Snowy Days

5 Volta pra casa.


Notas iniciais
Oioi gente linda, tudo bem com vocês? c: Bem, esse cap devia ter saído mais cedo (hoje de tarde, mas o cap estava pronto desde madrugada), mas como minha beta estava off (de novo), só fui postar agora. Me desculpem por ter demorado uwu

P.O.V. – Percy

Convidar Nico para andar comigo até que nós chegássemos à nossas respectivas casas parecia uma boa ideia. Eu podia só ter descoberto o nome dele hoje, mas eu sentia como se já fosse alguém próximo. Quer dizer, ele não parecia ser o tipo de pessoa que tem muitos amigos, e também não apresentou nenhuma objeção no jeito que eu tratei ele lá na cafeteria. Se eu tinha alguma certeza naquilo tudo, era que eu ia virar amigo dele, querendo ou não. Talvez até mesmo algo mais...

“Sério Percy, no que você está pensando?” Repreendi a mim mesmo, e me foquei no que estava ao meu redor; Nico, uma calçada e uma distância de pouco menos de um metro entre nós. Tentei não pensar no quanto eu queria diminuir esse espaço entre nós, e nem no novo sentimento que surgia dentro de mim que eu ainda não conseguia entender e nem identificar. Era só eu, o garoto que eu conheci esses dias, e o caminho até nossas casas.

Eu ainda estava um pouco confuso, mas mesmo assim decidi continuar com aquilo. Puxei-o pelo braço, e começamos a andar. Ele seguia em um ritmo totalmente sem pressa, como se não tivesse absolutamente nada para se preocupar. Gostaria de ter a mesma calma dele. Gostaria de conseguir prestar atenção em uma coisa só. Gostaria de não estar tão ansioso por algo que nem eu mesmo sabia o que era.

Eu puxei o braço dele mais uma vez, com um sorriso em meu rosto. Eu estava praticamente correndo, ignorando quaisquer poças que estivessem no meu caminho, a possibilidade de escorregar e tudo o mais. Queria acabar com toda aquela energia de uma vez só. Por mais que o trabalho como garçom tivesse sido cansativo, parecia que eu tinha tomado uma injeção de adrenalina pura após sair do café. Uma sensação estranha e engraçada que fazia com que meu coração batesse mais rápido.

— E-ei! — Ele reclamou, tentando me acompanhar. Nico estava indo tão devagar que minha mão acabou escorregando e eu tive que segurar no pulso dele.

Eu apenas ri, continuando a correr como se não houvesse amanhã.

— A gente não ia chegar a lugar algum se continuássemos naquele ritmo! — Eu disse em um tom animado, apesar de estar precisando de mais ar devido ao que eu estava exigindo dos meus músculos. O ar de inverno era um pouco rarefeito, então ficava pior para fazer essas coisas. Mas eu não me importava. Seja lá o que fosse aquilo, não fazia diferença. Eu estava animado demais para me preocupar com oxigênio naquele momento.

Continuamos correndo daquele jeito por mais uma quadra e pouco. Eu não fazia ideia de quanto que aqueles quarteirões eram grandes.

Subitamente Nico parou, ofegante. Ele se apoiou nos seus próprios joelhos, e ergueu uma mão em um pedido mudo para que eu parasse. Aparentemente, ele também não era um cara muito esportivo.

— Pausa. — Eu disse, e só fui perceber o quanto estava cansado agora. Não estava tão mal quanto Nico, mas mesmo assim eu precisava de um descanso. Sério, o que tinha dado em mim?

Aparentemente, Nico estava pensando a mesma coisa que eu.

— Por que você fez isso? — Ele perguntou ainda na mesma posição de antes. Falava em um tom que as pessoas usavam com gente que fugiu do hospício. Ou pelo menos, era o que parecia.

— Pra ser sincero... eu não faço ideia. — Soltei um riso, mas logo depois voltei a arfar. Eu conseguia ver o ar saindo de nossas bocas sem muita dificuldade.

— Quem sabe nós andamos a partir de agora?

— Boa ideia.

A partir de então, nós dividimos a velocidade de antes por dez e começamos a caminhar nesse ritmo. O baixinho parecia ainda não ter se recuperado por completo, mas estava melhor do que antes. Seguimos em silêncio, sendo interrompidos apenas pelo barulho de alguns carros que passavam ali por perto, e pelo som de nossas próprias respirações. Depois de um tempo assim, acabei esboçando um sorriso.

— O que achou?

— O que eu achei do quê? — Ele franziu as sobrancelhas.

— Da corrida, claro. — Soltei um pouco de ar pelo nariz. — Melhorou um pouco a sua carranca?

— Eu não tenho carranca. — Fez uma careta, e colocou ambas as suas mãos nos bolsos de sua jaqueta. Por um instante eu me perguntei se ele chegava a lavar aquela coisa, já que todas as vezes que eu o vi estava usando-a.

