So Damn Confusing
1 First
Notas iniciais
Alguma coisa está muito estranha por aqui.
Confie em mim quando digo isso.
–Teppei! TEPPEI! FOCO!
–Ah? — ele vira e me encara com aquele sorrisinho brincalhão dele — Desculpe, Riko. 'To pensando em muitas coisas.
–Então deixe pra pensar depois e se concentre no treino agora. — coloco as mãos na cintura.
E eu pensando que ele já era avoado. Jesus.
Olho para a direita, e vejo Hyuuga-kun treinando arremessos com os garotos do primeiro ano. Mas ele parece um pouco desligado hoje também.
Anotação mental: dobrar o treino desses dois.
–Hyuuga-kun, relaxa esses ombros! E Kagami-kun, pare de brigar com Kuroko-kun e vá correr lá fora um pouco!
–Mas, técnica...! — Kagami abre os braços.
Ele desiste de tentar argumentar comigo ao ver minha cara.
–Ok...
Só mais dez minutos. E depois, estudar pra prova de amanhã.
–Riko? — Teppei chega perto de mim e senta no banco ao meu lado.
–Hm?
–Você tem um tempinho depois do treino? — ele ergue as sobrancelhas e dá um sorriso — Eu queria saber sua opinião sobre uma coisa.
–Ahn... Ok. — uau, que raro algum dos meninos pedindo minha opinião pra assuntos pessoais. Até chego a me sentir importante.
Teppei sorri de novo e seca a nuca com uma toalha. Olho o relógio; já deu o tempo. Assopro o apito e parabenizo a todos pelo bom treino. Continuo sentada no banco enquanto vejo-os indo em direção ao vestiário.
Sim... Alguma coisa está bem errada por aqui.
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Espero por Teppei na entrada do ginásio; ele é o último a sair. Tranco a porta e viro-me para ele.
–Ok, sobre o que quer falar? — pergunto.
–Vamos andando, sim?
Vamos seguindo pela rua em silêncio. O tempo está começando a esfriar e as folhas já estão caindo das árvores. Talvez eu deva acrescentar mais alguns minutos de aquecimento...
–Então, Riko — ele finalmente começa quando chegamos ao semáforo — Eu queria um conselho, sabe? Conselho feminino.
Ergo as sobrancelhas.
–Tá.
–É que... — ele vira o rosto para o lado e olha pra cima — Eu, hm...
–Gosta de alguém?
As bochechas dele pegam fogo ao ouvir o que eu disse, e ele começa a coçar a nuca involuntariamente.
–É-É, sim... E-Eu gosto de alguém e queria saber como p-posso falar isso pra ela — e ri sem graça, ainda com as bochechas vermelhas.
Teppei gostando de alguém? Isso é novidade pra mim.
–Deixe-me ver... — coloco a mão no queixo — Ah, sim. Olha, garotas não gostam muito de indiretas, então acho que o melhor a se fazer é falar de uma vez.
–T-Tipo na lata mesmo?
–Aham. — sorrio — Agora me fala quem é.
–Se tudo der certo, eu te falo.
–Que injusto! — bato o pé no chão — Conselhos não são de graça, sabia?
–Pode pegar então — ele me estende uma balinha.
–Não quero bala, quero informações.
O sinal abre, e nós começamos a andar de novo.
Ele ri.
–Já falei que conto. Só espere eu falar com ela. — e sacode meu cabelo.
Continuo tentando arrancar informações dele enquanto vamos pela rua. Infelizmente, ele se despede e vira à esquerda sem me falar nada. Suspiro.
Teppei apaixonado. Será que é alguém da classe dele? Ah, tem aquela bonitinha do cabelo loiro... Tenho quase certeza de que é ela.
Nunca pensei que fosse ver isso na minha vida.
Mas tudo bem, não é hora de pensar nisso. Amanhã tem prova de Inglês e eu tenho que estudar.
Chego em casa; papai ainda não está. Subo para o meu quarto e vou tomar um banho e comer alguma coisa antes de sentar e estudar. Estou fazendo um sanduíche quando recebo uma mensagem no celular.
Tá ocupada? Preciso de ajuda.
Que foi, Hyuuga-kun?
Não sei nada de Inglês.
Bato com a mão na testa.
Senta e estuda.
Eu estava pensando se você poderia me ajudar a estudar...? Já que você é tão legal, sabe.
Suspiro. Fazer o que, né. Além do mais, ensinar alguém é ótimo pra revisar a matéria.
Ok, eu te ajudo. Pode vir.
