Aperto o passo.
–Bom dia, Riko!
Estremeço. Diminuo o ritmo e viro para a sala deles. Teppei corre até a porta, sorrindo.
–Dia, Teppei — respondo, sorrindo também.
–Onde está indo? — ele abre bem os olhos e ergue as sobrancelhas.
–A-Ah... Kuroko-kun pedu ajuda em Japonês.
–Aham... — ele balança a cabeça — Ok, até depois!
–A-Até... — e volto a andar.
Como sou ridícula.
Fiquei com medo de encontrar Teppei por nada. Ele continua o mesmo de sempre, e continua igual comigo. Foi um equívoco pensar que ele mudaria. Isso me deixa muito aliviada.
Começo até a sorrir comigo mesma enquanto vou pelo corredor. Chego a sala de Kuroko-kun; ele está sentado atrás de Kagami-kun, ao lado da janela. Ele me cumprimenta, e eu sento ao seu lado para ajudá-lo com a gramática.
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–Nossa. Que cara feia. Vai ficar cheio de rugas, hein.
Hyuuga-kun lança-me um olhar bravo, mas só consigo rir da cara dele.
–Não 'to no clima.
–Que que aconteceu? — pergunto, sentando ao lado dele no banco da quadra — Se você não me falar, não posso ajudar.
–Nada.
–Bom... — suspiro — Então volte ao treino. Vá correr um pouco.
–Vou só me alongar.
Hyuuga-kun está com uma cara péssima; parece irritado com alguma coisa. Por mais que eu pergunte, ele não me responde o que há de errado. Estou começando a ficar preocupada, e queria poder ajudar de alguma forma.
–Rikoo! — Teppei chega perto e abaixa até ficar na minha altura — Vai fazer alguma coisa hoje?
–Hoje? — meu rosto começa a ficar quente. Ele me encara com aqueles grandes olhos castanhos dele — Ahn... Meu pai pediu para ajudar na academia.
–Ah... — ele faz um bico — Eu ia te chamar pra tomar sorvete.
–Nesse frio?!
–Nunca está frio pra tomar sorvete, sabe? — sorri — Mas deixa pra outro dia então.
Balanço a cabeça e ele volta a bater a bola pela quadra.
A-Acho que não é de todo ruim essa situação. É até legal saber que tem alguém que gosta de você. Sinto-me importante.
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–Fim do treino! Entrem logo no chuveiro antes de pegarem friagem!
Todos guardam as bolas nos cestos e entram no vestiário. Levo Nigou para passear e apago as luzes. Todos saem com suas bolsas nos ombros.
–Aí o professor de Física foi jogar a garrafa d'água para cima e deixou cair. O chão ficou todo inundado. — Teppei ria ao meu lado.
–Que azar — digo, esfregando as mãos, tentando aquecê-las.
–Até respingou um pouco em mim — ele diz; então me olha — Quer minhas luvas?
–Ah? Não, não precisa — agradeço.
Teppei pega na minha mão e a esfrega entre as suas.
–Nossa, está gelada mesmo!
–É-É...
As mãos dele são grandes e quentinhas, e bem macias. Não são só as minhas mãos que ficam quentes; meu rosto também fica. Ainda bem que estamos mais para trás, pelo menos ninguém pode ver minha cara de pimentão. Ufa.
Teppei para no meio da rua.
–Hm?
–Ah, tenho que ir praquele lado. Ir ao mercado, sabe como é.
–Ok...
Ele abaixa e beija minha cabeça suavemente, e depois ajeita meu cabelo com um sorriso no rosto.
–Tchau, até amanhã!
–T-T-Tchau.
–Tchau, pessoal!
O resto do time se despede dele, e ele atravessa a rua, indo para a direita. Mordo o lábio. Porque ele faz uma coisa dessas?
–Técnica? Técnica?
–AH?
Kagami-kun balança a mão na minha frente.
–Você 'tá bem? — pergunta, franzindo as sobrancelhas.
–'T-To. Vamos indo, sim?
Meu corpo vai seguindo o pessoal, mas minha mente está bem longe. Sendo honesta, gosto da atenção que Teppei me dá. A sensação de saber que você é importante para alguém é muito feliz. Meu coração 'tá batendo rápido.
Ugh.
Despeço-me do pessoal na frente da academia. Papai deixou a comida em cima do balcão, e o cheiro está ótimo.
–Papai? — chamo em voz alta.
–Aqui atrás.
A academia está cheia hoje. Papai está ao lado da esteira vendo um homem correndo, e diz a ele uma série de instruções. Beijo-lhe a bochecha e agradeço o almoço, mas paro um segundo para analisar o homem.
–Hmm — digo — Você não acha que ele precisa treinar mais a resistência? Os dados dele 'tão meio baixos.
–Resistência? — papai olha pra mim com os olhos arregalados, mas depois põe a mão no queixo e volta a olhar para o homem — Tem razão. Vamos trabalhar nisso.
Sorrio para eles.
–Ah, Riko. Não precisa ficar até tarde hoje, ok? Só até às 2:00.
–Okay.
Volto ao balcão para comer meu almoço. Puxa, se eu soubesse que não ficaria até tarde, teria aceitado o convite de Teppei para o sorvete.
Bom, deixa pra lá.
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Hyuuga, você tem que parar de ser um bundão.
Sendo um maricas desse jeito você nunca vai fazer ela gostar de você, seu idiota.
Eu sei, eu sei. Tenho que mudar minhas atitudes.
DROGA! NÃO ACREDITO NISSO!
Gosto dela há tanto tempo que perdi as contas, e sempre procurei um jeito de confessar tudo. Aí chega Kiyoshi e, literalmente do nada, se confessa pra ela. De onde ele tomou tanta coragem, aquele viadinho? Droga. Droga.
Não adianta descontar minha raiva nela; Riko não tem a menor culpa. Ela, ainda por cima, está tentando descobrir porque estou tão puto. Que fofa.
Ok, vamos mudar a tática, então. Hora de mover os peões.
O jogo vai finalmente começar. E espero que Kiyoshi tenha protegido bem sua Rainha, porque eu vou com tudo o que eu tenho pra cima desse filho da puta.
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