— Tá aí, ó. Carranca. — Eu ri de novo.

— Cala a boca. — Ele disse em um tom irritado, mas o sorriso em seu rosto mostrava exatamente o contrário. — Idiota.

— A gente se conheceu ontem e você já está me chamando de idiota. Acho que estou fazendo progresso.

Ele riu mais uma vez, fazendo com que eu sentisse um frio na barriga. Quando ele estava lá com a irmã e o namorado dela, não parecia nem de longe tão alegre. Talvez ele não estivesse à vontade com eles. Mas se fosse esse o caso, por que agiria desse jeito na frente de um cara que nunca tinha visto na vida até alguns dias atrás? Eu não sabia, mas me sentia bem por deixá-lo alegre desse jeito.

Dei uns tapinhas nas costas dele do mesmo jeito que fiz quando nós estávamos saindo do café, e depois coloquei minhas mãos nos bolsos de novo. Estava frio demais para ficar com elas de fora.

— Estamos perto? — Perguntei, voltando a caminhar tranquilamente, como se nada tivesse acontecido antes.

— Sim, já estou conseguindo ver o meu prédio daqui. — Ele me acompanhava um pouco atrás, como se estivesse olhando alguma coisa. Depois ele se tocou do que estava fazendo independente do que fosse, e apressou um pouco o passo. Seu rosto estava um pouco avermelhado, e por alguma razão isso me fez rir de novo. Ele ficava adorável desse jeito.

“Quer dizer, engraçado.” Repreendi a mim mesmo na minha cabeça. Sério, o que eu estava pensando? Droga.

Eu balAncei a cabeça para afastar aquele pensamento da minha mente, e dei uma olhada na rua que se estendia à nossa frente. Apontei para o prédio azul claro, e disse:

— Eu moro naquele ali.

E então, Nico parou de andar. Eu virei-me, e vi que suas sobrancelhas estavam franzidas e seus olhos, arregalados.

— Que foi? — Perguntei, fazendo uma careta. Ele estava tão cansado assim para parar do nada?

— Eu... eu também moro ali. — Ele disse, e foi só agora que eu percebi que ele estava olhando fixamente para o prédio. Nesse momento, eu não soube se ficava feliz ou surpreso por causa da notícia. Então decidi ficar os dois.

[...]

Nós estávamos no hall de entrada do condomínio, se é que dava para chamar aquilo de hall. Era um lugar um pouco velho, com as paredes descascando e um porteiro ocupado vendo novela mexicana ali na entrada. Tinha um sofá, as caixas de correspondência e mais os elevadores, para onde nós estávamos indo.

Nico me seguia, um pouco desconfortável. Ele andou de cabeça baixa, completamente calado, até nós chegarmos ao elevador. Eu não entendia o que estava acontecendo, mas resolvi não discutir. Talvez ter descoberto que o cara da cafeteria mora no mesmo prédio que ele tenha o chocado um pouco. Não sei, ainda não o conheço bem o suficiente pra tentar adivinhar o que passa na cabeça dele.

— Mora em que andar? — Perguntei, já apertando o botão do meu andar, o terceiro. Em resposta, ele apertou o dele. A luz ao redor do botão número quatro ligou-se.

Ficamos em silêncio até que chegamos ao terceiro andar, e eu me preparei para sair. Saí do ambiente claustrofóbico e estendi o braço para impedir que as portas se fechassem. O garoto fez uma careta, como se estivesse ansioso para que eu desse o fora dali o mais rápido que pudesse.

— Pode me dar o seu celular? — Eu perguntei, apesar de não saber exatamente o porquê de ter dito isso. Ele me encarou por um tempo, e depois de um a olhada em volta como se estivesse verificando se não tinha alguém ali. Depois, finalmente me disse seu número.

Eu sorri.

—Te ligo depois. — Eu disse, e saí dali. Observei as portas se fecharem, e andei até à porta da minha casa com o sorriso mais bobo de todos no rosto, observando fixamente o número que eu tinha registrado durante todo o percurso. Nico morava um andar acima de mim, e eu conseguira o telefone dele.

Por algum motivo, esse pensamento me deixou mais feliz.

Notas finais
Bem, uma perguntinha: Quais outros ships vocês gostariam que aparecessem nessa fic também? Eu já vou colocar Jasico (mas vai ser fraco e sem pegação, como eu já falei aqui nos comentários do nyah), Lazel, Thaluke, e estou em dúvida a respeito dos outros. Podem me dar uma ajuda? uwu Não vou colocar todos que me falarem e nem fazer votação, só vou pensar a respeito do assunto e ver se incluo ou não na história. E mais uma coisa: O que vocês acham de um lemon (mais tarde, obviamente)? Querem que eu inclua ou não? Não tenham vergonha de responder uwu Um abraço de chocolate, e um pedido para que vocês comentem. Beijinhos~