Valeu, técnica.
O único ruim de Hyuuga-kun morar na casa da frente é que eu mal tive tempo de colocar uma roupa decente, muito menos terminar de comer.
–Oi, desculpa o incômodo — ele diz quando abro a porta, ainda na metade do meu sanduíche. — Eu realmente preciso de nota em Inglês. 'To pior que o Kagami.
–Jesus, garoto. Entra. — abro espaço para que ele entre, e fecho a porta. Ofereço a ele a outra metade do sanduíche. Subimos para o meu quarto e sentamos para estudar.
Primeiro, pego a lista da matéria da prova de amanhã. Checo as anotações de Hyuuga-kun, sacudindo a cabeça de desgosto.
–Ok, vamos por partes. — digo, abrindo meu próprio caderno — Primeiro, Verb To Be.
–...Tá. — ele ajeita os óculos.
Vejo um erro gramatical que quase faz com que eu tenha um AVC.
–Hyuga-kun, é "you are", não "you is". Are se usa pra you, they e we. Is é pra he, she, it. Pra I, usa-se am. Entendeu? Melhor anotar isso.
Ele pega a caneta e anota tudo o que falei. Continuo explicando toda a parte de Verb To Be até entrar na cabeça dele.
–Agora, as Conditionals. — abro o livro no capítulo.
–É nessa parte que eu to ferrado — ele apoia a cabeça nas mãos.
–Calma, relaxa. — pego meu lápis — Preste atenção aqui. Conditionals baseiam-se no if, que é como um "se". A conditional zero é a mais simples.
–Hm.
Ele abre bem os olhos e me encara. Assusto-me um pouco.
–V-Você usa quando fala de fatos. Por exemplo, se você aquece a água, ela ferve, certo?
–Aham — ele continua me encarando. Seco o suor das mãos.
–Então fica "if you heat water, it boils". Tá vendo? A primeira conditional é if + present = present + s. Você é bom em matemática, então pra simplificar pensa como sendo uma equação.
Ele balança a cabeça e anota tudo o que falei.
–Então se eu falar "if you heat ice, it melt" tá certo?
–É "melts", mas tá certinho sim.
–Técnica, você ensina melhor do que a professora — ele sorri pra mim e volta a anotar as coisas no caderno. Engulo em seco.
Continuo ensinando-o as conditionals mais o resto da matéria. Acho que nem vou precisar estudar depois de ter ensinado Hyuuga-kun. Só interrompemos o estudo quando papai entra no quarto dizendo que a comida já chegou.
Ele semicerra os olhos para Hyuuga-kun, e fecha a porta.
Hyuuga-kun se estica todo, bocejando.
–Não quer ficar para o jantar? — ofereço, fechando os livros — Hoje tem pizza. — sorrio.
–Já tomei muito do seu tempo hoje — ele sorri de volta.
–Besteira — levanto-me e visto as pantufas — Continue estudando as conditionals e faça estes exercícios que eu vou pegar pizza pra gente.
Desço as escadas e vejo papai comendo na frente da TV, assistindo o jornal da noite. Vou até ele e lhe dou um beijo na bochecha.
–Alguma novidade? — pergunto, pegando dois pratos no armário.
–Tirando que descobriram uma estrela onde chove diamantes, acho que 'tá tudo na mesma — ele diz de boca cheia — 'Tá estudando?
–Prova de Inglês.
Coloco os refrigerantes nos copos.
–O quatro-olhos vai mal em Inglês?
–Não tão mal quanto o Kagami-kun, mas 'tá quase ali. — rio.
–Hmmmmmmm.
Levo as coisas para o andar de cima. Hyuuga-kun e eu continuamos a estudar conforme comemos, e só depois de ele acertar todos os exercícios que eu o deixo voltar para casa.
–Valeu pela ajuda, técnica. 'To te devendo uma. — ele abre um sorriso e bagunça meu cabelo.
–Não há de que, Hyuuga-kun. — abro a porta de casa — Que tipo de capitão seria você se não fosse um exemplo nas notas?
–É, tem razão.
–Boa noite, até amanhã.
–Noite.
Fecho a porta e vou para o meu quarto. Jogo-me na cama; minha cabeça dói um pouco. Estou quase pegando no sono quando sinto meu travesseiro vibrando.
Outra mensagem.
TECNICA SCRRO EU N SEI ND DE ING
Pelo visto, os primeiranistas também têm prova de Inglês, e Kagami-kun está desesperado.
Já vi que a noite vai ser muuuito longa.
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